01 setembro 2014

A RETRAÇÃO DE BORBOLETAS MONARCA NOS ESTADOS UNIDOS

População de borboletas Monarca desaba nos EUA e ambientalistas pedem socorro
 

Em Washington
 
  • Ann Heisenfelt/AP
Noventa por cento das borboletas Monarca morreram nos últimos 20 anos nos Estados Unidos e seu declínio é tão acelerado que uma coalizão de grupos de saúde e meio ambiente solicitou nesta terça-feira (26) que sejam incluídas na lista de espécies protegidas.

A causa do rápido desaparecimento dos insetos é a destruição das asclépias, plantas da qual se alimentam e onde se criam, devido, em grande parte, a herbicidas como o Roundup, usado em cultivos de milho e soja transgênicos da Monsanto no meio-oeste americano, explicaram os grupos em uma petição enviada ao Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos Estados Unidos.

Outros fatores que explicariam a abrupta diminuição da população destas borboletas de cor preta e alaranjada são os parasitas, as mudanças climáticas e a perda de seu hábitat natural.

"As Monarcas estão desaparecendo rapidamente, o que pode levar à sua extinção. E as ameaças que enfrentam são tão grandes que a lei de proteção deve ser aplicada o mais rápido possível, pois ainda há tempo de reverter seu declínio", disse Lincoln Brower, especialista em borboletas Monarca, as quais estuda desde 1954.

As borboletas Monarca são encontradas em todos os Estados Unidos, assim como em algumas partes do Canadá e do México. A petição indica que, nas últimas duas décadas, elas perderam mais de 66 milhões de hectares de habitat - área do tamanho do Texas - e isto inclui quase um terço de sua zona de reprodução.

"Incluí-las na lista (de espécies ameaçadas) tornará ilegal matar borboletas Monarca intencionalmente ou modificar seu habitat sem permissão", anunciou em comunicado o Centro para a Diversidade Biológica e o Centro para a Segurança Alimentar.

"Também levará a uma designação e proteção do 'habitat crítico' para ajudar na recuperação abundante das populações de Monarca", acrescentou.

Desconhece-se o número exato de borboletas Monarca e suas populações flutuam ano após ano, explicou o grupo.

"Alguns testemunhos sugerem que as Monarcas eram muito abundantes no século XIX. Um observador das migrações de Monarcas no Vale do Mississippi, na década de 1850, relatou ter havido tantas Monarcas que elas formavam uma nuvem que escurecia o céu", destacou o comunicado.

"Uma testemunha na Califórnia relatou três galhos que se quebraram devido ao peso de tantas Monarcas juntas", acrescentou.

Diferentes estudos feitos nas últimas duas décadas sugerem "um abrupto e estatisticamente significativo declínio de quase 90%" da população dos insetos, destacou.

O próximo passo é que o Serviço de Vida Selvagem e Pesca emita uma "investigação de 90 dias" sobre a petição para ver se há informação suficiente que justifique a proteção destas borboletas. Se isso acontecer, seria feita uma revisão adicional de um ano para analisar a situação.

Fonte: Uol

28 agosto 2014

DICAS DE ECONOMIA DE ÁGUA - VAMOS ADOTAR, AMIGOS!

                                   ECONOMIA DE ÁGUA PODE SER DE 80%

Estudo indica que ações simples e de baixo custo ajudam a reduzir o consumo do recurso mineral
 


Sarah Brito
da Agência Anhanguera

Medidas simples ou pequenas reformas podem reduzir em até 80% o consumo de água em residências e comércios. Esse é o resultado da pesquisa da Associação das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), que avaliou os estabelecimentos e indicou que o valor investido na redução de consumo, e com ferramentas como limitadores de vazão, medidores setoriais e torneiras e registros com fechamento automático, retorna em economia para o consumidor em menos de dois anos.
 
