25 maio 2008

JOVENS BRASILEIROS ACREDITAM QUE AINDA DÁ TEMPO...EU TAMBÉM ACREDITO...!


Adolescentes brasileiros acham que ainda dá tempo de frear o Aquecimento Global
...MAS TEMOS QUE COMEÇAR JÁ!

E com o engajamento de toda a humanidade...NÃO DESMATAR, NÃO POLUIR, NÃO DESPERDIÇAR...COMECEMOS AGORA, AMIGO(A)S!

O amanhã é muito longe...vamos pensar VERDE, amar e respeitar a terra!

Data: 13/05/2008 - Os jovens brasileiros estão bastante preocupados com o meio ambiente. A juventude do país é considerada a mais otimista do mundo no que diz respeito às possibilidades de reverter os efeitos das mudanças climáticas no planeta. As constatações são de uma pesquisa realizada pela comunidade virtual Habbo Hotel em parceria com o Greenpeace, no fim do ano passado. A idéia era descobrir a percepção da população jovem mundial a respeito de temas como aquecimento global e as atitudes tomadas por eles para reverter a situação.
Cerca de 50 mil adolescentes de 20 países responderam o questionário. A comunidade é um espaço para fazer novos amigos e participar de jogos virtuais, dedicada a adolescentes com idades entre 13 e 18 anos. Há 10 milhões de participantes do Habbo no mundo. “O público do site não representa a realidade do país, mas esse é um indicativo importante sobre o comportamento do jovem brasileiro e não pode ser descartado”, afirma Marcus Imaizumi, gerente brasileiro da Sulake, empresa criadora do Habbo.
As respostas dadas pelos brasileiros que participaram da pesquisa apontam que 92% se preocupam com o aquecimento global e a poluição. A maioria dos adolescentes (72%) afirma que o Brasil sofrerá com os efeitos do aquecimento global. Mas poucos (33%) acreditam que o país contribua muito para a poluição do meio ambiente. Os jovens mais conscientes a respeito do papel do próprio país na emissão de poluentes são os japoneses, seguidos dos franceses e dos americanos. Os Estados Unidos são considerados pelos adolescentes o maior culpado pelo aquecimento global.
Os brasileiros (72%) também afirmam ter conhecimento suficiente sobre o tema e as formas de contribuir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O desafio é colocar os conhecimentos teóricos em prática. “Já tinhamos consciência de que o povo brasileiro é bastante preocupado, mas só isso não basta. Os jovens precisam encontrar maneiras de agir”, destaca Mariana Schwatz, responsável pelo marketing do Greenpeace no Brasil.
De fato, outra pesquisa comprova a análise de Mariana. Intitulado de Cidadania sustentável: um chamado para a ação, o estudo realizado pelo Ibope-Inteligência mostra que há uma grande distância entre as intenções e as atitudes dos brasileiros. Em relação ao meio ambiente, 92% dos entrevistados afirma que separar lixo é uma obrigação da sociedade, mas apenas 61% confirmam que realizam a coleta seletiva em casa. A pesquisa aponta que 85% dos brasileiros reconhecem que pilhas e baterias são extremamente prejudiciais ao meio ambiente, mas 32% ainda as jogam no lixo comum.
Na opinião de Mariana, é importante saber que o público jovem da internet tem interesse pelo tema. “Eles têm um grande poder de mobilização, mas o engajamento ainda é pequeno. Entre as ações mais praticadas pelos estudantes, de acordo com a pesquisa, são: desligar a TV quando não se está assistindo, apagar a luz ao sair de um ambiente e utilizar lâmpadas frias em casa. Os jovens brasileiros se dizem dispostos a fazer reciclagem e conversar com os amigos para conscientizá-los da importância da preservação do meio ambiente.
Fonte: Revista Meio Ambiente

OS AMBIENTALISTAS E AS BOAS IDÉIAS PARA DIVULGAR A NOSSA BIODIVERSIDADE

Procuro frequentar, o máximo possível, blogs e sites ecológicos...gosto muito de todos, afinal, a causa é de todos nós, mas tem um blog, que me abasteço de energia verde, pois ele exala isto...é tanta clorofila que brota-lhe pelos poros, que inspira a seguir firme em nossa caminhada de conscientização dos homens.
Inclusive, o Jeison criou um jogo de cartas, estampadas com árvores de nossas florestas...muito interessante, vejam!
Uma pequena homenagem-difusão do blog do Engenheiro Florestal (IBAMA), Progresso verde.
Boa sorte, Jeison!


"Olá... saiu do forno o Super Trunfo Árvores Brasileiras, projeto que estava trabalhando há algum tempo ligado aos objetivos do Progresso Verde (http://progressoverde.blogspot.com), um espaço de discussão e informação para um planeta sustentável ...Inspirado no site Treta, que idealizou o "Super Trunfo Blogs", pensei: por que não fazer um Super Trunfo das árvores brasileiras permitindo que, ao mesmo tempo em que as crianças se divirtam, aprendam um pouco sobre a riquíssima flora nacional... claro que não há limite de idade, bastando imprimir o baralho, recortar as cartas e jogar segundo as regras do Super Trunfo original...O baralho conta com 32 cartas personalizadas, cada qual com 8 informações sobre diversas espécies arbóreas brasileiras, sendo 4 itens de confrontamento – ALTURA, DIÂMETRO, DENSIDADE DA MADEIRA e TEMPO DE GERMINAÇÃO das sementes. Para a escolha das espécies procurei incluir as mais conhecidas, árvores símbolos de Estados e regiões, mais importantes para a biodiversidade e economia... também é conhecido a FAMÍLIA, NOME POPULAR e CIENTÍFICO, além da OCORRÊNCIA da espécie no território nacional...Para ver o resultado, acesse http://progressoverde.blogspot.com/2008/03/super-trunfo-rvores-brasileiras.html"


