18 agosto 2008

COLETA DE ENERGIA SOLAR ATRAVÉS DO ASFALTO

Cientistas estudam uso de asfalto para gerar energia
Tubos com água embaixo de estacionamentos e estradas poderiam gerar eletricidade.
O calor acumulado no asfalto pode ser fonte de energia para os usos mais variados, do aquecimento de água à geração de eletricidade, dizem pesquisadores dos Estados Unidos em um estudo que será divulgado na semana que vem.
"Você põe uma rede de canos sob o asfalto e coloca água dentro deles. Se você fizer isso no estacionamento de um hotel, por exemplo, pode usar a água quente para lavagem", afirmou um dos autores do estudo "Capturando Energia Solar de Pavimentos de Asfalto", Rajib Mallick.
O uso da água aquecida seria o mais simples entre os possíveis. O objetivo principal dos pesquisadores, diz Mallick, é usar o calor contido na água para fazer funcionar turbinas e gerar energia elétrica.
Mallick, professor de engenharia civil e ambiental do Worcester Polytechnic Institute (WPI), em Massachusetts, e os outros três autores do trabalho argumentam que a energia pode ser mais simples de instalar do que painéis solares.
Entre as vantagens, estariam o aproveitamento de uma estrutura já existente de estradas e estacionamentos - a instalação poderia ser feita nas obras de recapeamento - e a possibilidade do uso após o anoitecer, ao contrário dos painéis, que dependem da luz para funcionar.
Mallick diz que, após terem feito os testes em laboratório, os pesquisadores estão agora fazendo um experimento em um estacionamento.
Segundo o cientista, a instalação do sistema em estradas tende a ser mais complexa do que em estacionamentos, pela instabilidade no pavimento causada pelo contínuo movimento e peso dos veículos que trafegam nas rodovias.
A idéia do estudo partiu de Michael Hullen, da empresa Novotech e um dos autores do estudo. Segundo Mallick, embora o potencial aproveitamento do asfalto na retenção do calor já tenha sido mencionado em outros estudos, ele e sua equipe não encontraram um que detalhasse o funcionamento do sistema de forma prática.
Além de Mallick e Hullen, Sankha Bhowmick e Bao-Liang Chen, também do WPI, foram co-autores no estudo, que será apresentado na próxima semana no Simpósio sobre Pavimentos de Asfaltos e o Meio Ambiente, em Zurich, na Suíça.
Custo
O sistema teria um custo entre US$ 20 e US$ 50 por metro quadrado e teria capacidade de gerar até 800 kW/h por dia durante seis meses do ano no Estado de New England, onde os cálculos foram feitos.
Regiões com maiores incidências de radiação solar como Califórnia e Arizona, no caso dos Estados Unidos, poderiam gerar ainda mais energia, pelo mesmo custo.
Mallick diz que pelo fato de ter muita radiação solar, o Brasil seria um dos grandes beneficiados do desenvolvimento comercial da tecnologia.
O cientista ressalva, porém, que "tudo foi feito numa base teórica" e que mais estudos precisarão ser feitos.
O sistema poderia ser usado para aeroportos, shoppings, hotéis e prédios comerciais, entre outros grandes consumidores de energia que poderiam atender à sua demanda sem o uso de energia elétrica.
Além de gerar energia, o sistema pode também reduzir as altas temperaturas do asfalto, aliviando o fenômeno das ilhas de calor, que resulta da substituição de plantas por concreto e outros materiais que absorvem calor.
Para tanto, Mallick e dois dos seus colegas no primeiro trabalho, elaboraram um outro estudo em que propõem usar o mesmo sistema de canos com líquidos para baixar a temperatura da superfície do asfalto e para gerar energia.
O estudo sobre a captura de energia solar foi financiado com bolsa do Massachusetts Technology Development, mas os cientistas estão em busca de mais financiamento para dar continuidades aos estudos e aperfeiçoar o modelo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

EFEITO ESTUFA - ASPECTOS AMBIENTAIS - POST 4


O efeito estufa
O efeito estufa é talvez o impacto ambiental que mais assusta as pessoas. Fazem-se previsões catastróficas acerca do derretimento do gelo dos pólos e das montanhas e a conseqüente elevação do nível dos oceanos e inundação de centenas de cidades litorâneas. Talvez o que mais assuste no efeito estufa, ou melhor, nas possíveis conseqüências de uma gradativa elevação das médias térmicas no planeta, é a tomada de consciência, pela primeira vez na história, da possibilidade de destruição do próprio homem. Os impactos ambientais são "democratizados", ou seja, passam a atingir todas as pessoas, sem distinção de cunho econômico, social ou cultural: atingem indistintamente homens e mulheres, ricos e pobres, operários e patrões, negros e amarelos, desenvolvidos e subdesenvolvidos, capitalistas e socialistas, liberais e conservadores. Não há mais refúgio seguro.

