23 novembro 2008

A SUIÇA ESTÁ CONSTRUINDO O MAIOR TÚNEL FERROVIÁRIO DO MUNDO



QUANDO O HOMEM BRINCA DE SER DEUS, ELE NÃO SE IMPORTA EM DESTRUIR O SEU ECOSSISTEMA, EM DESESTABILIZAR O PLANETA - movimentando milhões de toneladas de terra, construindo imensos túneis, ele pensa estar progredindo - na verdade está violentando a estrutura geofísica do planeta, provocando com isto efeitos danosos e irreversíveis ao meio ambiente.
O mais longo túnel ferroviário do mundo está sendo construído no maciço do Gotthard, nos Alpes suíços. Ele poderá ter até uma estação de trem dentro da montanha. Nela os turistas de todo o mundo poderão desembarcar e subir vertiginosos 800 metros num elevador expresso construído na pedra até chegar às estações de esqui de Sedrun.



A viagem ao centro da terra começa em Sedrun, vilarejo da comuna de Tujetsch, no cantão dos Grisões, ao leste da Suíça. Essa região lembra um cartão postal dos Alpes com seus chalés de madeira, hotéis centenários, pastos verdejantes, vacas malhadas, lagos de água cristalina e majestosas montanhas.

Dois mil habitantes vivem nesse pedaço de paraíso. Movimento só existe no inverno, quando turistas aparecem e enchem estações de esqui de Sedrun e outros povoados das redondezas.

Em Sedrun, o único lugar que destoa dessa harmonia é o terreno ocupado pela firma AlpTransit Gotthard AG. Várias vezes por dia centenas de operários com uniformes e os rostos sujos de terra desembarcam e embarcam num pequeno e barulhento trem que sai do fundo da terra. Eles trabalham no canteiro de obras do mais longo túnel ferroviário do mundo.

No final do turno, eles costumam ser cumprimentados pelos colegas que aguardam a vez para descer. "Todos são mineiros, sejam operários, geólogos ou engenheiros. Embaixo da terra somos todos iguais", declara Yves Bonanomi.

Descida


Depois de vinte minutos, o trem chega ao elevador. O que se vê lembra mais um filme de ficção científica: uma gigantesca estrutura de metal que parece sair do fundo da terra e continuar seu caminho para o alto. Ao lado uma cabine de controle e também trilhos. Neles trafegam, de um lado, contâineres cheios de pedras e, do outro, os vazios. Quando o elevador chega, os dois contâineres cheios, empilhados um no outro, são descarregados. Automaticamente os dois vazios são colocados no seu lugar. Quando não transportam pedras, o elevador serve para levar os operários do fundo da montanha até a superfície.

É proibido ficar muito próximo da porta do elevador. Pedras podem cair. Por todos os lados do túnel estão pregados cartazes de advertência: "Stop risk" (Pare com os riscos).

Graças a um moderno sistema computadorizado, motores potentes e grossos cabos de aço, o elevador é capaz de carregar até 51 toneladas de carga. A velocidade varia de acordo com a situação: carregando pessoas ele chega até 80 km/h; no caso de pedras, a velocidade pode dobrar. "É melhor fechar os olhos quando o elevador começar a andar, pois o vento é bastante forte", alerta um dos mineiros. O trajeto não leva mais do que dois minutos para ser concluído. Apenas os ouvidos sentem a pressão do ar.

Quando o elevador chega no seu ponto final e as pesadas portas de ferro se abrem, o cenário que se descobre é dantesco: o ar é pesado e quente; um barulho ensurdecedor parece ecoar por todas as paredes do gigantesco túnel; refletores fixados nas paredes iluminam o vaivém incessante dos mini-trens, tratores, máquinas pesadas, contêineres cheios de pedra e operários.


Calor na profundidade


Não é fácil caminhar nesse ambiente abafado. Das paredes dos túneis, a água escorre de inúmeros pontos como se alguém tivesse esquecido de fechar a torneira no andar de cima. Ela se mistura com a terra e transforma o solo num grande lamaçal por onde todos caminham.

Além do túnel principal, existem outras galerias já escavadas na pedra. Elas servirão como túneis de desvio ou até de escape em casos de incêndio. Por todos os lados há movimento: colunas de mineiros se cruzam, tratores e trens de carga circulam em várias direções, como num gigantesco cupinzeiro.

