23 agosto 2014

A CIDADE COM MELHOR QUALIDADE DE VIDA DO MUNDO É MELBOURNE

A cidade de Melbourne, na Austrália

O ranking elaborado pela unidade de Inteligência da The Economist coloca Damasco como a cidade em que a vida é mais difícil. A capital da Síria é o principal palco da guerra civil que se instaurou no país desde 2011.

As cidades foram avaliadas levando em consideração 30 fatores qualitativos e quantitativos em cinco grandes categorias: estabilidade; saúde; cultura e meio ambiente; educação; e infra-estrutura.
As notas variam de 1 a 100, em que 1 é considerado intolerável,100 é o ideal.

Fonte: www,exame,abril.com.br/mundo







16 agosto 2014

O FUTURO DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO BRASIL

Crise Hídrica no Brasil - reflexos


FUTURO INCERTO

Por Sarah Brito
Da Agência Anhanguera

O período de seca prolongado afetou a produção de sementes genéticas no Instituto de Agronomia de Campinas (IAC), causando prejuízo de R$750 mil até agosto. A perda é estimada na metade das três safras produzidas desde o fim do ano passado: pelo menos 300 toneladas foram perdidas. Além disso, o cultivo caiu 70% desde setembro de 2013, pela baixa quantidade de água. O problema atingiu ainda produtores que repassam os grãos para o consumo final. Sem carga genética de qualidade, os grãos perdem a hegemonia, o que pode resultar em diferença de tamanho, cor e peso.
     Entre os cultivos que foram prejudicados estão os de cana, arroz, feijão, mamona e soja. Segundo o diretor do instituto, Sérgio Carbonell, mais do que o valor monetário da perda, o prejuízo está na falta de gama  genética nas sementes que os produtores recebem. Isso não pode prolongar, temos que retomar a produção este ano. "Contamos com as chuvas de outubro", disse. 
     O IAC deve voltar a plantar nova safra este mês para renovar o estoque, que não chega a 20% de sua capacidade. Para compensar a baixa na produção, outras regiões aumentaram o cultivo, como Santa Catarina e Paraná. No entanto, o cultivo em diferentes lugares acarreta em maior valor de frete, além da limitação de temperatura desses locais, que impactam na qualidade dessas sementes. "Não estamos atendendi 30% dos pedidos. Na região de Campinas, não há outro produtor", afirmou Carbonell.
    A renovação da cadeia genética de sementes deve ser feita todo ano, devido às perdas que os materiais sofrem durante o processo industrial. No processo de colheita e na produção há mistura com outras sementes e há fusão de cargas genéticas. O diretor explicou que, com isso, o consumidor pode encontrar produtos irregulares, como o feijão preto em um saco de feijão carioca.
    "Se uma super safra agrícola agora, podemos regularizar isso. Esses parceiros conseguem abastecer mercados. O problema é a origem da semente,isso sim, está prejudicado", afirmou. Em maio o instituto divulgou que o período das chuvas de outubro de outubro de 2013 a março de 2014 foi o mais seco dos últimos 123 anos em Campinas.
    O monitoramento da seca no Estado de São Paulo projetava ainda que as médias históricas de chuvas de abril a setembro apontam que a seca irá até a Primavera, pelo menos, afetando os cultivos, processos agrícolas e o abastecimento público. O estudo foi feito com base no banco de dados do IAC, o mais completo do Brasil, com registros desde 1890.
Fonte: Jornal Correio Popular - Campinas, 10/08/2014 - pg. A4

09 fevereiro 2014

A ONDA DE CALOR QUE SE ABATE SOBRE O BRASIL, SERIA POR CONTA DO AQUECIMENTO GLOBAL?

Planeta febre 09/02/2014 | 15h28

Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor

Florianópolis enfrenta mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 35º


Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor Lauro Alves/Agencia RBS
Média mensal da temperatura em janeiro bateu recorde em Florianópolis Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Taís Seibt (colaborou Demetrio Pereira)
Febre é a elevação da temperatura acima dos limites considerados normais. Não é uma doença, mas um sintoma, uma reação do organismo ao ser agredido por um agente externo.

