02 março 2011

SERÁ QUE O BRASIL PRECISA DE MAIS USINAS HIDRELÉTRICAS? COMO PAÍS TROPICAL TEMOS OUTRAS OPÇÕES DE FONTES DE ENERGIA COM BAIXO IMPACTO AMBIENTAL.

Hidrelétrica de Belo Monte: Impactos Ambientais



CI-Brasil (Ong Conservation International – Brazil) divulga posicionamento sobre hidrelétrica; a ONG trabalha com índios Kayapó há mais de 18 anos.
Contexto: O projeto ressurge como uma obra estratégica, apresentada por meio de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de mais de 20 mil páginas, como a possível terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a usina Três Gargantas (China) e para Itaipu (Brasil-Paraguai).
A hidrelétrica de Belo Monte propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio, com escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m3) e área de alagamento de 516 km2, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo.
Questão energética: A UHE de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW aclamados pelos dados oficiais, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu, segundo Francisco Hernandes, engenheiro elétrico e um dos coordenadores do Painel dos Especialistas, que examina a viabilidade da usina.   Em adição, devido à ineficiência energética, Belo Monte não pode estar dissociada da ideia de futuros barramentos no Xingu. Belo Monte produzirá energia a quase 5.000 km distantes dos centros consumidores, com consideráveis perdas decorrentes na transmissão da energia.
Esse modelo ultrapassado de gestão e distribuição de energia a longas distâncias indica que o governo federal deveria planejar sua matriz energética de forma mais diversificada, melhor distribuindo os impactos e as oportunidades socioeconômicas (ex.: pequenas usinas hidrelétricas, energia de biomassa, eólica e solar) ao invés de sempre optar por grandes obras hidrelétricas que afetam profundamente determinados territórios ambientais e culturais, sendo que as populações locais, além de não incluídas nos projetos de desenvolvimento que se seguem, perdem as referências de sobrevivência.
Questão ambiental: A região pleiteada pela obra apresenta incrível biodiversidade de fauna e flora. No caso dos animais, o EIA aponta para 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos, algumas espécies endêmicas (aquelas que só ocorrem na região), e outras ameaçadas de extinção. O grupo de ictiólogos do Painel dos Especialistas tem alertado para o caráter irreversível dos impactos sobre a fauna aquática (peixes e quelônios) no trecho de vazão reduzida (TVR) do rio Xingu, que afeta mais de 100 km de rio, demonstrando a inviabilidade do empreendimento do ponto de vista ambiental. Segundo os pesquisadores, a bacia do Xingu apresenta significante riqueza de biodiversidade de peixes, com cerca de quatro vezes o total de espécies encontradas em toda a Europa. Essa biodiversidade é devida inclusive às barreiras geográficas das corredeiras e pedrais da Volta Grande do Xingu, no município de Altamira (PA), que isolam em duas regiões o ambiente aquático da bacia. O sistema de eclusa poderia romper esse isolamento, causando a perda irreversível de centenas de espécies.
Outro ponto conflituoso é que o EIA apresenta modelagens do processo de desmatamento passado, não projetando cenários futuros, com e sem barramento, inclusive desconsiderando os fluxos migratórios, que estão previstos nos componentes econômicos do projeto, como sendo da ordem de cerca de cem mil pessoas, entre empregos diretos e indiretos.
Questão cultural e impactos da obra sobre as populações indígenas: O projeto tem desconsiderado o fato de o rio Xingu (PA) ser o ‘mais indígena’ dos rios brasileiros, com uma população de 13 mil índios e 24 grupos étnicos vivendo ao longo de sua bacia. O barramento do Xingu representa a condenação dos seus povos e das culturas milenares que lá sempre residiram. O projeto, aprovado para licitação, embora afirme que as principais obras ficarão fora dos limites das Terras Indígenas, desconsidera e/ou subestima os reais impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do empreendimento. Além disso, é esperado que a obra intensifique o desmatamento e incite a ocupação desordenada do território, incentivada pela chegada de migrantes em toda a bacia e que, de alguma forma, trarão impactos sobre as populações indígenas.
