15 junho 2008

FAUNA E FLORA IV - A FOCA DA GROELÂNDIA

Precisamos ajudar a salvar mais esta maravilha da vida!
De tempos em tempos ouvem-se
notícias de que as focas estão sendo caçadas, principalmente as focas-da-Groenlândia.
A bonita pele branco-dourada de seus filhotes é muito procurada, e por isso milhares de foquinhas são massacradas todos os anos. As focas-da-Groenlândia são mais capazes de sobreviver à caça que as outras espécies. Calcula-se que existem atualmente cerca de cinco milhões de focas-da-Groenlândia. enquanto outras espécies já estão quase à beira da extinção. As focas-da-Groenlândia não vivem em terra firme. São encontradas em grandes colônias no oceano Ártico e no Atlântico Norte, sempre na borda da banquisa de gelo. Fazem buracos no gelo para respirar, e também usam esses buracos para mergulhar na água e pescar. Os filhotes das focas nascem no começo da primavera. A fêmea, depois de 11 meses de gestação, dá à luz um filhote que não faz nada a não ser dormir e mamar durante vários dias.
A pele do filhote é branca, somente durante pouco tempo; em poucas semanas ela muda. Quando isso acontece, a mãe leva a foquinha para a água.
FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Pinnipedia
FAMÍLIA: Phocidae
CARACTERÍSTICAS:
Comprimento: até 180 cmPeso: até 18 kg
O macho tem uma grande manchamarrom ou negra, em forma deharpa, sobre o dorso
Fonte: http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/foca_da_groelandia.htm

A ALEMANHA QUER REDUZIR A EMISSÃO DE GASES POLUENTES

O Parlamento alemão aprovou em 06/06/2008, um pacote de leis para a proteção ao clima com as quais pretende reduzir as emissões de gases que intensificam o efeito estufa em 36% até 2020, em comparação com os níveis de 1990, seis pontos acima das metas da União Européia (UE).
Para isso, será aumentado o percentual das energias renováveis na produção de energia elétrica dos atuais 13% para cerca de 25% e 30% em 2020. A parcela das energias renováveis nos sistemas de calefação aumentará para até 14%.
O uso de energias renováveis será obrigatório nos novos edifícios e dará auxílio às casas já existentes. No pacote de quatro leis está incluído também o aumento à alimentação das redes de abastecimento de gás com um maior percentual de biogás, com o objetivo de alcançar 10% até 2030.
O Governo destinará este ano aproximadamente 3,3 bilhões de euros para incentivar o conjunto de medidas, e indica que nos próximos anos o valor será similar.
As leis, aprovadas pelo governo em dezembro, tiveram o respaldo dos partidos de coalizão - democrata-cristãos e social-democratas. Os liberais e verdes votaram contra e a legenda a esquerda se absteve.
Fonte: EFE



A RIQUEZA DA BIODIVERSIDADE DO PLANETA

Edward O. Wilson escreveu em 1992 que a Biodiversidade é uma das maiores riquezas do planeta, e, entretanto, é a menos reconhecida como tal. A maioria das pessoas vêem a biodiversidade como um reservatório de recursos que devem ser utilizados para a produção de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos. Este conceito do gerenciamento de recursos biológicos provavelmente explica a maior parte do medo de se perderem estes recursos devido à redução da Biodiversidade. Entretanto, isso é também a origem de novos conflitos envolvendo a negociação da divisão e apropriação dos recursos naturais.