Todos finalmente passam a Ter plena consciência do óbvio: a Terra é finita e a tecnologia não pode resolver todos os seus problemas.
Mas o que é esse tão temido e tão falado efeito estufa? Antes de mais nada, é fundamental enfatizar que se trata, na verdade, de um fenômeno natural e fundamental para a vida na Terra.
O efeito estufa, que consiste na retenção de calor irradiado pela superfície terrestre, pelas partículas de gases e de água em suspensão na atmosfera, garante a manutenção do equilíbrio térmico do planeta e, portanto, a sobrevivência das várias espécies vegetais e animais. Sem isso, certamente, seria impossível a vida na Terra ou, pelo menos, a vida como conhecemos hoje.
Assim, feita essa importante ressalva, o efeito estufa, de que tanto se fala ultimamente, resulta, a rigor de um desequilíbrio na composição atmosférica, provocado pela crescente elevação da concentração de certos gases que têm capacidade de absorver calor, como é o caso do metano, dos CFCs, mas principalmente do dióxido de carbono (CO2). Essa elevação dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera se deve à crescente queima de combustíveis fósseis e das florestas, desde a Revolução Industrial.
Assim, segundo pesquisas feitas, admite-se que uma duplicação na concentração de dióxido de carbono na atmosfera pode provocar uma elevação média de 3ºC na temperatura terrestre, o que poderia elevar em uns 20 centímetros, em média, o nível dos oceanos. Isso seria resultante da fusão do gelo do topo das montanhas, da fusão do gelo que recobre as terras polares e também da dilatação da água dos mares. Uma elevação dos oceanos, ainda que de 20 centímetros em média, já seria suficiente para causar transtornos a cidades litorâneas.
Esse fenômeno é chamado de efeito estufa porque, nos países temperados, é comum a utilização de estufas durante o inverno para abrigar determinadas plantas, a estufa feita de vidro ou plástico transparente tem a capacidade de reter calor, mantendo a temperatura interna mais elevada que a temperatura ambiente. Isso ocorre porque a luz emitida pelo Sol, tanto no espectro visível quanto no ultravioleta, consegue atravessar o vidro e o plástico. O calor irradiado pelo solo, no entanto, basicamente no espectro infravermelho, não atravessa esses materiais, elevando, assim, a temperatura no interior da estufa. Você já parou para pensar que é uma incoerência construir enormes prédios de vidro nos países localizados na zona tropical do planeta, já que eles recebem grande insolação o ano inteiro? Essas enormes caixas de vidro funcionam como gigantescas estufas, armazenando grande quantidade de calor. Para torná-las habitáveis, faz-se necessário dissipar esse calor excedente. Assim, são necessários potentes sistemas de ar-condicionado, que consomem enorme quantidade de energia. E o pior é que, apesar de serem de vidro transparente, a luz solar nem pode ser utilizada como iluminação natural, devido às várias divisórias internas e ao uso de cortinas para minimizar o calor. Assim, a iluminação artificial tem que ficar ligada o dia todo, colaborando para maior consumo de energia, ao mesmo tempo, para a elevação do calor interno, exigindo mais do sistema de ar-condicionado, que por sua vez gasta mais energia ainda. É o resultado de importar padrões desenvolvidos para a zona temperada do planeta.
Fonte: http://pessoal.educacional.com.br/up/4770001/1306260/t137.asp