Quanto mais profundo se desce dentro da montanha, maior é a temperatura ambiente. O túnel básico do Gotthard chega a ter profundidades de até dois mil metros. Em condições normais, os operários e engenheiros não agüentariam o trabalho nas escavações: os termômetros poderiam bater a marca dos 45 C˚. O problema é resolvido através de gigantescos exaustores e um sistema de refrigeração, aonde água fria corre por quilômetros de canalizações transportando o calor para fora da montanha. Graças a esse sistema, as temperaturas caem para 28 C˚.

De um ponto do túnel surge repentinamente uma torneira: dela a água sai quente, quase à cinqüenta graus, porém exalando um cheiro extremamente desagradável. "A água que sai da montanha não serve para o consumo humano, pois está cheia de enxofre", alerta Yves os mais sedentos.

Um outro trem leva os visitantes para uma das extremidades do túnel. Nelas trabalham o grupo de mineiros que faz avançar o túnel na pedra. O trabalho é duro e sujo. Brocas especiais, máquinas gigantescas semelhantes a robôs e apelidadas de "Jumbo" perfuram a pedra. Não muito distante do local estão os tratores que colocam as pedras nos contâineres. Pela versatilidade eles também têm apelidos: "são os 'touros', pois são nervosos, fortes e agitados como os animais", brinca Yves.

Diariamente operários especializados fazem explodir as extremidades dos túneis. Dessa forma são ganhos vários metros diariamente. Nos momentos da explosão, todos são obrigados a se refugiar em contâineres especiais localizados nas proximidades. Eles são iluminados com luz verde e dispõem de ar puro bombeado do exterior, além de garrafas de oxigênio. No caso de uma emergência, eles também podem abrigar os mineiros por várias horas, até a chegada de socorro.


Obra faraônica


O túnel básico do Gotthard terá 57 quilômetros. Nesse e em outros três canteiros de obras os Alpes são perfurados pelas brocas desde 1993. No total, 13 milhões de metros cúbicos de pedras – cinco vezes a quantidade de material para construir a pirâmide de Quéops – serão retirados do fundo das montanhas. Em dez anos, trens de alta velocidade irão atravessar o túnel em inacreditáveis velocidades de até 250 quilômetros por hora.

Dois mil operários trabalham na construção dos túneis. Eles vêm de quinze países diferentes, em grande parte Suíça, Alemanha, Áustria, Itália, Portugal e de outros mais distantes como Romênia, Albânia, Croácia e Sérvia. As duras condições de trabalho unem até nas diferenças culturais. "Lembro que até Croatas e Sérvios trabalhavam juntos no momento em que seus países estavam em guerra", se recorda Yves Bonanomi.

Além do túnel básico do Gotthard, os outros trechos como o túnel básico de Zimmerberg e o de Ceneri completam o percurso: 153,5 quilômetros. Dois terços já estão perfurados.

Também 65.28% trecho do túnel básico do Gotthard, onde trabalham seiscentas pessoas em três turnos de oito horas, 24 horas por dia, já foram escavados. Apesar do avanço, as dificuldades são grandes. Em Sedrun a rocha é tão instável que a empresa não pode utilizar as gigantescas brocas mecânicas que aplica nos outros setores. Por isso os mineiros só avançam pouco: até seis metros por dia na pedra, através dsd explosões controladas.

A cada trinta ou quarenta centímetros de avanço, os operários precisam perfurar a pedra e introduzir vergalhões de aço. Eles ajudam a fixar as pedras. Depois o túnel é reforçado com telas de metal e uma espessa camada de concreto. As paredes recebem refletores para que os engenheiros possam observar se ouve algum deslocamento da rocha. "O trabalho é muito perigoso, a qualquer minuto pode ocorrer um desabamento. Por isso é tudo feito com muito cuidado", explica o Yves.

Um dos visitantes pega um pedaço de rocha e guarda no bolso do macacão como lembrança. Para o geólogo suíço, ela não é apenas uma pedra. "Esse pedaço na sua mão tem 500 milhões de anos e já viveu três diferentes formações de montanha no passado. Poucos sabem, mas os Alpes já foram o solo de um gigantesco oceano no passado, tendo sido pressionados para cima com a movimentação das placas tectônicas".


