15 junho 2008

FALANDO DOS TRANSGÊNICOS...


A decisão da Justiça Federal, no Piauí, determinando que a União exija a rotulagem dos produtos transgênicos em todo o Brasil, referenda a decisão do governador Requião em fazer valer em nosso Estado o cumprimento da legislação federal que dá direito ao consumidor de ser informado sobre a utilização de organismos geneticamente modificados no processamento de alimentos", afirmou Álvaro Rychuv, coordenador do Conselho de Aplicaçao da Rotulagem dos Transgênicos no Paraná.

É que em decisão valendo para todo o País, o juiz substituto da 3ª Vara Federal do Piauí, Régis de Sousa Araújo, determinou que a União exija a rotulagem de produtos que contenham organismos geneticamente modificados (OGM). O governo federal deverá exigir no rótulo, por meio de seus órgãos de fiscalização e controle, a clara informação não só sobre a presença de transgênicos, mas também de todos os outros ingredientes de que são feitos os produtos.

A determinação judicial foi motivada por uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal, por meio do procurador Tranvanvan da Silva Feitosa. Ele acionou a União Federal e a Bunge Alimentos, que tem uma fábrica esmagadora de grãos no sul do Piauí.Para Álvaro "a determinação da Justiça Federal valida a política desenvolvida pelo Governo do Paraná que, cumprindo o ordenamento jurídico que regulamenta o direito do consumidor, realiza ações fiscalizações para garantir que os paranaenses tenham o direito deescolher se desejam ou não consumidor alimentos que têm transgênicos em sua elaboração".

O juiz decidiu que "trata-se de um direito do consumidor, que precisa ser informado sobre o que está consumindo. Não entramos no mérito dos transgênicos, mas no direito de informação. Antes os rótulos ou embalagens só constavam informações sobre os organismos geneticamente modificados quando era superior a 1% da composição do produto. O consumidor deve ser informado sobre a existência de organismos geneticamente modificados no conteúdo do produto que adquire, independente do percentual que exista", destacou.

Agora, tanto a União, quanto a Bunge Alimentos terão um prazo de 60 dias a partir da citação da decisão para promover a fiscalização e controle dos produtos.

A decisão judicial

O juiz federal substituto da 3ª Vara/PI, Régis de Sousa Araújo, proferiu decisão em Ação Civil Pública, impetrada pelo Ministério Público Federal (ACP n. 2007.40.00.000471-6) contra a União Federal e Bunge Alimentos S.A., concedendo antecipação dos efeitos da tutela para afastar a aplicação do caput do art. 2º do Decreto n. 4.680 de 2003, em face de sua ilegalidade, e, em conseqüência, determinar que a União, por meio de seus órgãos de fiscalização e controle, passe a exigir, no prazo de 60 dias, que, na comercialização de alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, conste informação clara ao consumidor, no rótulo/embalagem do produto, acerca da existência de organismo geneticamente modificado em seu conteúdo, independentemente do percentual existente, em observância ao disposto nos art. 6º, inciso III e 37 parágrafo 1º do Código de Defesa do Consumidor. Nos autos, o Ministério Público Federal alegou que ao instruir procedimento administrativo que tramitou perante a Procuradoria da República, tomou conhecimento de que os produtos que continham menos de 1% de Organismo Geneticamente Modificado - OGM não necessitavam ter em seu rótulo qualquer informação acerca da presença de OGM em seu conteúdo, em face da regra constante no art. 2º. do Decreto n. 4.680/03. Sustentou, ainda, que a omissão de informações no rótulo dos alimentos acerca dos seus componentes, em especial sobre a presença de OGM, ofende a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor. Cada consumidor tem direito de decidir, com base em seus conhecimentos sobre o assunto, se quer adquirir e ingerir alimentos que contenham organismos geneticamente modificados, seja qual for o percentual existente em seu conteúdo. Requereram, então, a antecipação dos efeitos da tutela. O magistrado verificou, em cognição sumária, que não se questiona nos autos os benefícios ou riscos da comercialização de produtos com OGMs, o que exigiria manifestação técnica específica, dos órgãos responsáveis, acerca da viabilidade ou não. O presente feito trata exclusivamente do direito de informação. Busca-se tão somente garantir ao consumidor o direito de tomar conhecimento acerca do conteúdo dos produtos que adquire, para, a partir de então, individualmente decidir se quer adquiri-lo ou não. Destacou, o magistrado, que a Lei 11.105/05, ao tratar a matéria expressamente resguardou o direito de informação ao consumidor, quando determinou, em seu art. 40 que "Os alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de OGM ou derivados deverão conter informação nesse sentido em seus rótulos, conforme regulamento". O Decreto n. 4.680 de 2003 foi editado com o escopo de "Regulamentar o direito à informação, assegurado pela Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, quanto aos alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, sem prejuízo do cumprimento das demais normas aplicáveis". Neste passo, assevera o juiz, tal instrumento regulamentar "não poderia, em nenhuma hipótese, restringir o alcance da lei, mas tão somente definir regras que permitissem a sua execução. Assim, extrapolou os limites do mencionado diploma legal, ao estabelecer restrições ao direito de informação, as quais não foram veiculadas ou autorizadas no instrumento a que se propunha simplesmente garantir a execução". Ressalta, por fim, que "ao permitir a omissão de informação acerca de presença de OGM no conteúdo de um produto, quando o percentual for inferior a 1% (art. 2º do Decreto), ofende expressamente as disposições da lei que pretende regulamentar. Ainda que o percentual seja baixo, deve ser apontado, com precisão, ao consumidor". Determinou, ainda, que a Bunge Alimentos S.A. deverá, em igual prazo, adotar os procedimentos necessários para o cumprimento da medida acima mencionada.