20 de Março de 2008 - Super Trunfo Árvores Brasileiras...
Como no Natal, na Páscoa o Progresso Verde também dá presente. Não é chocolate, mas um trabalho de educação ambiental que tomou um pouco do meu tempo. Inspirado no genial Treta, que idealizou o "Super Trunfo Blogs", pensei: por que não fazer um Super Trunfo das árvores brasileiras permitindo que, ao mesmo tempo em que as crianças se divirtam, aprendam um pouco sobre a riquíssima flora nacional. Claro que não há limite de idade, bastando imprimir o baralho, recortar as cartas e jogar segundo as regras do Super Trunfo original.O baralho conta com 32 cartas personalizadas, cada qual com 8 informações sobre diversas espécies arbóreas brasileiras incluindo FAMÍLIA, NOME POPULAR e CIENTÍFICO, OCORRÊNCIA da espécie no território nacional e 4 itens de confrontamento – ALTURA, DIÂMETRO, DENSIDADE DA MADEIRA e TEMPO DE GERMINAÇÃO das sementes. Para a escolha das espécies procurei incluir as mais conhecidas, árvores símbolos de Estados e regiões, mais importantes para a biodiversidade e economia.
Então, faça o download do baralho pelo Rapidshare ou direto nos arquivos do Progresso Verde. Se não souber baixar pelo Rapidshare, aqui tem um tutorial.
Sempre lembrando que a reprodução é permitida - e incentivada -, desde que citada a fonte, podendo ser colocado um link do http://progressoverde.blogspot.com/ ou adicionar o button, lembrando que o blog e todos seus produtos são protegidos por uma Licença Creative Commons. Aguardo comentários.
Feliz Páscoa a todos e boa diversão.
IMPORTANTE
O nome e a marca Super Trunfo são de inteira propriedade de Grow Jogos e Brinquedos S.A. e não será explorado comercialmente por este blog. Todos os direitos reservados à empresa.
As imagens e informações das espécies foram retiradas dos livros Árvores Brasileiras v. 01 e 02, de Harri Lorenzi do Instituto Plantarum e todos os direitos são reservados.
Update 1: Considerando que as regras do jogo na Wikipedia não são muito explicativas, veja aqui mais detalhes de como jogar.

QUEIMADAS EM CANAVIAS DE SÃO PAULO(BRASIL) SERÃO BANIDAS À PARTIR DE 2014...ENQUANTO ISTO, O PLANETA AGONIZA!




Senhores Governadores, senhores deputados...2014, é tempo demais, a vida não pode esperar tanto, o véu da fumaça ronda nossas cabeças, é tempo de um BASTA NAS QUEIMADAS DE CANAVIAIS.

Senhores empresários canavieiros, não se trata de prejuízo financeiro ou redução dos lucros, mas de um ENORME PREJUÍZO PARA A VIDA, A SUA VIDA, A MINHA VIDA...a nossa VIDA!

STOP NOW!

PAREM JÁ COM AS QUEIMADAS!