Uma estimativa do valor da Biodiversidade é uma pré-condição necessária para qualquer discussão sobre a distribuição da riqueza da Biodiversidade.
Estes valores podem ser divididos entre:
valor de uso;
uso direto através do turismo, ou de novas substâncias farmacêuticas ganhas através da biodiversidade, etc.;
uso indireto, como a polinização de plantas e outros serviços biológicos;
o não uso, ou valor intrínseco.
Em um trabalho publicado na Nature em 1997, Constanza e colaboradores estimaram o valor dos serviços ecológicos prestados pela natureza. A idéia geral do trabalho era contabilizar quanto custaria por ano para uma pessoa ou mais, por exemplo, polinizar as plantas ou quanto custaria para construir um aparato que serviria como mata ciliar no anti-açoriamento dos rios. O trabalho envolveu vários "serviços" ecológicos e chegou a uma cifra média de US$ 33.000.000.000.000,00 (trinta e três trilhões de dólares) por ano, duas vezes o produto interno bruto mundial.
Cálculos da Universidade Harvard feitos em 1987 estimavam a existência de algo em torno de 5 milhões de espécies de organismos vivos no planeta.
Estudos mais recentes mostram que a biodiversidade global deve se estender a até 100 milhões de espécies. Destas, apenas 1,7 milhão já foram catalogadas. A disparidade entre o que se conhece e o que se acredita existir mostram como sabemos pouco sobre a biodiversidade mundial.
Novas espécies são descobertas todos os dias e outras desaparecem sem que se tome conhecimento de sua existência. Existem cerca de 14 milhões de espécies na Terra. Dez milhões dessas espécies são animais, 1,5 milhões são fungos e 300.000 são plantas. Um milhão das espécies restantes são algas, bactérias e microorganismos.
A destruição dos hábitats naturais e a caça de animais por seus valores comerciais ameaçam as espécies de extinção. A poluição do solo, do ar e da água também põe em risco a flora e a fauna do planeta.
Fonte: Panorama de biodiversidade global, Convenção sobre diversidade biológica, UNEP, 2002 - http://pt.shvoong.com/humanities/1719800-qual-riqueza-planeta/

14 junho 2008

Terremoto no Japão deixa pelo menos 3 mortos e 100 feridos

Tóquio, 14 jun (EFE).- Pelo menos três pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas em um terremoto de 7,2 graus de magnitude na escala aberta de Richter que atingiu hoje uma vasta região no nordeste do Japão, segundo informou a Polícia japonesa.
A Agência Nacional de Meteorologia confirmou que o número de mortos chegou a três, embora o Governo japonês só tenha confirmado até o momento dois falecimentos.
Além disso, cinco pessoas estão desaparecidas, segundo a rede de televisão "NHK".
O terremoto ocorreu às 8h43 no horário local (20h43 de Brasília), com seu epicentro a 8 quilômetros de profundidade, e foi sentido com intensidade em áreas das províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima, na ilha japonesa de Honshu.
Apesar de forte, o terremoto não tornou necessária a emissão de um alerta de tsunami.
O ministro porta-voz do Governo japonês, Nobutaka Machimura, confirmou hoje em entrevista coletiva a morte de pelo menos duas pessoas por causa do terremoto.
Um dos casos foi de um homem da província de Iwate (nordeste do Japão), que morreu ao ser atropelado por um carro ao sair de sua casa assustado. O outro falecimento se deu quando um pescador em Fukushima (leste do Japão) foi soterrado por um deslizamento de terra, disse Machimura.
Segundo a cadeia de TV "Asahi", há pelo menos um outro ferido em situação grave, que estava trabalhando nas obras de uma represa, e foi atingido por pedras no momento em que ocorreu o terremoto.
O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, ordenou a formação de um grupo de emergência poucos minutos depois do terremoto.
As Forças de Autodefesa do Japão enviaram uma missão com mais de 150 homens para começar a operar imediatamente na zona afetada pelo terremoto.
Trata-se do tremor mais forte a atingir o Japão desde o ocorrido em agosto de 2005, que também teve magnitude de 7,2 graus na escala aberta de Richter.
O terremoto fez com que os serviços de trem de alta velocidade e de linhas ferroviárias de zonas de Tohoku (nordeste) e Kanto (este) fossem suspensos por precaução, e que se fechassem as estradas em Miyagi, segundo a rede de televisão "NHK".
Os serviços ferroviários do Japão disseram que cerca de 2 mil pessoas tiveram que ser evacuadas de três trens de alta velocidade que ficaram paralisados na zona afetada.
Além disso, a luz e a água permanecem cortadas na área mais afetada, segundo Machimura.
O terremoto foi sentido também na região de Kanto, onde se encontra Tóquio.
As autoridades japonesas advertiram que se esperam réplicas de 6 ou mais graus de magnitude que podem ocorrer durante as próximas horas, e recomendaram à população que se mantenha alerta.
De acordo com a agência "Kyodo", o tremor não afetou o funcionamento das usinas nucleares da província vizinha de Fukushima, nem o aeroporto de Sendai.
O Japão está localizado sobre uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. O terremoto mais grave ocorrido no país em anos recentes foi em Kobe (oeste do país), em 17 de janeiro de 1995, com uma magnitude de 7,3 graus na escala aberta de Richter, e deixou mais de 6 mil mortos. Fonte: EFE

FAUNA E FLORA III - IBIS-DE-CRISTA - UMA ESPÉCIE RARA






AJUDE A PRESERVÁ-LA!