FAUNA E FLORA IV - A FOCA DA GROELÂNDIA

Precisamos ajudar a salvar mais esta maravilha da vida!
De tempos em tempos ouvem-se
notícias de que as focas estão sendo caçadas, principalmente as focas-da-Groenlândia.
A bonita pele branco-dourada de seus filhotes é muito procurada, e por isso milhares de foquinhas são massacradas todos os anos. As focas-da-Groenlândia são mais capazes de sobreviver à caça que as outras espécies. Calcula-se que existem atualmente cerca de cinco milhões de focas-da-Groenlândia. enquanto outras espécies já estão quase à beira da extinção. As focas-da-Groenlândia não vivem em terra firme. São encontradas em grandes colônias no oceano Ártico e no Atlântico Norte, sempre na borda da banquisa de gelo. Fazem buracos no gelo para respirar, e também usam esses buracos para mergulhar na água e pescar. Os filhotes das focas nascem no começo da primavera. A fêmea, depois de 11 meses de gestação, dá à luz um filhote que não faz nada a não ser dormir e mamar durante vários dias.
A pele do filhote é branca, somente durante pouco tempo; em poucas semanas ela muda. Quando isso acontece, a mãe leva a foquinha para a água.
FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Pinnipedia
FAMÍLIA: Phocidae
CARACTERÍSTICAS:
Comprimento: até 180 cmPeso: até 18 kg
O macho tem uma grande manchamarrom ou negra, em forma deharpa, sobre o dorso
Fonte: http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/foca_da_groelandia.htm

A ALEMANHA QUER REDUZIR A EMISSÃO DE GASES POLUENTES

O Parlamento alemão aprovou em 06/06/2008, um pacote de leis para a proteção ao clima com as quais pretende reduzir as emissões de gases que intensificam o efeito estufa em 36% até 2020, em comparação com os níveis de 1990, seis pontos acima das metas da União Européia (UE).
Para isso, será aumentado o percentual das energias renováveis na produção de energia elétrica dos atuais 13% para cerca de 25% e 30% em 2020. A parcela das energias renováveis nos sistemas de calefação aumentará para até 14%.
O uso de energias renováveis será obrigatório nos novos edifícios e dará auxílio às casas já existentes. No pacote de quatro leis está incluído também o aumento à alimentação das redes de abastecimento de gás com um maior percentual de biogás, com o objetivo de alcançar 10% até 2030.
O Governo destinará este ano aproximadamente 3,3 bilhões de euros para incentivar o conjunto de medidas, e indica que nos próximos anos o valor será similar.
As leis, aprovadas pelo governo em dezembro, tiveram o respaldo dos partidos de coalizão - democrata-cristãos e social-democratas. Os liberais e verdes votaram contra e a legenda a esquerda se absteve.
Fonte: EFE



A RIQUEZA DA BIODIVERSIDADE DO PLANETA

Edward O. Wilson escreveu em 1992 que a Biodiversidade é uma das maiores riquezas do planeta, e, entretanto, é a menos reconhecida como tal. A maioria das pessoas vêem a biodiversidade como um reservatório de recursos que devem ser utilizados para a produção de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos. Este conceito do gerenciamento de recursos biológicos provavelmente explica a maior parte do medo de se perderem estes recursos devido à redução da Biodiversidade. Entretanto, isso é também a origem de novos conflitos envolvendo a negociação da divisão e apropriação dos recursos naturais.