10/03/08 - As queimadas nos canaviais do Estado de São Paulo terão de ser extintas até 2014. Nesta segunda-feira, o governo do Estado e representantes dos fornecedores do setor sucroalcooleiro assinaram o Protocolo Agroambiental que determina a antecipação do prazo. Pela lei em vigor atualmente, as queimadas tem de ser eliminadas até 2021. No evento, que aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, o secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, informou que as queimadas podem ser eliminadas até dois anos antes do fim desse prazo, ou seja, em 2012. O protocolo faz parte do pacote com 21 Projetos Ambientais Estratégicos lançado pelo governo estadual em abril do ano passado...
...ENQUANTO ISTO, A VIDA NO PLANETA TERRA CONTABILIZA O SEU PREJUÍZO MORTAL:
1 - A SUSTENTABILIDADE AGRÍCOLA - O uso do fogo na agricultura é altamente pernicioso a terra, pois provoca a desertificação (como ocorreu no nordeste brasileiro), pelas alterações climáticas, como conseqüência da destruição da cobertura florestal nativa e pela falta de proteção para as nascentes e mananciais, ocasionando uma alteração irreversível no ciclo das chuvas.
As queimadas da palha da cana-de-açúcar provocam vários impactos ambientais negativos que afetam a sustentabilidade da própria agricultura. No solo, o fogo altera as suas composições químicas, físicas e biológicas, prejudicando a ciclagem dos nutrientes e causando a sua volatilização.
As queimadas provocam um uso maior de agrotóxicos e herbicida, para o controle de pragas e de plantas invasoras, sendo que esta prática, agrava ainda mais a questão ambiental, afetando os micro organismos do solo e contaminando o lençol freático e os mananciais. A contaminação da água pode atingir níveis de difícil ou até mesmo impossível recuperação.
As queimadas causam a liberação para a atmosfera (segundo foi comprovado pelo INPE de São José dos Campos e UNESP de Jaboticabal) de ozônio, de grandes concentrações de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2), que afetam a saúde dos seres vivos, reduzindo também as atividades fotossintéticas dos vegetais, prejudicando a produtividade de diversas culturas. As queimadas liberam grandes quantidades de gases que contribuem para a destruição da camada de ozônio na estratosfera e, assim, possibilitam que raios ultravioletas atinjam em maior quantidade a Terra e causem efeitos cancerígenos e mutagênicos. Por outro lado, os gases que ficam concentrados na atmosfera absorvem a energia térmica dos raios infravermelhos refletidos pela superfície da Terra, contribuindo com o efeito estufa que gera uma reação em cadeia negativa para o planeta.
Durante a queimada da palha da cana-de-açúcar a temperatura a 1,5 cm de profundidade chega a mais de 100º e atinge 800º centígrados a 15 cm acima da terra, afetando gravemente a atividade biológica do solo, responsável por sua fertilidade. O aumento da temperatura do solo provoca a oxidação da matéria orgânica, sendo que houve constatação na Colômbia de redução em 55% a 95% no teor da matéria orgânica em solos após as queimadas.
As queimadas eliminam os predadores naturais de algumas pragas, como as vespas, que são inimigas da broca da cana Diatrea saccharalis (que é a principal praga da cana na região de Ribeirão Preto), provocando o descontrole desta praga e exigindo assim a utilização cada vez maior de agrotóxicos, provocando maior contaminação ambiental. Na mesma linha, o fogo não mata as sementes das gramíneas invasoras e estas, por não estarem cobertas pela palha, germinam rapidamente.Para combater essas plantas invasoras, os agricultores utilizam herbicidas em grande escala e em quantidade cada vez maior, motivo pelo qual a cultura da cana é responsável pelo uso de mais de 50% de todos os herbicidas utilizados na agricultura brasileira.
A queimada eliminando da cobertura vegetal do solo favorece o escorrimento superficial da água das chuvas, agravando o processo erosivo. Esse fenômeno é explicado pela insuficiência de cobertura do solo superficial que sofre forte compactação pelas chuvas e vai ficando impermeável, dificultando a infiltração da água e a brota da vegetação. O solo vai empobrecendo, pela eliminação da matéria orgânica. A queima altera a umidade do solo, por causa das mudanças na taxa de infiltração de água, no volume de enxurrada, na taxa de transpiração, na porosidade e na repelência do solo à água e, conforme suas características, o solo pode ficar mais impermeável, situação esta que torna o terreno excessivamente duro e mais sujeito a erosões.
Depois das queimadas também se verifica aumento do aquecimento na superfície do solo, pela maior absorção da radiação solar, fato causado não só pela perda da cobertura vegetal, mas também pela cor que fica na terra (do cinza ao preto). Se o fogo não fosse utilizado como prática agrícola, seria bem maior o aproveitamento dos fertilizantes químicos e orgânicos (aplicados em quantidades cada vez maiores), haveria melhoria das qualidades físicas, químicas e biológicas do solo com sua melhor conservação e conseqüentemente maior produtividade, ocorreria melhoria da capacidade de infiltração da água na terra aumentando a retenção de umidade e reduzindo a erosão pelo efeito da cobertura com palha que serviria de proteção ao solo.
Em conclusão a prática das queimadas é prejudicial à agricultura pelos seguintes argumentos: a)Deixa o solo desnudo, o que aumenta as perdas por erosão, principalmente em terrenos íngremes; b)Volatiliza substâncias necessárias à nutrição das plantas; c)Destrói grande parte da matéria orgânica do solo; d)Elimina os microorganismos úteis do solo; e)diminui a progressivamente a fertilidade do solo e a produtividade das lavouras.