Custo: 5,5 bilhões de euros


No total, o grande túnel do Gotthard irá custar 5,5 bilhões de euros, um bilhão a mais do que havia sido planejado. Graças a obra, a viagem entre Zurique e Milão poderá ser encurtada em uma hora, passando para 2 horas e 40 minutos.

A inclinação reduzida do percurso norte-sul também vai permitir que os trens de carga possam atingir velocidades de até 160 km/h – o dobro das velocidades da estrada. Além disso, a capacidade de carga passará de duas mil a quatro mil toneladas. Isso significa menos tráfego nos trilhos e também menos caminhões atravessando os Alpes, o que poderá talvez resolver o crônico problema de congestionamento no túnel rodoviário do Gotthard.

Pelas suas dimensões, o novo túnel ferroviário do Gotthard já é uma obra do século, porém também impressionante são as idéias que surgem com a construção.

A mais "fantasiosa" delas está a um passo de se tornar realidade: construir uma estação de trem dentro da montanha e que levará turistas de elevador até as estações de esqui em Sedrun. O projeto se chama "Porta Alpina". Uma grande parte dos recursos necessários a sua construção já foram aprovados pelo Parlamento.

Por enquanto é possível apenas se ter uma idéia de como pode funcionar essa estação de trem. O único elevador que está em funcionamento no canteiro de obras do túnel básico do Gotthard é o que transporta operários e as milhares de toneladas de pedras para a superfície, 800 metros acima. O do Porta Alpina está apenas marcado nas pedras, esperando pelo início da construção.

Se construído – faltam apenas que o governo federal e cantonal aprovem a subvenção de alguns milhões de francos – o Porta Alpina será mais luxuoso do que o elevador de carga. Ele teria dois andares e levaria no máximo 80 passageiros. Na estação subterrânea, as pessoas esperariam a chegada dos trens em setores fechados hermeticamente: a grande velocidade de alguns trens poderia jogar alguém nos trilhos devido à pressão do ar.

Se o sonho for concretizado, os turistas poderão sair de Zurique ou Milão e estar, em apenas uma hora, no ar puro das montanhas em Sedrun. E graças a conexão com outros trens, como o famoso "Glacierexpress", locais famosos de esqui como St. Moritz ou Zermatt ficarão tão próximos como um passeio na esquina.

Fonte: http://www.swissinfo.org/por/feature...=1161074603000

22 novembro 2008

Praga de gafanhotos assusta fazendeiros na Austrália

Fazendas em áreas do leste da Austrália estão sendo devastadas por uma praga de gafanhotos - a pior na região em mais de quatro anos. As fortes chuvas, que encerraram um período prolongado de estiagem, criaram as condições ideais para os insetos proliferarem. Centenas de milhares de hectares de terras agrícolas estão sendo pulverizados com pesticidas em um esforço para conter o avanço dos gafanhotos.

Um fazendeiro na província de Nova Gales do Sul disse que sua expectativa é que tantos gafanhotos ataquem sua propriedade que eles sejam capazes de bloquear o brilho do sol. Ele também disse temer que até as roupas penduradas em varais sejam devoradas pelos insetos.

Do dia para a noite

É impossível saber, até o momento, quantos são os gafanhotos nas nuvens de insetos à solta. Especialistas acreditam que vários milhões de insetos estão atacando as fazendas australianas. As chuvas desencadearam um aumento atípico da procriação da espécie.

Vastas áreas de terras agrícolas já foram devastadas e, em alguns casos, a produção das fazendas desapareceu do dia para a noite. Para muitos fazendeiros, o surgimento da praga é mais um detalhe infeliz num ano difícil. A seca que atingiu nos últimos meses a Austrália foi uma das piores neste século.

Ventos

O que torna a trajetória da praga tão imprevisível são, justamente, as condições meteorológicas. Os insetos voam para onde o vento os leva - embora eles possam pegar carona em caminhões e carros.

A principal arma no combate aos gafanhotos é a pulverização com pesticidas, prática que já teve um impacto substancial no controle da praga no sul da província de Queensland. O objetivo da pulverização é matar os gafanhotos quando eles ainda estão jovens e incapazes de voar.

Com suas asas desenvolvidas, eles podem viajar centenas de quilômetros procurando por sua próxima refeição.