Uma estimativa do valor da Biodiversidade é uma pré-condição necessária para qualquer discussão sobre a distribuição da riqueza da Biodiversidade.
Estes valores podem ser divididos entre:
valor de uso;
uso direto através do turismo, ou de novas substâncias farmacêuticas ganhas através da biodiversidade, etc.;
uso indireto, como a polinização de plantas e outros serviços biológicos;
o não uso, ou valor intrínseco.
Em um trabalho publicado na Nature em 1997, Constanza e colaboradores estimaram o valor dos serviços ecológicos prestados pela natureza. A idéia geral do trabalho era contabilizar quanto custaria por ano para uma pessoa ou mais, por exemplo, polinizar as plantas ou quanto custaria para construir um aparato que serviria como mata ciliar no anti-açoriamento dos rios. O trabalho envolveu vários "serviços" ecológicos e chegou a uma cifra média de US$ 33.000.000.000.000,00 (trinta e três trilhões de dólares) por ano, duas vezes o produto interno bruto mundial.
Cálculos da Universidade Harvard feitos em 1987 estimavam a existência de algo em torno de 5 milhões de espécies de organismos vivos no planeta.
Estudos mais recentes mostram que a biodiversidade global deve se estender a até 100 milhões de espécies. Destas, apenas 1,7 milhão já foram catalogadas. A disparidade entre o que se conhece e o que se acredita existir mostram como sabemos pouco sobre a biodiversidade mundial.
Novas espécies são descobertas todos os dias e outras desaparecem sem que se tome conhecimento de sua existência. Existem cerca de 14 milhões de espécies na Terra. Dez milhões dessas espécies são animais, 1,5 milhões são fungos e 300.000 são plantas. Um milhão das espécies restantes são algas, bactérias e microorganismos.
A destruição dos hábitats naturais e a caça de animais por seus valores comerciais ameaçam as espécies de extinção. A poluição do solo, do ar e da água também põe em risco a flora e a fauna do planeta.
Fonte: Panorama de biodiversidade global, Convenção sobre diversidade biológica, UNEP, 2002 - http://pt.shvoong.com/humanities/1719800-qual-riqueza-planeta/

14 junho 2008

Terremoto no Japão deixa pelo menos 3 mortos e 100 feridos

Tóquio, 14 jun (EFE).- Pelo menos três pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas em um terremoto de 7,2 graus de magnitude na escala aberta de Richter que atingiu hoje uma vasta região no nordeste do Japão, segundo informou a Polícia japonesa.
A Agência Nacional de Meteorologia confirmou que o número de mortos chegou a três, embora o Governo japonês só tenha confirmado até o momento dois falecimentos.
Além disso, cinco pessoas estão desaparecidas, segundo a rede de televisão "NHK".
O terremoto ocorreu às 8h43 no horário local (20h43 de Brasília), com seu epicentro a 8 quilômetros de profundidade, e foi sentido com intensidade em áreas das províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima, na ilha japonesa de Honshu.
Apesar de forte, o terremoto não tornou necessária a emissão de um alerta de tsunami.
O ministro porta-voz do Governo japonês, Nobutaka Machimura, confirmou hoje em entrevista coletiva a morte de pelo menos duas pessoas por causa do terremoto.
Um dos casos foi de um homem da província de Iwate (nordeste do Japão), que morreu ao ser atropelado por um carro ao sair de sua casa assustado. O outro falecimento se deu quando um pescador em Fukushima (leste do Japão) foi soterrado por um deslizamento de terra, disse Machimura.
Segundo a cadeia de TV "Asahi", há pelo menos um outro ferido em situação grave, que estava trabalhando nas obras de uma represa, e foi atingido por pedras no momento em que ocorreu o terremoto.
O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, ordenou a formação de um grupo de emergência poucos minutos depois do terremoto.
As Forças de Autodefesa do Japão enviaram uma missão com mais de 150 homens para começar a operar imediatamente na zona afetada pelo terremoto.
Trata-se do tremor mais forte a atingir o Japão desde o ocorrido em agosto de 2005, que também teve magnitude de 7,2 graus na escala aberta de Richter.
O terremoto fez com que os serviços de trem de alta velocidade e de linhas ferroviárias de zonas de Tohoku (nordeste) e Kanto (este) fossem suspensos por precaução, e que se fechassem as estradas em Miyagi, segundo a rede de televisão "NHK".
Os serviços ferroviários do Japão disseram que cerca de 2 mil pessoas tiveram que ser evacuadas de três trens de alta velocidade que ficaram paralisados na zona afetada.
Além disso, a luz e a água permanecem cortadas na área mais afetada, segundo Machimura.
O terremoto foi sentido também na região de Kanto, onde se encontra Tóquio.
As autoridades japonesas advertiram que se esperam réplicas de 6 ou mais graus de magnitude que podem ocorrer durante as próximas horas, e recomendaram à população que se mantenha alerta.
De acordo com a agência "Kyodo", o tremor não afetou o funcionamento das usinas nucleares da província vizinha de Fukushima, nem o aeroporto de Sendai.
O Japão está localizado sobre uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. O terremoto mais grave ocorrido no país em anos recentes foi em Kobe (oeste do país), em 17 de janeiro de 1995, com uma magnitude de 7,3 graus na escala aberta de Richter, e deixou mais de 6 mil mortos. Fonte: EFE

