12 setembro 2008

A TRAGÉDIA BRASILEIRA - ENERGIA NUCLEAR NÃO!!!!

12/09/2008 - Programa nuclear brasileiro prevê 50 novas usinas em 50 anos, diz Lobão CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) afirmou nesta sexta-feira que o governo pretende ampliar o programa nuclear brasileiro. Segundo ele, além da construção da Usina de Angra 3, o governo planeja fazer pelo menos 50 novas usinas nos próximos 50 anos, que devem totalizar 60 mil megawatts a mais de energia nuclear na matriz energética

. "A idéia é que seja instalada uma nova usina a cada ano. Para se ter uma idéia, o total da matriz brasileira chega hoje em dia a 100 mil megawatts instalada", disse Lobão, após visita à Central Nuclear de Angra, no Rio de Janeiro. O ministro visitou as futuras instalações da Usina de Angra 3, cujas obras estão previstas para serem iniciadas em abril de 2009. Os trabalhos de preparação do local para a futura usina já foram iniciados, no entanto. A estimativa é que Angra 3 comece a operar cinco anos após o início da construção. Lobão negou que a Eletronuclear [estatal responsável pela obra e pela operação da usina] pretenda pedir mudanças relativas às exigências ambientais apresentadas para que a obra saia do papel. Uma das condições feitas pelo Ministério do Meio Ambiente é a criação de um local específico para colocação dos rejeitos nucleares. Por enquanto, admitiu Lobão, não há previsão sobre o cumprimento dessa exigência. Mas o ministro garantiu que o início das obras não será prejudicado. "Não há hipótese de a construção ser embaraçada por exigências ambientais. Ao todo, são 60 condições. A última exigência será atendida depois. As que não foram feitas serão sanadas posteriormente", disse Lobão. A política nuclear é prioritária para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o ministro. Lobão afirmou que vários Estados do Nordeste estão pleiteando a instalação de novas usinas nucleares. O governo já definiu que até 2020 serão feitas mais quatro usinas, além de Angra 3, sendo que duas serão construídas no Nordeste e outras duas no Sudeste.

EUA - A FÚRIA DO FURACÃO IKE

Miami, 12 set (EFE).- A intensidade dos ventos do furacão "Ike" aumentou para 165 quilômetros enquanto se aproxima da costa do estado do Texas, aonde poderá chegar esta noite ou na madrugada deste sábado, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

Em seu boletim das 9h (horário de Brasília), o NHC afirmou que "Ike" permanece como furacão de categoria dois na escala de intensidade Saffir-Simpson (que vai até cinco), com ventos máximos sustentados de 165 km/h e tendência a se fortalecer nas próximas 24 horas.

A costa da Louisiana, atingida na semana passada pelo furacão "Gustav", foi a primeira área a sofrer com as chuvas e com os ventos de "Ike", embora o NHC, com sede em Miami, mantenha a previsão de que o ciclone se movimentará rumo a oeste, em direção a Galveston e Houston.

Os especialistas prevêem que "Ike" poderá se transformar em "um furacão maior antes de seu olho tocar em terra no litoral" do estado do Texas, esta noite ou amanhã de madrugada.

Naquele momento, o centro do furacão estava próximo da latitude 26,9 graus norte e da longitude 92,2 graus oeste, a aproximadamente 585 quilômetros a leste de Corpus Christi (Texas) e 370 quilômetros a sudeste de Galveston, também no Texas.

Além disso, movimenta-se em direção oés-noroeste a 20 km/h e deve dar um giro em direção a noroeste hoje à tarde.

Segundo os modelos por computador do NHC, o olho do furacão "Ike" deve se aproximar muito do litoral do Texas esta noite ou na madrugada de amanhã, embora muito antes possa causar chuvas torrenciais sobre a costa.

Segundo as previsões, o olho de "Ike" deve tocar terra nas proximidades do porto de Galveston e depois avançar por terra como furacão de categoria um rumo à metrópole de Houston, com população de 5,6 milhões de habitantes.

