24 julho 2008

POR QUE TEMOS QUE CONCLUIR ANGRA 3?

Foto: Simulação indica local previsto para construção de Angra 3 (Fonte: Eletronuclear)

A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto é formada pelo conjunto das usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, sendo o resultado de um longo programa nuclear brasileiro que remonta à década de 1950 com a criação do CNPq liderado na época principalmente pela figura do Almirante Álvaro Alberto.

Angra 3 é a terceira das usinas nuclerares que deu origem ao Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto e que esta em fase de instalação. Ela terá reator idêntico ao de Angra 2, de Água Leve Pressurizada (Pressurized Water Reactor), potência de 1.350 MW, e projeto da Siemens/KWU. Após ter tido sua construção paralizada nos anos 80, foi anunciada a retomada de seu desenvolvimento a partir de Setembro de 2008, segundo o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

TENDÊNCIAS/DEBATES - O governo brasileiro deve retomar as obras da usina nuclear de Angra 3?

NÃO
Por um programa nuclear brasileiro
JOAQUIM FRANCISCO DE CARVALHO - O PRINCIPAL ARGUMENTO dos defensores de Angra 3 é o de que "já foram gastos US$ 750 milhões na obra, quantia que será desperdiçada, caso se rejeite a conclusão do projeto". Esse argumento é superficial, pois, se Angra 3 entrar em operação, o prejuízo aumentará na medida da diferença entre seus custos de geração e os das hidrelétricas. Cálculos feitos por técnicos do ONS (Operador Nacional do Sistema) indicam que o custo marginal médio para a expansão do sistema hidrelétrico é de aproximadamente R$ 80/MWh, enquanto o custo de geração de Angra 3 está em torno de R$ 144/MWh. Assim, em cada ano de operação, Angra 3 oneraria o sistema com um acréscimo de custos da ordem de R$ 470 milhões, em relação ao que seria gasto na construção de novas hidrelétricas, com uma potência equivalente. E nem falemos que o investimento na construção de uma obra desse porte sempre excede o valor orçado, o qual, para Angra 3 é de US$ 1,8 bilhão. O Brasil não precisa macaquear o exemplo da França, onde quase 80% da eletricidade vêm de usinas nucleares, que, aliás, estão chegando ao fim de suas vidas úteis. Para isso, desenvolveu-se naquele país um modelo de reator que, além de ser intrinsecamente seguro, é mais econômico. Ainda assim, é claro que, se pudessem, os franceses, que sempre se destacaram pela inteligência, prefeririam instalar usinas hidrelétricas, que são ainda mais seguras e econômicas. Mas isso é impossível, porque eles já aproveitaram todo o seu potencial hidrelétrico, enquanto nós aproveitamos apenas 30% do nosso. Os interessados em Angra 3 afirmam que "a decisão de concluir a obra é fundamental para treinar pessoal e dar continuidade ao programa nuclear brasileiro". Ocorre que usinas nucleares são construídas para gerar eletricidade e, para isso, basta que sejam operadas por profissionais qualificados, como os que operam Angra 1 e Angra 2, não cabendo a eles a atribuição de projetar novas usinas. Diga-se de passagem que esses profissionais são permanentemente renovados, com os novos que chegam e são treinados pelos "sêniors". Construir Angra 3 equivaleria a comprar um moderno Boeing, que pode ser muito bem pilotado por pilotos formados no Brasil. Mas esses pilotos não têm preparo para projetar e construir aviões. De fato, as companhias aéreas brasileiras sempre compraram e operaram aviões modernos, mas a indústria aeronáutica brasileira só nasceu com a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, que estimulou a criação da Embraer. Analogamente, a capacitação brasileira para fazer o projeto básico, desenvolver os materiais, desenhar e construir uma usina nuclear, só virá quando o governo, em vez de comprar projetos no exterior, como o de Angra 3, entregar aos nossos centros de excelência a responsabilidade de desenvolver e construir um protótipo e adaptá-lo para escala industrial. Os centros de que falo são, especialmente, o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo) e o CTM-SP (Centro Tecnológico da Marinha) em Aramar, nos quais desenvolveu-se a tecnologia brasileira de enriquecimento de urânio. Por fim, alegam os defensores de Angra 3 que "o término da obra permitirá que o país complete a fábrica de enriquecimento de urânio, em Rezende, e alcance a auto-suficiência na produção do combustível nuclear". Nada impede que a fábrica seja completada e que o governo compre parte de sua produção, para acumular estoque estratégico de urânio enriquecido a 3%, que é impróprio para construir bombas, porém importantíssimo para ser usado mais tarde, nas usinas desenvolvidas em um legítimo programa nuclear brasileiro.

JOAQUIM F. DE CARVALHO, 70, mestre em engenharia nuclear, foi diretor da Nuclen (atual Eletronuclear).

Fonte: Wikipedia


OS RISCOS PARA O PLANETA NÃO JUSTIFICAM A PRODUÇÃO DE ENERGIA NUCLEAR- temos alternativas limpas e sem riscos.

A BIODIVERSIDADE DA AMAZÔNIA


Formiga "salva" teoria sobre a Amazônia
Pesquisa mostra que diversidade de espécies supera isolamento pelos rios da região, que não são tão intransponíveis

studo apóia tese defendida pelo biólogo sambista Paulo Vanzolini, de que a riqueza zoológica surgiu em núcleos de vegetação diferenciados
Reuters
EDUARDO GERAQUEDA - REPORTAGEM LOCAL


Uma hipótese controvertida para explicar por que a Amazônia tem tanta biodiversidade acaba de ganhar reforço. A teoria dos refúgios - noção de que a proliferação do número de espécies de animais da floresta surgiu da divisão da região entre áreas com diferentes tipos de vegetação- é defendida pelo biólogo sambista Paulo Vanzolini. Após sofrer inúmeros ataques, a idéia está sacudindo a poeira e dando a volta por cima.