FAUNA E FLORA III - IBIS-DE-CRISTA - UMA ESPÉCIE RARA






AJUDE A PRESERVÁ-LA!


03/02/2007
Cresce população do íbis-de-crista, a ave da sorte
A população do íbis-de-crista, uma das aves aquáticas em maior perigo de extinção, chegou a mil espécimes em liberdade na China, o que renovou as esperanças sobre sua sobrevivência. Em 1981, ela estava reduzida a apenas sete.

Segundo publica hoje o site Chinanews, em 2006, o número de aves da espécie subiu 22% em relação a 2005, de acordo com o Departamento Florestal Estatal. A ave é apelidada na China de "tesouro de Oriente" e é considerada como portadora de boa sorte.
O habitat do íbis-de-crista ("Nipponia Nippon", também conhecido como íbis-do-Japão), de cara vermelha e plumas branco-rosadas, se reduz atualmente ao nordeste da China. A espécie desapareceu da Rússia, Coréia do Norte e Japão.

O íbis se transformou inclusive em arma diplomática. Em 1998, a China presenteou o Japão com dois exemplares, o que talvez volte a acontecer durante a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ao país, marcada para abril. Os zoólogos japoneses aguardam com impaciência o possível presente, que ajudaria a evitar a excessiva endogamia das cerca de 100 aves criadas em cativeiro no Japão. Elas começarão a ser liberadas em 2008 e poderiam aprender a viver em liberdade com as chinesas.
Segundo a ONU, a espécie começou a agonizar em meados do século XIX devido à caça, à destruição de seu habitat e, nos últimos tempos, à poluição e ao uso de pesticidas. O íbis-de-crista só desce das árvores, onde dorme e acasala, para comer peixes, rãs, caranguejos e insetos. Ele vive em regiões de lagos e pantanais.

Informações científicas sobre esta ave:

Threskiornithinae é uma subfamília de aves ciconiformes que inclui as aves conhecidas como íbis, curicaca ou tresquiórnis, sendo que as espécies brasileiras têm nomes locais muito variados.
Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido e encurvado para baixo. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais: crustáceos e moluscos. O grupo está distribuído pelas regiões quentes de todos os continentes.
De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passa. No Egipto Antigo, o íbis era objecto de veneração religiosa e associado ao deus Thoth.

Outras informações:

Foi uma das aves mais ameaçadas do planeta.

Depois de existir de forma abundante em vários países da Ásia e Euroásia, o íbis-de-crista (Nipponia nippon) esteve praticamente extinto, chegando ao ponto de só restarem sete animais na China e menos ainda no Japão, onde existiam apenas dois exemplares destas aves. Atualmente, e depois do empenho do grupo de investigadores chineses que nos últimos 25 anos se dedicou a multiplicar e libertar animais desta espécie no seu ambiente natural, são já mais de mil os animais que vivem em plena liberdade na China. Para além disso, muitos são os investigadores que continuam, com uma selecção criteriosa, a aumentar o número de aves existentes em cativeiro. Em conjunto, estas acções vão permitir que o espectro da extinção deixe de pairar sobre estas originais aves.

Segundo dados dos cientistas do Departamento Florestal Estatal chinês, só no ano de 2006 os números destes animais cresceram 22%, muito acima do esperado, mas indo de encontro ao que a China tem conseguido com outras espécies, onde tem feito verdadeiros milagres com o empenho permanente de milhares de investigadores que dão todo o tempo da sua vida para que uma determinada espécie subsista.