A Terra está com febre. E tudo indica que a culpa é nossa.

Várias cidades tiveram o janeiro mais quente desde que começaram as observações meteorológicas, na década de 1910 e 1920. Florianópolis está entre elas. Fevereiro vai pelo mesmo caminho, com a onda de calor mais intensa de que se tem registro no Estado: já são mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 30ºC.

Diante desse calorão sem fim, fica fácil acreditar que o mundo está mesmo ficando mais quente.

— Mas são as médias globais que importam, não as regionais — destaca o diretor do Centro de Pesquisa Climática da Universidade de Massachusetts, Raymond S. Bradley.
Então, vejamos algumas estatísticas. Conforme dados divulgados na última semana pela Organização Meteorológica Mundial, 2013 foi o sexto ano mais quente desde que começaram as medições, em 1850, e um dos quatro mais abrasantes sem a interferência dos fenômenos El Niño e La Niña, determinantes da variabilidade natural do clima. Dos 10 anos mais tórridos da história, nove ocorreram no século 21.

Desde 1990, a temperatura da Terra vem aumentando 0,2°C por década. Isso é 50 vezes mais rápido do que o ciclo natural, considerando períodos glaciais e interglaciais nos últimos 800 mil anos. Relatório divulgado em 30 de janeiro pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) projeta que a temperatura do planeta subirá ainda mais neste século, entre 0,3°C e 4,8°C, e o nível do mar aumentará entre 28 e 82 centímetros até 2100. Isso porque mais de 90% do excesso de calor causado pelas atividades humanas está sendo absorvido pelos oceanos.

O Ártico, em 2012, alcançou a extensão máxima de derretimento do gelo desde o começo das medições, em 1979. O aquecimento do mar muda os padrões de circulação de vento, fazendo com que o ar frio escoe, provocando mais nevascas em latitudes médias do Hemisfério Norte. É por isso que o aquecimento global pode também explicar fenômenos extremos de frio, como os registrados agora nos Estados Unidos e no Canadá. O estado do Kansas (EUA) teve temperatura de -22°C em janeiro, marca inédita desde 1912.

O homem e as mudanças
Alguma dúvida de que o efeito estufa está desregulando o termostato do planeta?

Poucas, mas há. Entre a minoria de céticos está o climatologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Recentemente, Molion escreveu um artigo denunciando um "terrorismo climático", cujo intuito seria frear o avanço de países em desenvolvimento frente à crise econômica dos desenvolvidos.

Ele defende que o Sol e os oceanos regulam o clima da Terra, e o dióxido de carbono seria incapaz de exercer o papel de vilão solitário do aquecimento.

Para a maior parte dos cientistas, no entanto, a relação entre a ação do homem e o aquecimento da Terra é evidente. O IPCC aponta para 95% de chances de participação humana no efeito estufa, diante do aumento exponencial das emissões de carbono, principalmente a partir de 1950.

— Esse processo nunca foi tão acelerado quanto tem sido desde o início do século 20, período que coincide com o processo de industrialização e o avanço da medicina, que resultaram na urbanização e no aumento populacional. Então, há uma relação muito clara — afirma o pesquisador Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo.

Obscuro é o futuro deste planeta febril. Pelas projeções em torno das estatísticas da OMM e do IPCC, a saúde da Terra é um caso de altíssima complexidade.

Estamos preparados?
Investimento em sistemas de alerta e prevenção de desastres é uma das medidas de adaptação necessárias para enfrentar o impacto das mudanças no clima global em nível regional. Para o pesquisador da USP Tercio Ambrizzi, o ponto de partida seria o mapeamento de vulnerabilidades.

Esse trabalho está sendo feito dentro do Plano Nacional Sobre Mudança do Clima, que foi criado em 2007 e vem passando por atualizações. As atualizações formam, na verdade, um conjunto de planos setoriais. Para 2014, está prevista a elaboração do Plano Nacional de Adaptação.

— O Brasil é um país sujeito a vulnerabilidades do clima, então é preciso adaptar a população ou a estrutura para evitar que se percam vidas e bens — comenta Neilton Fidelis, assessor do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que participa das discussões em torno do plano.

