12 novembro 2008

ENQUANTO HOMENS DESTROEM A NATUREZA, OUTROS BUSCAM REABILITÁ-LA - UM GRANDE EXEMPLO DE MINAS GERAIS

Projeto para recuperação da mata em Bapendi (MG)
Reportagem de Nelson Araújo 19.10.2008

Na última edição do Globo Rural, nós mostramos a experiência inédita que acontece no município de Extrema, sul de Minas, bem na divisa com São Paulo. Fizemos esta reportagem um pouco mais a leste na Serra da Mantiqueira, onde fica o município de Baependi. Lá há um modelo engenhoso para recompensar os proprietários rurais.

Diante de uma paisagem de araucárias, logo se pensa nos estados do Sul. Mas o município de Baependi, no sul de Minas Gerais, fica praticamente na divisa com o Rio de Janeiro e São Paulo; e a árvore que mais chama atenção na Serra da Mantiqueira é justamente a araucária, o chamado “pinheiro brasileiro”.

No horizonte em que a serra desenha o que o povo chama de “Mitra do Bispo”, as araucárias se esparramam pelos vales. Na beira do bosque, o galhinho da araucária topa com o da espécie que pode contribuir muito para a recuperação deste trecho da mata Atlântica, a candeia; é uma árvore guerreira que você vai conhecer melhor mais adiante.

Ver uma casinha num ermo vale, com um pastinho em volta, um chiqueiro e galinha no terreiro é comum em vários lugares do Brasil. Mas o que acontece dentro da cozinha desta casa, pouca gente já viu.

Há pouco, chegou visita. José Francisco Fernandes e a família estão recebendo a veterinária Mônica Buono e o agricultor José Carlos Ibraim. Os dois vieram trazer dinheiro vivo para a família. Não é, como se diz, dinheiro dado de mão beijada; José Francisco e a esposa, Francisca, têm que assinar um contrato e assumir uma porção de compromissos.

Numa casinha solitária, no alto da montanha, moram Mônica e José Carlos. É um lugar afastado, a 30 quilômetros da cidade, e sem energia elétrica. Porém, eles não estão isolados do mundo. “O telefone celular pega bem. Se não tivesse sinal, ia ser bem complicado”, diz ela.

É com placa solar que eles carregam todas as máquinas, inclusive o principal instrumento de trabalho de José Carlos: o GPS, aparelho que ele usa para medir e achar a localização
terrestre exata, via satélite, das propriedades rurais da região.

Conforme a hora, a casa de Mônica e José Carlos é residência ou escritório. “Eu acho que é um privilégio ter um escritório com todas essas conexões e também um velho fogão de lenha”, brinca ele.

Com o propósito de recuperar este cantinho da Mantiqueira, há dez anos Mônica fundou uma OSCIP – uma organização da sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Regulamentada pela Lei 9970, uma OSCIP é uma espécie de ONG (organização não-governamental), mas que é fiscalizadda pelo ministério da Justiça. A OSCIP pode fazer parcerias com o poder público e tem obrigação de prestar contas dos recursos aplicados

A Oscip que Mônica administra tem o nome de “Amanhágua” e fez parceria com o IEF (Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais). Foi o IEF que capacitou Mônica e José Carlos e deu todo o equipamento necessário ao trabalho, até os programas de computador, o próprio computador e uma camionete.

O dinheiro que a Amanhágua repassa aos agricultores vem de um grande projeto
de recuperação que tem o nome de “Pró-Mata”. É o projeto de proteção da Mata Atlântica, que começou a ser executado em 2003. Ele tem o suporte da Alemanha, que, em dez anos, vai enviar em euros o equivalente a R$ 25 milhões. A contrapartida
de Minais Gerais é de R$ 24 milhões. Entre as metas do Pró-Mata, está a recuperação de 140 mil hectares.


