06 agosto 2008

PILHAS E BATERIAS - USO E DESCARTE


15/09/2006 - Uso e descarte de baterias de celular exigem cuidados especiais
Consertar qualquer produto é sempre uma boa alternativa antes de comprar um novo.
As baterias de celulares mais comuns são feitas de níquel-cádmio (NiCd), níquel-metal hidreto (NiMh) e de íons de lítio (Li-Íon). As primeiras estão sendo abolidas pelas empresas, por sua menor durabilidade e alta toxicidade do cádmio. As de melhor custo-benefício são as de íons de lítio, segundo os fabricantes. Entretanto, mesmo elas estão sujeitas a problemas e o proprietário pode, usando-as de forma correta, reduzir a necessidade de troca e evitar a entrada dessas baterias no ciclo do lixo. A primeira recomendação das empresas é que se utilize o celular, as baterias e os carregadores conforme indicado pelos fabricantes e que se evite a compra de produtos falsificados, adquirindo-os em revendas autorizadas. O descarte também exige atenção especial. Geralmente, as lojas de celulares funcionam como pontos de coleta de baterias, de onde são destinados às empresas que promovem a reutilização ou reciclagem dos materiais. Assim, evita-se que os metais tóxicos contidos nas baterias (principalmente as de Níquel-Cádmio) sejam depositados em lixões e contaminem o meio ambiente.
Falsificação Algumas baterias falsas são facilmente identificáveis, como quando são vendidas fora da embalagem, apresentam defeitos na etiqueta, como erros de digitação e, principalmente, quando estão com preços abaixo da média de mercado. Os preços mais baixos podem indicar que a bateria não tem os principais recursos de segurança que as originais possuem. Outra recomendação é que o consumidor busque uma assistência técnica autorizada quando notar algum problema em sua bateria. Consertar qualquer produto é sempre uma boa medida, pois economiza recursos naturais e a energia que seria gasta no processo de reciclagem. Além disso, a reutilização evita a geração de lixo quando se joga o produto fora. Repensar Uma alternativa é repensar os hábitos de consumo, antes mesmo de buscar a reutilização ou a reciclagem de um produto. Paulo Diaz, educador ambiental do programa USP Recicla, lembra que o uso do celular pode ser reduzido, bem como o consumo de energia da bateria. Por exemplo, não há necessidade de o celular ficar ligado durante à noite, enquanto a pessoa dorme. “Quando estou em casa, eu desligo. As pessoas me ligam no telefone fixo”.
Precisamos redobrar o cuidado com o descarte destes materiais tóxicos, bem como com o seu uso, é necessáro que nos conscientizemos da desnecessidade de tantos aparelhos por indivíduo. Conheço família de 4 pessoas, pai, mãe e duas crianças, onde cada um tem um aparelho celular. É um exagero de consumo e descaso com o lixo tóxico.