03/02/2007
Cresce população do íbis-de-crista, a ave da sorte
A população do íbis-de-crista, uma das aves aquáticas em maior perigo de extinção, chegou a mil espécimes em liberdade na China, o que renovou as esperanças sobre sua sobrevivência. Em 1981, ela estava reduzida a apenas sete.

Segundo publica hoje o site Chinanews, em 2006, o número de aves da espécie subiu 22% em relação a 2005, de acordo com o Departamento Florestal Estatal. A ave é apelidada na China de "tesouro de Oriente" e é considerada como portadora de boa sorte.
O habitat do íbis-de-crista ("Nipponia Nippon", também conhecido como íbis-do-Japão), de cara vermelha e plumas branco-rosadas, se reduz atualmente ao nordeste da China. A espécie desapareceu da Rússia, Coréia do Norte e Japão.

O íbis se transformou inclusive em arma diplomática. Em 1998, a China presenteou o Japão com dois exemplares, o que talvez volte a acontecer durante a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ao país, marcada para abril. Os zoólogos japoneses aguardam com impaciência o possível presente, que ajudaria a evitar a excessiva endogamia das cerca de 100 aves criadas em cativeiro no Japão. Elas começarão a ser liberadas em 2008 e poderiam aprender a viver em liberdade com as chinesas.
Segundo a ONU, a espécie começou a agonizar em meados do século XIX devido à caça, à destruição de seu habitat e, nos últimos tempos, à poluição e ao uso de pesticidas. O íbis-de-crista só desce das árvores, onde dorme e acasala, para comer peixes, rãs, caranguejos e insetos. Ele vive em regiões de lagos e pantanais.

Informações científicas sobre esta ave:

Threskiornithinae é uma subfamília de aves ciconiformes que inclui as aves conhecidas como íbis, curicaca ou tresquiórnis, sendo que as espécies brasileiras têm nomes locais muito variados.
Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido e encurvado para baixo. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais: crustáceos e moluscos. O grupo está distribuído pelas regiões quentes de todos os continentes.
De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passa. No Egipto Antigo, o íbis era objecto de veneração religiosa e associado ao deus Thoth.

Outras informações:

Foi uma das aves mais ameaçadas do planeta.

Depois de existir de forma abundante em vários países da Ásia e Euroásia, o íbis-de-crista (Nipponia nippon) esteve praticamente extinto, chegando ao ponto de só restarem sete animais na China e menos ainda no Japão, onde existiam apenas dois exemplares destas aves. Atualmente, e depois do empenho do grupo de investigadores chineses que nos últimos 25 anos se dedicou a multiplicar e libertar animais desta espécie no seu ambiente natural, são já mais de mil os animais que vivem em plena liberdade na China. Para além disso, muitos são os investigadores que continuam, com uma selecção criteriosa, a aumentar o número de aves existentes em cativeiro. Em conjunto, estas acções vão permitir que o espectro da extinção deixe de pairar sobre estas originais aves.

Segundo dados dos cientistas do Departamento Florestal Estatal chinês, só no ano de 2006 os números destes animais cresceram 22%, muito acima do esperado, mas indo de encontro ao que a China tem conseguido com outras espécies, onde tem feito verdadeiros milagres com o empenho permanente de milhares de investigadores que dão todo o tempo da sua vida para que uma determinada espécie subsista.

A ENERGIA QUE VEM DO LIXO - UM POTENCIAL QUE NÃO ESTÁ SENDO APROVEITADO


Gás de lixo pode produzir 15% da energia do Brasil
Técnica incentiva manejo correto de resíduo e ajuda a combater o efeito estufa
Apesar do potencial, estudo realizado para o Ministério das Minas e Energia privilegia energias eólica e solar como alternativas.


O lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15% da energia elétrica total consumida no país. A estimativa consta no Plano Decenal de Produção de Energia 2008/ 2017 e considera todo o lixo recolhido nestes municípios. O documento deveria ser lançado ainda neste mês e está em fase final de elaboração.