Fonte: Globo Rural


Amigos, sempre tive paixão pelo Globo Rural, tanto na mídia escrita como na televisada, sem dúvida é uma grande revista rural e, o que é mais importante, da maior credibilidade e qualidade. Sempre prestam um grande trabalho para o homem do campo e também para o meio ambiente do mundo.

OS NOSSOS PARQUES NATURAIS ESTÃO SENDO CONSUMIDOS PELO FOGO - CHAPADA DIAMANTINA

12/11/08

Fogo destroi metade do parque da Chapada Diamantina

Nesta terça-feira, um efetivo extra de 70 bombeiros deve chegar ao município baiano de Lençóis, a 409 quilômetros a oeste de Salvador, para ajudar no combate aos incêndios. Eles vão se juntar aos 400 homens já envolvidos na operação, sob coordenação da Defesa Civil do Estado (Cordec).

Divulgação
Clima seco favore as queimadas na região da Chapada Diamantina

Cerca de 150 voluntários trabalham junto a brigadistas do Ibama e bombeiros para tentar controlar os focos de incêndio. Eles contam com cinco aviões - entre eles um Hércules C-130 cedido pela Força Aérea Brasileira (FAB) -, quatro helicópteros, seis caminhonetes e quatro veículos projetados para combate ao fogo, cada um com capacidade para transportar 4 mil litros de água.

Além do parque, diversos municípios também foram atingidos pelos incêndios, comuns nesta época do ano por causa do calor na região da Chapada. "Desta vez, a situação está preocupante por causa das condições climáticas", afirmou o superintendente Célio Pinto.

A Secretaria de Meio Ambiente diz que o fogo pode ter ganhado força por causa de queimadas crimimosas, feitas por agricultores com o obejtivo de abrir pastos para o gado, prática comum na região.

Divulgação
Fogo já atingiu metade do território
Segundo o mais recente relatório do Comando de Operações do Interior, emitido no último domingo, o fogo atinge áreas de vegetação de 27 municípios da região, em maior proporção em locais de grande interesse turístico, como Barro Branco (Lençóis), Cachoeira Encantada e Chapadinha (Itaeté), Baixão (Ibicoara), Vale do Pati e Gerais do Vieira (Andaraí), Serra do Gobira (Mucugê) e Morro do Chapéu. "Há risco real para os turistas que vierem", afirma Gonçalves.

Nesta terça-feira, a Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cordec) deve se reunir com representantes do governo, da secretaria do Meio Ambiente, do Ibama e dos bombeiros para fazer um balanço das operações e discutir estratégias para o combate às chamas.

BAHIA - Cerca de 75 mil hectares do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, já foram atingidos pelo fogo que atinge a região desde julho, segundo informações do superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Célio Pinto. A área queimada corresponde a metade da área da reserva.

Fonte:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/11/fogo_destroi_metade_do_parque_da_chapada_diamantina_2107688.html

O patrimônio do Planeta está se esvaindo, vítima da ignorância, da ambição ou do descaso dos homens.
Até quando, teremos que conviver com queimadas como estas?

OS INCÊNDIOS QUE DESTROEM AS NOSSAS RIQUEZAS - CHAPADA DOS GUIMARÃES

24/08/08

Queimada não chegou a atingir o Parque da Chapada dos Guimarães.
Fogo destruiu sete hectares de cerrado. Caso vai ser investigado.

Do G1, com informações da TV Centro América

O incêndio que começou no Mirante, um dos pontos turísticos da Chapada dos Guimarães, foi apagado. A queimada não chegou a atingir o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

O fogo destruiu sete hectares de cerrado. A suspeita é que tenha sido um incêndio criminoso. O caso vai ser investigado. Cerca de 15 brigadistas controlaram as chamas que se alastraram rapidamente. Um helicóptero da Polícia Militar ajudou no combate ao fogo.

Só depois do fim do trabalho dos brigadistas que foi calculado o prejuízo e percebido que o fogo atingiu uma reserva particular, mas não o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

"O local era de difícil acesso" disse o analista ambiental Maurício Cavalcante dos Santos ao site da TV Centro América.