05 agosto 2008

MARAVILHAS DA NATUREZA - LENÇÓIS MARANHENSES











Resultado de um belo e intrigante fenômeno da natureza, o Parque Nacional Lençóis Maranhenses (MA) tem uma paisagem que nos faz achar que estamos sonhando.
Quando olhamos o local pela primeira vez, associamos a paisagem a lençóis expostos para secar, mas, depois de observar com mais atenção, notamos a presença de montes de areia em meio a lagoas multicoloridas. Lençóis é o único deserto do mundo com lagoas e, para se ter uma idéia da magnitude do Parque, ele foi eleito a mais bela maravilha natural do Brasil em uma enquete realizada pela Revista Época. O local é tão surreal que chegou a disputar o título de Sete Maravilhas do Mundo no concurso promovido pela Fundação New 7 Wonders, do qual o Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, saiu vitorioso.
A origem dos Lençóis Maranhenses remete há cerca de 10 mil anos, quando as dunas começaram a se formar em resposta ao movimento dos rios Preguiças e Paranaíba, triturando o quartzo de seus leitos que, jogados ao mar, são devolvidos ao continente pelas ondas. Esse fenômeno, somado à ação dos ventos e das correntes, formou os Lençóis que exibem dunas em movimento, mais conhecidas na região como morrarias e que tem até 40 metros de altura. O Parque tem 300 quilômetros quadrados, começando nas águas do Delta do Parnaíba e avançando sobre o litoral do Maranhão. Entre os meses de janeiro e julho – período de chuvas – os lençóis ficam permeados de água devido ao alto índice pluviométrico.
'O Rio Preguiças estende-se por 120 km da nascente, em Brejo (MA), até a sua foz, dividindo o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses em Grandes Lençóis e Pequenos Lençóis. Da foz até Barreirinhas (porta de entrada do Parque), observamos uma maior concentração de Buritis. Na medida em que nos aproximamos da foz, eles vão sumindo e a paisagem vai se modificando. Passam a preponderar vegetações de mangue e restinga' .
Existem várias lagoas no interior do Parque. As mais conhecidas são a Lagoa Bonita, uma das poucas lagoas perenes da região, junto com a maior de todas que é a Lagoa do Santo Amaro. As areias se estendem por até 90 quilômetros, chegando a 50 quilômetros de extensão continente adentro, não parando de avançar, pois o processo de formação é contínuo. Na cidade de Barreirinhas, principal acesso aos Lençóis, encontramos as praias Ponta do Mangue, Moitas, Vassouras, Morro do Boi, e Barra do Tatu, que são algumas das belas praias que aguardam os curiosos visitantes que chegam de barco partindo da sede do município. Para quem gosta de estar em contato com o povoado local, Mandacaru é uma vila de pescadores onde a maior atração é um farol de 54 metros de altura, de onde se tem um belo visual do Parque. Já aqueles que querem tomar banho de mar e tirar o sal do corpo em águas doces, Caburé é uma boa opção.
Já nas margens dos rios Preguiças, da Fome, Novo, Negro, Grande e Piriá, são comuns as palmeiras buriti, açaí e o habitat de aves.
Nas partes mais próximas ao mar, onde há influência de água salgada, desenvolvem-se os manguezais e no sentido noroeste do Parque, a “floresta alagada” é formada principalmente por três espécies de árvores: mangue-vermelho, que alcança até 12 metros de altura, mangue-branco e mangue-siriúba. Além de Lençóis ser visualmente sensacional, ainda abriga uma fauna e uma flora muita rica.
A paisagem é uma verdadeira maravilha dos deuses. Imagine você a caminhar e a fazer pegadas nessa areia que mais parece lençóis estendidos ao Sol.
As dunas móveis, mais conhecidas como morrarias podem atingir até 40 metros. A cor do solo faz com que enxerguemos as diferenças na cor da água que vai de cristalina a um azul mais escuro.
Fonte: http://www.mirage.com.br/mirage/comunidade/2007/09/03/lencois-maranhenses-onde-lagoas-e-deserto-se-encontram/Por: Marilia Endriukaitis, da Texto & Imagem -http://arboretto.blogspot.com/2008/05/e-os-lencois-maranhenses.html - com adaptações.
Fotos: Secretaria de Estado Extraordinária para Desenvolvimento do Turismo no Maranhão