Apesar dessa previsão, o Ministério de Minas e Energia -que encomenda o relatório desde 2006, para balizar suas ações- não tem planos de realizar leilões com a energia do lixo nos próximos anos. Segundo o governo, as prioridades em fontes renováveis são eólica, solar e hidrelétrica.

A falta de perspectivas aumenta a defasagem do Brasil na tecnologia de eletricidade produzida por meio do lixo, na avaliação do professor Luciano Bastos, responsável pelo capítulo que avalia esse potencial no plano decenal a ser lançado.

Bastos, que é pesquisador do Ivig (Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais), diz que a única usina construída especialmente para aproveitar o potencial energético dos dejetos é a termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com capacidade de 200 kW por mês, suficiente para abastecer 2.300 casas.

Além dessa usina, há os aterros sanitários Novagerar, em Nova Iguaçu (zona metropolitana do Rio), Bandeirantes e São João, em São Paulo, que utilizam o gás metano resultante da decomposição natural da matéria orgânica.

Carbono à venda

A transformação de lixo em energia teria ainda duas conseqüências benéficas, na opinião de pesquisadores. A primeira é incentivar a armazenagem correta dos resíduos, que passam a ser matéria-prima. Dados do IBGE de 2000 indicam que 63,3% dos municípios brasileiros tratam o lixo de forma errada -em geral apenas determinam o terreno em que os detritos devem ser jogados.

Outro benefício seria econômico: assim como outras fontes de energia renovável, o lixo pode gerar créditos de carbono e favorecer o Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas. A geração de créditos se deve à queima do metano, produto natural da decomposição orgânica. Este gás é mais danoso ao aquecimento global do que o gás carbônico CO2 -mas é eliminado com a combustão.

O aterro Novagerar foi o primeiro do mundo a vender créditos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto. "Nossa intenção é deixar de ser uma empresa de resíduos e passar a ser de energia", diz a diretora Adriana Felipeto. A empresa calcula que o investimento necessário para gerar seis megawatts (energia para 24 mil casas) será de US$ 6 milhões.

Para Felipeto, empresas com ações na Bolsa têm mais interesse em comprar a energia do lixo e, por isso, a demanda deve aumentar com o grau de investimento, pois mais companhias devem abrir capital.

"Há um reconhecimento claro da importância do aproveitamento da energia do lixo", diz Manoel Avelino, presidente da Arcadis Logos Engenharia -sócia nos aterros Bandeirantes e São João.

A energia gerada no Bandeirantes (20 MW ou 160 mil casas) é usada pelo Unibanco e a do São João (24.8 MW ou 198,4 mil casas) é vendida para grandes consumidores, como shopping centers. Bastos afirma que, diferentemente das usinas, os aterros não são projetados para gerar energia, apenas armazenar lixo, e por isso são menos eficientes.

Atraso tecnológicoPara Sabetai Calderoni, doutor em ciências pela USP e especialista em reciclagem, há três razões para o atraso brasileiro na produção:

1) as parcerias público-privadas, maiores facilitadoras dos processos de reciclagem no seu entender, são recentes;

2) o interesse na manutenção dos investimentos em aterros;

3) só recentemente os preços de disposição ficaram mais caros.O assessor de comunicação da Empresa de Pesquisa Energética, instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo decênio, Oldon Machado, diz que o plano decenal tem números sobre os investimentos necessários, mas não específica as fontes alternativas mencionadas.

2.300casas podem ser abastecidas por mês com a eletricidade de uma termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro feita especialmente para aproveitar a energia do lixo.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo - ANDRÉ LOBATO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem -Aterro sanitário Bandeirantes, na zona norte de SP, que gera energia a partir do gás metano