Tudo por causa de um estudo feito com saúvas. Segundo os autores, que publicaram o trabalho na edição de ontem da revista "PLoS One", a grande explosão de diversidade desses insetos ocorreu à revelia da barreira imposta quando os rios amazônicos se formaram. A superdiversificação é recente, e teve mais vigor por volta de 2 milhões de anos atrás.

"É a primeira vez que a teoria dos refúgios é testada para um grupo de invertebrados", diz Maurício Bacci Jr, bioquímico da Unesp (Universidade Estadual Paulista), do campus de Rio Claro. "Na verdade, estamos propondo uma espécie de reconceituação da teoria dos refúgios", diz o pesquisador. Ele assina o estudo com dois brasileiros e dois americanos.

Os cientistas reconstruíram a história de três espécies de saúva com dados genéticos. Com uma análise estatística das árvores genealógicas dos insetos, foi possível saber qual teoria explica melhor a explosão da biodiversidade das formigas na Amazônia. O método identifica há quanto tempo a troca de genes entre populações de locais diferentes foi interrompida. Isso pode fazer uma espécie se dividir em duas.

"Esse estudo, logo de início, mostrou que as formigas proliferaram pela floresta independentemente da barreira formada pelos rios amazônicos." Isso não foi visto nas viagens do grupo, mas há relatos de que ninhos de formiga navegam pelos rios em troncos, podendo atravessar quilômetros de extensão. "Voando, realmente, as formigas não conseguem", diz Bacci Jr. "Mas isso [a travessia] ocorre até nos oceanos.

"A floresta virou mar"

Os mesmos testes, entretanto, foram mais adiante. Eles mostraram que, além da teoria dos refúgios, uma outra tese proposta pelos cientistas para explicar a diversidade da floresta também teve um papel relevante no caso das saúvas.

"A invasão marinha [por causa do aumento do nível dos oceanos] é que teria se iniciado o processo de isolamento. Depois surgiram os refúgios", diz o bioquímico. Esse processo de entrada de água salgada sobre a planície amazônica ocorreu há cerca de 15 milhões de anos -antes, portanto, da formação do rio Amazonas, há 12 milhões de anos, como diz a pesquisa. Com a água entrando, áreas situadas em maior altitude teriam se transformado em ilhas de um "mar" amazônico.

Segundo o novo estudo, as espécies de formiga se diversificaram depois disso, entre 14 milhões de anos atrás e 8 milhões de anos atrás.

A partir desse cenário é que a região Amazônica passou a ser, mais recentemente, um verdadeiro centro de origem de novas espécies de formigas.

Migração

"Mas elas não surgiram diretamente na Amazônia", diz Bacci Jr. Segundo o pesquisador, há evidências de que as formigas deixaram a mata atlântica -antes de ser desmatada ela era mais extensa e exuberante e, só depois, migraram do litoral para o norte do país.

As saúvas, hoje, estão presente em praticamente todos os países da América do Sul. "Elas só não chegaram ao Chile. As formigas conseguem atravessar os rios, mas subir os Andes é um pouco mais difícil.

"Com menos barreiras no resto das Américas, as saúvas já conseguiram migrar até o sul dos Estados Unidos.

Fonte: Folha de São Paulo

23 julho 2008

ENERGIA NUCLEAR - UMA OPÇÃO DISCUTÍVEL


Como todos sabemos, a energia nuclear é uma das alternativas energéticas mais debatidas no mundo: comenta-se, entre outros tópicos, se valerá a pena implementar centrais de produção nuclear ou se devemos apostar noutro tipo de energias que sejam renováveis, pois como sabemos a energia nuclear não é renovável, uma vez que a sua matéria-prima são elementos químicos, como o urânio, extraídos de minerais (no caso do urânio, um dos minerais utilizados é a autonite).


Apresentamos aqui algumas vantagens e desvantagens:


Vantagens:

- não contribui para o efeito de estufa (principal);

- não polui o ar com gases de enxofre, nitrogénio, particulados, etc.;

- não utiliza grandes áreas de terreno: a central requer pequenos espaços para sua instalação;

- não depende da sazonalidade climática (nem das chuvas, nem dos ventos);

- pouco ou quase nenhum impacto sobre a biosfera;

- grande disponibilidade de combustível;

- é a fonte mais concentrada de geração de energia- a quantidade de resíduos radioactivos gerados é extremamente pequena e compacta;

- a tecnologia do processo é bastante conhecida;

- o risco de transporte do combustível é significativamente menor quando comparado ao gás e ao óleo das termoelétricas;

- não necessita de armazenamento da energia produzida em baterias;


Desvantagens:

necessidade de armazenar o resíduo nuclear em locais isolados e protegidos*;

- necessidade de isolar a central após o seu encerramento;

- é mais cara quando comparada às demais fontes de energia;

- os resíduos produzidos emitem radiactividade durante muitos anos;

- dificuldades no armazenamento dos resíduos, principalmente em questões de localização e segurança;

- pode interferir com ecossistemas;

- grande risco de acidente na central nuclear.
* esta desvantagem provavelmente durará pelo menos uns 30 anos, a partir de quando já se esperam desenvolvidas tecnolgias para reciclagem e reaproveitamento dos resíduos radioactivos.
.