04 agosto 2008

A RECUPERAÇÃO DE UMA FLORESTA LEVA DE SÉCULOS A MILÊNIOS

Áreas degradadas de mata atlântica levam de 100 a 300 anos para se regenerar
Demora para retomar 40% de espécies endêmicas pode alcançar de 1 a 4 milênios, daí a urgência de preservar os últimos fragmentos
Um estudo na edição deste mês do periódico "Biological Conservation" traz boas notícias para a mata atlântica, que precisa desesperadamente delas depois de perder 93% de sua cobertura original. A floresta que recobria o litoral oriental do Brasil na chegada dos europeus consegue, sim, recuperar-se em tempo relativamente curto: 100 a 300 anos.
Em outras palavras, seriam necessárias de 4 a 12 gerações de brasileiros para recompor a mata destruída nas últimas 20. Se parece muito, prepare-se para a má notícia: o trabalho concluiu que a recomposição de toda a biodiversidade da floresta pode demorar entre 40 e 160 gerações (1.000 a 4.000 anos).
O estudo foi realizado por três pesquisadores da Universidade Federal do Paraná a partir de uma idéia de Marcia Marques, do Laboratório de Ecologia Vegetal. "Surgiu de uma curiosidade minha em compreender a resiliência [resistência] da floresta", conta. "Quando se observa uma floresta que se regenerou após um distúrbio, sempre vem a pergunta se aquela floresta corresponde ou não ao que era originalmente.
"Seu estudante de mestrado Dieter Liebsch, co-orientado por Renato Goldenberg, se encarregou de levantar os dados. Eles foram obtidos em 18 outros estudos sobre mata atlântica publicados entre 1994 e 2007 que estabeleciam com alguma segurança a data de início da exploração da floresta. É o que se chama de "meta-análise" (compilação de informações de outros trabalhos).
A base da pesquisa foram as listas de plantas (florística) encontradas nos trabalhos anteriores. Uma floresta digna do nome precisa abrigar também aquelas espécies tolerantes à sombra, grandes árvores como a maçaranduba (Manilkara subsericea) e as perobas (Aspidosperma spp).
Isso leva tempo.
Nos primeiros anos e décadas, predominam as espécies pioneiras, que se dão melhor com a abundância de luz solar em clareiras e fragmentos desmatados. Também são menos freqüentes as espécies que dependem de animais para ter suas sementes dispersadas, como os guamirins, parentes da goiabeira dependentes de aves.
Uma floresta madura contém 90% de espécies não-pioneiras e 80% de espécies dispersas por animais. Sabendo a proporção desses dois tipos e o tempo decorrido desde a perturbação da mata em cada um dos 18 casos, foi possível calcular a velocidade de regeneração do perfil: de um a três séculos.
A mata atlântica é também uma das florestas tropicais mais biodiversas do planeta, com 40% de espécies endêmicas (que só existem em certos locais). Para recompor essa chamada beta-diversidade, no ritmo atual, a mata precisaria de 1.000 a 4.000 anos.

03 agosto 2008

A CIDADE MAIS POLUÍDA DO MUNDO É DZERZHINSK NA RÚSSIA



Inferno na Terra
Dzerzhinsk, a cidade mais poluída do mundo, tem o solo envenenado e um lago de água quente devido à reação química


Flávia Varella

Todo entardecer é como se um cobertor de chumbo descesse sobre a cidade. O céu fica impregnado de fumaça escura e espessa. O ar é irrespirável. As poucas árvores ainda vivas são franzinas e sem folhas. Os animais desapareceram. Só alguns pássaros resistem, mas parecem desanimados e sem rumo. O solo tem trechos vermelhos, verdes e amarelos, recortados por riachos de um líquido branco e espesso. Assim é Dzerzhinsk, uma cidade industrial a 400 quilômetros de Moscou, apontada pela organização ambientalista Greenpeace como a mais poluída do mundo. Até 1991, a existência desse imenso parque fabril, erguido nos anos 30, era segredo de Estado. Ali se produziam as armas químicas da antiga União Soviética, com resultados devastadores para o meio ambiente. Durante décadas, as chaminés de Dzerzhinsk despejaram no ar toneladas de gases letais como o do pesticida DDT, o gás de mostarda e outros que provocam bolhas na pele e levam à morte.


Com a derrocada do comunismo no Leste Europeu e o fim da Guerra Fria, os produtos usados para fabricar armas foram armazenados em grandes barris, hoje enferrujados e jogados ao léu por toda a cidade. Com o tempo, muitos dilataram e vazaram. O que escapou ajudou a transformar um grande lago local no Mar Branco, um reservatório inflamável de resíduos químicos. O apelido se deve à espuma branca que cobre toda sua superfície. Biólogos dizem que o lago contém a mais alta concentração mundial de dioxina, produto cancerígeno. Mesmo quando a temperatura cai a menos 40 graus Celsius no inverno, o lago fica aquecido por causa dos efluentes químicos. Apesar do enorme perigo que isso representa, muitos moradores de Dzerzhinsk nadam nessas águas porque "são muito agradáveis e nunca congelam", segundo o depoimento de um deles.


Gosto metálico — Atualmente, os produtos químicos feitos ali são menos assustadores, mas a lista inclui venenos como uma versão russa do agente laranja, mercúrio, cloro e chumbo. Grande parte das fábricas de Dzerzhinsk usa cloro e elimina dioxina como resíduo. Essa substância é suspeita de causar, além de câncer, doenças do fígado, da pele e danos ao sistema imunológico. Ela também prejudica o aparelho reprodutor das mulheres e pode passar para os bebês através do leite materno. Amostras de solo da região analisadas apresentaram nível de dioxina 1800 vezes superiores ao permitido na Rússia. A única providência que a prefeitura local tomou até agora foi oferecer uma máscara de gás grátis para cada morador. Pouca gente se interessou pela oferta. Quem chega a Dzerzhinsk logo sente dor de cabeça e um certo gosto metálico na boca. Já os moradores dizem nem perceber o mau cheiro. Estão acostumados, afirmam.