O estado de emergência foi declarado no Texas e em algumas regiões do litoral foi emitida uma ordem de evacuação obrigatória.

A intensidade e periculosidade de "Ike" fez com que as empresas petrolíferas que operam no Golfo do México suspendessem aproximadamente 97% de sua produção e uma porcentagem semelhante de gás natural.

No total, foram evacuadas 655 plataformas de extração, 78% das existentes na região, segundo o Serviço de Gestão de Minerais (MMS, em inglês), uma agência governamental.

Mantém-se o aviso de furacão (passagem em 24 horas) desde Morgan City, na Louisiana, até a baía de Baffin, no Texas.

Está vigente um aviso de tempestade desde o sul da baía de Baffin até o porto de Mansfield, no Texas, e também desde o leste de Morgan City até a divisa entre Mississipi e Alabama, inclusive a cidade de Nova Orleans e o lago Pontchartrain.



Fonte:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2008/09/12/ult1809u16259.jhtm

11 setembro 2008

REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS - RMC E O PROBLEMA DO LIXO

Cidades estudam solução para destinação de lixo
Risco de colapso leva grupo a fazer estudo sobre situação regional


Paulo San Martin - Região

Arquivo/TodoDia Imagem

PÓS-REPRESA: em primeiro plano; ao fundo a Represa do Salto Grande
As cidades da região cuidam mal do seu lixo e a maioria delas gasta fortunas por mês porque não foi capaz de planejar investimentos no setor ao longo dos últimos anos. Há pelo menos uma década, as leis ambientais que regulamentam o destino do lixo endureceram no País, a exemplo do resto do mundo, e os municípios da região não se adequaram a elas.

O risco iminente de um colapso nos serviços de disposição do lixo na região levou o Parlamento Metropolitano, órgão que reúne representantes das Câmaras das 19 cidades que integram a RMC (Região Metropolitana de Campinas), a iniciar um estudo detalhado sobre a situação regional do lixo. O estudo parte da elaboração de um ranking com informações de todos os aterros sanitários dos municípios da região.

Informações preliminares, colhidas a partir do Inventário Estadual dos Resíduos Sólidos Domicialiares, com dados de 2004, mostram que apenas quatro dos 19 municípios da RMC têm aterros sanitários adequados para depositar seu lixo. Indaiatuba, Paulínia, Campinas e Santa Bárbara d’Oeste são as únicas cidades que mantêm aterros sanitários com tecnologia adequada e ambientalmente segura para tratar de seu lixo. Já o destino dado ao lixo por cinco cidades - Engenheiro Coelho, Nova Odessa, Pedreira, Cosmópolis e Artur Nogueira - está totalmente fora da legislação ambiental. Em outros quatro municípios - Itatiba, Valinhos, Holambra e Monte Mor -, os aterros também usam tecnologia ultrapassada, mas o risco de acidentes ecológicos está sob controle.

MILHÕES POR ANO

Os casos de Americana, Jaguariúna, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Vinhedo e Hortolândia são semelhantes. Estas cidades gastam milhões de reais a cada ano para transportar e depositar o seu lixo no aterro sanitário da Estre (Empresa de Saneamento e Tratamento de Resíduos), em Paulínia. O aterro da Estre é o único que utiliza tecnologia de ponta e recebe o lixo de vários municípios da região, além de Paulínia. “Mandamos cerca de 2,6 mil toneladas de lixo por mês para o aterro da Estre. Como a empresa cobra R$ 50 por tonelada de lixo doméstico que recebe, a prefeitura gasta em torno de R$ 130 mil mensais, mais de R$ 1,5 milhão por ano, com esta despesa”, informa a Prefeitura de Hortolândia, por intermédio da assessoria de imprensa. A Secretaria de Obras e Serviços Urbanos de Americana contabiliza um gasto anual de cerca de R$ 3 milhões para transportar e acondicionar o lixo no aterro da Estre.