16 agosto 2008

COM 6.992 KM, O AMAZONAS É O RIO MAIS EXTENSO DO MUNDO


18/07/2008 - Rio Amazonas o mais extenso do mundo, segundo nova medição


Manuela Martinez - Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em meio às freqüentes notícias de devastação de florestas e conflitos envolvendo fazendeiros e indígenas, a Amazônia recebeu, afinal, uma notícia boa e de repercussão internacional em julho de 2008. Depois de 16 anos de pesquisas, cientistas do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, informaram que o rio Amazonas é o mais extenso do mundo, superando o Nilo, no Egito, em 140 quilômetros.Durante muitas décadas, os livros de geografia informaram que o rio Amazonas, que nasce na Cordilheira dos Andes (Peru), tinha 6.400 km, contra 6.650 km do Nilo, um dos mais famosos e conhecidos rios do mundo.Depois de analisarem imagens de satélite e de uma pesquisa feita na cordilheira dos Andes, os cientistas do Inpe anunciaram que o Amazonas é bem maior - a diferença foi de 592 km, um pouco mais do que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro. Portanto, segundo o Inpe, o rio Amazonas possui, na realidade, uma extensão de 6.992 km.Para efeitos de comparação, os mesmos critérios utilizados na medição do Amazonas também foram utilizados no Nilo. O resultado revelou que o Nilo, rio que exerceu um papel preponderante no desenvolvimento do Antigo Egito, também é maior do que se supunha - possui 6.852 km, ante os 6.650 km publicados pelos livros de geografia e história. O Nilo atravessa três países do continente africano: Egito, Sudão e Uganda.
Os rios mais extensos do mundo
Amazonas/Brasil - 6.992 km
Nilo/Egito - 6.852 km
Yang Tsé/China - 6.380 km
Mississipi-Missouri/Estados Unidos - 6.270 km
Yensei/Rússia - 5.550 km

O trabalho desenvolvido pelos cientistas do Inpe já foi reconhecido por duas entidades sul-americanas: o Instituto Nacional Geográfico do Peru e a Agência Nacional de Águas. Ainda em 2008, o estudo será apresentado oficialmente à comunidade científica, durante o Simpósio Latino-Americano de Sensoriamento Remoto.

O Inpe também vai enviar a conclusão dos estudos à Royal Geographical Society e à National Geographic Society, entidades responsáveis pela primeira medição dos rios Amazonas e Nilo.
Curiosidades
Além de ser o mais extenso e o mais caudaloso rio do mundo, o Amazonas pode ser traduzido por outros grandes números: sua profundidade máxima é de 100 metros, o que equivale a um edifício de 33 andares. O volume de água que despeja no mar é de 200 mil metros cúbicos por segundo e o seu trecho de maior largura possui 50 km.Depois do Amazonas e do Nilo, os três maiores rios do mundo são o Yang-Tse, na China, com 6.380 km, o Mississipi-Missouri, nos Estados Unidos, com 6.270 km e o Yenisei, na Rússia, com 5.550 km.

Foto: The Amazon River - Fotógrafo: Jeff Rotman

IMPACTOS AMBIENTAIS - UM PROBLEMA MUITO SÉRIO - A EROSÃO - POST 3



c) Erosão
Outro impacto sério causado pela agricultura é a erosão do solo, principalmente na zona tropical do planeta. O revolvimento do solo antes do cultivo desagrega-o, facilitando o carreamento dos minerais pela água das chuvas. A perda de milhares de toneladas de solo agricultável todos os anos, em conseqüência da erosão, é um dos mais graves problemas enfrentados pela economia agrícola. O processo de formação de novos solos, como resultado do intemperismo das rochas, é extremamente lento, daí a gravidade do problema. Toda atividade agrícola favorece o processo erosivo, mas algumas culturas facilitam-no mais que outras.
O combate à erosão
Com o objetivo de anular, ou pelo menos minimizar, os problemas causados pela erosão em áreas agrícolas, foram desenvolvidas técnicas:



- Terraceamento: consiste em fazer cortes formando degraus - os terraços - nas encostas das montanhas, o que, além de possibilitar a expansão das áreas agrícolas em países montanhosos e populosos, dificulta, ao quebrar a velocidade de escoamento da água, o processo erosivo. Essa técnica é muito comum em países asiáticos, como a China, o Japão, a Tailândia; o Nepal, etc.

- Curvas de nível: esta técnica consiste em arar o solo e depois fazer a semeadura seguindo as cotas altimétricas do terreno, o que por si só já reduz a velocidade de escoamento superficial da água da chuva. Para reduzi-la ainda mais, é comum a construção de obstáculos no terreno, espécies de canaletas, com terra retirada dos próprios sulcos resultantes da aração. Com esse método simples, a perda de solo agricultável é sensivelmente reduzida. O cultivo seguindo as curvas de nível é feito em terrenos com baixo declive, propício a mecanização. É comum em países desenvolvidos, onde a agricultura é bastante mecanizada: Grandes Planícies, nos EUA e no Canadá; planície Champagne, na França; Grande Bacia Australiana, etc.
- Associação de culturas: em cultivos que deixam boa parte do solo exposto à erosão (algodão, café, etc.), é comum plantar, entre uma fileira e outra, espécies leguminosas (feijão, por exemplo), que recobrem bem o terreno. Essa técnica, além de evitar a erosão, garante o equilíbrio orgânico do solo.