Tosse e câncer — A convivência com a degradação ambiental é tão íntima que já não assusta. Várias pessoas aquecem suas casas nas redondezas da cidade com carvão retirado do solo e impregnado de dioxina. Ao ser queimado, o gás venenoso é liberado no ar. Pequenas plantações fornecem legumes e tubérculos de aparência estranha. Perto das fábricas existem lagos artificiais onde pescadores pegam peixes magrelos para comer e vender. Até dois anos atrás, os residentes de Dzerzhinsk bebiam água de uma fonte local. Ela tinha cheiro ruim e uma aparência vermelho-amarronzada. Em 1996 foi construído um sistema de água encanada. Mas, ainda hoje, se alguém deixar água num jarro durante a noite, ela amanhece com listras verdes e vermelhas.


Os 300.000 habitantes da cidade, embora pareçam não dar muita atenção ao desastre que os circunda, sentem na pele as conseqüências da poluição. A expectativa de vida é de apenas 42 anos para os homens e 47 para as mulheres, muito menos que a média nacional, que é de 58 e 71 anos, respectivamente. A maternidade registra uma taxa de defeitos de nascença três vezes superior à do país. Os problemas de saúde vão de tosse, dores crônicas nas pernas, fígado ineficiente e dificuldade de respiração a cânceres. "Eu sei que estou envenenado e que todo mundo aqui está", afirma Valerie Kuraev, de 59 anos. "Mas nascemos nesta terra e é preciso continuar vivendo. Pensando bem, nós apenas existimos. Isto não é realmente uma vida."
Para não espantar os investidores estrangeiros, as autoridades locais costumam minimizar ou negar os danos ao meio ambiente e à saúde. O chefe do departamento de saúde da cidade, Vladimir Karpov, afirma que a situação é "normal e não difere da de qualquer outra cidade russa". Em 1996, o governo considerou duas vilas vizinhas às indústrias "inabitáveis" e apagou-as dos registros oficiais. Apesar de os nomes de Igumnovo e Petryaevka terem sido banidos dos mapas, as vilas não foram evacuadas. Segundo Lev Fyodorov, um especialista russo em dioxina, ninguém deveria viver nessa área. "De fato, toda a população de Dzerzhinsk deveria ser removida e uma enorme cerca, colocada ao redor e fechada para sempre", diz ele.


Ironicamente, a única perspectiva de melhora dos índices de poluição de Dzerzhinsk está no agravamento da crise econômica que assola a Rússia. A atividade industrial caiu dois terços nos últimos anos e os níveis de poluição acompanharam o declínio. "As crianças costumavam brincar de esconde-esconde no nevoeiro cor de laranja poucos anos atrás", conta a aposentada Valery Gnusarkov. Ainda assim, quase ninguém na cidade aprova a melhora do ar. Os habitantes querem que as fábricas trabalhem em sua capacidade plena, caso contrário podem perder o emprego. Jovens de outras localidades continuam chegando à cidade em busca de trabalho. A maioria dos trabalhadores recebe entre 100 e 200 dólares por mês e sabe que oportunidades assim são raras na nova Rússia.
Fonte: http://veja.abril.com.br/071098/p_083.html

O ALERTA DO RIO SÃO FRANCISCO - ESTE RIO PODE MORRER


A exploração dos recursos hídricos, minerais, vegetais e humanos de toda a bacia do Rio São Francisco durante 500 anos trouxeram danos, alguns irreparáveis, a toda a região.