O problema maior foi no penhasco do Mirante. Nesta segunda-feira, equipes vão verificar se há presença de novos focos. "O receio era das chamas atingirem a cadeia dos morros e destruírem a mata do parque", afirmou Dos Santos.

Outros focos de incêndio já foram registrados neste ano no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães e próximo ao local, mas este é o de maior proporção, neste período de seca.

2007
No ano passado, durante a época da seca, o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães foi atingido por um incêndio que consumiu 19% da mata do parque, aproximadamente seis mil hectares dentro do parque e outros 16.200 hectares nos arredores.

O relevo acidentado, vento forte e baixa umidade do ar dificultaram os trabalhos das equipes de combate a incêndio. Na área atingida, estavam pontos turísticos como o Morro São Gerônimo e a Serra do Quebra Gamela.

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL735271-5598,00.html

11 novembro 2008

A POLUIÇÃO DAS ÁGUAS PELO MUNDO


A poluição da água está presente no mundo todo. Estima-se que 80% dos rios da China estão de alguma forma degradados. Na foto, o Lago Chaoru é um dos mais poluídos do mundo, com o aspecto verde pelas algas marinhas que se multiplicam e são difíceis de controlar. Os Grandes Lagos da América do Norte, estão tão poluídas que 97% dos seus 8.000 km de margens são impróprias para banhos. Na África, metade da população não tem acesso à água 100% potável. Até as águas da bacia amazônica estão sendo contaminadas. Mais de 130 toneladas de mercúrio são despejadas todo ano nas águas do rio Tapajós pela mineração de ouro. O Brasil é campeão continental de poluição, superado apenas pelo Leste Europeu e pela China. São notórias as contaminações dos rios Tietê e Paraíba do Sul e das águas costeiras em torno de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Mais de um bilhão de pessoas no mundo não têm acesso à água limpa e mais de 2,9 bilhões não têm acesso a serviços de saneamento básico, fatores que causam um aumento da taxa de mortalidade por doenças infecciosas. De fato, 85% das doenças humanas nos países pobres estão relacionados com a quantidade ou a qualidade da água.

A Terra levou alguns bilhões de anos para construir todo o ecossistema do nosso Planeta. E os humanos só precisaram de alguns séculos para destruir boa parte desses recursos naturais.

Não seja a maioria; proteja o meio ambiente!

Por Andrea Mieko

Fonte:http://meumundosustentavel.com/noticias/tag/lagos/mk

Diante de tal quadro de descaso com o nosso meio ambiente, em todo o mundo, não podemos desanimar, mas continuar na nossa batalha diária...tenho esperanças de que poderemos reverter este estado de coisas, que acontecem pela inércia ou não ação e participação de parte da humanidade, de entidades, locais, estaduais e federais...caminhemos, amigos, temos conseguido progressos!


10 novembro 2008

200 MILHÕES DE DÓLARES PARA PROTEGER A FLORESTA DA BACIA DO RIO CONGO - ÁFRICA



Kinshasa, RD Congo (PANA) - A laureada do Prémio Nobel da Paz de 2004, a ecologista queniana Wangari Maathai, nomeada em 2005 embaixadora de Boa Vontade para a promoção da floresta da bacia do Congo, anunciou domingo, em Kinshasa, ter mobilizado cerca de 200 milhões de dólares americanos para proteger este maciço florestal que banha vários países africanos da Região dos Grandes Lagos.

Maathai, que falava no final duma audiência com o chefe de Estado congolês, Joseph Kabila, congratulou-se pelos esforços desenvolvidos para proteger as florestas da bacia do Congo, nomeadamente, os resultados excelentes que conseguiu obter em concertação com os ministros do Ambiente da sub-região da África Central.

"Conseguimos mobilizar cerca de 200 milhões de dólares americanos e lançamos a operação de angariação de fundos destinados a proteger a floresta da bacia do Congo", indicou.