Considerando a sustentabilidade da própria atividade agrícola, as queimadas provocam mudanças no ciclo hidrológico e na composição da atmosfera, contribuindo para uma degradação ambiental que afeta todos os seres vivos.
2 - OS IMPACTOS NA FLORA: - A destruição da vegetação florestal nativa do Brasil e, em especial, no Estado de São Paulo, tem ocorrido nos diversos ciclos de implantação de culturas e pastagens sendo o ultimo deles o da monocultura canavieira. Como exemplo temos a região de Ribeirão Preto que até a década de 1970 tinha 22% de cobertura florestal ativa, sendo que com o estimulo do PROALCOOL essa área foi reduzida para menos de 3% nos dias atuais. Mesmo com essa cobertura florestal irrisória para manter o equilíbrio ecológico da região, o fogo continua invariavelmente atingindo os últimos e pequenos remanescentes de vegetação nativa.
Os canaviais não são plantados em áreas distantes, isoladas de outras culturas ou vegetações. Na verdade, eles se estendem até os limites de florestas, unidades de conservação, áreas de proteção ambiental, áreas de preservação permanente e áreas de plantio de outras culturas.
Como as queimadas são efetuadas na estiagem, não raro as vegetações limítrofes são atingidas, diretas ou indiretamente, sofrendo danos irreparáveis ou de difícil reparação.
Como exemplo temos a Estação Ecológica de São Carlos, Unidade de Conservação localizada no Município de Brotas - SP, que tem uma história de destruição causada pelas queimadas da cana-de-açúcar.
Os canaviais da Usina da Serra estendem-se até os limites dessa Unidade de Conservação, sendo que há um histórico de danos diretos e indiretos, nela provocados pelas queimadas realizadas nessa monocultura.
Esses danos não são só causados por fogo provocado pelas fagulhas, mas também pela alta temperatura alcançada na queimada, que destrói a vegetação da borda, dando espaço para ervas daninhas, que se alastram pela área protegida.
São comuns as notícias publicadas sobre a destruição dos remanescentes de vegetação nativa por incêndios, com início a partir das queimadas da palha da cana-de-açúcar, sempre com alegações dos representantes do setor sucro-alcooleiro afirmando que o fogo fugiu ao controle.
3 - OS IMPACTOS NA FAUNA: - As queimadas dos canaviais, em regra, eram feitas a partir dos quatro lados da plantação, sendo que o fogo parte das extremidades para o centro e a temperatura chega a alcançar 800 º C. Essa prática, conhecida como "queimada em círculo", embora condenável, é sabido que ainda é utilizada em diversos lugares do Brasil. No Estado de São Paulo as queimadas têm sido feitas geralmente a partir de dois lados dos canaviais, para reduzir os riscos de acidentes. De qualquer forma o fogo tem destruído um número ainda incalculável de espécimes da fauna nativa, a saber, desde insetos até mamíferos.
Os biólogos que trabalham no Parque Ecológico de São Carlos-SP desde 1989, relataram que não raro resgatavam das queimadas - na maioria das vezes sem sucesso - animais como gatos do mato, onças-pardas, lobos-guará, veados, tamanduás, tatus, cobras e muitos outros. Esses indivíduos eram resgatados das queimadas dos canaviais e raramente sobreviviam. Relataram também que é enorme a quantidade de animais que morrem pelo fogo, pela elevada temperatura ou por asfixia causada pela fumaça. Além disso, há um número espantosamente maior de outros integrantes da fauna, como insetos, pequenos roedores e pássaros, que são completamente incinerados e sequer deixam vestígios notáveis.
Explicaram que muitos animais por não encontrarem mais as matas nativas que foram destruídas para implantação dos canaviais, tem como único abrigo o próprio canavial, que serve para sobrevivência e a procriação dessas espécies. Por este motivo, é muito comum o animais silvestres se multiplicarem no meio dos canaviais, onde muitas aves, como pombas, nhambus, codornas e perdizes fazem seus ninhos e colocam seus ovos, também atraídas pela farta oferta de insetos. Essa povoação atrai predadores como cobras, ratos e lagartos, que por sua vez atraem outros predadores de maior porte, como o cachorro-do-mato, o lobo-guará e a onça-parda. A esta população juntam-se outros animais, como a capivara e a paca. Impiedosamente a queimada alcança esse nicho ecológico que tenta se restabelecer dentro do canavial, matando os animais que dificilmente conseguem fugir dessa verdadeira armadilha preparada pelo homem.
Não existe um levantamento estatístico científico sobre a quantidade de animais, nem de todas as espécies que morrem, em média, por hectare de canavial queimado.
Os dados existentes são escassos e representam uma fração bastante pequena da realidade, pois são referentes apenas aos animais que são resgatados com vida e levados a um atendimento emergencial.
Assim, estão fora deste levantamento todos os insetos e praticamente todas as aves e pequenos roedores. Também não estão computados animais que conseguem fugir, lesionados, que acabam por morrer em outro lugar.
A Polícia Ambiental do Estado de São Paulo passou a desenvolver a partir do ano de 2002 um trabalho que consiste em operações de constatações de danos à fauna pelas queimadas, logo após a sua utilização nas lavouras de cana-de-açúcar.
A informação é que são encontrados muitos animais mortos, moribundos ou abalados pelo calor, fumaça e fogo, além de um número incalculável de pequenos animais cujo desaparecimento no meio da queimada não deixa vestígios.
Como se constata, não existe um trabalho científico, sobre o numero de espécimes atingidos por hectare de cana queimada, mas as informações já existentes revelam um grande impacto sobre a fauna e o conseqüente desequilíbrio ecológico.
Concluímos que a queimada da palha da cana-de-açúcar, embora muitas vezes feita com autorização do poder público, é uma prática que infringe a lei, pois provoca danos na fauna, que é especialmente protegida por leis federais e estaduais.