13 junho 2008

AS DIFICULDADES E OS RISCOS DAS MUDANÇAS DE ANIMAIS E PLANTAS DE SEUS HABITATS ORIGINAIS



SIMPLIFICAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS PELA ELIMINAÇÃO OU INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES NAS BIOCENOSES
I. Simplificação por introdução de novas espécies
A introdução de novas espécies, animais ou vegetais, pode ser feita de forma deliberada ou involuntária.
O transporte deliberado tem sido feito tanto para satisfazer um prazer sentimental de pessoas que migram de um país para outro, como para aumentar a produtividade agrlcola-pastoril das regiões onde se estabeleceram.
O transporte involuntário ocorre graças à aceleração e aumento do volume do tráfico que caracterizam os tempos modernos. Assim, tornaram-se muito freqüentes estas interferências involuntárias como a introdução de sementes e esporas ou mesmo de animais pequenos, como roedores e insetos (ovos e larvas).
Convém salientar que muitas vezes o transporte deliberado é responsável por paralelas introduções involuntárias. Como exemplo citamos o transporte de vegetais que em cuja terra que os acompanha encontram-se animais e vegetais microscópicos que podem afetar a equilíbrio pedológico, ou seja, na fertilidade e estabilidade do solo, em função da presença destes novos microrganismos.
É importante lembrar que uma espécie introduzida num ecossistema estranho, pode comportar-se como um competidor mais robusto e mais bem armado que seus homólogos autóctones que assim são eliminados. Esta espécie introduzida também pode modificar a seu modo de vida, inclusive o seu regime alimentar. Esta modificação pode resultar de variações genéticas, devido ao numero reduzido de genitores introduzidos, o que provoca uma redistribuição do patrimônio hereditário.
Através de alguns clássicos exemplos, procuraremos demonstrar os efeitos da introduções de novas espécies, deliberadas ou involuntárias.
1.1 - O Eucalipto e a Caturrita (Myiopsitta monachus)
O eucalipto, originaria do continente australiano, foi introduzido no Brasil entre os anos de 1855 e 1870. Foi Edmundo Navarro de Andrade o grande divulgador do eucalipto entre nós. Ele reuniu aqui, a maior soma de espécies, não havendo igual em nenhum outro país.
Entre as vantagens oferecidas pelo cultivo desta essência exótica pode-se citar as qualidades de permitir regenerar as terras estragadas pelo desflorestamento e por práticas de cultivo perniciosas; oferecer a curto prazo, uma quantidade apreciável de madeira e poupar matas naturais que seriam sacrificadas para fornecer lenha e matéria prima para a indústria de papel e celulose. Para reforçar esta última qualidade, é bom salientar que grande parte do desflorestamento é feito para suprir a necessidade humana de papel. Para exemplificar, a tiragem dominical do”New York Times” consome o equivalente ao crescimento ocorrido durante um ano numa área de 70 ha de floresta tropical.
Entre as desvantagens de seu cultivo citamos a substituição das espécies autóctones por extensas plantações de eucalipto que afastam ou eliminam muitos componentes da fauna local. Condenam-se também algumas espécies de eucaliptos pelo seu alto consumo de água. Deve-se evitar o cultivo destas espécies com outras plantas que necessitam muita água como o cedro e a cana-de-açúcar.
Liberada para caça pelo extinto IBDF, a caturrita tem-se tornado uma praga em virtude da inclusão do eucalipto em nosso ecossistema. Esta ave da família dos psitacídeos normalmente habitava os capões de nossos campos e alimentava-se de sementes, frutos e outras partes de vegetais nativos.
O aumento da produção de milho a o cultivo de eucalipto nas regiões da campanha, encosta do sudeste e depressão central do Rio Grande do Sul têm propiciado locais seguros para estas aves nidificarem. Construindo seus ninhos em galhos altos do eucalipto, os ovos, filhotes e adultos ficam muito bem protegidos contra a ataque dos inimigos naturais.Entre as desvantagens de seu cultivo citamos a substituição das espécies autóctones por extensas plantações de eucalipto que afastam ou eliminam muitos componentes da fauna local. Condenam-se também algumas espécies de eucaliptos pelo seu alto consumo de água. Deve-se evitar o cultivo destas espécies com outras plantas que necessitam muita água como o cedro e a cana-de-açúcar.
1.2 - Eichhornia crassipes, um aguapé brasileiro conquista o mundo
O aguapé, planta originaria da América Tropical muito comum no Brasil foi introduzida em várias regiões quentes do mundo para ornamentar lagos públicos e jardins particulares. Infelizmente escapou desse meio limitado, ocupando a adaptando-se à natureza selvagem.
Sua primeira aparição, fora de seu habitat normal, deu-se no sul dos Estados Unidos em 1884. Atualmente é conhecida neste país com o nome de "Erva-dos-milhões-de-dólares" devido aos altos custos dispensados para a sua erradicação. É encontrada de norte a sul daquele pais, trazendo, inclusive, problemas para a navegação no Mississipi.
Fora da América do Sul e dos Estados Unidos, hoje é encontrada na Indonésia, nas Filipinas, nas Ilhas do Havaí, na Índia, no Ceilão e na África, sendo conhecida no mundo como o "Flagelo Verde".
A sua principal forma de reprodução é por estolhos, podendo uma planta produzir dezenas de novos indivíduos em poucas semanas. Calcula-se que dez plantas-mãe podem produzir 650 mil novas plantas em 8 meses.
Recentemente está se conseguindo uma erradicação relativa em alguns lugares dos mencionados, através do uso de herbicidas caros como o 2,4 diclorofenoxiacético.
E aqui no Brasil porque não é praga? Pelo fato de existirem no seu habitat natural espécies animais e vegetais que através de doenças ou predatismo limitam seu crescimento.
1.3 - Anopheles gambiae, um mosquito africano já expulso do país
A introdução de insetos estranhos em uma comunidade biótica pode trazer profundas repercussões no plano médico. O melhor exemplo, sem dúvida é o da malária no nordeste brasileiro.