No texto atual, são mencionados investimentos no Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, entre 2012 e 2014.

Confira algumas ações para reforçar o sistema

* Foram identificados 821 municípios prioritários com risco de deslizamento e enxurradas.

* 12 Estados já tiveram obras de prevenção selecionadas. São obras de contenção de encostas, drenagem, barragens e adutoras.

* O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais entrou em operação em 2011, contando com 160 técnicos 24 horas por dia, 7 dias por semana.

* A unidade é capaz de emitir alertas para enxurradas e deslizamentos com duas a seis horas de antecedência.

* A rede de observação conta com radares, pluviômetros, estações metereológicas, sensores de deslizamentos, estações agrometereológicas e sensores de umidade do solo.

Ciclones podem ficar mais intensos
O aquecimento é global, mas os impactos são locais. Em seu último capítulo, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) faz um apanhado da literatura científica sobre alterações nos principais fenômenos climáticos e sua relevância para mudanças regionais no clima, caso as temperaturas médias globais subam mais.

Na seção dedicada à América do Sul, o capítulo aponta que as temperaturas vão aumentar ao longo de todo o continente, com maior aquecimento no sul da Amazônia. Há uma tendência de aumento na frequência de noites quentes na maioria das regiões. É muito provável que menos chuvas ocorram no leste da Amazônia, assim como no nordeste brasileiro no período de seca. Há grande probabilidade de aumento nos eventos de precipitação extrema, especialmente no sul do Brasil e no norte da Argentina.

Na avaliação de Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo, uma preocupação real para Santa Catarina e Rio Grande do Sul é a intensificação de ciclones extratropicais, já que os dois Estados estão na rota desses fenômenos no Brasil.

Ambrizzi relembra situações como o temporal que causou destruição em dezenas de municípios gaúchos e catarinenses em 2008, com ventos de mais de 100 km/h e enchentes severas, principalmente no Vale do Itajaí.

— Não é que os ciclones extratropicais estejam mais frequentes, mas estudos indicam que eles estão mais intensos — frisa o professor.

De acordo com o oceanógrafo Paulo Cesar Abreu, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), os registros sobre ciclones extratropicais nos litorais gaúcho e catarinense estão mais frequentes e podem ser consequências dessas mudanças climáticas.
 
Fonte: Jornal Diário Catarinense

07 fevereiro 2014

ESTÃO LEMBRADOS DA ONDA DE CALOR DE 2003, NA EUROPA?????

Onda de calor de 2003 na Europa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
         
A onda de calor de 2003 na Europa foi uma das ondas de calor mais fortes e que mais consequências trouxe ao Hemisfério Norte. Ocorreu num dos mais quentes verões europeus, causou crises na saúde em vários países e consideráveis impactos na agricultura. Várias pessoas morreram por causa das altas temperaturas, que chegaram à mais de 50 graus centígrados em algumas regiões da Europa. O país mais atingido foi a França, que teve grandes prejuízos devido à onda de calor.

França

Estima-se que 14 802 pessoas, a maioria idosos, morreram na França por causa do calor, segundo o maior serviço funerário do país.1 Os verões franceses não são usualmente muito quentes, principalmente ao norte. Como consequência, a maioria das pessoas não sabe como se proteger – por exemplo, contra a desidratação –, e a maioria dos lares e casas de repouso não são equipados com ar-condicionado, embora haja sistemas de emergência contra vários tipos de catástrofe.
A onda ocorreu em agosto, um mês em que muitas pessoas, inclusive membros do governo, estavam em férias ou recesso.
Muitos corpos ficaram meses sem ser identificados, porque parentes estavam viajando. Um galpão refrigerado na periferia de Paris foi usado por empresas funerárias, porque suas instalações não comportavam o número de cadáveres. Em 3 de setembro, 57 corpos foram enterrados como indigentes em Paris, porque não havia quem os reconhecesse.
As falhas no sistema de saúde francês que permitiram tantas mortes causaram polêmica. O presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin responsabilizaram:
  • as férias dos médicos de família naquele mês (muitas empresas tradicionalmente dão férias coletivas em agosto, e os médicos de família tiram férias todos ao mesmo tempo);
  • famílias que deixam seus idosos sozinhos e sem cuidados.
A oposição, bem como muitos órgãos da imprensa franceses, porém, culparam mesmo o governo, principalmente ao ministro da Saúde Jean-François Mattei, que perderia o cargo em 31 de março de 2004.
O dr. Patrick Pelloux, líder do sindicato dos médicos de emergência, culpou Raffarin por ignorar os alertas de perigo dos profissionais e por não tentar minimizar a crise.