O vereador Dário Saad (PSDB), de Campinas, autor da proposta de elaboração do estudo sobre o lixo no Parlamento Metropolitano, afirma que a situação dos aterros na RMC é grave e exige ações comuns de todas as esferas de governo. A maior parte dos municípios da região está quebrada e não tem recursos para construir aterros.

Em Americana, que projeta a construção de um aterro municipal e pode receber também um aterro regional construído pela iniciativa privada em uma área conhecida como Pós-Represa (leia texto abaixo), a prefeitura admite que só poderá levar o projeto adiante se contar com parcerias privadas e verbas federais. “Nos inscrevemos e já fomos aprovados para receber parte dos R$ 93 milhões que o Ministério das Cidades vai investir em 30 cidades da região sudeste do País, dentro do projeto MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo). Mas, além disso, teremos também que contar com parcerias para alavancar o projeto”, disse o secretário de Meio Ambiente Victor Chinaglia Júnior. Hortolândia e Sumaré também correm atrás das verbas do Ministério das Cidades para resolver seus problemas de lixo doméstico. “Precisamos urgentemente conhecer a dimensão do problema na nossa região. Só assim teremos condições de agir”, afirma Saad.

http://www2.uol.com.br/tododia/ano2005/junho/260605/cidades.htmhttp:

10 setembro 2008

QUEIMADAS - A VIDA TRANSFORMADA EM CINZAS, ATÉ QUANDO?


08/09/2008 15h42 -
Incêndios atingem parques estaduais na Região Serrana
Por Ascom do IEF

Dois incêndios florestais devastaram cerca de 40 hectares de áreas de vegetação nativa nos municípios de Teresópolis, Nova Friburgo e Santa Maria Madalena desde a última quinta-feira (4/9). Cerca de metade da área atingida pelos incêndios está situada dentro dos limites dos Parques Estaduais dos Três Picos e do Desengano, administrados pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A frente fria que chegou à região no domingo ajudou a controlar o fogo, que em pelo menos um dos casos teve origem criminosa.

O incêndio que atingiu Teresópolis e Nova Friburgo começou no domingo na região de Salinas, na divisa entre os dois municípios, e, no início da tarde desta segunda-feira (8/9) foi considerado controlado pelos bombeiros. As primeiras estimativas indicam que pelo menos 30 hectares foram atingidos pelas chamas, que destruíram vegetação de campos de altitude. Cerca de metade da área atingida está situada dentro do Parque Estadual dos Três Picos, no Morro do Ronca-Pedra. Vinte e cinco funcionários do parque, voluntários e bombeiros ainda trabalhavam na tarde de segunda-feira no combate ao fogo, em meio à forte neblina que cobriu a região.

O incêndio na Serra dos Marreiros, em Santa Maria Madalena foi considerado definitivamente extinto no final de semana. O fogo atingiu uma área total de 12 hectares, da qual cerca de metade situada dentro do Parque Estadual do Desengano. O combate mobilizou cerca de 40 funcionários do IEF/RJ, Bombeiros de vários quartéis de municípios vizinhos e a Defesa Civil do município. O presidente do IEF, André Ilha, acompanhou o trabalho de combate na sede da unidade durante o final de semana.

O fogo no Parque do Desengano, que atingiu áreas íngremes e montanhosas, coloca em risco várias espécies de vegetação rupestre, como diversos tipos de orquídeas e bromélias e veloziáceas (canela-de-ema). Segundo o major Marco Campos, perito do Corpo de Bombeiros que esteve no local, o incêndio teve origem criminosa, o que pode gerar punições por crime ambiental para os responsáveis.

Estas foram as primeiras ocorrências de incêndio nos dois parques estaduais desde o início do período de estiagem, em maio. Em abril deste ano, o governo estadual lançou o Plano Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que estabeleceu, entre outras medidas, a divulgação diária do Índice de Risco de Incêndios, baseado em dados meteorológicos.

08 setembro 2008

Grã-Bretanha quer produzir alimentos no deserto

Uma equipe de engenheiros e arquitetos baseados em Londres está combinando tecnologias para transformar imensas áreas desérticas em terrenos férteis com capacidade de produzir comida, água limpa e fontes alternativas de energia.