Observação:
- ao contrário do que muita gente pensa, a energia nuclear não é uma energia suja;
- os impactos ambientais causados pela deposição do resíduo radioactivo não são muito maiores que os impactos do lago de uma hidroeléctrica.
Fonte:http://energiaeambiente.wordpress.com/2008/02/01/energia-nuclear-vantagens-e-desvantagens/
Particularmente, eu sou contra a construção de usinas nucleares, penso que o risco a que o meio ambiente fica exposto não compensa o retorno...o risco é algo muito grande.

21 julho 2008

DESMATAMENTO - O CARDÁPIO INDIGESTO E REQUENTADO, MAS INFELIZMENTE AINDA ESTÁ EM VOGA.





Imagine a Terra como um restaurante e à nossa frente um cardápio bem diverso. Em vez de comer um prato de petróleo regado a carvão mineral, podemos passar a comer os pratos com sabor de energia renovável. Ao invés do prato do desmatamento, podemos experimentar o banquete da conservação, das reduções das emissões de gases de efeito estufa. Essas novas opções são mais caras, porém mais saudáveis. Mas quem vai pagar a conta?


A analogia, feita por Marcelo Rocha, pesquisador do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) e pesquisador da ESALQ/USP, dá o gosto de uma receita que o Brasil está provando em Nairóbi, Quênia, na COP 12/MOP 2, a 12ª Conferência das Partes signatárias da Convenção do Clima e o 2º Encontro das Partes signatárias do Protocolo de Quioto.


Para começar esta dieta alguns países terão que abrir mão de pratos tentadores, porém “gordurosos”. Quando pensamos nos causadores do aquecimento global, os suspeitos de sempre são os países desenvolvidos (ou do Anexo 1, no linguajar do Protocolo de Quioto) porque têm o mais alto padrão de consumo de combustíveis fósseis. Só que o Brasil também está na lista dos que mais contribuem para o aquecimento global. Apesar de ter uma matriz energética relativamente “limpa”, o país apresenta os índices mais altos de emissão por desmatamento. A proporção é de 75% das emissões para derrubada de florestas e 25% para os combustíveis fósseis. O que agrava o nível de carbono na atmosfera são as queimadas no processo de conversão da mata em terra para agricultura e pecuária. Ou, em outras palavras, a expansão da fronteira agrícola. O desmatamento tropical está ocorrendo a taxas nunca antes observadas. No relatório State of the World’s Forests 2005, a FAO indica que apenas 7 países (Brasil, Indonésia, Sudão, Zâmbia, México, República Democrática de Congo, e Myanmar) perderam mais do que 71 milhões de hectares de florestas entre 1990 e 2000. De acordo com o relatório, cada um desses países perdeu uma média anual de pelo menos 500.000 ha de florestas. O Brasil (desmatamento anual médio de 2,3 milhões de ha) e Indonésia (1,3 milhões de ha) lideram a lista de destruição. O relatório também mostra que vários outros países perderam uma parte absurda de suas florestas em um período de apenas 10 anos: Burundi, 90%; Haiti, 57%; Santa Lúcia, 49%; Micronésia, 45%; El Salvador, 43%; Ilhas Comores 40%; Ruanda 39%; Níger, 37%; Togo 34%; Costa do Marfim, 31%; Nicarágua, 30%, para mencionar apenas os países com índices de destruição igual ou superior a 30%. Os dados estão no documento do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Ambiente e Desenvolvimento. Mas há boas notícias no cardápio. Em Nairóbi pretende-se aprofundar a discussão sobre formas de incentivar economicamente a redução do desmatamento tropical. Nessa história, o governo brasileiro parece que resolveu começar a mudar sua dieta. Isso porque na COP de Montreal, em 2005, um bloco de nações em desenvolvimento representadas por Papua Nova Guiné e Costa Rica apresentou uma proposta considerada pioneira na conferência: receber dinheiro para manter as florestas em pé. O “Coalizão das Florestas Tropicais” argumentou que os países tropicais estão servindo como reguladores do clima aos países desenvolvidos, mas sem dividir os custos. A proposta seria de que o desmatamento evitado gerasse créditos de carbono comercializáveis. Este era o pontapé inicial das discussões incluindo o instrumento “verde”. A partir daí, as florestas passaram a ganhar atenção ainda que pequena no âmbito das reduções mundiais. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do mundo, entrou no “bolo”, mas depois de resistir a criar mecanismos de diminuição dos gases de efeito estufa a partir da redução do desmatamento.