24 maio 2008

MADAGASCAR - UM ECOSSISTEMA EXÓTICO QUE ESTÁ AMEAÇADO




Nome oficial: República de Madagascar
Capital: Antananarivo
População: 13.9 milhões
Área: 594,180 Km2
Madagáscar, situa-se no oceano Indico a aproximadamente 400Km da costa oriental de Africa, é a 4ª maior ilha do mundo, sendo apenas superada pela Gronelândia, Nova Guiné e Bornéu. Tem aproximadamente 1600Km de comprimento e ocupa uma área de 600 000km2. A ilha foi sempre um pólo de atração de viajantes e exploradores e mantém um véu de magia e mistério, especialmente pela sua única e fascinante vida selvagem.
Há aproximadamente 165 milhões de anos, o afastamento das placas tectónicas contribuiu para a criação do Canal de Moçambique, dando início à longa jornada que levaria ao aparecimento da ilha de Madagáscar no Oceano Índico. Contudo, foi apenas há 70 milhões de anos que o sub-continente Indiano, outra grande massa de terra, se separou de Madagáscar, criando as lisas escarpas que caracterizam a costa oriental da ilha que, dirigindo-se para Norte em direcção ao continente Asiático, deu origem à formação dos Himalaias.
A ilha de Madagáscar é famosa pelo seu notável tamanho e diversidade de habitats, pelo que é normalmente designada como o “8º Continente”. A sua diversidade resulta especialmente da sua localização geográfica (entre os Trópicos), do seu enorme tamanho e da sua topografia pouco habitual. A costa oriental é caracterizada por abruptas escarpas batidas pelo Oceano Indico, com um clima bastante húmido e sujeito a tempestades tropicais entre os meses de Dezembro e Março. No topo destas escarpas encontramos o “Haute Plateaux” com as suas temperaturas amenas, começando-se a partir daí uma longa e lenta descida para ocidente, onde Madagáscar encontra as quentes e azuis águas do Canal de Moçambique. A costa ocidental é quente e seca, tornando-se ainda mais seca conforme nos deslocamos para Sul.
A espinha do planalto central provoca uma drástica diferença climática entre a costa oeste (úmida e caracterizada pelas florestas tropicais) e a costa leste (seca e caracterizada pelas savanas). O sul do país apresenta um clima mais árido com vegetação de cactos.
Na costa oeste, as estações mais chuvosas vão de novembro a março.
Madagascar possui uma fauna particular, com espécies endêmicas na ilha, como o lêmure e o camaleão. Desde a proliferação dos humanos na ilha, infelizmente, muitas espécies foram extintas, como o pássaro elefante e o hipopótamo pigmeu. A conservação da fauna nativa é uma preocupação bastante presente, e espera-se dos viajantes que demonstrem a mesma atenção quando estiverem viajando pelo país. Uma quantidade inimaginável de espécies foi dizimada em Madagascar.
Um dos campeões no desaparecimento de primatas, as queimadas e o corte de florestas para abrir espaço à agricultura são os principais responsáveis pela ameaça à sobrevivência das espécies.
A redução nas populações de primatas também tem impacto negativo na preservação das florestas que os abrigam. Eles desempenham funções no equilíbrio do ecossistema, como a dispersão de sementes das muitas plantas que usam para se alimentar.
Em alguns países da Ásia e da África, inclusive Madagáscar, a solução encontrada pelos governos para frear a devastação da fauna foi desenvolver o turismo ecológico. Monta-se uma infra-estrutura mínima para receber turistas interessados em ver espécies exóticas e envolvem-se as comunidades locais no projeto, mostrando que elas podem ganhar dinheiro com a preservação da natureza. Para essas comunidades, a derrubada das florestas e a caça ilegal deixam de ser as únicas formas de subsistência.
- 3 espécies de lêmures, os pequenos primatas de Madagáscar, estão ameaçadas de extinção.
Madagascar está relativamente próxima ao continente africano, porém aparentemente só tornou-se habitada há cerca de 1500 anos. A grande maioria dos habitantes da ilha são descendentes de imigrantes da região da Polinésia e Malásia, que chegaram na ilha durante o século VI. Em 1500 os primeiros europeus, portugueses, chegaram à ilha. Nos anos seguintes, muitos outros chegaram a Madagascar, especialmente holandeses e ingleses. Em meados de 1790, o rei da tribo Merina fez com que sua tribo se tornasse dominante naquelas terras, usando as armas dos europeus, e assim, dominou quase metade de todo o território da ilha. Em 1820, os ingleses assinaram um tratado reconhecendo Madagascar como um estado semi-independente, sob o comando dos Merina. Uma vez construído o Canal de Suez, em 1869, os ingleses perderam o interesse na região. Em 1890, um tratado anglo-francês cedeu o controle para França e assim Madagascar foi declarada colônia francesa. Quase 60 anos mais tarde, após muitas guerras e conflitos, a independência foi declarada em 1960 e Philibert Tsiranana foi eleito o primeiro presidente do país.

Quando se discute a importância de Madagáscar globalmente, esta é normalmente definida como um “Hotspot”. A palavra “Hotspot” foi primeiramente utilizada pelo cientista Norman Myers para descrever áreas particularmente ricas em espécies endémicas e ameaçadas pelas atividades humanas tais como desflorestação e/ou urbanização. Desde essa altura, 25 áreas em todo o mundo foram identificadas como “hotspots”. Estas áreas contêm 44% de todas as espécies de plantas existentes no mundo e 35% de todos os mamíferos, pássaros, anfíbios e répteis, representando apenas 1,4% de toda a superfície terrestre.
Fonte: http://www.africadosul.net/site/pais_ver.aspx?Pais=18