Fotos: 1 - Onion field where forest was just a few years ago soil is quickly washed away from steep slopes by frequent heavy rains, Barro Colorado Island, Panama; 2 - USA, Utah, Zion National Park, eroding limestone wall and small pine - Fotógrafo: William Smithey Jr -

Meus queridos leitores, neste quesito erosão, penso e sou testemunha de que o Plantio Direto, é, sem sombra de dúvidas o processo mais eficiente de cultivo agrícola, uma vez que incorporando os restos da cultura anterior ao solo, estamos, além de enriquecendo o solo, protegendo o mesmo da lavagem de sua superfície no período pós-colheita...protegendo-o também contra o aquecimento/ressecamento, principalmente na sua camada superficial, conservando e aumentando a sua fertilidade...favorecendo também a manutenção e proteção dos microorganismos que mantêm a vida do solo - O PLANTIO DIRETO É UM TIPO DE CULTIVO QE DEVERIA SER UTILIZADO SEMPRE, EM QUALQUER PARTE DO PLANETA E PARA QUAISQUER TIPOS DE CULTIVARES.

15 agosto 2008

ZONAS MORTAS NOS OCEANOS - O QUE FAZER?



As chamadas «zonas mortas» dos oceanos, com muito pouco oxigénio, estão a aumentar, com consequências graves para a vida marinha, revela um estudo que a Lusa revela.
«Apercebemo-nos que a hipoxia [baixo teor de oxigénio nos tecidos orgânicos] não é um problema local mas um problema global que tem graves consequências para os ecossistemas», alertou o especialista Robert Diaz, do Instituto de Ciência Marinha da Virgínia, nos Estados Unidos.
«Está a tornar-se um problema de tal magnitude, que começa a afectar os recursos que retiramos do mar para nos alimentarmos», adiantou.
Robert Diaz e um outro investigador, Rutger Rosenberg, apontam, na edição de hoje da revista Science, a existência no mundo de mais de 400 «zonas mortas», o dobro das estimativas avançadas pelas Nações Unidas há dois anos. Segundo os dois cientistas, a continuar este crescimento, deixará de haver no mar caranguejos, camarões ou peixes.
As novas zonas dos oceanos com muito pouco oxigénio têm sido detectadas na América do Sul, África e em parte da Ásia. A principal causa do fenómeno reside nas algas, que privam outras vidas marinhas de oxigénio, embora os cientistas apontem o dedo também aos adubos químicos, aos despejos de esgotos e à queima de combustíveis fósseis.

Foto: Ambiente com corais, esponjas, hidróides e o crinóide Gorgonocephalus eucnemis.fotógrafo: Alberto Lindner - Submersível Ilhas Aleutas, Alasca, EUA

14 agosto 2008

IMPACTOS AMBIENTAIS - POLUIÇÃO COM AGROTÓXICOS - POST 2

b) Poluição com agrotóxicos
A padronização dos cultivos, ou seja, o plantio de uma única espécie em grandes extensões de terra - nos EUA, por exemplo, há a predominância de determinada cultura em algumas regiões do país, definindo os cinturões (belts) do trigo (wheat-belt), do milho (corn belt), do algodão (cotton belt), etc. -, tem causado desequilíbrios nas cadeias alimentares preexistentes, favorecendo a proliferação de vários insetos, que se tornaram verdadeiras pragas com o desaparecimento de seus predadores naturais: pássaros, aranhas, cobras, etc. Por outro lado, a maciça utilização de agrotóxicos, na tentativa de controlar tais insetos, tem levado, por seleção natural (quando só se reproduzem os elementos imunes ao veneno), à proliferação de linhagens resistentes, forçando a aplicação de inseticidas cada vez mais potentes. Isso, além de causar doenças nas pessoas que manipulam e aplicam esses venenos e naquelas que consomem os alimentos contaminados, tem agravado a poluição dos solos. A utilização indiscriminada de agrotóxicos tem acelerado a contaminação do solo, empobrecendo-o, ao impedir a proliferação de microorganismos fundamentais para a sua fertilidade.