Itália a temperatura oscilou, em muitas cidades, entre 38 °C e 40 °C durante semanas, segundo o eurosurveillance.org[carece de fontes?]. Outras fontes divulgaram números menores, não só para a Itália. Para a revista New Scientist, houve 4.200 mortes na Itália e na Espanha devido à onda de calor.3 O britânico The Guardian chegou ao número de 1.000 mortes na Itália e 4.000 na Espanha.4

Reino Unido

No Reino Unido foi registrada a máxima recorde de 38,1 °C (100,6 °F) em Gravesend, Kent, em 10 de agosto. A temperatura mais alta até então foi de 37,1 °C (98,8 °F), em Cheltenham. Análises posteriores revelaram temperaturas altas freqüentes em Brogdale Orchards, uma milha ao sul de Faversham, atingindo 38,5 °C (101,4 °F) em 10 de agosto.5
Uma análise retrospectiva, publicada em 2005, informou que 2.39 pessoas morreram por causa da onda de calor, no período de 4 a 13 de agosto.6

Portugal

Houve imensos incêndios florestais em Portugal. 5% da zona rural e 10% das florestas foram destruídas, área correspondente a cerca de 4.000 km². Treze pessoas morreram. A temperatura atingiu a marca de 47,4 °C em Amareleja e 45,4 °C em Beja.

Espanha

Houve 141 mortes. Recordes de temperatura foram quebrados em várias cidades, incluindo Jerez de la Frontera (45 °C[carece de fontes?]), Badajoz (45 °C[carece de fontes?]), Huelva (43,4 °C[carece de fontes?], Gerona (41 °C7 ), Burgos (38,8 °C[carece de fontes?]), San Sebastián (38,6 °C[carece de fontes?]), Pontevedra (36 °C8 ) e Barcelona (36 °C9 ).
Outras cidades do sul da Espanha registraram temperaturas acima dos 40 °C, porém não há dados precisos: Múrcia (41,8 °C[carece de fontes?]), Toledo (42 °C[carece de fontes?]), Córdoba (46,2 °C[carece de fontes?]) e Sevilha (47 °C10 )

Alemanha

Na Alemanha, a máxima de 40,4 °C[carece de fontes?] ocorreu em Roth, na Baviera. Com apenas metade da média pluviométrica, os rios chegaram a seu nível mais baixo no século XXI[carece de fontes?], impossibilitando a navegação no rio Elba e no rio Danúbio.
Cerca de 7.000 pessoas, na maioria idosos, morreram durante a onda de calor na Alemanha.

Suíça

Na Suíça, houve degelo nos Alpes, o que causou avalanches e inundações. O país viu, pela primeira vez, as temperaturas atingirem níveis tropicais: 41,5 °C (106,7 °F), em Grono[carece de fontes?].

Número total de mortes

A onda de calor de 2003 na Europa matou entre 35.0003 e 50.00011 pessoas.

Consequências na agricultura

As colheitas sofreram os efeitos da seca no sul europeu, mas nada comparado às perdas do norte.