TROCA DE VÁLVULA DA DESCARGA É UM EXEMPLO DE CONTENÇÃO
 
De acordo com o presidente da Abesco, Rodrigo Aguiar, enquanto a energia elétrica pode ser gerada por diferentes fontes, para a água não há substitutos ou alternativas. "Não nos preocupamos com o desperdício ou em otimizar recursos, e consideramos os recursos hídricos infinitos. Temos que mudar essa concepção", afirmou. Ele disse que o consumo em residências tem potencial grande de economia, pois é possível aplicar medidas pequenas que reduzem de 50% a 80% o valor da conta.
     Uma delas é instalar uma espécie de "gatilho" na mangueira do jardim, aumentando a pressão da água e, assim, restringindo a quantia usada. É o mesmo método utilizado pelas máquinas vaporizadas. É possível encontrar o gatilho em lojas de artigos para construção por R$30,00 e o consumo ser reduzido em até 10%.
      Outra alternativa para reduzir a quantia do recurso hídrico usado é trocar  a válvula da descarga. Há modelos no mercado que gastam apenas 6 litros de água para descarga no vaso sanitário. O Edifício Pitangueiras na Região Central, adotou a medida. Os condôminos trocaram os vasos sanitários  dos 254 apartamentos. A redução na conta de água - que é incorporada na taxa de manutenção predial - foi de 64%. De R$14 mil reais mensais, o condomínio passou a pagar R$9 mil.
     A moradora e professora aposentada Daura Carvalho, de 63 anos, foi uma das primeiras a fazer a troca e aprovou a medida. Ela disse ter auxiliado o agendamento da mudança nos apartamentos vizinhos. É tão importante. Nem víamos quando desperdiçamos" disse. Dados do Banco Mundial mostram que a destinação da água captada tem uma distribuição específica no Brasil. Enquanto no mundo os sistemas municipais (usos doméstico e comercial) são responsáveis por 10% da utilização da água, no Brasil esse número corresponde a 28% do total. "Esse tipo de atitude, de reduzir, é muito comum em países que sofrem com a falta do recurso hídrico, como no Oriente Médio. É melhor, independentemente se tem abundância , preservar o recurso e o dinheiro", afirmou Aguiar. Ontem o pico de captação do Rio Atibaia foi de 3,75m3/s às 16:10 hs. O volume útil do Sistema Cantareira erade12%, o menor quadro para o mês já registrado nos últimos 80 anos.
 
Dicas para reduzir o desperdício de água:
 
1 - Ao lavar o carro, utilize baldes e não a mangueira, com isto você gastará 60 litros de água em vez de 560 litros que seriam gastos com a mangueira durante 30 minutos;
 
2 - Um banho de 15 minutos com o registro meio aberto resulta em um gasto de 135 litros. O mesmo banho, por 05 minutos e com o registro fechado ao se ensaboar consome 15 litros;
 
3 - Escovar os dentes por 5 minutos com a torneira aberta gera um gasto de 12 litros, enquanto molhar a escova, fechar a torneira e bochechar com um copo d´água gasta cerca de 0,5 litro;
 
4 - O tipo de vaso sanitário utilizado em casa também pode influenciar no consumo. Enquanto um modelo comum gasta 14 litros, vasos com dispositivo para economizar água reduzem o número para 6 litros;
 
5 - Ainda em relação ao vaso sanitário, é possível diminuir o fluxo de água de outra forma. Encha uma garrafa de plástico limpa com areia ou pedra e coloque-a dentro da caixa de descarga. Com uma parte do espaço preenchida pela garrafa, a caixa encherá mais rápido e com menos água;
 
6 - Coletar água da chuva para serviços diários como lavar o chão e regar plantas;
 
7 - Regar as plantas no horário adequado também é importante. Se regar antes das 8 hs ou depois das 19hs, o excesso de evaporação de água diminui. Utilize um regador em vez de mangueira;
 
8 - Vazamentos na torneira e na descarga são vilões do consumo consciente. No caso da descarga, jogue cinzas na privada. Se ela não ficar depositada no fundo do vaso, há vazamento na válvula;
 
9 - Utilize redutores de vazão de água em torneiras e chuveiros. Esses dispositivos diminuem o fluxo de água.
 
Na cozinha:
 
10 - Antes de lavar a louça, remova bem os restos de comida de todas as peças e deixe-as de molho, se necessário. Ensaboe tudo primeiro - mantendo a torneira fechada - para depois enxaguar;
 
11 - Ao deixar a torneira meio-aberta, por 15 minutos, para lavar louça, gastamos em torno de 243 litros de água. Se você instalar um arejador na torneira da cozinha, economizará 105 litros de água;
 
12 - Para lavar um copo são necessários 2 copos de água. Não é preciso lavar o copo toda a vez que usamos.
 
Fonte: Jornal Correio Popular - Campinas, 25 de agosto de 2014 - pg. A4.(com pequenas adaptações).





23 agosto 2014

A CIDADE COM MELHOR QUALIDADE DE VIDA DO MUNDO É MELBOURNE

A cidade de Melbourne, na Austrália

O ranking elaborado pela unidade de Inteligência da The Economist coloca Damasco como a cidade em que a vida é mais difícil. A capital da Síria é o principal palco da guerra civil que se instaurou no país desde 2011.