Como já exposto, o Trecho de Vazão Reduzida afetará mais de 100 km de rio e isso acarretará em drástica redução da oferta de água.  Os impactos causados na Volta Grande do Xingu, que banha diversas comunidades ribeirinhas e duas Terras Indígenas – Juruna do Paquiçamba e Arara da Volta Grande, ambas no Pará -, serão diretamente afetadas pela obra, além de grupos Juruna, Arara, Xypaia, Kuruaya e Kayapó, que tradicionalmente habitam as margens desse trecho de rio. Duas Terras Indígenas, Parakanã e Arara, não foram sequer demarcadas pela Funai. A presença de índios isolados na região, povos ainda não contatados, foram timidamente mencionados no parecer técnico da Funai, como um apêndice.
A noção de afetação pelas usinas hidrelétricas considera apenas áreas inundadas como “diretamente afetadas” e, por conseguinte, passíveis de compensação.   Todas as principais obras ficarão no limite das Terras Indígenas que, embora sejam consideradas como “indiretamente afetadas”, ficarão igualmente sujeitas aos impactos físicos, sociais e culturais devido à proximidade do canteiro de obras, afluxo populacional, dentre outros. O EIA desconsidera ou subestima os riscos de insegurança alimentar (escassez de pescado), insegurança hídrica (diminuição da qualidade da água com prováveis problemas para o deslocamento de barcos e canoas), saúde pública (aumento na incidência de diversas epidemias, como malária, leishmaniose e outras) e a intensificação do desmatamento, com a chegada de novos migrantes, que afetarão toda a bacia.
Polêmicas: O processo de licenciamento da UHE Belo Monte tem sido cercado por polêmicas, incluindo ausência de estudos adequados para avaliar a viabilidade ambiental da obra, seu elevado custo, a incerteza dos reais impactos sobre a biodiversidade e as populações locais, a ociosidade da usina durante o período de estiagem do Xingu, e a falta de informação e de participação efetiva das populações afetadas nas audiências públicas.
No final de dezembro de 2009, os técnicos do Ibama emitiram parecer contrário à construção da usina (Parecer 114/09, não publicado no site oficial), onde afirmam que o EIA não conseguiu ser conclusivo sobre os impactos da obra: “o estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade que garante a segurança alimentar e hídrica das populações do trecho de vazão reduzida (TVR) e os impactos decorrentes dos fluxos migratórios populacionais, que não foram dimensionados a contento”. A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir com segurança sobre a manutenção dos estoques de pescado e das populações humanas que desses dependem, a médio e longo prazos. Ainda segundo o parecer técnico, para “a vazão de cheia de 4.000m3/s, a reprodução de alguns grupos de peixes é apresentada no estudo como inviável”, ou seja, o grau de incerteza denota um prognóstico extremamente frágil.
No início deste ano (01/02/10), o governo federal anunciou a liberação da licença prévia para a construção da UHE Belo Monte sob 40 condicionantes, nem todas esclarecidas. A licença foi liberada num tempo recorde e o leilão, que deveria acontecer em abril, foi adiantado para o início de março deste ano. Como a única voz dissonante, o ministro do Meio Ambiente enfatizou a concessão de R$1,5 bilhão como medidas mitigatórias ao projeto, um valor relativamente pequeno em relação ao custo estimado da obra (R$30 bilhões) e incerto para os impactos que ainda se desconhece.
Vale lembrar que uma bacia e seus povos repletos de história e diversidade social, ambiental e cultural nunca terão preço capaz de compensar tamanha riqueza.
Fonte: Resumido de Envolverde/SOS Mata Atlântica
© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. 
Texto extraído do site:
http://www.problemasambientais.com.br/impactos-ambientais/hidreletrica-de-belo-monte-impactos-ambientais/ - com adaptações.
 