O Sahara Forest Project (Projeto Floresta Sahara) consiste em construir lado a lado estufas onde seria possível obter água limpa e cultivar alimentos, e painéis espelhados gigantes que captariam raios solares para gerar eletricidade.

A iniciativa combina tecnologias criadas pela empresa Seawater Greenhouse, que cultiva plantações em estufas instaladas em áreas áridas, e por arquitetos e engenheiros que desenvolveram uma técnica conhecida como Concentrated Solar Power (Energia Solar Concentrada, em tradução livre).

O criador da Seawater Greenhouse, Charlie Paton, explica que a técnica consiste em instalar evaporadores na entrada da estufa que convertem a água do mar em vapor. O vapor resfria a temperatura dentro do local em até 15 graus e favorece o crescimento da lavoura.

Do outro lado da estufa o vapor é condensado, transformando-se em água limpa que serve para regar as plantações.

Segundo Paton, a quantidade de água obtida é cinco vezes maior do que a necessária para molhar as plantas, produzindo um excedente que pode ser usado para mover turbinas acopladas aos painéis que captam a energia solar, gerando energia.

Biodiesel
De acordo com os criadores do Sahara Forest Project, em fase de testes em Tenerife, Omã e Emirados Árabes Unidos, a iniciativa terá potencial para produzir comida e eletricidade que serão consumidas por moradores locais.
A energia também poderia ser enviada para a Europa por meio de um conversor.

Com o excedente de água ainda seria possível cultivar pinhão manso, uma planta que serve de base para produzir biodiesel e que se adapta bem às terras desérticas.

Os criadores do projeto dizem que a iniciativa poderá ser uma ferramenta importante para combater a desertificação e trará múltiplos benefícios, como "grandes quantidades de energia renovável, comida e água".

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/08/ult4916u124.jhtm

06 setembro 2008

CRÉDITOS DE CARBONO E SEUS DESVIOS EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO



Mercado de crédito de carbono é alvo de abusos na Índia

Investigação aponta que projetos no país recebem incentivo sem necessidade.

Uma investigação do Serviço Mundial da BBC realizada na Índia encontrou provas de graves falhas no sistema do mercado global de venda de créditos de carbono, que movimenta bilhões de dólares.

Os créditos são gerados por um programa criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

O mecanismo dá a companhias em países em desenvolvimento incentivos financeiros para o corte das emissões de gases de efeito estufa.

Mas, segundo a investigação da BBC, créditos de carbono estão sendo pagos para projetos que teriam sido colocados em prática de qualquer forma, sem precisar de ajuda financeira.

O Serviço Mundial da BBC encontrou como exemplos três projetos na Índia.

Para receber créditos de carbono do MDL, os projetos devem demonstrar que reduzirão emisssões de carbono de forma "adicional" ao que teria acontecido sem os créditos.

Os compradores dos créditos gerados pelo MDL são companhias em países desenvolvidos, a maior parte delas na Europa, que os usam para compensar as suas próprias emissões.

O objetivo é dar a empresas ocidentais uma alternativa para atingir as suas metas de cortes de emissão e ao mesmo tempo estimular o setor privado de países em desenvolvimento, que pelo Protocolo de Kyoto não têm metas obrigatórias de redução, a cortar as suas emissões.

Por essa razão, o sistema só funciona se as empresas participantes realizarem cortes de emissão reais (em relação ao que produziriam se não aderissem ao mecanismo).

Gerador

Um caso de abuso encontrado pela BBC envolve a instalação de um gerador de biomassa que deve fornecer eletricidade para uma instalação de processamento de arroz em Uttar Pradesh, no norte da Índia.

A KRBL, maior companhia exportadora de arroz basmati da Índia, gastou US$ 5 milhões com o gerador, que substituiu um sistema à base de diesel.

O gerador é movido a cascas de arroz, fonte de energia renovável que geralmente era jogada fora no processo de moagem.

A companhia já está com o procedimento de registro do programa MDL quase completo e vai receber várias centenas de milhares de dólares por ano.