Fonte:http://www.picarelli.com.br/clipping/clip28032004a.htm

DESMATAMENTO EVITADO PARA A COMPENSAÇÃO DAS EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA





A SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental lança a campanha Desmatamento Evitado. é uma iniciativa inédita que busca proteger os últimos remanescentes de áreas naturais, como a Floresta com Araucária, no Estado do Paraná, por seu potencial para compensação das emissões de gases responsáveis pelo fenômeno do aquecimento global.

A campanha prevê contatos entre empresas e a SPVS para que seja feito uma estimativa dos gases de efeito estufa emitidos pelas atividades dessas instituições, durante um período de tempo ou em um evento específico. A empresa, por sua vez, se compromete a apadrinhar uma área de floresta nativa que tenha em estoque uma quantidade de carbono proporcional às suas emissões. Estudos científicos indicam que as áreas de Floresta com Araucária em bom estado de conservação armazenam mais de 120 toneladas de carbono por hectare. Calcula-se que exista hoje no Paraná menos de 1% de Floresta com Araucária bem conservada e, ainda, sendo sistematicamente desmatada.

O cálculo é feito com orientação do GHG Protocolo, publicado do World Resources Institute que traz indicações para inventários de emissões de gases de efeito estufa, e políticas do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) sobre diferentes fontes e características de inventários de gases de efeito estufa. Os custos para a proteção das áreas naturais incluem planejamento, construção de cercas, monitoramento, vigilância e infra-estrutura básica, além da busca de outras formas de apoio à área protegida no longo prazo. Nessas atividades, ocorre o aporte técnico de profissionais da SPVS.

Primeiras Parcerias

A primeira adesão à campanha foi da Posigraf, maior gráfica da América Latina, que adotou uma área de Floresta com Araucária no Paraná por intermédio do Grupo Kapersul, empresa de gerenciamento de resíduos que em parceria com a SPVS prospecta entre seus clientes apoiadores para projetos da instituição. Pelo acordo, a Kapersul repassa para a proteção da área uma parte do pagamento que seria feito para a Posigraf pela compra de resíduos para reciclagem, além de arcar com a parte operacional e realizar a supervisão do programa de adoção.

Em iniciativa inédita no país o HSBC Bank Brasil também aderiu à Campanha Desmatamento Evitado, com o lançamento do Seguro Carbono Neutro. A partir de 7 de outubro, para cada renovação ou novo contrato de seguro de carro feito com a HSBC Seguros, 88 m2 de área de mata nativa serão protegidos por cliente, ao longo de cinco anos, compensando as emissões de um automóvel que roda cerca de 18 mil quilômetros ao ano. A proteãoo dessa área compensa a emissão de quatro toneladas de dióxido de carbono emitido por cada veículo. A mesma iniciativa acontece também na área de Seguro Residencial. Foi realizada uma estimativa de consumo anual de luz, gás e geração de lixo, onde são necessários a proteção de 44 m2 de floresta em pé, para cada renovação ou novo Seguro Residencial Carbono Neutro.

A empresa que se envolver com a campanha estará se adiantando a uma tendência futura. Negociaçães das Nações Unidas apontam para a importância do desmatamento evitado como forma de compensação de emissões de carbono. Em uma fase pós Protocolo de Kyoto, em 2012, o desmatamento evitado deve entrar como mecanismo válido para a geração de créditos de carbono, o que diz Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS. Ele ainda fala que é muito importante saber que o desmatamento evitado, no momento, é feito como iniciativa voluntária.

Urgente

O Desmatamento Evitado não é uma alternativa ou um substituto para o plantio de árvores, mas sim uma ação mais urgente: proteger as florestas nativas para a sua preservação e consequente manutenção de seu estoque de carbono. Uma área replantada só terá a quantidade de carbono de uma área já conservada muitas décadas depois, além de não conter a mesma diversidade de espécies. Sobre isso Denilson Cardoso, Biólogo da SPVS, comenta que a restauração é útil porque recupera ambientes que estão degradados, e só o fato de se ter árvores crescendo já temos os benefícios da absorçãoo de carbono, mas quando se cuida de uma floresta em pé, além de manter o estoque que está lá, estamos possibilitando que estas áreas naturais disponibilizem à sociedade outros benefícios, especialmente a conservação da biodiversidade, hoje extremamente ameaçada.