O Prémio Nobel da Paz, que estava a caminho de Brazzaville para participar, a partir desta segunda-feira, no VI Fórum Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, disse estar a precisar de dois biliões de dólares americanos para levar a bom porto a tarefa que lhe foi confiada.

"A floresta da bacia do Congo é importante tanto para a República Democrática do Congo (RDC) como para o todo o planeta", disse, antes de manifestar o seu apoio aos esforços consentidos pelo Presidente Joseph Kabila para restaurar a paz na RDC e em toda África.

"Se tivermos paz na RDC, teremos também paz em África", disse, antes de apelar ao mundo para se implicar-se na protecção da bacia do Congo com vista a savalguardar este legado maravilhoso de que o mundo dotou a sub-região.

Por outro lado, o ministro queniano dos Negócios Estrangeiros, Moses Wentang'ula, de passagem por Kinshasa, entregou domingo ao Presidente Joseph Kabila uma mensagem do seu homólogo queniano, Mwai Kibaki, que é presidente em exercício da Conferência Internacional sobre a Paz e Desenvolvimento na região dos Grandes Lagos.

O chefe da diplomacia queniana prometeu o envolvimento do seu país para que a dinâmica da paz se instale entre a RDC e os seus vizinhos.


Fonte:www.panapress.com

A PRODUÇÃO DE PAPEL E CELULOSE E A POLUIÇÃO AMBIENTAL - QUÊNIA - ÁFRICA





A produção de celulose e papel no Quênia está atualmente dominada por uma empresa, a Pan African Paper Mills (Panpaper), que é uma joint venture entre o Governo do Quênia, o setor de investimento privado do Banco Mundial -a Corporação Financeira Internacional (IFC)- e a Orient Paper Mills, que faz parte do grupo Birhla da Índia. A fábrica de celulose foi estabelecida em 1974 e está sediada na cidade de Webuye, com uma população de aproximadamente 60.000 pessoas, nas margens do rio Nzoia que verte no Lago Vitória.

Desde o começo, apesar dos potenciais impactos ambientais relacionados com o estabelecimento das plantações, os efluentes líquidos, as emissões aéreas, a lama e o despejo de resíduos sólidos, o projeto não se beneficiou com uma avaliação ambiental completa. O Sumário de Revisão Ambiental do IFC simplesmente estabeleceu que o projeto estava desenhado para cumprir com todas as políticas aplicáveis do Banco Mundial e com as diretrizes ambientais, de saúde e segurança.

No entanto, os receios têm demonstrado ser verdadeiros. Um artigo do jornal local East African Standard denunciou em 1999 que os moradores locais tinham acusado à fábrica de papel de ter transformado uma vasta área de campo numa terra devastada e de ser uma carga econômica e social. A poluição do rio Nzoia do que dependem os moradores para satisfazer suas necessidades de água foi tão séria que tomar banhos no rio tem virado perigoso e animais que beberam a água morreram. Como resultado dos químicos fabricados durante a produção de pasta, a área ao redor da fábrica ficou cercada por ar nojento. Os gases ácidos e as cinzas em suspensão ocasionaram a corrosão dos tetos de lâmina corrugados das casas próximas à fábrica. Além disso, o resíduo sólido da fábrica que era vertido nos campos como adubo levou a uma declinação na produção agrícola local.

Quando a fábrica se estabeleceu, a área Webuye costumava ser uma região com muitas florestas e fazia parte da Floresta Indígena Kagamena. A demanda da fábrica de madeira fez com que a área ficasse árida e os caminhões da companhia agora tinham que viajar mais de cem milhas para obter matéria-prima.

Em 2003, os impactos da fábrica não diminuíram. Os habitantes de Webuye queixaram-se de que a fábrica de celulose tinha transformado uma grande faixa de campo em terra devastada. O cheiro que emana da fábrica, principalmente cáustico, de cloro e ácido sulfúrico é perigoso. Webuye é percebida atualmente como uma “cidade doente”. Os expertos disseram que o processo de purificação dos resíduos desta fábrica foi inadequado e que o efluente vertido no rio Nzoia, é tratado parcialmente. Esse efluente parcialmente purificado poderia ser catastrófico para a vida aquática do lago já que sua alta demanda de oxigênio despejaria o gás nos cursos de água causando mortes aquáticas em massa.