CÓRDOBA ( ARGENTINA) - O REPOVOAMENTO DO RIO TERCERO - em Espanhol


Foto:* http://www.manuelzao.ufmg.br/jornal/jorn-ulted-15/peixes.htm
Un programa destinado a sembrar dorados en el río Tercero será lanzado en los próximos días, en esta ciudad. El guardafauna provincial Edgar Taricco, encargado del control de pesca en el lago Piedras Moras, anunció a este diario que la próxima semana arribará a Río Tercero el director de Recursos Naturales de la Secretaría de Ambiente de la Provincia, Oscar de Allende, para explicar los detalles del programa para reinsertar esta especie en este río. Taricco comentó que se trata de una “especie nativa” de este curso de agua, que existía originalmente y que con el tiempo, y la construcción de los sucesivos diques en su curso, virtualmente desapareció. Según apuntó, en la zona de Villa María hace un par de años se encontró un dorado de menor tamaño, pero como dato aislado. Décadas atrás era posible observar doradillos hasta en la naciente de este río, en Calamuchita. Aún no está definido si la siembra será desde el lago de Segunda Usina o el de Tercera Usina. De este modo, la especie se podía regenerar sobre todo entre Embalse y Almafuerte (dique Piedras Moras). Según Taricco, del programa ya despertó entusiasmo en clubes náuticos de la zona. Detalles. El viernes pasado se realizó la primera reunión en la repartición provincial en la que se explicaron detalles para la reinserción del dorado (salminus maxillosus) en el río Ctalamochita o Tercero, ante guardapescas y clubes de pescadores aficionados. El objetivo apunta a repoblar con esa especie este río, el más caudaloso de la provincia. Este río, tras el último embalse que lo contiene (el Piedras Moras) retoma su recorrido natural hacia el este; en la llanura se termina uniendo con el Saladillo para formar el Carcarañá, el cual dentro de la provincia de Santa Fe, desemboca en el río Coronda, tributario del Paraná. El dorado es una especie mayormente conocida en los cuerpos de agua que conforman el sistema del río Paraná. Desde éste, debería remontar como hacía hasta décadas atrás hacia el río Tercero, pero esa acción se encuentra limitada por toparse con barreras, como sucesivos diques. “Es una especie susceptible de ser traslocada y capaz de sobrevivir con éxito en nuevos ambientes naturales abiertos o cerrados; por eso puede ser llevado a un nuevo hábitat. A modo de ejemplo, en la provincia de Córdoba se realizó la traslocación del dorado desde el Río Dulce al Embalse de Cruz del Eje, durante la década del ’80 y ’90. La tasa de supervivencia en ese entonces, después de la reubicación de estos ejemplares, fue del 90 por ciento, demostrando la gran factibilidad de desarrollar este nuevo desafío”, expresa un informe de la Secretaría de Ambiente. “La tarea de extraer ejemplares del medio acuático para ser traslocados es una tarea difícil. Por ello, para reinsertar dorados en el río Tercero, es preferible adquirir alevines de criaderos, que contarán con el certificado sanitario garantizando sobre el estado físico, nutricional y ausencia de diversas enfermedades. Un posible criadero se localiza en la provincia de Misiones”, acota el informe oficial. Para tramos del río Tercero se supone que la presencia del dorado o doradillo, su variante más pequeña que es la que supo adaptarse a esta región, podría servir como atractivo para la pesca deportiva, entre otros fines. La existencia de este proyecto había sido revelada hace ya un año por este diario.


* Nome Popular: Dourado Nome científico: Salminus brasiliensis - Alimenta-se de pequenos peixes nas corredeiras e na boca das lagoas. Nada em cardumes nas correntezas dos rios e realiza longas migrações reprodutivas. Pode alcançar mais de 1m de comprimento e 25kg, mas exemplares desse porte são raríssimos. É considerado o maior peixe de escama da bacia do São Francisco, conhecido como o rei do rio. Também já foi registrado no rio das Velhas até a cidade de Santana do Pirapama.Fonte: Ministério do Meio Ambiente e os biólogos Carlos Bernardo Mascarenhas Alves (Coordenador do sub-projeto S.O.S. Rio das Velhas) e Paulo dos Santos Pompeu.

A POLUIÇÃO NO VALE DO RIO TERCERO (CTALAMOCHITA) - ARGENTINA

Foto: El guardafauna Edgar Taricco, en el dique Piedras Moras, donde "renace" el río Tercero o Ctalamochita. (autor LaVoz)