Junto com o estoque de carbono já existente na floresta conservada, as áreas continuarão a fazer a fotossíntese que trabalha para retirar o dióxido de carbono da atmosfera. As florestas funcionam, ainda, como um importante mecanismo de termoregulamentaçãpo, que também é um fator crucial para manutenção de microclimas.

Além de ajudar a combater as mudanças climáticas, manter vivas as florestas que ainda existem é uma necessidade urgente para proteger o patrimônio natural. As áreas naturais são responsáveis por abrigar inúmeras formas de vida de plantas e animais, e também fornecer serviços ambientais essenciais é qualidade de vida humana como água, energia, alimentos, segurança contra desastres naturais e descobertas científicas.

Fonte:http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8734723333297529666
Matéria cedida por:
Pablo Hoffmann

21 novembro 2008

DIESEL VENDIDO NO BRASIL DEVERÁ TER O TEOR DE ENXOFRE REDUZIDO À PARTIR DE JANEIRO DE 2009


10 de Setembro de 2008 - São Paulo - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negou hoje (10) a possibilidade de mudança em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que prevê a redução do nível de enxofre presente no diesel vendido no país a partir de janeiro do ano que vem. Apesar dos pedidos das montadoras, o ministro afirmou que o prazo para a adaptação de veículos nacionais ao novo combustível, menos poluente, não será ampliado.

De acordo com o cronograma estabelecido no Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) em 2002, ônibus e caminhões de grandes cidades devem rodar com diesel cuja concentração de enxofre é de 50 ppm (partes por milhão) já em 2009. No interior, a concentração deverá ser de 500 ppm.

Atualmente, o diesel vendido em regiões metropolitanas do país tem uma concentração de 500 ppm. Já o diesel comercializado em cidades do interior tem 2.000 ppm de enxofre.

Segundo o médico Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), o diesel com mais enxofre é mais poluente. O combustível emite mais "material particulado", prejudicial à saúde, e ainda não permite que filtros sejam instalados nos veículos.

"A queima do enxofre gera material ácido, que corrói o filtro", explicou Saldiva. "Com menos enxofre, é possível instalar o filtro e a quantidade de material particulado emitido pelos veículos também cai."

O médico disse também que pesquisas realizadas seguindo critérios elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que entre 12% e 14% das mortes naturais ocorridas diariamente em São Paulo foram causadas pela poluição - cerca de 9% do total. O estudo aponta que, do total de mortes por poluição, quatro ou cinco são causadas pela queima do diesel. "Com o novo diesel, de duas a três mortes por dia poderão ser evitadas."

Em entrevista coletiva concedida após participar da reunião do Conama, Minc disse ainda que propôs ao órgão a criação de uma outra fase do Proconve. Nela, ficaria fixado que, a partir de 2012, o nível de enxofre do diesel chegue a 10 ppm.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi procurada para comentar as declarações do ministro. A entidade, que já havia afirmado que será difícil a adaptação dos veículos para 2009, não respondeu até a publicação da reportagem.

O diretor de Soluções da Petrobras, Frederico Kramer, disse que a empresa terá condições de distribuir o diesel 50 ppm na data estabelecida na resolução.

A Petrobras, assim como as montadoras, foi citada em uma ação civil pública proposta pela Procuradoria da República em São Paulo que busca garantir que a norma do Conama seja cumprida. A procuradora Ana Cristina Bandeira Lins, responsável pelo processo, também não foi encontrada para comentar o assunto.

Fonte: Agência Brasil

19 novembro 2008

Lixo eletrônico à deriva
por Stephen Leahy

Uxbridge, Canadá, 17/11/2008, (IPS) - Alguma você já pensou que seu velho televisor pode estar envenenando uma criança na China, ou que seu antigo computador esteja contaminando um rio na Nigéria?

Sem uma lei que proíba a exportação de lixo eletrônico tóxico nos Estados Unidos não há maneira de saber se os antigos celulares, computadores ou televisores originados nesse país não acabaram em alguma aldeia pobre do mundo em desenvolvimento. Ali, moradores desesperados desmontam estes aparelhos à mão para recuperar parte dos valiosos metais que o compõem. Um pequeno grupo de pessoas aliou-se com uns poucos recicladores para garantir que o lixo eletrônico possa ser tratado com responsabilidade, criando um programa de certificação de controlador eletrônico (e-Stewards).