ASSOREAMENTO,

DESMATAMENTO,

EROSÃO E

POLUIÇÃO

são problemas enfrentados pela população do vale há anos, e o tipo de impacto ambiental está diretamente ligado à atividade econômica desenvolvida em cada região.
O uso indiscriminado dos recursos naturais é, atualmente, o maior perigo à sobrevivência do rio. Certas análises apontam que esses abusos podem resultar em um desgaste e até mesmo esgotamento dessas fontes.
No Alto São Francisco,

A CONCENTRAÇÃO DEMOGRÁFICA,

AS ATIVIDADES ECONÔMICAS DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO E

AS INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO DA GRANDE BELO HORIZONTE

respondem pela degradação ambiental daquele trecho. Além destes,

O GARIMPO DE DIAMANTES desfigura o leito do rio com grandes dragas, lançando depois o material retirado em suas margens que voltam ao rio nas enxurradas.
Ainda no Alto São Francisco, mas já entrando no Médio e Sub-Médio, a principal fonte de poluição é a AGRICULTURA, praticada sem preocupações com a preservação dos recursos hídricos. Os projetos de IRRIGAÇÃO E AGRICULTURA provocam o DESMATAMENTO DA MATA CILIAR (a fatalidade) e, conseqüentemente, carregam sedimentos para o leito do Rio. A vegetação nativa, que em 1970 cobria 85% dos 12 milhões de hectares do norte de Minas Gerais, em 1990 estava reduzida a 35%. E a cada ano, mais de 400 mil hectares de cerrado são desmatados na bacia, o equivalente a mais de mil hectares por dia.
O desmatamento das margens do lago da represa de Três Marias, assim como de vários trechos das margens do Velho Chico, provoca processos violentos de erosão, como a voçoroca acima. A construção de hidrelétricas ao longo do rio também é um grave problema, que põe em risco sua própria existência. Além das transformações significativas que obras como barragens e usinas provocam na área onde são instaladas, com reflexos diretos na vegetação e vida animal, o regime das águas também é afetado. No Baixo São Francisco, uma preocupação de cientistas e ambientalistas é a regularização do fluxo de água, prejudicado e tornado irregular com todas as mudanças feitas no percurso e pelo uso excessivo do recurso.
As sucessivas barragens feitas ao longo do rio provocam um processo quase irreversível de assoreamento, pois diminuem a correnteza natural, formam bancos de areia e transformam os drenos naturais de água em áreas pantanosas. Além disso, a regularização dessas usinas tem provocado efeitos também na atividade pesqueira e na cultura do arroz feitas pela população da área. A extinção de lagoas e várzeas naturais onde ocorria a reprodução e captura dos peixes, e onde tradicionalmente se fazia a plantação do arroz, ameaça a sobrevivência de espécies naturais e da própria população local.
Foto: 1 - João Zinclar; 2 - Fernando Zarur - Represa de 2 Marias = MG, voçoroca

02 agosto 2008

É POSSÍVEL, AINDA, SALVAR NOSSO PLANETA???

Sem dúvida alguma, esta é uma pergunta de difícil resposta, mas precisamos fazer algo...dar um pouco de cada um de nós, buscarmos alternativas para os emissores de gases poluentes, coibirmos os abusos ambientais, zerarmos os desmatamentos em nossas florestas, reflorestarmos ou seja plantarmos florestas para uso comercial.

Não podemos olhar o planeta do alto de um morro e acreditarmos que nada irá mudar, que nossos recursos naturais são inesgotáveis e que ambientalistas são loucos com pesadelos ou desvarios ambientais...tenham certeza, meus queridos amigos, que não!

Ambientalistas são homens (homens e mulheres) normais, são apenas pessoas que exergam a realidade ambiental com olhos catalizadores de efeitos diversos, provocadores de distorções e acelerações nas mudanças climáticas e nas condições de vida do planeta.

Vamos todos, meus queridos, olhar este mundo com um olhar mais crítico, mais analítico, mais amoroso...este é o nosso habitat, e precisamos tomar conta de nossa CASA!

Infelizmente, grande parte dos políticos do mundo, se omitem, não se interessam ou fazem "vistas grossas" para os problemas ammbientais, ou não têm coragem de enfrentar a realidade e darmos um basta nas atividades nefastas para a natureza.

Precisamos de políticos ágeis, corajosos, cientes e conscientes dos males que afetam o nosso ecossistema terreste. Seres comprometimos e com responsabilidade para que possamos recuperar o tempo perdido e tentar reduzir o mal que se abate sobre terra.