24-Ago-2007 - A sujeira não é patrimônio dos rios de Buenos Aires. As águas transparentes das nascentes do Rio Tercero, no centro da Argentina, estão se transformando em um caldo turvo.
BUENOS AIRES, 20 de agosto (Terramérica) - O despejo de líquidos residuais está devastando o segundo rio mais caudaloso da província de Córdoba, no centro da Argentina, o Ctalamochito, ou Rio Tercero. Originada nos centros povoados e nos complexos fabris, a contaminação transforma as águas transparentes de suas nascentes em um caldo turvo e malcheiroso, em um percurso de quase 300 quilômetros. A bacia do Rio Tercero começa nas proximidades do monte Champaquí – o mais alto da província, com quase 2,8 mil metros –, uma área com precipitações anuais em torno de 1.600 milímetros. Com um caudal médio de 27,17 metros cúbicos por segundo, banha 3,3 mil quilômetros quadrados e é uma das principais bacias hidrográficas de Córdoba. O Ctalamochita – do idioma indígena "ctala" e "mochi", por causa da taleira (Celtis tala) e da aroeira-mole (Schinus molle), árvores abundantes na região – é afluente direto do Rio Paraná e, portanto, da Bacia do Rio da Prata. Em sua bacia superior recebe numerosos afluentes que dão ao curso principal grandes volumes de água disponíveis para energia, irrigação e controle de cheias. Em seu trecho médio e inferior a água se destina principalmente ao abastecimento de 55 mil habitantes e em seu trecho baixo a irrigação de cultivos. E o rio também tem usos recreativos, com atraentes praias e locais de pesca. Embora a contaminação do Ctalamochita já se fizesse notar no começo da década de 90, um estudo da Faculdade de Ciências Exatas, Físicas e Naturais da Universidade de Córdoba, realizado por meio de um convênio com a Direção Provincial de Água e Saneamento (DiPAS), oferece um diagnóstico detalhado e atual, no qual indústrias e usinas de tratamento são protagonistas. O trabalho foi apresentado pela engenheira Nancy Larrosa, do Instituto Superior de Pesquisa e Serviços em Recursos Hídricos, na Conagua 2007, Congresso Nacional da Água, realizado em maio, na cidade de Tucumán.Compreende nove campanhas sazonais de controle realizadas desde 2004, que incluíram todo o Rio, do balneário Almafuerte à localidade de Saladillo. Foram estabelecidas 14 estações de amostragem em áreas de descargas industriais e de esgoto, captação de água para torná-las potáveis e praias, incluindo os centros mais povoados, como Villa Maria (87 mil habitantes), Rio Tercero (43 mil) e Bell Ville (32 mil). Os parâmetros físicos, químicos e biológicos pesquisados foram comparados com a norma vigente, o decreto 415 da Direção Provincial de Água e Saneamento de Córdoba. Os pesquisadores comprovaram que todos os indicadores analisados aumentavam águas abaixo. O fósforo total encontrado superou o máximo permitido, de 25 microgramas por litro, em todo o Rio menos no "balneário" (praia) Almafuerte, nas nascentes. Segundo os especialistas, este nutriente pode ser encontrado nas águas devido ao despejo de esgoto doméstico e industrial ou por dissolução de compostos fosfatados presentes nos sedimentos dos corpos hídricos.As maiores concentrações de fósforo foram encontradas depois das descargas dos coletores de esgoto de Villa Maria e Bell Ville. Também ali foi registrado aumento da demanda biológica de oxigênio, parâmetro para medir a concentração de contaminantes orgânicos, e da bactéria Escherichia coli. O alumínio também superou os limites permitidos em todos os pontos de controle, menos nos balneários Almafuerte e Rio Tercero. Na medida em que o Rio avança, aumenta a alcalinidade e dureza da água, bem como a presença de cloreto, sulfato, sódio, potássio e cálcio. "Isso indica diferentes níveis de contaminação relacionados tanto com as descargas industriais quanto com o esgoto doméstico", explica a engenheira Larrosa. O estudo assinala que, quando o caudal do Rio descia a menos de dez metros cúbicos, as concentrações de arsênico aumentavam até valores muito próximos dos permitidos. A pesquisa revelou que indústrias localizadas em Bell Ville, Villa Nueva, Monte Lema e Ballesteros, despejam seus dejetos no Rio. Todas elas e as estações depuradoras de água (14 no total) infringiam o decreto 415, o que motivou citações, multas e em alguns casos, proibição de despejo de efluentes. "A complementaridade de nossa tarefa com a da DiPAS resultou estratégica. A universidade não tem poder de polícia", destaca Larrosa. As principais indústrias instaladas nessas cidades produzem lácteos, explosivos e papel. Há também um matadouro-frigorífico e estações depuradoras. A cidade de Rio Tercero baseia boa parte de sua economia em seu pólo petroquímico e metal-mecânico. Produz de ácido nítrico e água oxigenada a herbicidas, pesticidas e compostos petroquímicos. Conta com 21 fábricas, entre elas a Petroquímica Rio Tercero, a Fábrica Militar Rio Tercero e a Atanor. Em outubro de 2005, a Fábrica Militar Rio Tercero foi multada pela DiPAS por causa da má qualidade de seus efluentes. Essa mesma empresa foi notícia no dia 3 de novembro de 1995, por causa de uma explosão – que depois se soube ter sido intencional e relacionada com o contrabando de armas – que matou sete civis, feriu mais de 300 e destruiu três bairros. Agora, a fábrica voltou a ocupar as primeiras páginas dos jornais, no dia 6 deste mês, devido à explosão de uma caldeira de sua fábrica de amoníaco, causada por vazamento de gás. A explosão desatou novamente o pânico entre a população, por conta da ocorrida em 1995, que ainda persiste na memória dos habitantes e nos eucaliptos da região. Quase 12 anos após a primeira explosão, "o município não criou um sistema efetivo e independente de vigilância e controle, e os moradores continuam sem um plano para enfrentar emergências químicas", destacou em um informe o cientista Raúl Montenegro, prêmio Nobel Alternativo (Right Livelihood Award) e presidente da Fundação para a Defesa do Meio Ambiente. No dia 12 de junho, um vazamento de gás tóxico matou dois operários na fábrica da Petroquímica Rio Tercero. Um mês depois, 40 operários foram hospitalizados, vítimas de emanações de amoníaco. Como em outras cidades argentinas, os mecanismos de sanções e multas mostram suas debilidades, pois fica mais barato para as empresas pagar multas do que investir para alcançar um bom desempenho ambiental. Um outro aspecto preocupa, disseram fontes cientificas consultadas pelo Terramérica: a qualidade das águas subterrâneas na zona sul é deficiente devido às altas proporções naturais de arsênico e flúor, o que torna mais urgente preservar o Ctalamochita como fonte segura de água.