Trigo

As seguintes quedas na safra de trigo são devidas à longa estiagem[carece de fontes?].
  • França - 20%
  • Itália - 13%
  • RU - 12%
  • Ucrânia - 75% (não se sabe se por causa da onda de calor ou um frio fora de época)
  • Moldova - 80%
Em outros países, a queda oscilou entre 5% e 10%, e a produção européia registrou déficit de 10%

Uva

A onda de calor acelerou o amadurecimento das uvas, ao mesmo tempo que as desidratou, fazendo sumo mais concentrado. Em meados de Agosto, as uvas de certas vinhas atingiram o seu limite em concentração de açúcar, possivelmente resultando em vinhos com 12º-12,5º de álcool. Por esse motivo, e também pela falta de chuva, a colheita foi iniciada muito mais cedo que o costume.
Foi previsto que os vinhos de 2003, embora em pouca quantidade, tenham uma qualidade excepcional, especialmente em França. A onda de calor fez para a Hungria extremamente bem para o concurso internacional de vinhos Vinalies 2003: Um total de 9 medalhas de ouro e 9 de prata para vinhateiros húngaros. 12

Causas da onda

A onda de calor tem sido inevitavelmente ligada a extremos meteorológicos sem precedentes ocorridos em outras partes do mundo (como a pior seca registada na história da Austrália durante o verão anterior e inundações massivas no E.U.A.) e contribuiu para o aquecimento global. Um ofuscamento global também foi ligado à onda de calor, sendo a teoria de que a redução dos níveis de poluição na Europa desde a virada do século reduziram o ofuscamento do efeito de máscara do global.
Na França, a falta de ar-condicionado em instalações médicas assim como a legislação laboral foram também consideradas culpadas pelo número maciço de mortos. O governo de Jacques Chirac e seu ministro da Saúde, Jean-François Mattei, foram condenados por não emitir advertências e não se lembrarem de convocar o pessoal médico para voltar a trabalhar (tendo em atenção as notícias de que anormais picos de mortalidade estavam sendo reportados pelas autoridades fiscalizadoras da saúde).

01 fevereiro 2014

ATÉ ONDE IREMOS COM AS EXPLORAÇÕES DO GÁS DE XISTO?

Estudo reforça ligação entre exploração de gás de xisto e terremotos

Novo trabalho aponta que 109 tremores aconteceram numa cidade no estado norte-americano de Ohio após o início da atividade; não havia registos de abalos sísmicos anteriores na área. Artigo de Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil.
Exploração do gás de xisto em Youngstown, Ohio / Dimiter Kenarov / Pulitzer Center
           O gás de xisto, um combustível fóssil alternativo, está a ser saudado como uma das razões para a saída dos Estados Unidos da sua crise económica, e outros países, incluindo o Brasil, estão a preparar-se para também explorar essa fonte de energia.
 
           No entanto, os investigadores ainda têm dúvidas sobre a segurança dessa atividade para os ecossistemas e para a saúde humana. Tanto é assim, que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram neste mês uma carta à presidente Dilma Rousseff, manifestando a sua preocupação com o anúncio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) da decisão de incluir o gás de xisto na próxima licitação, em novembro.
 
          Reforçando essa preocupação, um novo estudo afirma que pelo menos 109 terremotos foram registados na cidade de Youngstown, no estado norte-americano de Ohio, num período de apenas 14 meses. Os fenómenos teriam começado somente 13 dias após o início da exploração do gás de xisto na região.
           O mais forte dos terremotos, que registou 3,9 na escala Richter, aconteceu no dia 31 de dezembro de 2011, e levou o Departamento de Recursos Naturais de Ohio a obrigar o encerramento das atividades de “fracking” na área.
          “Fracking”, ou “fratura hidráulica”, é como é chamada a tecnologia para extrair o gás de xisto. Ela consiste na injeção de água, areia e substâncias químicas sob altíssima pressão nas camadas geológicas, forçando o gás para a superfície.
 
           Um dos perigos claros desse processo é a contaminação de lençóis freáticos e do solo por esses produtos químicos. A questão dos terremotos está ainda a ser avaliada, mas cada vez mais especialistas parecem concordar que existe uma relação clara entre o “fracking” e os tremores de terra.
           O novo trabalho que levantou o número de terremotos em Youngstown é de autoria do geólogo Won-Young Kim, investigador do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia, e foi publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Solid Earth.
De acordo com Kim, não havia registos de terremotos em Youngtown antes do início da exploração do gás de xisto. Além disso, o investigador aponta que quando ocorria um aumento na injeção de fluídos no solo pelo ‘fracking’, cinco dias depois aconteciam tremores. Também foi possível mostrar que em feriados a atividade sísmica diminuía.
 