Anunciado este mês, os e-Stewards são recicladores de lixo eletrônico acreditados e certificados por uma terceira parte independente. Esta certificação é crucial em uma indústria que frequentemente apela para a mentira em busca de uma imagem de responsabilidade social. Atualmente, mesmo quando o lixo eletrônico procedente do mundo rico vai para um reciclador com preocupações ambientais, há altas probabilidades de que substâncias tóxicas terminem em uma enorme pilha no meio de alguma aldeia.

Estima-se que os Estados Unidos produzem três milhões de toneladas anuais de lixo eletrônico, como celulares e computadores. Seus habitantes compraram cerca de 30 milhões de aparelhos de TV desde janeiro. Essa quantidade será maior no próximo ano, quando todas as redes de televisão do país passarem ao sistema digital, a partir do dia 17 de fevereiro. Assim, para onde irão os televisores velhos e indesejados? Segundo ativistas, um destino é Hong Kong. “Vi há pouco contêineres carregados nos Estados Unidos quando foram abertos no porto de Hong Kong. Estavam cheios de lixo eletrônico, como televisores e monitores de computadores”, contou Jim Puckett, coordenador da não-governamental Basel Action Network (Rede de Ação da Basiléia –Ban).

Esta organização leva o nome do convenio internacional que regulamenta o tráfego internacional de lixo tóxico, a fim de impedir que os procedentes de países ricos contaminem os pobres. Puckett calculou que cem contêineres de lixo eletrônico chegam por dia a Hong Kong, para em seguida serem contrabandeados para a China. “Tudo procede dos Estados Unidos e do Canadá”, afirmou. Boa arte desta atividade é ilegal na China. Mas, é uma indústria muito grande e rentável, por isso muitos funcionários chineses e de outros países se mostram dispostos a fazer vista grossa, ressaltou.

Nos Estados Unidos, o programa jornalístico semanal “Sixty Minutes” divulgou este mês uma pesquisa sobre os achados de Puckett, rastreando contêineres embarcados por recicladores desse país com destino a Hong Kong até aldeias na China, como Guiyu. “Estivemos em Guiyu há cerca de seis anos, e as condições são muito piores hoje”, acrescentou. A montanha de lixo eletrônico aumenta a cada dia, ao mesmo tempo em que são criados novos aparelhos para conduzir uma economia arraigada em um crescimento sem fim. E 85% desses resíduos acabam como aterro sanitário ou incinerados localmente, contaminando a água subterrânea e o ar dos Estados Unidos. Outros milhões de computadores, monitores e televisores acumulados descansam em sótãos, garagens, oficinas e dentro de casa.

O que tem de fazer uma pessoa responsável com o lixo eletrônico diante da negligencia do governo, da irresponsabilidade dos fabricantes e da cobiça dos recicladores? “Era pouco provável que com George W. Bush como presidente fosse aprovada uma lei a respeito, por isso decidimos trabalhar com a indústria da reciclagem”, disse Sarah Westervelt, da Ban. Junto com a Coalizão pela Devolução de Aparelhos Eletrônicos e 32 recicladores nos Estados Unidos e no Canadá, a Ban anunciou na semana passada o programa de e-Stewards. Será o primeiro de certificação de reciclagem de lixo eletrônico auditado e acreditado de maneira independente.

Jogar lixo eletrônico tóxico em países pobres, aterros sanitários locais e incineradores ficará proibido, bem como o uso de mão-de-obra carcerária para processar esse tipo de dejeto. “Neste momento é impossível às pessoas saberem qual reciclador está agindo corretamente”, disse Westervelt. Empresas e organizações que dizem ser verdes normalmente tergiversam dados sobre como manejam os dejetos. “As companhias enganam as pessoas”, ressaltou. Bob Houghton, presidente da Redemtech, que recicla lixo eletrônico e integra o programa e-Stewards, diz que, “segundo meus cálculos, 90% das empresas enganam seus clientes”.

Muitas firmas proporcionam documentos a outras empresas ou governos locais alegando que o lixo eletrônico é processado de maneira segura, mas, na realidade, os enviam a países em desenvolvimento, afirmou Houghton. Quando a cidade norte-americana de Denver quis um reciclador de lixo eletrônico insistiu que este não deveria ter custo. Assim, sues aparelhos obsoletos terminaram na China, como demonstra o documentário do “Sixty Minutes”, disse Mike Wright, presidente do Guaranteed Recycling Experts, em Denver. “É impossível reciclar lixo eletrônico sem nenhum custo que não seja exortá-lo”, disse Writht à IPS.