Mas, quando questionado sobre a importância dos créditos de carbono para a decisão de instalar o gerador de biomassa, um dos gerentes da companhia, Manoj Saxena, afirmou que o projeto seria feito mesmo sem os fundos do MDL.

Resíduo industrial

A companhia de produtos químicos SRF também está recebendo créditos de carbono do MDL por eliminar um resíduo industrial conhecido como HFC23, um gás de efeito estufa muito forte.

O HFC23 é um resíduo da fabricação de refrigeradores e aparelhos de ar condicionado. É cerca de 12 mil vezes mais tóxico que o dióxido de carbono se entrar na atmosfera.

A eliminação deste gás é relativamente fácil e barata, basta queimá-lo em um incinerador. E a SRF instalou um incinerador para queimar o HFC23 em suas instalações no Rajastão.

O projeto foi registrado e está recebendo 3,8 milhões de créditos de carbono por ano que, atualmente, valem entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões por ano.

A SRF deve receber os créditos por um período de cerca de dez anos, o que significaria créditos acumulados de US$ 500 milhões, uma soma gigantesca para uma pequena empresa indiana.

A companhia não divulgou o custo da instalação do incinerador, mas o valor é bem menor do que o valor dos créditos obtidos.

O número de créditos de carbono dados à SRF e outras companhias parecidas por eliminar o HFC23 está ligado ao seu potencial impacto ambiental. O custo real da eliminação do gás não é levado em conta.

O terceiro caso investigado pelo Serviço Mundial da BBC foi um grande projeto hídrico no Estado de Himalchal Pradesh, no norte da Índia.

Críticos e defensores do projeto apresentam diferentes argumentos para avaliar se o projeto realmente merecia ser qualificado para o recebimento de créditos de carbono.

Defesa

Mais de mil projetos já se qualificaram para o mercado de créditos de emissão de carbono e outros 3 mil já se inscreveram.

O comércio de créditos de carbono pelo MDL já alcançou um valor de cerca de US$ 10 bilhões ao ano.

O responsável pelo gerenciamento do MDL, Yvo De Boer, autoridade máxima da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, alega que existe "um procedimento que funciona".

De Boer se refere ao complicado processo de registro que todos os projetos têm que passar para se qualificar para o recebimento dos créditos de carbono do MDL.

Mas mesmo De Boer reconhece que o sistema não é perfeito. "No final das contas, é sempre uma questão de julgamento", afirmou.

Fonte: http://noticias.br.msn.com/artigo_BBC.aspx?cp-documentid=7904945 - BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

04 setembro 2008

O EFEITO PARA O MEIO AMBIENTE DAS MUDANÇAS DE HABITATS



Desafios do século XXI para o Brasil: barreiras sanitárias e ambientais, espécies invasoras exóticas e biopoluição (23/11/2006)