           Esse é apenas o mais recente dos estudos sobre o assunto. Em julho, um trabalho de William Ellsworth, sismólogo da Investigação Geológica dos Estados Unidos, afirmou que o aumento da atividade em poços de gás natural altera o stresse em áreas suscetíveis a terremotos ao elevar a pressão dos fluidos sobre as rochas subterrâneas, lubrificando as falhas preexistentes e tornando-as mais suscetíveis a rompimentos e deslocamentos.
 
            Já a investigação de Nicholas van der Elst, também do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia, indica que pelo menos metade dos terremotos de magnitude 4,5 ou maiores que atingiram o interior dos EUA na última década ocorreram perto de locais de poços de injeção de águas residuais.
 
           No Brasil, a carta da SBPC e da ABC solicita o adiamento da licitação de áreas para exploração de gás de xisto por um período suficiente para aprofundar os estudos sobre o real risco do “fracking”.
 
           Em entrevista ao Instituto CarbonoBrasil em junho, o investigador Luiz Fernando Scheibe, coordenador da Rede Guarani/Serra Geral, destacou principalmente os riscos para os aquíferos, incluindo o tesouro nacional que é o Guarani.
“Os milhões de litros de água resultam poluídos em cada poço, por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha, nos explosivos e nos próprios aditivos químicos requeridos pela complexa atividade de mineração do gás, exigindo dispendiosas técnicas de purificação e de descarte dos resíduos finais, que podem vir a poluir tanto a água de superfície como os próprios aquíferos”, disse Scheibe.
 
Citações:
 
Artigo de Fabiano Ávila, publicado no site do Instituto CarbonoBrasil
 
Observações do Blog:
 
      A meu ver o preço é muito alto, talvez nem viveremos para usufruir o gás proveniente da fratura hidráulica...com lençóis freáticos poluídos por elementos químicos diversos, com as movimentações da terra, ocasionando terremotos e suas terríveis consequências...então podemos refletir: ESTAMOS REALMENTE PROGREDINDO OU NA VERDADE, O QUE NOS DEPARAMOS É UMA INSANIDADE REGRESSIVA, SEM MEDIRMOS AS NEFASTAS CONSEQUÊNCIAS.
 
Helena Rezende
 
 
 
 

 

31 janeiro 2014

GÁS NATURAL

Exploração

A exploração é a etapa inicial dentro da cadeia de gás natural, consistindo em duas fases. A primeira fase é a pesquisa onde, através de testes sísmicos, verifica-se a existência em bacias sedimentares de rochas reservatórias (estruturas propícias ao acumulo de petróleo e gás natural). Caso o resultado das pesquisas seja positivo, inicia-se a segunda fase, e é perfurado um poço pioneiro e poços de delimitação para comprovação da existência gás natural ou petróleo em nível comercial e mapeamento do reservatório, que será encaminhado para a produção.
Os reservatórios de gás natural são constituídos de rochas porosas capazes de reter petróleo e gás. Em função do teor de petróleo bruto e de gás livre, classifica-se o gás, quanto ao seu estado de origem, em gás associado e gás não-associado.
  • Gás associado: é aquele que, no reservatório, está dissolvido no óleo ou sob a forma de capa de gás. Neste caso, a produção de gás é determinada basicamente pela produção de óleo. Boa parte do gás é utilizada pelo próprio sistema de produção, podendo ser usada em processos conhecidos como reinjeção e gás lift, com a finalidade de aumentar a recuperação de petróleo do reservatório, ou mesmo consumida para geração de energia para a própria unidade de produção, que normalmente fica em locais isolados. Ex: Campo de Urucu no Estado do Amazonas.
  • Gás não-associado: é aquele que, no reservatório, está livre ou em presença de quantidades muito pequenas de óleo. Nesse caso só se justifica comercialmente produzir o gás. Exemplo: campo de San Alberto Bolívia.