Sua empresa não ganhou o contrato de Denver por essa razão, e é por isso que defende com firmeza o programa e-Stewards, que dá provas e garantias de que esses resíduos são manejados de maneira adequada. Westervelt disse que o programa será minuciosamente analisado ao longo de 2009 e que estará plenamente operacional em 2010. Enquanto isso, o público pode encontrar participantes no programa que se comprometam a cumprir sues rígidos padrões no e-stewards.org., afirmou

Na Europa, os fabricantes de aparelhos eletrônicos estão obrigados por lei a aceitar que seus compradores lhes entreguem seus produtos velhos para que façam uma reciclagem adequada. Embora nem Canadá nem Estados Unidos tenham uma lei semelhante, alguns fabricantes de televisores, como Sony, LG e Samsung, e vários de computadores, como Dell, Lenovo e Toshiba, pegam de volta seus produtos sem custo. Outras cobram uma tarifa. O custo de manejar e reciclar costuma superar o valor dos materiais recuperados, assim a maioria das empresas não quer aceitá-los de volta, disse Barbara Kyle, da Electronics TakeBack Coalition.

Existe a preocupação de que essas firmas que recebem seus produtos antigos simplesmente os despachem para países em desenvolvimento. “Estamos tentando fazer com que os fabricantes assinem um compromisso para agirem como se os Estados Unidos fossem parte da Convenção da Basiléia”, disse Puckett. Esse tratado, vigente desde 1992, foi criado especificamente para impedir transferências de lixo perigoso, entre eles os eletrônicos, de países industrializados para nações em desenvolvimento. Os Estados Unidos são um dos poucos países que não o assinou. “até agora, somente a Sony assinou o compromisso, mas esperamos que outros o façam logo”, disse Puckett. O ativista espera que o novo governo norte-americano, com Barack Obama, seja mais responsável e desperte essa mesma responsabilidade em outros países.

Fonte: (Envolverde/IPS)

A POLUIÇÃO DO LAGO DE YPARACAÍ - O PARAGUAI CONTA COM SÒMENTE 10% DE REDE DE SANEAMENTO BÁSICO


Foto: Lago de Ypacaraí Paraguai

O poluído "lago azul"
Alejandro Sciscioli


ASSUNÇÃO, 05/09/2005, (IPS) - Coliformes fecais, matéria orgânica, fósforo e nitrogênio poluem o Lago Ypacaraí, a principal atração do turismo interno no Paraguai. Resultados de um estudo da Agência Japonesa de Cooperação Internacional serão divulgados em breve.


"Uma noite morna nos conhecemos, junto ao lago azul de Ypacaraí", assim começa a mais famosa canção folclórica do Paraguai. Na principal atração do turismo interno paraguaio aumenta a poluição, que as autoridades negam, mas novos estudos confirmam. Cinqüenta quilômetros a leste de Assunção, Ypacaraí (Lago do Senhor, na língua guarani), tem uma bacia de 1.017 quilômetros quadrados e atrai anualmente centenas de milhares de veranistas. Segundo a Secretaria Nacional de Turismo, na última temporada de verão, mais de 300 mil pessoas foram à "villa veranista" de San Bernardino, na costa leste do Lago. Na margem oposta fica a cidade de Areguá.

A grande bacia é alimentada por outras quatro menores, formadas pelos rios Yukyry, Pirayú, San Bernardino e Areguá. O Lago deságüa no Rio Paraguai através do Rio Salado. Dez por cento dos habitantes do país, cerca de 600 mil pessoas, vivem em sua área de influência. Oitenta por cento dessa população vive nas margens do Yukyry, disse ao Terramérica Elena Benítez, diretora-geral de Recursos Hídricos da Secretaria do Ambiente (Seam). Benítez explicou que "os mangues atuam como descontaminantes da matéria orgânica" contida no esgoto que chega ao Lago.

A cobertura de saneamento é muito baixa no Paraguai, atendendo apenas 22% de Assunção e sua área metropolitana, e apenas 10% de todo o país, disse a funcionária. "O resto é despejado diretamente nos cursos de água ou no lençol freático, através dos poços e fossas sépticas", acrescentou. Na bacia do Yapacaraí, a Seam registra 145 indústrias em atividade, incluindo matadouros, frigoríficos, fábricas de sabão e curtumes. Também funcionam ali grandes hospitais públicos. Contudo, a Secretaria não conta com dados sobre volumes de descargas de dejetos industriais e esgotos. "O estudo estatístico está em execução", justificou Benítez.