Pensamento arcaico

Em 1999, o documento oficial ¨Ponto de vista do Brasil sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo¨, preparado pela Coordenação Geral de Mudanças Globais do Ministério Ciência e Tecnologia, mostrou que o Brasil não parecia estar muito disposto a incluir a conservação na pauta das mudanças climáticas. Defendiam que o desmatamento não contribuía para a mitigação do efeito estufa. “(…) sob o ponto de vista estrito da atmosfera, ou ainda da Convenção do Clima, o fato de se conservar uma floresta existente não contribui para mitigar o efeito estufa, ou em outras palavras, tornar a mudança do clima menos severa. Não há variação na concentração de nenhum gás de efeito estufa na atmosfera pelo simples fato de cercar uma floresta e, supostamente, impedir que ela seja devastada¨. A posição brasileira parecia confusa em relação ao assunto. Por um lado, se considerava que fazer conservação florestal não era uma ação, pois bastava ¨botar uma cerca na floresta¨ e tudo estava resolvido. Por outro lado, a conservação seria irrelevante. “(…) Não há como se garantir que um projeto de preservação de florestas evite o desflorestamento. Primeiramente, seria necessário uma rigorosa fiscalização da área, e, ainda que isso seja feito de forma eficiente, é uma tarefa praticamente impossível evitar queimadas, tanto provocadas pelo homem, quanto por causas naturais. Além do mais, ainda que se consiga preservar uma área, não se pode garantir que o entorno da mesma seja desmatado, sendo que este entorno pode, inclusive, envolver países vizinhos”. Mesmo com todos os argumentos, agora começam as considerações de que evitar o desmatamento pode ser um bom negócio para o clima global e para o Brasil. O foco da proposta brasileira em Nairóbi é que as ações de redução do desmatamento devem ser financiadas voluntariamente pelos países Anexo I, mas sem representar compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa por parte dos países em desenvolvimento (sem gerar créditos de carbono). Para Haroldo Machado Filho, assessor especial da Coordenação-Geral de Mudança Global do Clima no Brasil, as emissões por desmatamento continuam não sendo relevantes pois os esforços mundiais estão focados nas reduções de gases de efeito estufa a partir de combustíveis fósseis. “É uma distorção perversa culpar as mudanças no uso da terra e florestas, sobretudo no Brasil, pelo aquecimento global, mesmo porque o Brasil é responsável por uma parcela ínfima das concentrações na atmosfera, considerando que os principais responsáveis pelas emissões históricas e atuais são os países desenvolvidos”. Um tímido, porém importante, avanço já que a proposta ainda está no âmbito das idéias, sendo negociada na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que é mais generalizada, e não do Protocolo de Quioto, que é mais específico. Mas antes mesmo da proposta brasileira ser encampada pela ministra Marina Silva e ganhar os outros ministérios, Paulo Moutinho, coordenador do Programa de Mudança Climática do Ipam - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, já defendia a idéia do desmatamento evitado visto o alto índice de emissões gerados pela mudança de uso da terra. Ele diz que um dos problemas na época das discussões do protocolo foi que o desmatamento evitado estava sendo proposto dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). “Dizia-se não ser possível num sistema que é baseado em projetos, garantir que uma redução do desmatamento numa área não resultasse no aumento em outra área, caracterizando assim um “vazamento”. Reduz emissão aqui e aumenta ali. O balanço neste caso seria zero”. A polêmica retoma um ponto importante: por que os países ricos iriam pagar sem levar nada em troca? Os economistas já diziam que não há almoço de graça. “A proposta do Brasil contém muitos aspectos da proposta do IPAM. Nosso papel é tentar demonstrar que alguns pontos precisam de melhorias. Um deles é a questão da sustentabilidade financeira da proposta. O governo propõe um fundo. A gente acha que só o mercado de carbono pode fornecer recursos para a proposta em longo prazo”, diz Moutinho. Licença para poluir Em termos práticos, a diferença está no benefício que os países ricos teriam ao apoiar ações que reduzissem o desmatamento tropical. Na proposta original de Papua Nova Guiné, tais ações deveriam gerar créditos semelhantes aos obtidos através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Na proposta brasileira, isso ¨facilitaria¨ que os países desenvolvidos pudessem atingir suas metas de emissão sem que medidas concretas fossem tomadas para reduzir os gases em seu próprio território. Para Marcelo Rocha, pesquisador do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) e pesquisador da ESALQ/USP, “o desafio é como viabilizar isso pausando o aumento das emissões nos países industrializados. De nada adianta conservar florestas por um lado e continuar poluindo por outro”. Uma segunda dificuldade é de ordem técnica. Por ter sido abandonado na discussão de Protocolo de Quioto, pouco se avançou em metodologias de mensuração do resultado do desmatamento evitado. O Brasil tem tecnologia através de imagens de satélites o que o torna muito bom neste campo. Mas é preciso qualificar a redução do desmatamento, o quanto veio da ação direta do governo e o quanto é devido aos outros fatores. “Mas isto não impede a aplicação da proposta de redução compensada (que o Brasil não incorporou na versão oficial a ser apresentada em Nairóbi). Se os níveis se mantiverem, independente do mercado internacional, vão provar que as compensações são merecidas”, enfatiza Paulo Moutinho. Mas a proposta ainda não conta com esse nível de detalhe. “Ainda está se discutindo conceitos, idéias. Depois é que parte para uma discussão mais técnica, de metodologias. Também não acho que sai de Nairóbi um conceito definido”, complementa Marcelo Rocha.


Carbono amazônico

Outra questão que ainda precisa de respostas é o “carbono amazônico”. Sabe-se pouco sobre a dinâmica das florestas tropicais. Aqui no Brasil, muitos estudos propõem-se a enriquecer este lado da moeda para oferecer bases mais científicas aos debates. Um exemplo é o LBA – Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, que foi criado em 1998 para estudar as interações entre a Floresta Amazônica e as condições atmosféricas e climáticas em escala regional e global. O projeto, que no início de 2007 começa a fazer a expedição científica BARCA – Balanço do Carbono da Bacia Amazônica, pretende chegar a números mais expressivos dos níveis de absorção do carbono nos diferentes pontos da floresta Amazônica. “O balanço que nós fizemos até agora aponta para algo em torno de meia a uma tonelada de hectare/ ano de absorção positiva de carbono em excesso, mas é preciso confirmar isso com a expedição para chegar a um número mais definitivo. Não acreditamos que o número irá variar muito” explica Flávio Luizão, coordenador regional do LBA. O estudo é complexo. Regiões ao sul do Amazonas, na transição com o Cerrado têm uma emissão basicamente igual à absorção do carbono. Outras áreas como Santarém, no Pará, têm uma emissão maior do que a absorção, ou seja é um balanço negativo, está perdendo carbono para a atmosfera. Em Manaus, mais a oeste da Amazônia, há uma absorção positiva. Uma decisão está tomada neste restaurante. Com o agravamento do aquecimento global, ações que reduzam em larga escala as emissões oriundas do desmatamento terão que ser adotadas. Quanto mais cedo se aprender a receita, melhor será o sabor.