Por: Maria Regina Vilarinho

As mudanças nos hábitos humanos nas últimas décadas vêm sendo provocadas por múltiplos fatores. A mídia televisiva ao abrir as portas do mundo começou a mostrar fatos corriqueiros de lugares exóticos. Atualmente, a internet e o telefone sem fio estão aproximando de forma ainda mais rápida as pessoas e os lugares em diferentes pontos do planeta.
Associados a essas novas informações, descobertas e facilidades, passaram também a fazer parte do dia-a-dia dos consumidores como os alimentos exóticos, plantados, preparados e comercializados em diferentes regiões da Terra.
Esse caminho sem retorno da sociedade humana pode ficar ameaçado se, ao mesmo tempo em que se busca uma melhor qualidade de vida, não for elaborada uma grande conscientização nacional e internacional para a proteção dos recursos naturais e das áreas cultivadas.
Os efeitos das perdas de pequenas frações de qualquer um desses segmentos serão devastadores por causa do aumento crescente da população humana. Exemplos de perdas e danos têm sido fornecidos pela mídia a todo o momento e em qualquer área do planeta. E ainda assim, numa visão simplista, acha-se que tudo está infinitamente à disposição do ser humano.
A 8a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8) chamou a atenção para os problemas das espécies invasoras exóticas e os impactos que elas causam no meio ambiente e na economia dos países. A organização não-governamental, The Nature Conservancy, mostra dados alarmantes sobre os custos de erradicação e controle de organismos como vírus, insetos, ácaros, nematóides, bactérias, fungos, pequenos e grandes vertebrados, plantas infestantes, anfíbios, peixes, moluscos, plantas ornamentais, etc., que giram em torno de US$ 1,4 trilhão.
Vários exemplos podem ser dados sobre os efeitos das bioinvasões e as conseqüentes biopoluições provocadas pela introdução desses organismos em áreas onde antes não ocorriam, especialmente no Brasil, onde se encontra a mais importante biodiversidade do planeta. O país ainda possui abundância de água doce e de terras agriculturáveis e a mais importante agricultura tropical do mundo.
A mosca-da-carambola, Bactrocera carambolae, é um dos exemplos a ser dado de invasão com alto potencial econômico, social e ambiental. Ela foi introduzida no Amapá por volta de 1996. Ela é proveniente do Suriname, onde por sua vez foi introduzida no final da década de 80. A introdução da praga no Suriname ocorreu por causa do aumento no trânsito de pessoas e produtos vindos da Indonésia para as Américas.
Felizmente, a mosca-da-carambola continua contida no estado do Amapá devido à ação do Programa de Erradicação da Mosca-da-carambola, sob coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Entretanto, deve-se estar atento para as pesquisas científicas que continuam a ser desenvolvida em países onde a praga ocorre, incluindo estudos sobre as espécies que compõem o complexo de espécies de moscas-das-frutas de Bactrocera dorsalis, do qual a mosca-da-carambola pertence.
Devido à confusão relativa à identificação morfológica do complexo de espécies de B. dorsalis e os respectivos hábitos de cada uma das espécies que compõem esse grupo, a lista de hospedeiros poderá ser alterada no futuro próximo bem como a expressão econômica que esse complexo de moscas-das-frutas apresenta.
Isto pode ser exemplificado por B. carambolae que é uma praga muito séria de carambola atacando os frutos nos primeiros estágios de formação. Esse hábito está fora do padrão do complexo de espécies de Bactrocera spp. porque o ataque geralmente ocorre quando as frutas estão maduras ou muito maduras. Ainda assim, B. carambolae ataca frutas nos estágios iniciais, de forma que o controle mecânico por meio de ensacamento torna-se ineficaz depois de introduzida em um pomar.
Além disso, no Brasil, os resultados da pesquisa científica realizada por meio da avaliação de frutos hospedeiros da praga apontam que no estado do Amapá, a goiaba é o hospedeiro preferencial quando se compara com a carambola, tornando ainda mais sério o problema já que a goiabeira pode ser encontrada em fundos de quintais nas cidades brasileiras. De acordo com estudos de pesquisadores brasileiros, além das perdas no campo, a interrupção das exportações de frutas frescas causadas pela presença da mosca pode levar o Brasil a ter prejuízos da ordem de US$ 60 milhões apenas no primeiro ano de dispersão da praga, caso ela venha a se estabelecer em áreas de produção de goiaba, carambola, manga, acerola, citros, banana, etc.