02/08/2008Krugman: esse planeta pode ser salvo?
Paul Krugman

Colunista do The New York Times


O site The Politico perguntou recentemente a Nancy Pelosi, porta-voz da Câmara dos Deputados norte-americana, por que ela estava bloqueando as tentativas de transformar as emendas sobre perfuração de poços de petróleo no mar em leis de incentivo. "Estou tentando salvar o planeta; estou tentando salvar o planeta", ela respondeu.Fico contente em saber. Mas continuo preocupado com as perspectivas do planeta.Verdade, a declaração de Pelosi foi uma lembrança feliz de que a política ambiental não está mais nas mãos de loucos. Lembre-se de que há menos de dois anos o senador James Inhofe - um teórico da conspiração que insistia que o aquecimento global era uma "grande fraude" perpetrada pela comunidade científica - era o presidente do Comitê de Meio Ambiente e Serviços Públicos do Senado.

Além disso, a resposta de Pelosi mostra que ela compreende as questões mais profundas por trás do debate atual sobre energia.

A maior parte das críticas sobre a decisão de John McCain de seguir o rumo tomado pelo governo Bush e adotar a perfuração de poços oceânicos para combater os preços altos da gasolina tem se concentrado na acusação de que isso é uma visão econômica viciada - o que é verdade.Uma propaganda da campanha de McCain diz que os preços da gasolina estão em alta porque "algumas pessoas em Washington ainda são contra a perfuração oceânica nos Estados Unidos". Isso é basicamente desonesto:o próprio Departamento de Informações sobre Energia dos EUA diz que remover as restrições para a perfuração oceânica não levaria a uma produção adicional de petróleo até 2017, e que essa a produção extra teria um impacto "insignificante" nos preços do petróleo mesmo quando atingisse o seu ápice.

Ainda mais importante que a visão econômica ruim de McCain, todavia, é o que sua mudança de idéia em relação ao assunto - ele já foi contra a perfuração oceânica - diz a respeito de suas prioridades.

Quando ele ainda cultivava uma imagem de rebeldia, McCain retratava a si mesmo como alguém com uma consciência ambiental maior do que o restante de seu partido. Ele chegou até mesmo a apoiar uma lei que demandava um sistema de créditos de carbono para limitar as emissões de gás de efeito estufa (apesar de suas declarações recentes sugerirem que ele não compreende a própria proposta). Mas ao que parece, bastou a sedução de obter algum ganho político para transformá-lo novamente em um republicano adepto do perfurar-e-queimar.

E o planeta não pode se dar ao luxo de tolerar esse tipo de cinismo.Por si só, as restrições em relação à perfuração oceânica são um assunto de importância modesta. Mas os conflitos sobre a perfuração são o estágio inicial de uma briga muito maior em relação à política ambiental. O que está em jogo nessa briga, acima de tudo, é se nós iremos entrar em ação contra a mudança climática antes que seja absolutamente tarde demais.

É verdade que os cientistas não sabem exatamente o quanto as temperaturas mundiais irão aumentar se continuarmos tocando com nossos negócios como sempre. Mas essa incerteza é exatamente o que torna a ação tão urgente. Ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de agirmos contra o aquecimento global para depois descobrir que o perigo havia sido superestimado, também existe a possibilidade de não agirmos e depois descobrirmos que os resultados da inação foram catastróficos.

Qual risco você prefere correr?

Martin Weitzman, economista de Harvard que tem conduzido a maior parte dos debates recentes de alto-nível, oferece alguns números sóbrios.Depois de pesquisar uma ampla variedade de modelos climáticos, ele argumenta que, no geral, eles sugerem uma possibilidade de 5% de que as temperaturas do planeta possam aumentar em mais de 10 graus Celsius (ou seja, as temperaturas do mundo irão aumentar 18 graus Farenheit). Conforme Weitzman aponta, isso é o suficiente para "efetivamente destruir o planeta Terra tal como o conhecemos". É uma total irresponsabilidade se não fizermos tudo que pudermos para eliminar essa ameaça.Agora as más notícias: a total irresponsabilidade pode ser uma estratégica política vencedora.

O argumento de McCain, de que os opositores da perfuração oceânica são responsáveis pelo preço alto da gasolina, é ridículo - e os principais veículos noticiosos apontaram isso, dando crédito a eles. Ainda assim a manobra de McCain parece estar funcionando: o apoio público para acabar com as restrições à perfuração aumentou drasticamente, com cerca de metade dos eleitores dizendo que o aumento na perfuração oceânica iria reduzir os preços da gasolina dentro de um ano.