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EXCELENTE A PROGRAMAÇÃO DA EMBRAPA-JAGUARIÚNA

A amiga Eliana Lima, jornalista da Embrapa Jaguariúna, enviou-me gentilmente um e-mail com o Informativo daquela entidade referente ao mês de julho/2008 - Obrigada, Eliana, aqui terá sempre mais um espaço para as ótimas atitudes de vocês.

Informativo Agricultura & Meio Ambiente n° 16 - julho 2008

Tecnologias da Embrapa Meio Ambiente estão expostas na Expo T&C da SBPC
Os visitantes da 60ª. Reunião Anual da Sociedade para o Progresso da Ciência - SBPC estão tendo a oportunidade de conhecer três tecnologias da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) que contribuem para a sustentabilidade social, econômica, produtiva e ambiental do Brasil. O pulverizador eletrostático, o motor multicombustível e o coletor solar estão na Expo T&C que integra a 60ª. Reunião com o tema Energia, Ambiente e Tecnologia, que ocorre de 13 a 18 de julho, na Unicamp. Saiba mais
2o. Módulo do Curso Prático em Agricultura Orgânica começa dia 26 de julho
O sítio Catavento (Indaiatuba, SP) e a Fazenda Nata da Serra (Serra Negra, SP), a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola – Fundag e a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) organizam o Curso de Agricultura Orgânica em 4 módulos, de junho a setembro de 2008, sempre nos últimos finais de semana de cada mês. Saiba mais
Congresso de iniciação científica começa em julho
Estimular a formação de novos pesquisadores, com base em programas de iniciação científica, é o principal objetivo do 2° Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica - CIIC 2008, a ser realizado de 29 a 30 de julho no Instituto de Tecnologia de Alimentos – Ital, em Campinas, SP. Saiba mais
Biocombustíveis: países do Cone Sul estudam programa comum
Pesquisadores de instituições vinculadas ao Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul - Procisur se reúnem em Brasília, DF para fazer um plano de cooperação para construir uma plataforma tecnológica regional (chamada de PTR), que tratará especificamente de pesquisas para biocombustíveis. Saiba mais
Chefe geral da Embrapa Meio Ambiente recebe medalha Fernando CostaNa segunda-feira, 14 de julho, o engenheiro agrônomo e chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), Claudio Aparecido Spadotto recebeu em São Paulo a Medalha “Fernando Costa”. Spadotto foi escolhido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo – AEASP como um dos profissionais de destaque do ano de 2007 na modalidade Pesquisa. Saiba mais

Esta é a edição nº 16, de julho de 2008, do Informativo Agricultura & Meio Ambiente, uma publicação de responsabilidade da Área de Comunicação Empresarial (ACE) da Embrapa Meio Ambiente, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Edição: Cristina Tordin e Eliana Lima, jornalistas. Contatos e sugestões de matérias: sac@cnpma.embrapa.br. Caso não queira mais receber esta newsletter, favor enviar e-mail para cris@cnpma.embrapa.br ou elima@cnpma.embrapa

19 julho 2008

A MORTE DO MAR DE ARAL - UMA TRAGÉDIA AMBIENTAL DESCOMUNAL








Fotos via satélite: Revista Planeta

ESTA, SEM DÚVIDA É MAIS UMA TRISTE ESTÓRIA DE USO IRRACIONAL DOS RECURSOS DO MEIO AMBIENTE...não gostaríamos de ter notícias de outras tragédias como esta.
É POSSÍVEL SALVAR O MAR DE ARAL?
O QUE O MUNDO PODERIA CONTRIBUIR PARA ISTO?

A tragédia ecológica do Mar de Aral
por Rama Sampath Kumar [*]Tradução de João Manuel Pinheiro