As cidades foram avaliadas levando em consideração 30 fatores qualitativos e quantitativos em cinco grandes categorias: estabilidade; saúde; cultura e meio ambiente; educação; e infra-estrutura.
As notas variam de 1 a 100, em que 1 é considerado intolerável,100 é o ideal.

Fonte: www,exame,abril.com.br/mundo







16 agosto 2014

O FUTURO DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO BRASIL

Crise Hídrica no Brasil - reflexos


FUTURO INCERTO

Por Sarah Brito
Da Agência Anhanguera

O período de seca prolongado afetou a produção de sementes genéticas no Instituto de Agronomia de Campinas (IAC), causando prejuízo de R$750 mil até agosto. A perda é estimada na metade das três safras produzidas desde o fim do ano passado: pelo menos 300 toneladas foram perdidas. Além disso, o cultivo caiu 70% desde setembro de 2013, pela baixa quantidade de água. O problema atingiu ainda produtores que repassam os grãos para o consumo final. Sem carga genética de qualidade, os grãos perdem a hegemonia, o que pode resultar em diferença de tamanho, cor e peso.
     Entre os cultivos que foram prejudicados estão os de cana, arroz, feijão, mamona e soja. Segundo o diretor do instituto, Sérgio Carbonell, mais do que o valor monetário da perda, o prejuízo está na falta de gama  genética nas sementes que os produtores recebem. Isso não pode prolongar, temos que retomar a produção este ano. "Contamos com as chuvas de outubro", disse. 
     O IAC deve voltar a plantar nova safra este mês para renovar o estoque, que não chega a 20% de sua capacidade. Para compensar a baixa na produção, outras regiões aumentaram o cultivo, como Santa Catarina e Paraná. No entanto, o cultivo em diferentes lugares acarreta em maior valor de frete, além da limitação de temperatura desses locais, que impactam na qualidade dessas sementes. "Não estamos atendendi 30% dos pedidos. Na região de Campinas, não há outro produtor", afirmou Carbonell.
    A renovação da cadeia genética de sementes deve ser feita todo ano, devido às perdas que os materiais sofrem durante o processo industrial. No processo de colheita e na produção há mistura com outras sementes e há fusão de cargas genéticas. O diretor explicou que, com isso, o consumidor pode encontrar produtos irregulares, como o feijão preto em um saco de feijão carioca.
    "Se uma super safra agrícola agora, podemos regularizar isso. Esses parceiros conseguem abastecer mercados. O problema é a origem da semente,isso sim, está prejudicado", afirmou. Em maio o instituto divulgou que o período das chuvas de outubro de outubro de 2013 a março de 2014 foi o mais seco dos últimos 123 anos em Campinas.
    O monitoramento da seca no Estado de São Paulo projetava ainda que as médias históricas de chuvas de abril a setembro apontam que a seca irá até a Primavera, pelo menos, afetando os cultivos, processos agrícolas e o abastecimento público. O estudo foi feito com base no banco de dados do IAC, o mais completo do Brasil, com registros desde 1890.
Fonte: Jornal Correio Popular - Campinas, 10/08/2014 - pg. A4

09 fevereiro 2014

A ONDA DE CALOR QUE SE ABATE SOBRE O BRASIL, SERIA POR CONTA DO AQUECIMENTO GLOBAL?

Planeta febre 09/02/2014 | 15h28

Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor

Florianópolis enfrenta mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 35º


Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor Lauro Alves/Agencia RBS
Média mensal da temperatura em janeiro bateu recorde em Florianópolis Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Taís Seibt (colaborou Demetrio Pereira)
Febre é a elevação da temperatura acima dos limites considerados normais. Não é uma doença, mas um sintoma, uma reação do organismo ao ser agredido por um agente externo.

A Terra está com febre. E tudo indica que a culpa é nossa.

Várias cidades tiveram o janeiro mais quente desde que começaram as observações meteorológicas, na década de 1910 e 1920. Florianópolis está entre elas. Fevereiro vai pelo mesmo caminho, com a onda de calor mais intensa de que se tem registro no Estado: já são mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 30ºC.

Diante desse calorão sem fim, fica fácil acreditar que o mundo está mesmo ficando mais quente.