O evento mais recente é a séria poluição do Lago Vitória, que leva a investigações pelo Ministro da Água. Acredita-se que os efluentes das fábricas, incluindo à Panpaper têm colocado em perigo a vida aquática no lago.

Por outro lado, o corte tem sido uma causa principal de destruição das florestas do Quênia, um país com diversidade ambiental e étnica. O povo Ogiek, habitante da floresta, tem estado sofrendo a perda de suas terras e meios de vida, especialmente a partir da década de 90. A Panpaper está isenta de uma proibição de corte do governo e está autorizada a cortar árvores para produzir pasta de papel, sendo um dos atores responsabilizados pelo Ogiek (vide Boletim do WRM Nº 45).

No entanto, em maio do presente ano, um diretor da PanPaper Mills, Harri P. Singhi, pediu ao governo do Quênia que assistisse à companhia para solucionar o problema de escassez de abastecimento de madeira. Isso significaria mais florestas desprotegidas? Isso, bem como o pedido de Singhi para que o governo assista à companhia a reduzir seus custos de produção baixando as tarifas de eletricidade, compõem os incentivos fiscais típicos que incluem isenções de impostos, investimentos, concessões, subsídios, nos que se desenvolve a indústria global da celulose e do papel. Para sua globalização também tem contado com subsídios diretos ou diretos de agências bilaterais, investimentos governamentais, bancos de desenvolvimento multilaterais, entre outros atores.

No caso do Quênia, o IFC tem investido 86 milhões na produção de celulose, papel e embalagens. De acordo com Singhi, a Panpaper está trabalhando de perto com o IFC para expandir as fábricas de papel. O Chefe de Operações Especiais do IFC, Erick Cruikshank, confirmou que a instituição continuaria trabalhando de perto com o governo, bem como com outras indústrias, incluindo a Panpaper Mills.

Enquanto isso, os Ogiek perdem suas terras, a agricultura local está em perigo, o desmatamento aumenta, o ambiente é destruído e a qualidade de vida dos residentes locais piora. “Com o fim de criar empregos”, diz o discurso oficial. Mas os postos de trabalho locais criados nas fábricas de celulose e papel são mínimos e em muitos casos restringidos a trabalhadores ocasionais sob condições que colocam sua saúde em risco.

Fonte:http://www.wrm.org.uy/boletim/83/AF.html

Diante de tais fatos e relatos, diante do alto grau de poluição ambiental provocado pelas indústrias de papel, é que devemos nos conscientizar da enorme importância de reciclarmos o papel. Aproveitarmos as sobras e economizarmos no uso...a vida do planeta agradecerá, com certeza!

08 novembro 2008

AS FALCATRUAS NO MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO





Mark Gregory - 05/06/2008 - Mercado de crédito de carbono é alvo de abusos na Índia

Investigação aponta que projetos no país recebem incentivo sem necessidade.

Uma investigação do Serviço Mundial da BBC realizada na Índia encontrou provas de graves falhas no sistema do mercado global de venda de créditos de carbono, que movimenta bilhões de dólares.

Os créditos são gerados por um programa criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

O mecanismo dá a companhias em países em desenvolvimento incentivos financeiros para o corte das emissões de gases de efeito estufa.

Mas, segundo a investigação da BBC, créditos de carbono estão sendo pagos para projetos que teriam sido colocados em prática de qualquer forma, sem precisar de ajuda financeira.

O Serviço Mundial da BBC encontrou como exemplos três projetos na Índia.

Para receber créditos de carbono do MDL, os projetos devem demonstrar que reduzirão emisssões de carbono de forma "adicional" ao que teria acontecido sem os créditos.

