05 novembro 2008

A RECUPERAÇÃO DO ATERRO SANITÁRIO DO RIO DE JANEIRO

Aterro Sanitário de Gramacho

Enfrentando um desafio, em 1995, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Comlurb, decidiu assumir a responsabilidade pela recuperação do Aterro de Gramacho, passando a operá-lo de forma sanitária e ambientalmente adequada.

Hoje, o aterro possui sistema de captação e tratamento de chorume, sistema de captação e queima de biogás, novos prédios administrativos, um centro de educação ambiental e um centro de triagem de materiais recicláveis operado pela cooperativa de catadores.

Existe também um trabalho de recuperação do manguezal do entorno com replantio de mudas e propágulos.

O lixo recolhido (cerca de 6.500 toneladas/dia) é disposto, compactado e coberto com argila, evitando focos de incêndio e proliferação de vetores.
Decorridos 5 anos do início dos serviços de recuperação, o Aterro de Gramacho transformou-se num modelo de recuperação de áreas degradadas, sendo operado atualmente dentro das normas de engenharia sanitária ambiental.
Atualmente, o Aterro Metropolitano de Gramacho é a principal unidade para destino final de resíduos sólidos urbanos coletados na Cidade do Rio de Janeiro e nos municípios da Região Metropolitana, em especial Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti e Queimados.
Fonte:http://comlurb.rio.rj.gov.br/serv_atgramacho.htm

LOCALIZAÇÃO DOS SATÉLITES

Fonte: http://sigma.cptec.inpe.br/produto/queimadas/index.jsp#

04 novembro 2008

OLHEM OS ANIMAIS QUE ESTÃO AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO

04/11/2008 - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançou nesta terça-feira um livro com mais de 600 espécies de animais ameaçados de extinção.


A publicação foi baseada no último levantamento feito pela UICN (União Internacional para Conservação da Natureza), em 2003. A primeira lista de animais em extinção, feita em 1989, continha 218 espécies ameaçadas, enquanto no livro lançado hoje estão contabilizadas 627 espécies.

"Alguns grupos não tinham sido avaliados em 89, como o de peixes; além disso, foram adotados novos critérios, devido ao aumento do conhecimento científico e do entendimento dos fatores de ameaça", esclarece o biólogo Adriano Paglia, que é analista de biodiversidade da ONG Conservação Internacional e um dos autores do livro.

Minc afirmou que, da lista de 1989, foram retiradas 79 espécies, como o sagüi e o lobo-guará. Mas foram acrescentadas 479, como a baleia azul, o tubarão-baleia e a jararaca.

Ministério do Meio Ambiente
A baleia azul, um dos animais que faz parte da nova lista de espécies ameaçadas
VEJA OUTROS ANIMAIS EM RISCO
79 ESPÉCIES A MENOS; 479 A MAIS
MINC CONTRA BICHOS EM CIRCO
O QUE É POSSÍVEL FAZER?
A publicação, chamada de Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, foi elaborada em parceria com a Fundação Biodiversitas.

"Temos que correr atrás do prejuízo criando novas unidades de conservação, defendendo o habitat dessas espécies, defendendo sua cadeia alimentar, fazendo mais pesquisa, em suma, combatendo a degradação desenfreada", afirmou o ministro.

Entre os biomas que têm o maior número de espécies ameaçadas estão em primeiro lugar a Mata Atlântica (60%), seguida do cerrado (20%) e da zona costeira e marítima. Para reverter esse quadro, o ministro afirmou que é necessário criar corredores de proteção, combatendo o tráfico e fazendo campanhas nas escolas.

Minc quer que cada unidade de conservação ambiental tenha um exemplar do livro vermelho e disse que vai conversar com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para que a publicação também seja distribuída nas escolas da rede pública.

O biólogo da Conservação Internacional explica que a ameaça de extinção deve-se, principalmente, à perda de habitat, provocada pelo desmatamento. "A fiscalização é fundamental, mas as pessoas não devem delegar a questão apenas ao poder público e às ONGs", comenta. Cobrar a criação e conservação de reservas ecológicas e denunciar o comércio de espécies nativas são formas de colaborar com a preservação desses animais.

*Com informações da Agência Brasil
Fonte: http://cienciaesaude.uol.com.br


01 novembro 2008

O SEGREDO DA MARAVILHOSA ÁGUA DE NOVA YORK - USA - REPORTAGEM GLOBO RURAL


...Vamos conhecer uma experiência que já fez 18 anos, já ganhou maioridade, e inspirou vários projetos no mundo afora.