O Mar de Aral, um lago terminal alimentado por dois rios principais, (Sirdaria e Amudaria) forma uma fronteira natural entre o Kasaquistão e o Uzbequistão. Era o quarto maior lago mundial em 1960; hoje, está em vias de desaparecer num pequeno e sujo poço. A destruição do Mar de Aral é um exemplo de como uma tragédia ambiental e humanitária pode ameaçar rapidamente toda uma região. Tal destruição constitui um caso clássico de desenvolvimento não-sustentado. Vale a pena estudá-lo pois, de certa forma, prefigura o que poderá acontecer a nível planetário se a humanidade continua a desperdiçar recursos finitos como a água.
O Mar de Aral e toda a bacia do lago ganhou notoriedade mundial como uma das maiores degradações ambientais do Século XX causadas pelo homem. A União Geográfica Internacional destacou a bacia Aral, nos começos dos anos 90, como uma das zonas críticas da terra [Kasperson, 1995]. É também referida como a “Chernobil Calada”, uma catástrofe silenciosa que evoluiu lentamente, quase imperceptivelmente, ao longo das últimas décadas [Glantz e Zonn, 1991]. A redução do Mar de Aral, captou a atenção e o interesse de governos, organizações ambientais e de desenvolvimento, leigos e comunicação social nos últimos anos em todo o mundo [Ellis, 1990]. A partir de meados dos anos 80, quando os soviéticos abriram as portas ao abrigo da política de glasnost (abertura), a situação do Mar de Aral ganhou a fama, junto de muitos observadores estrangeiros, de uma calamidade ambiental [Glantz, 1998]. Desde então que os cientistas têm vindo a exigir muito mais energicamente a salvação do Mar de Aral. Infelizmente, por essa altura, já o Mar de Aral estava reduzido a um terço do seu tamanho original. Apesar de ser novamente motivo da comunicação social mundial, e debatido, com uma nova abertura na União Soviética, era uma situação de crise conhecida que estava na agenda dos políticos da Federação por mais de 30 anos.
O Mar de Aral antes de 1960
O Mar de Aral fica situado a aproximadamente 600 km do Mar Cáspio. Costumava haver nele mais de 1.100 ilhas, separadas por lagoas e estreitos apertados, que deram ao mar o seu nome; na língua kasaque, Aral significa 'ilha'. No presente, a Kok Aral, a maior de todas as ilhas (é agora uma península) dispersas pelo Mar de Aral, separa a parte nordeste, chamada Pequeno Aral, da parte sudoeste, chamada o Grande Aral. Esta forma a fronteira natural entre Kasaquistão e Uzbequistão, que partilham entre si o lago. As duas partes estão ligadas pelo estreito de Berg.
O Mar de Aral era, até 1960, o quarto maior lago do mundo, cobrindo uma área de 66 mil quilómetros quadrados, com um volume estimado de mais de 1.000 km cúbicos .
Embora seja chamado um mar, na realidade é um lago terminal, alimentado por dois rios principais: Sirdaria no norte e Amudaria no sul. Este último, o maior rio da região, começa nas montanhas de Kunlun na cordilheira Hindu Cushe, dirige-se para noroeste através dos Montes Pamir e depois passa pelo Kirguizistão, Tadjiquistão, Uzbequistão (que forma fronteira com o Afeganistão) , Turkmenistão, e volta a passar por Uzbequistão antes de entrar no Mar de Aral.
O Sirdaria que começa na base norte das montanhas Tien Shan no Kirguizistão, corre através de Tadjiquistão, Uzbequistão, Kasaquistão e depois entra no Mar de Aral . Por conseguinte, embora o Mar de Aral se situe entre Uzbequistão e Kasaquistão, todos os cinco estados da Ásia Central compartilham a bacia do Mar de Aral, uma área de 690 mil quilómetros quadrados. Os caudais destes dois sistemas fluviais perenes, sustentavam um nível estável no Mar de Aral. Ao longo dos séculos, cerca de metade do caudal dos dois rios alcançou o Mar de Aral. Um vasto delta sustentava uma prolífica atividade pesqueira. No lago, encontrava-se uma variedade de espécies de peixes que eram pescados, incluindo certas espécies que só existiam no Mar de Aral, entre eles o famoso esturjão de Aral. As suas águas alimentavam indústrias de pesca locais com capturas superiores a 40 mil toneladas anuais, enquanto os deltas dos seus principais afluentes abrigavam dezenas de lagos mais pequenos e terrenos alagadiços de grande riqueza biológica . Florestas cerradas de juncos e canas, algumas vezes estendendo-se vários quilómetros em direção ao mar, rodeavam as margens do lago. À volta do lago e no delta fluvial, viviam grandes populações de saikas (antílopes), javalis selvagens, lobos, raposas, almíscares, perus, gansos e patos. O Mar Aral era como um grande oásis no deserto. Durante muitos séculos, as estepes e as regiões semi - desertas abrigaram vários grupos étnicos. Antes da chegada da Rússia imperial, a população que vivia na área do Mar de Aral era, predominantemente, nômade. Este modo de vida era, até certo ponto, essencial, devido às condições de desertificação ambiental. O clima é fortemente continental e a paisagem é do tipo semi – deserto. A precipitação anual é de cerca de 200 mm. Não é possível haver agricultura com esta quantidade de chuva. Somente na zona perto dos dois rios era possível ter agricultura e por esse motivo, as pessoas que estavam afastadas das margens dos rios, viviam unicamente da criação de gado. A primeira tarefa do governo imperial russo foi fixar a população em comunidades agrícolas. Perceberam que uma terra seria boa para agricultura se houvesse água disponível. No final do século XIX, cultivou-se algodão a uma relativamente larga escala quando se introduziram novas tecnologias de irrigação. Foram abertos canais para facilitar o processo de irrigação e uma boa proporção da produção agrícola da Ásia central estava completamente dependente da irrigação. Nos anos que se seguiram à Revolução Bolchevique cresceu o interesse na irrigação dos territórios da Ásia central. A área irrigada foi extensivamente desenvolvida nos começos dos anos 20, pois os soviéticos da altura (bolcheviques) estavam interessados em aumentar a produção do algodão. Em 1918, Lênin emitiu uma proclamação pedindo mais algodão do Turquestão. Para além disto pretendiam também controlar a população rural. Nos finais dos anos 30, sob o comando de Estalin, o ministro soviético da água iniciou um projecto maciço de desvio da água a fim de irrigar as estepes do Uzbequistão, Kasaquistão e Turkmenistão para os preparar para a cultura do algodão. O primeiro grande projeto de irrigação iniciou a operação em 1939 com a construção do canal que rodeava o Vale de Ferghana no Uzbequistão. A caminho dos finais dos anos 40, grandes quantidades de água do Rio Sirdaria foram desviadas para fins agrícolas para Kizil-Orda no Kasaquistão e para uma zona perto de Tashkent no Uzbequistão. A produção agrícola ao longo do Sirdaria foi preparada e iniciada, com trágicas consequências para a cultura nómada kasaque. O programa de propriedade coletiva de Estalin atingiu duramente os kasaques e calcula-se que mais de um milhão de pessoas morreram ou abandonaram a região dirigindo-se para países a sul do Kasaquistão......................................................................................................................leia a história completa desta tragédia, no site:http://resistir.info/asia/mar_de_aral.html