Os compradores dos créditos gerados pelo MDL são companhias em países desenvolvidos, a maior parte delas na Europa, que os usam para compensar as suas próprias emissões.

O objetivo é dar a empresas ocidentais uma alternativa para atingir as suas metas de cortes de emissão e ao mesmo tempo estimular o setor privado de países em desenvolvimento, que pelo Protocolo de Kyoto não têm metas obrigatórias de redução, a cortar as suas emissões.

Por essa razão, o sistema só funciona se as empresas participantes realizarem cortes de emissão reais (em relação ao que produziriam se não aderissem ao mecanismo).

Gerador

Um caso de abuso encontrado pela BBC envolve a instalação de um gerador de biomassa que deve fornecer eletricidade para uma instalação de processamento de arroz em Uttar Pradesh, no norte da Índia.

A KRBL, maior companhia exportadora de arroz basmati da Índia, gastou US$ 5 milhões com o gerador, que substituiu um sistema à base de diesel.

O gerador é movido a cascas de arroz, fonte de energia renovável que geralmente era jogada fora no processo de moagem.

A companhia já está com o procedimento de registro do programa MDL quase completo e vai receber várias centenas de milhares de dólares por ano.

Mas, quando questionado sobre a importância dos créditos de carbono para a decisão de instalar o gerador de biomassa, um dos gerentes da companhia, Manoj Saxena, afirmou que o projeto seria feito mesmo sem os fundos do MDL.

Resíduo industrial

A companhia de produtos químicos SRF também está recebendo créditos de carbono do MDL por eliminar um resíduo industrial conhecido como HFC23, um gás de efeito estufa muito forte.

O HFC23 é um resíduo da fabricação de refrigeradores e aparelhos de ar condicionado. É cerca de 12 mil vezes mais tóxico que o dióxido de carbono se entrar na atmosfera.

A eliminação deste gás é relativamente fácil e barata, basta queimá-lo em um incinerador. E a SRF instalou um incinerador para queimar o HFC23 em suas instalações no Rajastão.

O projeto foi registrado e está recebendo 3,8 milhões de créditos de carbono por ano que, atualmente, valem entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões por ano.

A SRF deve receber os créditos por um período de cerca de dez anos, o que significaria créditos acumulados de US$ 500 milhões, uma soma gigantesca para uma pequena empresa indiana.

A companhia não divulgou o custo da instalação do incinerador, mas o valor é bem menor do que o valor dos créditos obtidos.

O número de créditos de carbono dados à SRF e outras companhias parecidas por eliminar o HFC23 está ligado ao seu potencial impacto ambiental. O custo real da eliminação do gás não é levado em conta.

O terceiro caso investigado pelo Serviço Mundial da BBC foi um grande projeto hídrico no Estado de Himalchal Pradesh, no norte da Índia.

Críticos e defensores do projeto apresentam diferentes argumentos para avaliar se o projeto realmente merecia ser qualificado para o recebimento de créditos de carbono.

Defesa

Mais de mil projetos já se qualificaram para o mercado de créditos de emissão de carbono e outros 3 mil já se inscreveram.

O comércio de créditos de carbono pelo MDL já alcançou um valor de cerca de US$ 10 bilhões ao ano.

O responsável pelo gerenciamento do MDL, Yvo De Boer, autoridade máxima da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, alega que existe "um procedimento que funciona".

De Boer se refere ao complicado processo de registro que todos os projetos têm que passar para se qualificar para o recebimento dos créditos de carbono do MDL.

Mas mesmo De Boer reconhece que o sistema não é perfeito. "No final das contas, é sempre uma questão de julgamento", afirmou.

Fonte: BBC-BRASIL/http://noticias.br.msn.com/artigo_BBC.aspx?cp-documentid=7904945

A meu ver, todos os seres humanos deveriam exercer uma permanente fiscalização, sobre a destinação destes créditos, pois do contrário, serão investidos milhões de dólares em empresas fraudulentas...portanto, se você souber de casos semelhantes, denuncie, você também é responsável pelo planeta terra!