— Mas são as médias globais que importam, não as regionais — destaca o diretor do Centro de Pesquisa Climática da Universidade de Massachusetts, Raymond S. Bradley.
Então, vejamos algumas estatísticas. Conforme dados divulgados na última semana pela Organização Meteorológica Mundial, 2013 foi o sexto ano mais quente desde que começaram as medições, em 1850, e um dos quatro mais abrasantes sem a interferência dos fenômenos El Niño e La Niña, determinantes da variabilidade natural do clima. Dos 10 anos mais tórridos da história, nove ocorreram no século 21.

Desde 1990, a temperatura da Terra vem aumentando 0,2°C por década. Isso é 50 vezes mais rápido do que o ciclo natural, considerando períodos glaciais e interglaciais nos últimos 800 mil anos. Relatório divulgado em 30 de janeiro pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) projeta que a temperatura do planeta subirá ainda mais neste século, entre 0,3°C e 4,8°C, e o nível do mar aumentará entre 28 e 82 centímetros até 2100. Isso porque mais de 90% do excesso de calor causado pelas atividades humanas está sendo absorvido pelos oceanos.

O Ártico, em 2012, alcançou a extensão máxima de derretimento do gelo desde o começo das medições, em 1979. O aquecimento do mar muda os padrões de circulação de vento, fazendo com que o ar frio escoe, provocando mais nevascas em latitudes médias do Hemisfério Norte. É por isso que o aquecimento global pode também explicar fenômenos extremos de frio, como os registrados agora nos Estados Unidos e no Canadá. O estado do Kansas (EUA) teve temperatura de -22°C em janeiro, marca inédita desde 1912.

O homem e as mudanças
Alguma dúvida de que o efeito estufa está desregulando o termostato do planeta?

Poucas, mas há. Entre a minoria de céticos está o climatologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Recentemente, Molion escreveu um artigo denunciando um "terrorismo climático", cujo intuito seria frear o avanço de países em desenvolvimento frente à crise econômica dos desenvolvidos.

Ele defende que o Sol e os oceanos regulam o clima da Terra, e o dióxido de carbono seria incapaz de exercer o papel de vilão solitário do aquecimento.

Para a maior parte dos cientistas, no entanto, a relação entre a ação do homem e o aquecimento da Terra é evidente. O IPCC aponta para 95% de chances de participação humana no efeito estufa, diante do aumento exponencial das emissões de carbono, principalmente a partir de 1950.

— Esse processo nunca foi tão acelerado quanto tem sido desde o início do século 20, período que coincide com o processo de industrialização e o avanço da medicina, que resultaram na urbanização e no aumento populacional. Então, há uma relação muito clara — afirma o pesquisador Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo.

Obscuro é o futuro deste planeta febril. Pelas projeções em torno das estatísticas da OMM e do IPCC, a saúde da Terra é um caso de altíssima complexidade.

Estamos preparados?
Investimento em sistemas de alerta e prevenção de desastres é uma das medidas de adaptação necessárias para enfrentar o impacto das mudanças no clima global em nível regional. Para o pesquisador da USP Tercio Ambrizzi, o ponto de partida seria o mapeamento de vulnerabilidades.

Esse trabalho está sendo feito dentro do Plano Nacional Sobre Mudança do Clima, que foi criado em 2007 e vem passando por atualizações. As atualizações formam, na verdade, um conjunto de planos setoriais. Para 2014, está prevista a elaboração do Plano Nacional de Adaptação.

— O Brasil é um país sujeito a vulnerabilidades do clima, então é preciso adaptar a população ou a estrutura para evitar que se percam vidas e bens — comenta Neilton Fidelis, assessor do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que participa das discussões em torno do plano.

No texto atual, são mencionados investimentos no Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, entre 2012 e 2014.

Confira algumas ações para reforçar o sistema

* Foram identificados 821 municípios prioritários com risco de deslizamento e enxurradas.

* 12 Estados já tiveram obras de prevenção selecionadas. São obras de contenção de encostas, drenagem, barragens e adutoras.

* O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais entrou em operação em 2011, contando com 160 técnicos 24 horas por dia, 7 dias por semana.

* A unidade é capaz de emitir alertas para enxurradas e deslizamentos com duas a seis horas de antecedência.

* A rede de observação conta com radares, pluviômetros, estações metereológicas, sensores de deslizamentos, estações agrometereológicas e sensores de umidade do solo.

Ciclones podem ficar mais intensos
O aquecimento é global, mas os impactos são locais. Em seu último capítulo, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) faz um apanhado da literatura científica sobre alterações nos principais fenômenos climáticos e sua relevância para mudanças regionais no clima, caso as temperaturas médias globais subam mais.