AS TRISTES ALTERAÇÕES...
“Tudo isto (crise sanitária) é o preço excessivo pago com a saúde da população para se ter auto-suficiência em algodão”. Não surpreende que toda a literatura médica local esteja repleta de histórias de deformidades à nascença, incremento de doenças renais e hepáticas, gastrite crônica, crescente mortalidade infantil e taxas de aumento de cancro. As pessoas tiveram também que se adaptar a alterações drásticas no clima. Como já foi observado, nas últimas quatro décadas os verões tornaram-se mais quentes e mais curtos e os invernos mais frios. “As alterações climatéricas não afetam, necessariamente, a propagação da doença, mas tornam a vida muito mais difícil,” diz Darin Portnoy, um especialista ocidental de tuberculose, que trabalha para um projeco do Banco Mundial em Moynaq. “As pessoas concentram-se em locais fechados durante longos períodos. Vivem encerrados e proporcionam a propagação da doença.”
Quando parecia que as coisas não poderiam ficar mais deprimentes surgiu outra exasperante revelação: Foi noticiado de que tinham sido enterrados barris de bactéria de antraz na Ilha de Vozrozhdeniye, situada no Mar de Aral, quando o Uzbequistão fazia parte da União Soviética. Durante o tempo que Mikhail Gorbachev esteve à frente do governo, os serviços de informação de Washington disseram que a União Soviética, contrariamente às suas promessas de respeitar os tratados, estava a produzir armas químicas. Em 1988, os Estados Unidos exigiram inspecionar as instalações químicas soviéticas. Julga-se ter sido ordenado aos cientistas da cidade siberiana de Sverdiovsk, que transferissem centenas de toneladas de antraz para caixas gigantes de aço inoxidável e o regassem com lixívia para matar a bactéria. A mortífera carga foi depois transportada para a ilha no Mar de Aral que tinha sido o local a céu aberto para as experiências de armas biológicas. Contudo, a lixívia não matou completamente a bactéria. Amostras de testes feitos ao solo revelam que alguns esporos continuam vivos. O receio é que a bactéria de antraz enterrada possa ser transportada para os territórios uzbeque e kazaque por lagartos e pássaros. O antraz caracteriza-se por lesões nos pulmões e úlceras no corpo e é transmitido aos humanos per animais através do contato.
Tanto o Uzbequistão como o Kasaquistão pediram ajuda aos Estados Unidos para que se fizesse a determinação do perigo que os seus territórios corriam, uma vez que a Rússia não cumpriu a promessa de Boris Yeltsin em 1992, de fechar e descontaminar o local. Estratégia Regional para a água já em 1982, o governo procurou desenvolver um plano pormenorizado dos recursos hídricos das bacias dos rios Sirdaria e Amudaria e colocou estritas limitações à retirada de água. Pouco tempo depois, foram criadas duas organizações para operar e manter as principais infra-estruturas hidráulicas e controlar a utilização da água. Houve muitas propostas para se transferir água do Mar Cáspio para o Aral.
Um plano de longa duração consistia em desviar as águas dos rios siberianos Ob, Irtysh e Yenisey e canalizá-los para Sul, para a região do Mar de Aral e para o deserto. Após anos de controvérsia este plano foi abandonado devido aos custos e consequências ambientais, mas alguns cientistas locais ainda defendem a ideia.
Outra sugestão era desfazer os glaciares das montanhas Pamir e Tien Shan com explosões nucleares. Estas ideias não eram realistas, especialmente em tempos de crise econômica. Todavia, elas ainda perduram. Com o fim do período soviético, as cinco Repúblicas da Ásia Central (RAC) independentes, estabeleceram uma comissão conjunta para a coordenação da água e para regular a sua distribuição na bacia, consolidando posições próprias para a adoção de estratégias regionais para a água.
Em 1992, foi pedido ao Banco Mundial que coordenasse a ajuda internacional em resposta à crise na bacia do Mar de Aral. Em Setembro do mesmo ano, uma comissão do banco visitou a região e preparou um relatório sobre aquilo que viu. Teve lugar em Washington, em Abril de 1993, uma conferência internacional patrocinada pelo Banco Mundial, Programa Ambiental da Nações Unidas (UNEP) e Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP) para discutir a proposta do banco. Estiveram presentes representantes das cinco repúblicas, assim como de outras organizações internacionais e agências de assistência. Com base nas recomendações do Banco Mundial, um grupo que incluía o Banco, o UNEP e o UNDP visitou a região em Maio de 1993 e preparou um programa de assistência financeira em colaboração com as RAC.
Este programa continha 19 projetos para a primeira etapa de um programa de três fases para salvar o Mar de Aral. As RAC, por sua vez, criaram três organizações regionais – o Concelho Interestadual, o Fundo Internacional para o Mar de Aral e a Comissão Executiva – para implementarem o programa. Foi encarada, e em parte implementada, uma maior utilização das águas de drenagem e residuais, assim como a introdução de colheitas mais tolerantes ao sal. Cerca de 6 km cúbicos/ano de águas de drenagens agrícolas e de águas residuais são diretamente reutilizadas para irrigação, enquanto 37 km cúbicos/ano regressam às depressões naturais ou rios, onde são misturadas com água fresca e podem ser reutilizadas para irrigação ou outros fins. O melhor que se espera é conseguir-se alguma estabilidade do lago e a sobrevivência dos dois deltas fluviais. A salvação dos deltas podia levar a uma nova atividade pesqueira comercial. Líderes governamentais afirmaram que a quantidade de terra para algodão será reduzida e que grandes quantidades de água serão bombadas para o Mar de Aral até 2005.
Funcionários da agricultura, contudo, dizem que é impossível demolir o sistema de canais. Muitos agricultores dependem dos rendimentos da cultura do algodão. O governo indicou também que as necessidades dos agricultores de algodão estão em primeiro lugar. A exportação de algodão é uma fonte importante de rendimento. As RAC não querem extirpar a monocultura do algodão e arriscar perder as suas recompensas econômicas. E assim, a maioria dos cientistas acredita que o Mar de Aral nunca irá ser como foi. O futuro do Mar de Aral é, portanto, incerto. A única coisa certa é que o lago é agora uma catástrofe ambiental à medida que o nível de água declina e o ecossistema se degrada, provocando um ambiente de deterioração e condições de vida e de saúde precárias para os povos que vivem nas margens do lago.
É agora impossível prever, com algum rigor, o futuro para o Aral, mas se não se encontrarem soluções apropriadas o nível da água continuará a declinar. Seja qual for o futuro, esta situação de certeza que abriu os olhos aos governos do mundo. É um forte aviso à comunidade internacional e ilustra a rapidez – em menos de 20 anos – como uma tragédia humanitária e ambiental pode ameaçar toda uma região e a sua população. A destruição do Mar de Aral é um exemplo clássico de desenvolvimento não-sustentado.