Por isso a minha preocupação: se um argumento totalmente falso de que a proteção ambiental contribui para aumentar o preço da energia consegue esse tanto de força política, quais são as chances de adotar ações sérias contra o aquecimento global? Afinal, um sistema de créditos de carbono seria na realidade uma taxa sobre as emissões (apesar de McCain aparentemente não saber disso), o que de fato aumentaria os preços da energia.

O único jeito de conseguirmos alguma ação, eu diria, é se aqueles que estão impedindo a ação passarem ser vistos não apenas como equivocados, mas sim como imorais. Incidentalmente, foi por isso que fiquei desapontado com a resposta de Barack Obama à postura de McCain em relação à política energética - de que aquilo era "a mesma política de sempre". Obama se mostrou indiferente quando deveria ter se mostrado indignado.Mas como já disse, estou muito feliz de saber que Nancy Pelosi está tentando salvar o planeta. Eu só gostaria de ter mais certeza de que ela terá sucesso.

Tradução: Eloise De Vylder

01 agosto 2008

PARA SALVAR O CLIMA DO PLANETA

Plano sustentável no setor elétrico para salvar o clima
Sumário Executivo – 6 de julho de 2007

Graças à redução no uso de combustíveis fósseis e nuclear, a economia média anual do
cenário de [r]evolução energética é dez vezes maior do que investimento inicial nas tecnologias
renováveis.
Ameaças climáticas e soluções
Mudanças climáticas globais, causadas pelo implacável aumento dos gases de efeito estufa na
atmosfera da Terra, já prejudicam ecossistemas e provocam cerca de 150 mil mortes por ano. Um aquecimento global médio de apenas 2°C ameaça milhões de pessoas com aumento da fome, de doenças como a malária, enchentes mais freqüentes e redução da oferta de água.
Para que a elevação da temperatura seja mantida dentro de limites aceitáveis, é necessário reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa – o que faz sentido tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. O principal gás de efeito estufa é o dióxido de carbono (CO2), produzido pela utilização de combustíveis fósseis em energia e transporte.
O aumento crescente dos preços do petróleo e gás, a "militarização" da oferta de energia por razões políticas (Rússia/Ucrânia, Rússia/União Européia, Venezuela/Estados Unidos, Argentina/Chile, etc) e a dependência por matérias-primas concentradas em algumas das regiões mais instáveis do mundo, colocaram a segurança do suprimento energético como questão prioritária na agenda política internacional.
Um motivo para o aumento dos preços dos combustíveis fósseis – especialmente do petróleo e
gás natural – é a redução das reservas e o aumento dos custos de produção. Os dias de "fartura de petróleo e gás" estão chegando ao fim, abrindo precedentes para a utilização de fontes não
convencionais como o xisto betuminoso ou o arenito betuminoso, com grandes impactos
ambientais.
O carvão também enfrenta o aumento de preços. A China, tradicional exportador de carvão,
passará a importar o combustível em breve para saciar seu boom econômico. Ao mesmo tempo, a perspectiva para captação e armazenamento do CO2 depois de 2020 (seja ela real ou apenas um desejo) está encorajando os países industrializados a construir novas usinas a carvão nos
próximos anos.
Vale lembrar também que o urânio, combustível da energia nuclear, é uma fonte finita na
natureza. * SEMPRE É IMPORTANTÍSSIMO ATENTARMOS PARA OS RISCOS DAS USINAS NUCLEARES.
Em contrapartida, as reservas de energias renováveis - tecnicamente acessíveis globalmente - são suficientes para oferecer cerca de seis vezes mais energia do que o mundo consome atualmente, para sempre.
Tecnologias renováveis variam consideravelmente em termos de desenvolvimento técnico e
econômico, mas há fontes que oferecem opções cada vez mais atraentes. Dentre as opções já
consolidadas encontram-se a eólica, biomassa, fotovoltaica, térmica solar, geotérmica, oceânica e
hidrelétrica. A característica comum entre estas fontes é que todas produzem pouco ou nenhum
gás de efeito estufa e são recursos abundantes. Várias destas tecnologias já encaram o mercado de forma competitiva. Os custos das renováveis tendem a diminuir na medida do desenvolvimento tecnológico, aumento dos preços dos combustíveis fósseis e a monetarização global da redução de emissões de dióxido de carbono.