O TERREMOTO OCORRIDO NA NOVA ZELÂNDIA, FEZ COM COM QUE UMA GELEIRA SE DESPRENDESSE

Icebergs surgem após terremoto na Nova Zelândia

Diário do Jequi Grupo observa iceberg do lago Tasman

O terremoto de magnitude 6,3 que atingiu Christchurch, na Nova Zelândia, provocou a concentração de enormes icebergs no lago Tasman.
O forte tremor ocorreu por volta do meio-dia de terça-feira (segunda-feira no Brasil) e matou centenas  pessoas.
O lago ficou com cerca de 30 milhões de toneladas de gelo em sua superfície depois que uma geleira do monte Cook, localizado no parque nacional, se desprendeu.
Com a queda, se formara ondas de até três metros de altura, durante trinta minutos, segundo turistas que estavam em dois barcos no lago.
Moradores disseram que ouviram um som como se fosse de uma espingarda antes da geleira quebrar.
 Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/879257-icebergs-surgem-apos-terremoto-na-nova-zelandia-veja-imagens.shtml e http://www.diariodojequi.com.br/index.php?news=1873 
Com adaptações.

01 março 2011

O PROJETO ABRAÇO VERDE DA SABESP É UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Governo do Estado de São Paulo, por meio da Sabesp, reafirma seu compromisso com a qualidade de vida da população, assegurando que a prestação dos serviços essenciais tenha a marca da confiabilidade e do respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade.  
Um exemplo desse compromisso foi o lançamento, do projeto Sabesp Abraço Verde, que tem como objetivo arborizar as calçadas do entorno de todas as instalações da empresa, numa iniciativa pioneira no país. Uma diretriz do projeto é realizar os plantios  envolvendo a comunidade vizinha para estimular o cuidado com as árvores e o meio ambiente.
O evento que marcou o início do Sabesp Abraço Verde ocorreu, no Complexo Administrativo Ponte Pequena, da Sabesp (Av. do Estado, 561 - região central da Capital) quando foi realizado o plantio de mudas de árvores nas calçadas do entorno e no interior do Complexo.
Estiveram presentes o diretor do SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, o representante do Instituto Ethos e Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew, e o Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira e lideranças da Associação dos Moradores do Conjunto Residencial Parque do Gato.
A Sabesp realiza desde 1990 ações de plantio de mudas de espécies nativas para recomposição de mata ciliar no entorno de mananciais em várias partes do estado, em parcerias com órgãos públicos e entidades locais. Em março/2008 foi lançado o projeto "1 Milhão de Árvores no Cantareira", uma parceria com as ONGs Instituto Ipê, The Nature Conservancy (TNC)  e Associação Terceira Via com apoio das Prefeituras de Nazaré Paulista, Piracaia e Joanópolis e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.   O plantio com mudas do viveiros da Sabesp visa florestar as áreas de preservação permanente de três represas do principal sistema produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo.
O Sabesp Abraço Verde agrega melhorias estéticas no ambiente ao redor das áreas de responsabilidade da empresa, proporcionando sombra, mais verde e retenção de carbono. A iniciativa demonstra às comunidades locais o firme e permanente compromisso da empresa com o meio ambiente.
O Sabesp Abraço Verde previu que até 2010 todas as áreas administrativas e operacionais da empresa - presente em 366 municípios do Estado de São Paulo, com os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos para mais de 26 milhões de pessoas - receberiam o plantio de árvores e  se tornassem  espaços de maior integração com toda a comunidade.
Fonete: com adaptações -
http://www.sabesp.com.br/CalandraWeb/CalandraRedirect/?temp=4&proj=AgenciaNoticias&pub=T&db=&docid=13C453751515AB78832574C80055C218