Nova York é dura na queda. Estremeceu com o ataque às torres gêmeas em 2001, se corrói com problemas crônicos de lixo, desemprego, violência e intermináveis engarrafamentos de trânsito, foi varrida pelo vendaval financeiro de 2008, mas a cidade mantém de pé o seu charme, a sua fama. É o lugar mais procurado pelos turistas. São 40 milhões de visitantes por ano.

Entre os inúmeros encantos que fazem a fama de Nova York pouca gente sabe de uma das coisas mais preciosas que a cidade tem. É a excelente qualidade da água. Graças a uma bem bolada parceria com fazendeiros e proprietários de terra, Nova York ainda não tem estação de tratamento, só de filtragem. As pessoas bebem água pura da montanha e direto da torneira.

Na casa da família “Swafts”, periferia de Nova York, é assim. Pra servir uma visita, o Sasha “Swafts”, que é empresário e viaja o mundo todo vendendo máquinas, não tem pejo de encher a jarra na torneira e levar direto pra mesa.

“Vocês sempre bebem da torneira?”, pergunta o repórter.

“Desde criança. Aprendi assim. Meus vizinhos, meus amigos. A gente confia. Até em restaurante, a primeira coisa que fazem é trazer uma jarra de água da torneira.”, diz ele.

Sasha só não se surpreende com o fato de ser notícia pra nós o que é comum pra ele porque é casado uma brasileira, a dentista Luciana. Eles se conheceram num vôo. Ela morava na zona sul de São Paulo onde água tem um gosto forte por causa do pesado tratamento químico.

“E como a Luciana reagiu quando você ofereceu água da torneira pra ela?”, pergunta o repórter.

“Ela olhou pra mim muito desconfiada, não queria tomar”, diz ele.

“Eu perguntei. Falei: “como assim? De onde vem? Ele me explicou que é de uma reserva natural e que é extremamente pura”, conta Luciana.

“Esta água tem o frescor de uma manhã de verão, quando está úmido lá fora, o sol nascendo entre as árvores”, conta ele.

“O gosto é ótimo. O cabelo fica mais bonito, a pele mais macia. É realmente muito gostosa”, diz Luciana.

Pra ver de onde vem, onde brota essa água lendária, nós deixamos a cidade de Nova York rumo ao interior do estado. Saímos do nível do mar e subimos cerca de 200 quilômetros , como se fôssemos para o Canadá. No meio do caminho, a 1,2 mil metros de altitude, ficam as montanhas de Catskill.

As montanhas de Catskill não estão entre as mais conhecidas dos Estados Unidos como as dos apalaches, montanhas rochosas, mas ali fica uma cidade fundada há mais de 200 anos, uma cidade pequena e que ficou famosa no mundo inteiro em 1969 pelo que aconteceu ali.

Na música, no comportamento dos jovens representou uma revolução, o festival de Woodstock.
Foi o auge do movimento hippie. Mais de 400 mil jovens se reuniram ali para ver apresentações de rock.

Hoje, quase 40 anos depois, as lembrancinhas do festival é que alimentam o comércio da cidadezinha de Woodstock. São roupas, colares, posters.

Na nossa rápida passagem, encontramos um hippie tardio, na porta de uma lojinha, Rick Jay.

“Eu sou da segunda geração de Woodstock. Vim pra cá quando cresci. Alguém aqui tem que manter vivo o nosso velho símbolo de Paz e Amor. A propósito, é um documentário sobre o movimento hippie?”, conta ele.

“Não. É sobre a água de Catskill”, diz o repórter.

“Ah!, cara. É a melhor água do planeta.Mas, por favor, não divulgue isso porque se não vai encher de gente aqui, outra vez. O que precisamos é proteger nossa água, aqui.”, diz Rick Jay.

A água que o hippie quer proteger chega na casa do Sasha e da Luciana. Na verdade, as nascentes estão protegidas há mais de um século. Ficam dentro de um parque que o Estado de Nova York criou em 1904.

Dentro do parque, ao contrário do que acontece no Brasil, há várias vilas, cidadezinhas. Tem mais de 50 mil moradores. As áreas de conservação convivem com a zona rural.

Quem se ofereceu para nos apresentar os fazendeiros parceiros da cidade de Nova York é o engenheiro florestal Tom O’Brien, diretor executivo da Wac, Watershed Agricultural
Council.

“Prazer em conhecê-lo”, diz ele.

“O prazer é meu”, diz o repórter.

“Sejam bem-vindos”, diz ele.