Produção

Com base nos mapas do reservatório, é definida a curva de produção e a infraestrutura necessárias para a extração, como boa parte do gás é utilizada pela própria unidade de produção é verificada a viabilidade de se comercializar o excedente de gás, caso a comercialização do gás não seja viável, normalmente pelo elevado custo na implantação de infraestrutura de transporte de gás, o excedente é queimado.

Condicionamento

Um reservatório de gás
 
É o conjunto de processos físicos ou químicos aos quais o gás natural é submetido, de modo a remover ou reduzir os teores de contaminantes para atender as especificações legais do mercado, condições de transporte, segurança, e processamento posterior.
O gás natural pode ser armazenado na forma líquida à pressão atmosférica. Para tanto os tanques devem ser dotados de bom isolamento térmico e mantidos à temperatura inferior ao ponto de condensação do gás natural. Neste caso, o gás natural é chamado de gás natural liquefeito ou GNL.

Processamento

  • Refrigeração simples;
  • Absorção refrigerada;
  • Turbo-Expansão;
  • Expansão Joule-Thompson (JT).

Transporte

Gás Natural Comprimido (GNC);

  • Gasodutos;
  • Gás Natural Liquefeito.

Comercialização

Produção de gás natural por países (países em marrom e vermelho são os maiores produtores mundiais)
  1. Gazprom (Rússia): 179,7 bilhões de euros
  2. EDF (França): 135,2 bilhões de euros
  3. EON (Alemanha): 85 bilhões de euros
  4. Suez GDF (França): aproximadamente 71 bilhões, contando o pólo ambiental, calculado pelos analistas em 20 bilhões de euros
  5. Iberdrola (Espanha): 51,3 bilhões (após a compra da Scottish Power)
  6. Enel (Itália): 47,1 bilhões (prestes a comprar Endesa com Acciona)
  7. RWE (Alemanha): 46,0 bilhões de euros
  8. Endesa (Espanha): 42,2 bilhões de euros
  9. BG Group (antiga British Gas): 39,5 bilhões
  10. Exelon (Estados Unidos): 34,6 bilhões de euros

Distribuição

A distribuição é a ultima etapa, quando o gás chega ao consumidor, que pode ser residencial, comercial, industrial (como matéria-prima, combustível e redutor siderúrgico) ou automotivo. Nesta fase, o gás já deve estar atendendo a padrões rígidos de especificação e praticamente isento de contaminantes, para não causar problemas aos equipamentos onde será utilizado como combustível ou matéria-prima. Quando necessário, deverá também estar odorizado, para ser detectado facilmente em caso de vazamentos.

Utilização

O gás natural é empregue diretamente como combustível, tanto em indústrias, casas e automóveis. É considerado uma fonte de energia mais limpa que os derivados do petróleo e o carvão. Alguns dos gases de sua composição são eliminados porque não possuem capacidade energética (nitrogênio ou CO2) ou porque podem deixar resíduos nos condutores devido ao seu alto peso molecular em comparação ao metano (butano e mais pesados).
  • Combustível: a sua combustão é mais limpa e dá uma vida mais longa aos equipamentos que utilizam o gás e menor custo de manutenção.
  • Automotivo: utilizado para motores de ônibus, automóveis e caminhões substituindo a gasolina e o álcool, pode ser até 70% mais barato que outros combustíveis e é menos poluente.
  • Industrial: utilizado em indústrias para a produção de metanol, amônia e uréia.
As desvantagens do gás natural em relação ao butano são: mais difícil de ser transportado, devido ao fato de ocupar maior volume, mesmo pressurizado, também é mais difícil de ser liquificado, requerendo temperaturas da ordem de -160 °C.
Algumas jazidas de gás natural podem conter mercúrio associado. Trata-se de um metal altamente tóxico e deve ser removido no tratamento do gás natural. O mercúrio é proveniente de grandes profundidades no interior da terra e ascende junto com os hidrocarbonetos, formando complexos organo-metálicos.
Atualmente estão sendo investigadas as jazidas de hidratos de metano, que se estima haver reservas energéticas muito superiores às atuais de gás natural.[carece de fontes?]
FONTE: Wikipédia