Foto: Soybean field, Roundup Ready, USA. - Fotógrafo: Inga Spence

No Brasil também, as culturas em grandes extensões, tais quais, plantações de soja, milho, arroz, trigo, algodão, etc., causam impactos ambientais e desequilíbrio no meio ambiente, uma vez, que inúmeros hectares cultivados com um único tipo de cultura, geram uma mudança nas características ambientais, tendo em vista que, os animais, as plantas e os insetos das regiões ocupadas, sofrem metamorfoses e se adaptam ao novo eco-espaço, ou migram para novas regiões ou são, simplesmente eliminados do seu habitat natural, provocando assim, uma dizimação da espécie, gerando em consequência, um novo ecossistema, com novas características. Estes novos ecossistemas são, normalmente, afetados pela contaminação provocada pela aplicação de defensivos agrícolas (agrotóxicos), muitas vezes, de modo inadequado ou excessivamente, gerando consequências desastrosas no meio ambiente local...ar, água e até mesmo o clima, principalmente em consequência do desmatamento, aterramento ou desvios de cursos naturais de água.

O prejuízo é sempre contabilizado para o meio ambiente e em consequência para a vida do planeta.

13 agosto 2008

A NATUREZA TEM PREÇO?


É possível estimar um valor monetário para a natureza?

Por Antonio Cristiano Vieira Cegana e Leonardo Barros Jianoti*

Atualmente essa é uma das perguntas mais freqüentes que intrigam ambientalistas e economistas de plantão. Em 2000, um grupo de pesquisadores liderados por Robert Constanza publicou na conceituada Revista Nature um artigo que estimava valores monetários para as áreas naturais ainda conservadas em todo mundo. Que valor era esse? Simplesmente 33 trilhões de dólares, valor que representa 82% do valor de tudo que foi produzido no mundo em 2005 (PIB Mundial**).
Eles se basearam no conceito de bens e serviços ecossistêmicos e quanto aquilo custaria se tivesse que ser fornecido artificialmente. Por serviços ecossistêmicos entendem-se funções desempenhadas pelos ecossistemas e que nos trazem benefícios direta e indiretamente. Estes incluem serviços de abastecimento, como comida, água, madeira e fibra; de regulação, como efeitos do clima, enchentes, doenças, secas e qualidade da água; culturais, provendo recreação, benefícios estéticos e espirituais; e de suporte, como formação do solo, fotossíntese e ciclo dos nutrientes.
Segundo o estudo, a valoração é dada pelo efeito substituição, ou seja, quanto custaria um regulador climático tão eficiente quanto o que a Terra oferece através das florestas?
Considerando essa questão, é mais inteligente preservar nossas áreas naturais (e conseqüentemente seus bens e serviços ecossistêmicos) do que desmatar e utilizar o recurso no curto prazo.
Nessa linha de raciocínio, a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza lançou o Projeto Oásis que visa proteger os mananciais responsáveis pelo abastecimento de aproximadamente 4 milhões de pessoas da cidade de São Paulo utilizando uma ferramenta de forte apelo econômico: pagamentos por serviços ecossistêmicos.
O Projeto investe na proteção dos mananciais realizando pagamentos aos proprietários que se comprometem a conservar suas áreas naturais. Por meio de contratos de premiação por serviços ecossistêmicos, as propriedades são semestralmente monitoradas para garantir a qualidade ambiental dos fragmentos.
Entre os maiores desafios estão a dificuldade em encontrar áreas com remanescentes florestais em boa qualidade e a ainda instigante valoração econômica dos serviços ecossistêmicos prestados pelas áreas naturais.
Nesse projeto o valor foi referenciado nos serviços prestados pela área natural preservada em relação ao: i) armazenamento de água (R$99,00/hectare/ano); ii) manutenção da qualidade da água (R$75,00/hectare/ano); e, iii) controle de erosão (R$196,00/hectare/ano), totalizando R$370,00/hectare/ano.
Atualmente, são 9 propriedades contratadas que, somadas, correspondem a 332,4 ha de vegetação nativa protegida. Esses resultados preliminares apontam para o importante papel que programas de pagamentos por serviços ecossistêmicos podem assumir na complementação de políticas públicas de conservação de áreas naturais.
Essas iniciativas demonstram a crescente maturidade do movimento ambientalista mundial, seja pelas ONGs, empresas ou governos. Ao mesmo tempo, os serviços ecossistêmicos mostram uma grande e promissora forma de diálogo entre economia e meio ambiente, onde todos serão beneficiados.
* Engenheiro Agrônomo, M. Sc Antonio Cristiano Vieira Cegana – Analista de Projetos Ambientais da Fundação O Boticário de Proteção a NaturezaEconomista, Leonardo Barros Jianoti - Analista de Projetos Ambientais da Fundação O Boticário de Proteção a Natureza
** Indicador: PIB Mundial 2005 – Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU – 2006 – http://www.pnud.org.br/