Além dessa espécie invasora exótica introduzida no país, um outro exemplo a ser dado de bioinvasão refere-se a Achatina fulica, vulgarmente conhecida como o caramujo gigante africano, considerada como uma das espécies de caramujos terrestres mais nocivas do mundo e que está se dispersando de forma rápida em várias regiões do planeta. Esse caramujo se alimenta de, pelo menos, 500 tipos de plantas como a fruta-pão, mandioca, cacau, mamão, amendoim, seringueira, feijão, ervilha, pepino, melão, abóbora, repolho, alface, batata, cebola, girassol, eucalipto e citros, plantas ornamentais, entre vários outras.
O caramujo africano pode sobreviver em condições climáticas de baixas temperaturas, incluindo neve, período no qual ele hiberna e até em temperaturas tropicais e regiões áridas. Cada fêmea é capaz de colocar até 1.200 ovos por ano, sendo que o adulto tem uma vida média de 6 a 9 anos.
Relatos do Serviço de Inspeção e Sanidade Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que, em 1966, três caramujos africanos, trazidos clandestinamente por um garoto, do Havaí, foram liberados em um jardim em Miami, na Flórida. Em um período de sete anos, esses três organismos reproduziram 18.000 indivíduos, o que levou aquele estado a implementar um programa de erradicação no valor de US$ 1 milhão.
O caramujo africano provoca impacto no meio ambiente, agropecuária e saúde humana. Ele é vetor das parasitoses, Angiostrongylus cantonensis e A. costaricensis. Esses parasitas são encontrados tanto interna como externamente (muco) no caramujo e podem ser adquiridos pelo ser humano ao se alimentarem de carnes mal cozidas ou pelo simples contato superficial ou ainda pela ingestão de verduras contaminadas pelo muco do caramujo. Indivíduos infectados já foram detectados fora da África, em ilhas indopacíficas, Japão e Tailândia. Interceptações de caramujos infectados têm sido feitas nos Estados Unidos, Cuba e Porto Rico.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, a parasitose A. costaricensis não ocorre no Brasil. Esse parasita causa a meningoencefalite no homem. Apesar do caramujo africano já estar presente no país, indivíduo(s) infectado(s) com essa parasitose, provenientes de regiões infestadas, podem ainda ser introduzido(s) causando problemas sérios para a população brasileira.
O APHIS intercepta esses caramujos, freqüentemente, em aeroportos junto a passageiros que tentam introduzi-los no país para comercializá-los como animais de estimação ou serem consumidos como carnes ou ainda como remédios caseiros alternativos. Um problema freqüente é quanto à entrada de pequenas quantidades de carnes do caramujo trazidos por parentes em viagens à África ou Ásia “como forma de diminuir a saudade de casa”.
Além de uma cuidadosa orientação aos passageiros aéreos para não trazerem esses organismos ao país, uma inspeção acurada em cargas de navios ou de aeroportos, produtos vegetais, maquinários e motores de veículos, provenientes de locais onde ocorrem o caramujo africano deve ser realizada pelas autoridades sanitárias brasileiras. Ovos e conchas podem ficar fora do alcance da vista e passar despercebidos. Caramujos hibernantes podem parecer mortos e serem levados por colecionadores de conchas. As vantagens de uma inspeção cuidadosa podem ser expressas na ausência do caramujo infectado pela parasitose, A. costaricensis.
Os exemplos dados acima e outras pragas e enfermidades foram responsáveis por um aumento na biopoluição e as conseqüências advindas dessas introduções e dispersões no território brasileiro. De acordo com dados publicados por pesquisadores internacionais os impactos das bioinvasões no Brasil atingiram US$ 42,6 bilhões, nas últimas décadas.
Ao invés de gastos para a erradicação ou contenção ou controle destes organismos, esses recursos poderiam ter sido investidos em educação, saúde e inovação tecnológica para a população brasileira. É importante que a sociedade brasileira fique atenta a esses fatos e tome consciência da importância em diminuir as bioinvasões, exigindo dos governos federal, estadual e municipal, ações mais rápidas, coerentes e integradas para o combate de organismos que entram no país e depois se dispersam para regiões socioeconômica e ambientalmente importantes. Essas bioinvasões provocam perdas de empregos, de qualidade de vida, de propriedades, dos recursos naturais e de áreas produtivas. Num futuro bem próximo poderemos deixar de ser o tão propagado “celeiro do mundo”. Afinal quem paga e pagará a conta das bioinvasões e suas conseqüentes poluições é o próprio cidadão brasileiro.

Fonte:http://www.embrapa.br/imprensa/artigos/2006/artigo.2006-11-23.6873159689/
Bióloga, Doutora, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Cx. Postal 02372, Brasília, DF, Brasil. Email: reginavilarinho@cenargen.embrapa.br
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