No fim de 1929 um barco francês proveniente de Dakar (Senegal) chegava a Natal (RN) trazendo como passageiros clandestinos alguns mosquitos da espécie Anopheles gambiae um dos principais vetores da Malária na África que, além de não ocorrer no Brasil, goza do triste privilégio de estar intimamente adaptado ao homem, de preferência no interior das habitações humanas.
As espécies nativas de Anófeles (A. arqyrotarsis, A.albimanus e A. tarsísmaculatus) não acorrem normalmente dentro das habitações e por este motivo a Malária tem sido endêmica no nosso pais,
Com a chegada do Anopheles gambiae, a malária passou para um caráter epidêmico e já no fim de abril de 1930 esta doença transformou-se num problema sério: 10 dos 12 mil habitantes de Alecrim, um subúrbio operário de Natal, haviam sido afetados. Em menos de dez anos ocorreram centenas de milhares de casos e calcula-se que mais de 20 mil habitantes do nordeste morreram com a doença.
Com a ajuda da fundação Rockefeller o governo brasileiro iniciou uma campanha de bloqueio a progressão do mosquito e a sua total eliminação foi conseguida em novembro de 1940. Toda a América do Sul ficara protegida da ação patogênica do Anopheles gambiae.
1.4 - Austrália, ex-paraíso dos coelhos (Oryctolagus cunniculus)
Originários da Espanha e Ilhas do Mediterrâneo Ocidental, os coelhos foram levados da Inglaterra para a Austrália em 1859 em número de 24 indivíduos. Devido a falta de predadores e a abundância de alimentos, em pouco tempo estes conseguiram colonizar 2/3 da Austrália, tornando-se o maior flagelo desse continente, tanto no plano científico como no econômico.
Para se entender o potencial de pululação do coelho devemos lembrar que uma fêmea pode gerar, em média, oito ninhadas de seis filhotes por ano. Entra 1945 e 1949 foram exportados da Austrália 428 milhões de peles de coelhos.
Por outro lado, os mamíferos naturais da Austrália são, na sua maioria, marsupiais incapazes de competir com rival tão bem armado. Estes, principalmente os herbívoros, sofreram uma queda na sua população em função desta luta desigual.
Muito se fez para tentar erradicar o coelho da Austrália. Como exemplo pitoresco citamos a construção de barreiras sob forma de grades que procurava impedir a progressão do coelho para o norte do continente que no total somava 11.000 Km de extensão.
Da França levaram a "Raposa-da-Europa" predador natural do coelho no Velho Mundo. Infelizmente, na Austrália, este carnívoro mudou de dieta preferindo marsupiais, até então desconhecidos, muito mais dóceis. Em resumo, mais um desequilíbrio foi criado.
Entre muitas maneiras de contenção e eliminação de coelhos testadas, realizaram-se batidas organizadas de caçadores, uso de fumaça e gases tóxicos e, sobretudo, envenenamento com iscas misturadas com arsênico e estriquinina que, aliás, contribuíram para a destruição de muitos marsupiais atraídos por estas iscas.
Em 1950 surgiu a idéia de espalhar uma doença virótica que afetava os coelhos domésticos do Brasil: a mixomatose (Vírus sanarelli), devida a um vírus especifica, sem perigo para o homem, que aqui existe em estado endêmico nos coelhos do gênero Sylvilagus os quais, naturalmente, estão imunizados. Esta virose assumiu enormes proporções, calculando-se que matou 4/5 dos coelhos da Austrália. O restante, hoje, está sob controle.
Certas regiões outrora virtualmente desérticas, cobriram-se de vegetação e, nos anos de 1952 e 1953, o aumento da produção agrícola foi avaliado em 50 milhões de libras.
II. Simplificação por eliminação de espécies vegetais nativas
Aqui, nos deteremos mais nos aspectos nocivos resultantes do desflorestamento e conseqüente eliminação de espécies vegetais autóctones.
Para entendermos como este desflorestamento interfere no equilíbrio dos ecossistemas, devemos lembrar que esta atividade perniciosa elimina habitats e destrói nichos ecológicos de diversos predadores de insetos fitófagos (estes predadores são principalmente morcegos, pássaros, anfíbios, répteis e insetos entomófagos), cuja proliferação excessiva se volta contra a agricultura humana.
Numa floresta nativa, a variedade de espécies vegetais proporciona habitat para inúmeros tipos de insetos fitófagos. Entretanto a densidade numérica extremamente baixa de cada espécie vegetal e a sua esparsa disseminação, ou seja, a distância que separa um hospedeiro de outro, protege-os da ataque de pragas dificultando a devastação trazida por uma eventual proliferação de insetos. Além disso, a presença dos predadores já citados ajudam na manutenção deste equilíbrio.
A falta desta situação, produzida por um desflorestamento crescente para dar lugar a monoculturas de plantas cultivadas, tem produzido a proliferação anormal de cartas espécies de insetos nocivos, que devido ao seu ciclo vital curto, abundância de alimento disponível e ausência de predadores específicos, crescem espantosamente num curto lapso de tempo.
Convém salientar que, além de muitas outras desvantagens da monocultura, as plantas cultivadas vêm sendo selecionadas pelo homem através dos séculos, com o objetivo de aumentar sua palatabilidade e produtividade. O preço pago pela hibridação e seleção dessas plantas tem provocado um enfraquecimento de suas defesas químicas o mecânicas contra o ataque de insetos e organismos patogênicos. As plantas nativas são muito manos vulneráveis às doenças a aos insetos porque dispõem de defesas químicas contra esses inimigos (o quinino e a cortisona, por exemplo). A energia e os recursos gastos pelas plantas silvestres na produção desses agentes químicos de defesa, são canalizados, no caso das plantas cultivadas, para as reservas alimentares. Esta substituição constitui um arranjo ideal do ponto de vista dos insetos. Eles têm à sua disposição numa área inteiramente livre de inimigos, uma abundante e uniforme fonte de alimentos, de acesso fácil e de ótima palatabilidade.
E como responde o homem?