Ele é diretor executivo de uma coisa que não existe no Brasil. Não é uma ONG, organização não governamental, não é uma cooperativa, uma associação, é um conselho formado por proprietários rurais que já investiu mais de 100 milhões de dólares em benfeitorias.

“Muita coisa. São várias práticas de manejo. É um programa amplo que, ao mesmo tempo, preserva a água e melhora o desempenho da fazenda. Meu carro. Mas, venha comigo no meu carro pra você ver na prática o que estamos fazendo”, diz ele.

Nossa primeira visita é ao mister Steve Reed que tem 60 hectares , dois terços de mata. No
pasto, agora, cria um gadinho de corte vende lenha, mas a renda com que conta mesmo, vem de duas fontes: pela reserva de mata, todo ano recebe da Prefeitura de Nova York, cerca 10 mil reais.

“Ah! Sem esse dinheiro do programa, não sei o que faria para pagar meus impostos”, diz ele.

A outra fonte de renda vem do bosque para onde mister Steve Reed nos leva. É uma árvore nativa da região.

O nome da árvore é maple, mais conhecido entre nós é árvore do Canadá, com a folha de três pontas. Assim como o urso guarda gordura para passar o inverno, esta árvore armazena açúcar para o momento da quebra da dormência, quando na primavera vai enflorar outra vez. Assim como da folha da seringueira se faz látex, desta árvore se faz o xarope mais consumido nos Estados Unidos. É uma árvore que dá açúcar.

“A gente ordenha a árvore num período bem curto, de fevereiro a março. É quando cai geada na madrugada, mas depois o dia esquenta. E a seiva começa a subir pelo tronco”, diz Scott Reed, agricultor.

O filho de Steve Reed, Scott, conta que fazem uns furos no tronco, assim. Enfiam neles umas chupetas e, por gravidade ou bomba a vácuo, aspiram a seiva. Ela segue por uma fiação até as caldeiras. Fervida, como a garapa pra fazer melado de cana, a seiva se transforma no delicioso xarope de maple, aquele melzinho que em filme a gente vê o americano pondo nas panquecas do café da manhã.

“Esta árvore é o esteio da renda de muitas famílias nesta parte dos Estados Unidos e do Canadá. O programa de conservação paga engenheiros florestais para orientar o produtor a tirar mais proveito do bosque. Antes da assistência técnica, porém, resolvemos os problemas de poluição de água que existem na propriedade.”, diz Tom O’Brien.

A fazenda do mister Steve Reeds fica na cabeceira de um rio que mais abaixo dá nome a um estado americano. Fica a 200 quilômetros da cidade de Nova York. Lá milhares de pessoas bebem do ribeirão que passa em frente da casa dele. Para garantir a qualidade da água a prefeitura de Nova York pagou pra ele um novo sistema de captação de esgoto e que custou o equivalente a 50 mil reais, investimento que ele não poderia bancar sozinho.

“Nem em sonho eu conseguiria fazer o que construíram aqui. Essa tampa que você vê aí é de uma caixa de concreto subterrânea. É um pequeno tanque de captação tanto da água de pia e chuveiro como das privadas. Daqui, o esgoto é canalizado. Veja só a tubulação passando sobre o córrego. Vai para esta outra caixa maior. E desse ponto ela é bombeada para o alto do terreno.”, conta Steve Reeds.

Não se vê nada pois está tudo enterrado, mas de um determinado ponto, o esgoto é alçado cem metros acima e, só então, é feito a descarga. Nessa distância, a sujeira é filtrada pelo solo de modo que estará limpa quando cair no lençol e chegar ao córrego.

“A minha antiga fossa fica na beira do córrego. Infiltrava de um jeito que não podia imaginar.”, diz Steve Reeds.

“Quantas sistemas de esgoto como este foram construídos nas fazendas daqui?”, pergunta o repórter.

“Muitos. Mais de trezentos.”, conta Tom O’Brien.

Se a casinha solitária de Steve Reed, imagine as milhares de outras moradias que existem dentro do parque de Catskill. Pois, essas comunidades também entraram na parceria. Veja o caso do pequeno distrito de Andes que tem três mil habitantes. Ganhou uma que big estação de tratamento de esgoto e até os custos de operação são pagos pela prefeitura de Nova York.

“E por que uma estação tão grande?”, pergunta o repórter.

“Faz parte do acordo entre os governos daqui e de lá. Andes só vai poder crescer até o limite da capacidade da estação de tratamento de esgoto. Quer dar uma olhada na descarga do esgoto tratado. Olha como a água sai?”, diz O’Brien.

