
Área na borda oeste do Pantanal brasileiro é de alta prioridade de conservação
Na borda oeste do Pantanal brasileiro, próximo à fronteira da Bolívia, fica a Serra do Amolar, que marca o relevo da planície e constrói um desenho sinuoso no Rio Paraguai. Localizada a aproximadamente 100 quilômetros da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, numa das regiões mais selvagens e naturais do mundo, a Serra do Amolar faz uma barragem natural que reduz a velocidade de escoamento dos rios Paraguai, São Lourenço e afluentes, conformando terrenos de extensas áreas alagadas com grandes lagoas e baías.
Com cerca de 80 quilômetros de extensão, a Serra do Amolar tem diversidade biológica única, a qual é dada pelos gradientes de altitude. As elevações alcançam até mil metros acima do nível do mar.
São paisagens que abrigam fisionomias vegetais distintas, representantes dos biomas Amazônia, Cerrado e do Bosque Seco Chiquitano. Uma das particularidades da Serra é a presença de “relictos de caatinga’ que, conforme explica Aziz Ab’Saber, são formações semelhantes à vegetação da Caatinga e documentam um período em que a região apresentava clima mais seco.
Esses relictos podem ser entendidos como “verdadeiros museus vivos’ que teriam se instalado no Pantanal e nas serras circundantes entre 13 a 23 mil anos, sobrevivendo às variações climáticas como às chuvas e ao aumento da umidade que culminou na formação da maiorárea úmida do mundo.
Na região, são encontradas espécies animais ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, o tatu-canastra, o tamanduá-bandeira, o tamanduá-mirim, a anta e a ariranha. Além destas, quem visita a região, rapidamente percebe e fascina-se com a diversidade de aves que sobrevoam os rios, lagos, pastagens naturàis e a morraria. Com sorte, aves como a águia-cinzenta e a arara-azul-grande podem ser avistadas.
Serra é área de alta prioridade para conservação
O relatório das Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Pantanal publicado em 1999, dá à Serra o reconhecimento como área de “alta prioridade” para conservação.
A área indígena Guató na Ilha Ínsua (com 12.716 ha) inclui a morraria do extremo norte da Serra, Quatro reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs), Penha e Acurizal, com 13.200 ha cada, Dorochê, com 25.518 ha, e Rumo Oeste, com 990 ha, também abrangem parte da Serra do Amolar.
Como parte do conjunto, impressiona a paisagem da planície que circunda os morros. Em trritório brasileiro, está o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, com aproximadamente 135.000 ha, ao norte, a Estação Ecológica Taiamã, e, a Oeste, em território boliviano, a Área Natural de Manejo Integrado de San Matias, com 2.918.500 ha.
O conjunto das RPPNs e o Parque Nacional do Pantanal constituem o Sítio do Patrimônio Natural Mundial do Pantanal, designação dada pela Unesco a áreas de condições naturais excepcionais.
A região não é muito povoada, porém, é o lugar onde vivem os índios Guató, conhecidos como os “verdadeiros canoeiros do Pantanal”.
Encontram-se também famílias ribeirinhas, que se sustentam basicamente da pesca de subsistência, da comercialização de iscas vivas para a pesca, de pequenos cultivos e do atendimento a turistas.
Alguns ribeirinhos são trabalhadores rurais, contratados para serviços de tratoristas, campeiros ou para a lida geral no campo. Essas famílias adaptaram-se ao ciclo natural do Pantanal e aprenderam a conviver com o regime de cheias e secas, retirando o seu sustento dos recursos naturais. Suas casas foram construídas nas margens dos rios, em áreas mais elevadas que formam pequenas ilhotas.
Seguramente esta é uma das regiões com altíssima importância para a conservação e merece atenção especial. Organizações como a Ecoa, Ecologia e Ação, juntamente com outras ONGs e instituições de pesquisa, trabalham intensivamente pela conservação e para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.
ALMANAQUE SOCIOAMBIENTAL 2008