EMBUSCA DE UM CONSENSO PARA A REDUÇÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL


Precisamos, urgentemente, de um consenso global, na busca da redução ou estabilização do aquecimento global.

O que temos observado nas reuniões de cúpula entre os países, é um jogo de interesses individuais - ninguém olha o mundo como um todo, mas seus países como focos isolados - quando na verdade isto não funciona assim: O que o Brasil poluir, o resto do planeta irá sofrer e assim continuamente...

Os países precisam desenvolver, claro que sim, mas com muito respeito ao meio ambiente, resguardando e implementando o desenvolvimento sustentável...ISTO É POSSÍVEL!

07/07/2008 - ONU pede aos EUA que lidere luta contra aquecimento global

SAPPORO, Japão (AFP) — O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira aos Estados Unidos que assumam um papel de liderança na luta contra o aquecimento global, em entrevista à AFP no avião a caminho da reunião de cúpula do G8 no Japão.
"Isso é o que toda a comunidade internacional espera dos Estados Unidos", insistiu Ban.
Os Estados Unidos são o único grande país industrializado que não aderiu ao Protocolo de Kyoto, já que reclamam um compromisso maior dos países emergentes na redução de gases de efeito estufa.
"Sei que os chineses e indianos também estão comprometidos neste processo. Fiquei animado com o que me disseram os líderes chineses", afirmou, referindo-se ao encontro que manteve com o presidente Hu Jintao durante uma visita a Pequim na semana passada.
O G8 - integrado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia - manterá na quarta-feira uma sessão ampliada com líderes de países emergentes, mas os especialistas nào esperam decisões nessas negociações sobre o clima.
"Acho que temos tecnologia, capacidade financeira e consenso de que a mudança climática é real. O que falta, principalmente, é a vontade política", queixou-se Ban.
Os dirigentes "têm tendência a olhar seus problemas nacionais em primeiro plano. Estão muito preocupados com a opinião pública nacional, sendo difícil para eles considerar todos esses problemas mundiais".
O Japão, que preside este ano o G8, pretende fazer do aquecimento global uma prioridade da reunião de Toyako, mesmo que nenhuma medida espetacular seja esperada em relação a esse tema.
A cúpula do G8 e os outros países convidados têm ambições mínimas. O primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda pretende apenas estabelecer a definição de um "objetivo comum", provavelmente sem uma meta estipulada de redução des emissões poluentes.
O governo do presidente americano George W. Bush recusa qualquer compromisso que não envolva também as economias emergentes.
Ele considera também que o G8 não é o fórum adequado para discutir mudanças climáticas porque não inclui os gigantes emergentes como a China, que assumiu a liderança do ranking dos maiores poluidores em 2007, ou a Índia.
Durante a entrevista, Ban rejeitou esse argumento.
"A questão não é saber quem deve ser o primeiro e quem deve vir em seguida. Pelo contrário, é desejável que os países industrializados tomem a iniciativa e dêem o exemplo", afirmou.
"Sei que os chineses e os indianos também estão envolvidos nesse processo. Acho encorajador o que os dirigentes chineses me disseram", acrescentou.
Durante uma entrevista coletiva à imprensa concedida antes da abertura da reunião de Toyako, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, também pediu um engajamento mais determinado baseado em objetivos precisos de reduções de emissões poluentes.
"É importante aceitar o princípio de um objetivo a médio prazo antes de 2050", disse. "Considerar seriamente não é o bastante, precisamos de uma decisão, precisamos de um engajamento com base em objetivos de longo prazo", ressaltou o presidente da Comissão Européia.
Durante sua reunião anterior em Heiligendamm, na Alemanha, em junho de 2007, os países do G8 chegaram a um acordo mis acordo para "considerar seriamente as decisões tomadas pela União Européia, pelo Canadá e pelo Japão que prevêem uma redução em pelo menos a metade das emissões globais (de gases do efeito estufa) até 2050", sem anunciar, entretanto, uma meta concreta comum.