Fonte:

http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,LTO0-4370-330364-1,00.html

Isto sim, são lindos exemplos para serem seguidos...!!!

A POLUIÇÃO PROVOCADA PELOS CURTUMES

È óbvio que precisamos produzir, pois se assim não fizermos, não supriremos as necessidades do mercado...mas, o que precisamos entender, de uma vez por todas, é que o crescimento e a produção deve respeitar o meio ambiente, ou seja, precisamos ser responsáveis com o nosso ecossistema...será que é muito difícil entender e observar o mal que estamos fazendo para nós mesmos???

29/10/2008 - 15:10 - A Polícia Ambiental fiscalizou alguns curtumes de São Sebastião do Paraíso na terça-feira (28), a pedido do Ministério Público. A decisão foi tomada após a denúncia da reportagem da EPTV, que mostrou como os moradores da zona rural estavam se sentindo prejudicados com a poluição provocada pelas empresas.

No Parque Industrial da cidade, a primeira empresa de curtume visitada mostrou que está fazendo o procedimento correto. No local, mais de 90% dos rejeitos são tratados, antes de serem jogados na natureza.

Mas nem todos agem desta maneira. Em um outro curtume visitado pelos fiscais, a água com os resíduos da industrialização do couro corria a céu aberto em direção ao terreno dos fundos. Apesar disso, o dono da empresa disse que já gastou quase R$ 1 milhão para a instalação de um sistema de tratamento, que ainda precisa ser liberado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

No terreno dos fundos da empresa, a água que desce o córrego é vermelha. Em outro ponto, o material descartado pelos curtumes já contaminou o solo.

A denúncia dos agricultores mostrou a poluição do Rio Santana, que abastece São Sebastião do Paraíso. Segundo eles, a água que banha as fazendas e sítios é tão suja que não pode ser consumida.

De acordo com a Polícia do Meio Ambiente, as empresas que forem consideradas poluidoras podem ser embargadas.

O trabalho de vistoria da polícia continuará nos curtumes da região. Até agora, todos os curtumes visitados apresentaram problemas como, por exemplo, falta de documentação.

http://eptv.globo.com/noticias/noticias_interna.asp?234071

30 outubro 2008

RISCO AMBIENTAL PROVOCADO POR AGROTÓXICOS - NOVA FERRAMENTA PARA AVALIAÇÃO

Software ajuda na avaliação de risco ambiental de agrotóxicos


28.10.2008

Um software em desenvolvimento pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) em parceria com a Faculdade de Ciências Agronômicas – FCA/Unesp e a Fatec – Faculdade de Tecnologia, vinculada ao Centro Paula Souza, ambas em Botucatu, SP, vai ajudar na tomada de decisão quanto à avaliação de risco ambiental de agrotóxicos, considerando a possível contaminação das águas superficiais e subterrâneas.
Foto: Nilton Pires


Flexível, o software, além de ajudar na tomada de decisão para verificar se o risco é ou não aceitável, se adapta às condições do local a ser avaliado, mediante a inserção de dados no sistema pelo próprio usuário.

Baseado em modelos matemáticos e cenários agrícolas, onde o usuário insere os dados do agrotóxico, do aqüífero e do solo do local a ser avaliado, o software faz automaticamente os cálculos de lixiviação e carreamento superficial dos agrotóxicos utilizados na cultura agrícola e que depois podem ir para as águas superficiais e subterrâneas.

“Nesse contexto, esse projeto busca desenvolver e aplicar um método baseado em modelos físicos e matemáticos, resultando em uma ferramenta informatizada para avaliação dos riscos ambientais de agrotóxicos”, informa o pesquisador e líder do projeto Claudio Spadotto, chefe geral da Embrapa Meio Ambiente.

Deste modo, o software a ser distribuído, gratuitamente, atende a uma determinação do Decreto 4.074 de 4 de janeiro de 2002, em seu artigo 95, item III, onde se institui o Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos, que diz que devem “ser elaborados rotinas e procedimentos visando à implementação da avaliação de risco de agrotóxicos e afins”.

O pesquisador salienta que a equipe do projeto vem realizando algumas reuniões técnicas com possíveis interessados no desenvolvimento do software. “O objetivo é avaliar o funcionamento a partir da demonstração do seu uso, assim como colher subsídios junto aos possíveis usuários, convidados a se envolverem no desenvolvimento da ferramenta”, diz.

Estão sendo realizadas reuniões com técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa e de várias instituições públicas e privadas.