Porém, "não é nenhum segredo que há mais de 30 anos o Lago Ypacaraí tem coliformes fecais", embora "se for feito um monitoramento em toda área poderemos dizer que, na média, não está contaminado". Entretanto, a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica, sigla em inglês) "detectou, em 2000, indícios sobre a existência de algumas algas que poderiam ser tóxicas", disse a funcionária. Em janeiro, plena temporada turística, surgiu no centro do Lago grande quantidade de espuma, enquanto era divulgado o informe da Jica.

Este fato levou à intervenção do promotor ambiental, Isacio Cuevas, que ordenou a realização de análises a três laboratórios: o do Ministério da Agricultura e Pecuária, o do Instituto Nacional de Tecnologia e Normalização e o do Ministério da Saúde. Foram encontrados "coliformes fecais, cromo e mercúrio, entre outros componentes, mas em níveis insignificantes", disse Cuevas, acrescentando com ironia: "Observando estas análises, eu tomo banho no lago". O promotor espera comparar esses resultados com os de uma quarta série de estudos, de especialistas do escritório da Jica no Brasil, sobre a grande bacia do Ypacaraí.

Hideo Kawai, técnico à frente desse estudo, disse ao Terramérica que os resultados ainda não estão disponíveis, mas adiantou que foram encontradas concentrações muito superiores às toleráveis de coliformes fecais, matéria orgânica, fósforo e nitrogênio. As águas do Lago são muito ricas em nutrientes, que favorecem a rápida reprodução de cianobactérias tóxicas, com a alga Microcystis aeruginosa, encontrada no Ypacaraí. Kawai explicou que a alga produz uma toxina cancerígena, capaz de afetar o fígado humano em caso de consumo constante, acrescentando que na água potável, processada pela empresa sanitária estatal Essap, não foram encontrados sinais de microcystis. A água potável chega a 87% da população de Assunção e sua área metropolitana.

Quando os estudos estiverem concluídos, Kawai fará uma série de recomendações às autoridades, que incluirão a execução de um plano-diretor e a busca de recursos técnicos e financeiros para tratamento do esgoto, fator primordial para a reprodução de cianobactérias. Além disso, é recomendável que moradores e turistas evitem o contato direto da pele com as águas do Lago, afirmou. Miguela González, proprietária de uma casa de fim de semana em San Bernardino, disse ao Terramérica que não permite que seus filhos, de sete e dez anos, se banhem nas águas quando visitam o lugar. "Agora, com as algas, é muito mais perigoso do que antes", acrescentou.

Fonte: Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
(FIN/2005)

O que os seres humanos precisam mais se conscientizarem é que uma vez poluído o lençol freático, vai sobrar poluição para muita gente. É por isto que digo sempre, temos que ser ecologistas, até mesmo por egoismo, afinal, se o vizinho polui o lençol freático, vai sobrar para mim também...então, recomendo "vigilância e cuidados permanentes", fiquem de olho no seu quintal, no do vizinho e em todo o planeta!


16 novembro 2008

VAMOS EXIGIR UM DIESEL COM MENOS TEOR DE ENXOFRE

Um acordo firmado na madrugada do último dia 30/10 está regulamentando o não cumprimento da Resolução 315 de 2002, que determinava a adoção em todo o país do diesel S50, com 50 ppm (partes por milhão) de enxofre, substância poluente e com potencial cancerígeno.

Hoje, o diesel vendido no interior do país tem 2000 ppm de enxofre. A norma que entra em vigor a partir de 1º de janeiro prevê que o combustível deverá ter 1800 ppm deste componente, quantidade que será gradualmente reduzida até 500 ppm, 900% mais poluente do que o S50.

Fonte:

http://www.clickarvore.com.br/?page=noticias&id=128

SENHORES PREFEITOS, VAMOS FAZER VALER A QUALIDADE DE VIDA, A PREVENÇÃO DE DOENÇAS...CRIEM LEIS, PROIBINDO O USO DE DIESEL COM TÃO ALTO TEOR DE ENXOFRE!