A ENERGIA QUE VEM DO LIXO - UM POTENCIAL QUE NÃO ESTÁ SENDO APROVEITADO


Gás de lixo pode produzir 15% da energia do Brasil
Técnica incentiva manejo correto de resíduo e ajuda a combater o efeito estufa
Apesar do potencial, estudo realizado para o Ministério das Minas e Energia privilegia energias eólica e solar como alternativas.


O lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15% da energia elétrica total consumida no país. A estimativa consta no Plano Decenal de Produção de Energia 2008/ 2017 e considera todo o lixo recolhido nestes municípios. O documento deveria ser lançado ainda neste mês e está em fase final de elaboração.

Apesar dessa previsão, o Ministério de Minas e Energia -que encomenda o relatório desde 2006, para balizar suas ações- não tem planos de realizar leilões com a energia do lixo nos próximos anos. Segundo o governo, as prioridades em fontes renováveis são eólica, solar e hidrelétrica.

A falta de perspectivas aumenta a defasagem do Brasil na tecnologia de eletricidade produzida por meio do lixo, na avaliação do professor Luciano Bastos, responsável pelo capítulo que avalia esse potencial no plano decenal a ser lançado.

Bastos, que é pesquisador do Ivig (Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais), diz que a única usina construída especialmente para aproveitar o potencial energético dos dejetos é a termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com capacidade de 200 kW por mês, suficiente para abastecer 2.300 casas.

Além dessa usina, há os aterros sanitários Novagerar, em Nova Iguaçu (zona metropolitana do Rio), Bandeirantes e São João, em São Paulo, que utilizam o gás metano resultante da decomposição natural da matéria orgânica.

Carbono à venda

A transformação de lixo em energia teria ainda duas conseqüências benéficas, na opinião de pesquisadores. A primeira é incentivar a armazenagem correta dos resíduos, que passam a ser matéria-prima. Dados do IBGE de 2000 indicam que 63,3% dos municípios brasileiros tratam o lixo de forma errada -em geral apenas determinam o terreno em que os detritos devem ser jogados.

Outro benefício seria econômico: assim como outras fontes de energia renovável, o lixo pode gerar créditos de carbono e favorecer o Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas. A geração de créditos se deve à queima do metano, produto natural da decomposição orgânica. Este gás é mais danoso ao aquecimento global do que o gás carbônico CO2 -mas é eliminado com a combustão.

O aterro Novagerar foi o primeiro do mundo a vender créditos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto. "Nossa intenção é deixar de ser uma empresa de resíduos e passar a ser de energia", diz a diretora Adriana Felipeto. A empresa calcula que o investimento necessário para gerar seis megawatts (energia para 24 mil casas) será de US$ 6 milhões.

Para Felipeto, empresas com ações na Bolsa têm mais interesse em comprar a energia do lixo e, por isso, a demanda deve aumentar com o grau de investimento, pois mais companhias devem abrir capital.

"Há um reconhecimento claro da importância do aproveitamento da energia do lixo", diz Manoel Avelino, presidente da Arcadis Logos Engenharia -sócia nos aterros Bandeirantes e São João.

A energia gerada no Bandeirantes (20 MW ou 160 mil casas) é usada pelo Unibanco e a do São João (24.8 MW ou 198,4 mil casas) é vendida para grandes consumidores, como shopping centers. Bastos afirma que, diferentemente das usinas, os aterros não são projetados para gerar energia, apenas armazenar lixo, e por isso são menos eficientes.

Atraso tecnológicoPara Sabetai Calderoni, doutor em ciências pela USP e especialista em reciclagem, há três razões para o atraso brasileiro na produção:

1) as parcerias público-privadas, maiores facilitadoras dos processos de reciclagem no seu entender, são recentes;

2) o interesse na manutenção dos investimentos em aterros;

3) só recentemente os preços de disposição ficaram mais caros.O assessor de comunicação da Empresa de Pesquisa Energética, instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo decênio, Oldon Machado, diz que o plano decenal tem números sobre os investimentos necessários, mas não específica as fontes alternativas mencionadas.

2.300casas podem ser abastecidas por mês com a eletricidade de uma termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro feita especialmente para aproveitar a energia do lixo.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo - ANDRÉ LOBATO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem -Aterro sanitário Bandeirantes, na zona norte de SP, que gera energia a partir do gás metano