LINKS EXTERNOS: Faculdade de Ciências Exatas, Físicas e Naturais da Universidade de Córdobahttp://www.efn.uncor.edu/index1.htm" target=_blank>http://www.efn.uncor.edu/index1.htm>http://www.efn.uncor.edu/index1.htm+Instituto Superior de Pesquisa e Serviços em Recursos Hídricoshttp://www.secyt.unc.edu.ar/inst_rec_hid/index.htm" target=_blank>http://www.secyt.unc.edu.ar/inst_rec_hid/index.htm>http://www.secyt.unc.edu.ar/inst_rec_hid/index.htm+Fundação para a Defesa do Meio Ambientehttp://www.funam.org.ar/" target=_blank>http://www.funam.org.ar/>http://www.funam.org.ar/Legenda: Descarga residual em um afluente do Rio Tercero.Crédito: Colégio Universitário de JornalismoArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. (Envolverde/Terramérica)

Por Claudia Mazzeo - * A autora é correspondente da IPS.

23 maio 2008

O DESEQUILÍBRIO DA DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA

Foto: Rio Congo - África
DESIGUALDADES - Se considerarmos todo o planeta, veremos que a distribuição de água doce na natureza é desequilibrada entre as várias regiões. Alguns países dispõem de mais água do que seus habitantes necessitam, enquanto outros estão situados em regiões extremamente secas, como o norte da África, o Oriente Médio e o norte da China. Canadá, Islândia e Brasil são países favorecidos pela natureza em relação à água potável. Esse desequilíbrio faz com que um canadense possa gastar até 600 litros de água por dia e um africano disponha de menos de 30 litros diários para beber, cozinhar, fazer a higiene, irrigar plantações e sustentar rebanhos.

MÁ UTILIZAÇÃO - Uma das próximas vítimas mundiais do estresse hídrico pode ser a China, e num espaço de tempo curto: 20 anos. O país tem 20% da população mundial e 7% dos recursos hídricos globais. Metade das cidades chinesas já padece com a escassez de água. No norte do país, mais árido, o lençol freático está exaurido; no sul, onde as fontes são mais abundantes, a poluição atinge os maiores rios. Para o Banco Mundial, caso a China continue a crescer demográfica e economicamente como hoje, 30 milhões de chineses estarão sem água em 2030. A principal causa da escassez de água potável é o mau uso. Estima-se que, de cada 100 litros de água própria para consumo, 60 se percam em razão de maus hábitos ou de distribuição ineficiente. Um dos exemplos mais gritantes é o do Mar de Aral, na Ásia, que perdeu três quartos de volume de água por causa de projetos desastrosos de irrigação. A agropecuária é a atividade que mais consome água no mundo. Calcula-se que as plantações respondam por 69% de seu uso. A indústria utiliza 21% e o consumo doméstico responde por 10%.

USO CONSCIENTE - Graças à popularização crescente da idéia do uso sustentável dos recursos naturais, há meios para reverter esse quadro. Medidas simples e ao alcance de todos, como reduzir o tempo de banho e fechar a torneira ao escovar os dentes ou ensaboar a louça, podem resultar em até um terço de economia na utilização doméstica. As mudanças no uso econômico, tanto agrícola quanto industrial, também podem cortar o consumo. Parte importante, porém, cabe aos governos, responsáveis por investimentos para resolver problemas estruturais. Os vazamentos na rede de fornecimento drenam boa parte da água tratada. Há estimativas de que, em certos países, até 70% da água que sai dos reservatórios não chegue às torneiras, escoando por encanamentos mal conservados. No Brasil, calcula-se que essa perda fique em 45%. A ampliação das estações e redes de tratamento de água é outro aspecto básico para fazer frente ao aumento do consumo. Afinal, do início ao fim do século XX, o uso humano de água aumentou seis vezes no mundo, sob o dobro do crescimento da população no mesmo período.

BRASIL EM BERÇO ESPLÊNDIDO - O Brasil é privilegiado com relação aos recursos hídricos: 12% da água doce superficial do planeta corre em rios nacionais. Esse percentual é o dobro de todos os rios da Austrália e da Oceania; 42% superior aos da Europa; e 25% a mais do que os do continente africano. Claro que, como ocorre em outros lugares, esses recursos estão geograficamente mal distribuídos. A região amazônica, na qual vivem apenas 5% dos brasileiros, acumula 74% de toda a água nacional. A boa situação do país também se repete com relação às águas subterrâneas, os aqüíferos. Ao todo, o país dispõe de 27 aqüíferos, sendo o principal o Guarani, neste caso, localizado sob as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste.Mesmo assim, há problemas de longa data nunca resolvidos. O principal diz respeito ao abastecimento de água para parte da população do semi-árido nordestino. Nos últimos anos, a situação tem melhorado graças ao uso de carros-pipa e à construção de açudes e de cisternas.Além disso, o governo federal começou as obras para a transposição das águas do rio São Francisco. A obra, porém, é polêmica: para seus defensores, vai garantir o abastecimento de água para populações em zonas críticas de seca; para os críticos, poderá prejudicar seriamente o São Francisco. O alerta é da ONU, que já traça um cenário atual bastante difícil: mais de 1 bilhão de pessoas - cerca de 18% da população mundial - estão sem acesso a uma quantidade mínima de água de boa qualidade para consumo.A questão é que, mantidos os atuais padrões de consumo e de danos ao meio ambiente, o quadro pode piorar muito e rapidamente: calcula-se que, em 2025, dois terços da população global - 5,5 bilhões de pessoas - poderão ter dificuldade de acesso à água potável; em 2050, já seria cerca de 75% da humanidade.O drama diz respeito à sede e à escassez de água para cozinhar, tomar banho e plantar, mas também à disseminação de doenças causadas pela ausência de tratamento da água, como diarréia e malária.