28 fevereiro 2011

SOS MATA ATLÂNTICA

Frente Parlamentar Ambientalista retoma atividades para 2011
A Frente Parlamentar Ambientalista marca a retomada de suas atividades com um café-da-manhã nesta quarta-feira, 16/02. "Apostamos que, em 2011, a Frente Parlamentar Ambientalista continuará obtendo sucesso na aprovação de projetos que priorizam a proteção ambiental. A atuação deve ser focada em questões como o Código Florestal, propostas de emenda à Constituição para o Cerrado e para Caatinga; além da Reforma Tributaria Ecológica, do Imposto de Renda Ecológico, da Consolidação da Legislação Ambiental Brasileira e do Pagamento por Serviços Ambientais”, explica Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica. A Frente visa apoiar políticas públicas, programas e demais ações governamentais e não-governamentais que promovam o desenvolvimento sustentável e está aberta a novas adesões. Saiba mais em www.frenteambientalista.com.
Fonte: Ecos da Mata nº 3l3 - via e-mail

17ª EDIÇÃO DO PRÊMIO FIESP MÉRITO AMBIENTAL 2011


Fiesp Ambiental
Estão abertas as inscrições para a 17ª Edição do Prêmio @ de Mérito Ambiental 2011. Leia o regulamento e participe




27 fevereiro 2011

2011 - ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS

Ano Internacional das Florestas

O Ano Internacional das Florestas foi oficialmente lançado durante cerimônia na sede da ONU em Nova York, como uma forma de celebrar o papel vital que as florestas exercem sobre as nossas vidas. O lançamento foi presidido pelo Presidente da Assembleia Geral da ONU, Joseph Deiss, e se realizou durante a 9ª Sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas.

A Assembleia Geral declarou 2011 o Ano Internacional das Florestas com o objetivo de conscientizar sobre o manejo sustentável, conservação e desenvolvimento de todos os tipos de florestas. A atenção global que será dada ao ano é resultado de um crescente reconhecimento da importância do manejo sustentável das florestas para todos os setores, desde a mitigação da mudança do clima até o fornecimento de madeira, medicamentos e meios de subsistência de populações do mundo todo.

“Ao declarar 2011 como o Ano Internacional das Florestas, a Assembleia Geral da ONU criou uma plataforma para educar a comunidade global sobre o grande valor das florestas e os custos sociais, econômicos e ambientais de suas perdas”, disse o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon.

O Diretor do Secretariado do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, Jan McAlpine, lembrou que a saúde física, econômica e espiritual de todos está ligada à saúde dos ecossistemas florestais. “Em 2011, vamos celebrar essa relação interligada e interdependente entre as florestas e as pessoas”, adicionou.

Florestas cobrem cerca de 31% do total das áreas terrestres, somando quatro bilhões de hectares, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Ao mesmo tempo, a organização estima que 13 milhões de hectares de florestas são perdidas anualmente devido ao desmatamento resultante da conversão de áreas florestais para outros usos. Ao menos 1,6 bilhões de pessoas depende de florestas para sua subsistência. Além disso, as florestas são lar para mais de 60 milhões de pessoas, em sua maioria membros de comunidades indígenas.

Florestas também são fundamentais para a economia, porém seu real valor é, na maioria dos casos, desconsiderado nas contas nacionais de perdas e lucros. Esse descompasso entre realidade e percepção emerge com toda força no estudo “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (TEEB, na sigla em inglês). O TEEB estima que o desmatamento e a degradação das florestas causam um prejuízo entre 2,5 e 4,5 trilhões de dólares por ano para a economia global – mais do que as perdas da recente crise financeira.

Florestas são um setor-chave para a Iniciativa Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que trabalha para fortalecer os três pilares do desenvolvimento sustentável (social, econômico e natural) rumo à Rio+20, que se realizará em maio de 2012 na cidade do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre as atividades planejadas para o Ano Internacional no site oficial da comemoração: www.un.org/en/events/iyof2011.

FONTE:
https://www.fao.org.br/aif.asp