A equipe do projeto vai na próxima semana a Cuiabá, MT e também planeja fazer uma apresentação para técnicos do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.


Eliana Lima
Jornalista, MTb 22.047
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: http://www.cnpma.embrapa.br/nova/mostra2.php3?id=441

28 outubro 2008

GOVERNO DO RIO USARÁ CANAIS E RIACHOS COMO REDE DE ESGOTO

27/10/2008 - 16h04
Especialistas criticam medida

Rafaella Javoski
*Do UOL Notícias - Rio de Janeiro

Devido à falta de rede de saneamento básico em comunidades de maior aglomeração na cidade, como as favelas, o governo do Rio de Janeiro anunciou que vai priorizar investimentos em um sistema conhecido como saneamento de tempo seco. Em vez de construir as tubulações do saneamento convencional, o governo vai jogar o esgoto em canais e riachos destas comunidades e bombeá-lo para pequenas estações de tratamento nas localidades. O nome "tempo seco" refere-se à impossibilidade de usar o sistema em dias de chuva, pois com o aumento do volume de água, o esgoto transbordaria. Segundo nota da Secretaria do Ambiente, "a tecnologia possibilita uma melhora na qualidade da água de lagoas, baías e praias". A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, anunciou que o Estado vai espalhar captações pelos rios e canais que desembocam nas lagoas da Barra e de Jacarepaguá. Estão previstas intervenções nos canais das Taxas e do Cortado, no Arroio Pavuna e no rio do Anil. Serão projetadas captações no entorno da Baía de Guanabara - em Itaboraí, São Gonçalo, Caxias e Nova Iguaçu. A previsão é que o Estado entregue as captações de tempo seco em cerca de um ano e meio.
Especialistas ouvidos pelo UOL criticaram a iniciativa do Estado. O engenheiro químico Gandhi Giordano acredita que a captação de tempo seco é uma alternativa "completamente equivocada". Para ele, a saída é a urbanização das favelas e a instalação de um sistema de esgoto formal. "Isso é para aumentar estatística e a taxa de esgoto coletado. Não vai resolver nada. Nós pagamos caro, é para fazer tratamento bem feito", queixou-se. A geógrafa Ana Lúcia Nogueira Brito alega que a prioridade do governo e da Secretaria do Ambiente deveria ser a recuperação de estações de tratamento que já existem, mas não operam. Segundo Brito, há três delas no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. "Não é melhor colocar essas para funcionar?", questiona. Ela repreende ainda a falta de três itens: projetos das estações de tratamento dos rios; recursos para construir e a garantia de que a Cedae (Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) vai assumir o compromisso. "A Cedae não opera as que existem hoje de maneira adequada. Essa é uma solução temporária e precária", criticou a geógrafa.
Já o doutor em Oceanografia Química e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), Júlio César Wasserman, concorda parcialmente com o sistema. "Não é a solução ideal, mas é melhor que não ter tratamento nenhum", defende. Para Wasserman, a melhor solução seria a canalização do esgoto em toda a cidade e o professor culpa os políticos pela ausência desse sistema. "O cano fica embaixo da terra, o eleitor não vê, ele não pode inaugurar e não ganha voto. O prejuízo é muito maior que uma rua não asfaltada, mas essa aparece". A Secretaria do Ambiente afirma que o projeto é considerado uma solução emergencial para melhorar a qualidade da água a tempo de realizar os Jogos Olímpicos de 2016. E admite que "o novo saneamento não pode ser considerado solução final para o tratamento de esgoto, e sim complementar, à espera da instalação futura de uma rede de esgoto". Em entrevista ao "O Globo", a secretária Marilene Ramos afirmou que o Estado terá uma verba de cerca de R$ 100 milhões no ano que vem para realizar obras de saneamento convencional. "Investiremos, sim, em sistemas de tempo seco, mas sem esquecer do convencional, que separa o esgoto da galeria pluvial", disse. O UOL não conseguiu localizar a secretária para comentar o assunto.
ESTA NÃO!
QUAL É A DO GOVERNO CARIOCA?
FALTA DE DINHEIRO, DE TEMPO OU DE VONTADE!
QUE FIM TERÃO NOSSOS RIOS?
PRECISAMOS RETIRAR OS ESGOTOS DAS PRAIAS, LAGOS E RIOS, TRATÁ-LOS, APROVEITARMOS O SECO E REUTILIZARMOS A ÁGUA...ATÉ QUANDO O PLANETA SUPORTARÁ AS LOUCURAS HUMANAS?