Com eficientes e caros pesticidas sintéticos, principalmente com os organoclorados, como o DDT, que são ótimos inseticidas e excelentes homicidas.
Síntese da palestra proferida por Germano Schüür no I Encontro de Coordenadores do Projeto Natureza - SECRS/5ªCRE.


Forasteiros tiram lugar dos originais


A introdução de animais estranhos ao ecossistema também pode provocar mudanças profundas no habitat, colocando as espécies em risco ou levando à sua extinção.

Exemplo disso foi a introdução de coelhos na Austrália, que provocou a diminuição das populações de marsupiais nativos da região, como os cangurus, por causa da alteração de seu hábitat. Os marsupiais têm um organismo muito voltado para o seu ambiente e não resistem a pequenas mudanças ambientais.

Outro exemplo clássico é a extinção do pássaro dodo, das Ilhas Maurício, Reunião e Rodrigues, do Oceano Índico. Havia três espécies, cada uma endêmica de uma ilha, e essas aves tinham poucos predadores devido ao seu isolamento geográfico. Sem necessidade de voar, por causa do alimento abundante, converteram-se em aves terrestres, incapazes de se defender. Trazidos nos barcos com a população humana que se instalou na ilha, os ratos, os cães e as cabras, acabaram com os dodos. O último dodo, o da ilha Rodrigues, sucumbiu no princípio do Século 19; a primeira espécie a desaparecer foi o das ilhas Maurício em 1680. A chegada de indivíduos a um novo habitat não implica necessariamente a sua naturalização. Na realidade, a probabilidade de sucesso é pequena: calcula-se que somente 10% das espécies introduzidas conseguem êxito e, destas, somente 20% causam problemas nas comunidades naturais.