Na seção dedicada à América do Sul, o capítulo aponta que as temperaturas vão aumentar ao longo de todo o continente, com maior aquecimento no sul da Amazônia. Há uma tendência de aumento na frequência de noites quentes na maioria das regiões. É muito provável que menos chuvas ocorram no leste da Amazônia, assim como no nordeste brasileiro no período de seca. Há grande probabilidade de aumento nos eventos de precipitação extrema, especialmente no sul do Brasil e no norte da Argentina.

Na avaliação de Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo, uma preocupação real para Santa Catarina e Rio Grande do Sul é a intensificação de ciclones extratropicais, já que os dois Estados estão na rota desses fenômenos no Brasil.

Ambrizzi relembra situações como o temporal que causou destruição em dezenas de municípios gaúchos e catarinenses em 2008, com ventos de mais de 100 km/h e enchentes severas, principalmente no Vale do Itajaí.

— Não é que os ciclones extratropicais estejam mais frequentes, mas estudos indicam que eles estão mais intensos — frisa o professor.

De acordo com o oceanógrafo Paulo Cesar Abreu, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), os registros sobre ciclones extratropicais nos litorais gaúcho e catarinense estão mais frequentes e podem ser consequências dessas mudanças climáticas.
 
Fonte: Jornal Diário Catarinense

07 fevereiro 2014

ESTÃO LEMBRADOS DA ONDA DE CALOR DE 2003, NA EUROPA?????

Onda de calor de 2003 na Europa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
         
A onda de calor de 2003 na Europa foi uma das ondas de calor mais fortes e que mais consequências trouxe ao Hemisfério Norte. Ocorreu num dos mais quentes verões europeus, causou crises na saúde em vários países e consideráveis impactos na agricultura. Várias pessoas morreram por causa das altas temperaturas, que chegaram à mais de 50 graus centígrados em algumas regiões da Europa. O país mais atingido foi a França, que teve grandes prejuízos devido à onda de calor.

França

Estima-se que 14 802 pessoas, a maioria idosos, morreram na França por causa do calor, segundo o maior serviço funerário do país.1 Os verões franceses não são usualmente muito quentes, principalmente ao norte. Como consequência, a maioria das pessoas não sabe como se proteger – por exemplo, contra a desidratação –, e a maioria dos lares e casas de repouso não são equipados com ar-condicionado, embora haja sistemas de emergência contra vários tipos de catástrofe.
A onda ocorreu em agosto, um mês em que muitas pessoas, inclusive membros do governo, estavam em férias ou recesso.
Muitos corpos ficaram meses sem ser identificados, porque parentes estavam viajando. Um galpão refrigerado na periferia de Paris foi usado por empresas funerárias, porque suas instalações não comportavam o número de cadáveres. Em 3 de setembro, 57 corpos foram enterrados como indigentes em Paris, porque não havia quem os reconhecesse.
As falhas no sistema de saúde francês que permitiram tantas mortes causaram polêmica. O presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin responsabilizaram:
  • as férias dos médicos de família naquele mês (muitas empresas tradicionalmente dão férias coletivas em agosto, e os médicos de família tiram férias todos ao mesmo tempo);
  • famílias que deixam seus idosos sozinhos e sem cuidados.
A oposição, bem como muitos órgãos da imprensa franceses, porém, culparam mesmo o governo, principalmente ao ministro da Saúde Jean-François Mattei, que perderia o cargo em 31 de março de 2004.
O dr. Patrick Pelloux, líder do sindicato dos médicos de emergência, culpou Raffarin por ignorar os alertas de perigo dos profissionais e por não tentar minimizar a crise.

Itália a temperatura oscilou, em muitas cidades, entre 38 °C e 40 °C durante semanas, segundo o eurosurveillance.org[carece de fontes?]. Outras fontes divulgaram números menores, não só para a Itália. Para a revista New Scientist, houve 4.200 mortes na Itália e na Espanha devido à onda de calor.3 O britânico The Guardian chegou ao número de 1.000 mortes na Itália e 4.000 na Espanha.4

Reino Unido

No Reino Unido foi registrada a máxima recorde de 38,1 °C (100,6 °F) em Gravesend, Kent, em 10 de agosto. A temperatura mais alta até então foi de 37,1 °C (98,8 °F), em Cheltenham. Análises posteriores revelaram temperaturas altas freqüentes em Brogdale Orchards, uma milha ao sul de Faversham, atingindo 38,5 °C (101,4 °F) em 10 de agosto.5
Uma análise retrospectiva, publicada em 2005, informou que 2.39 pessoas morreram por causa da onda de calor, no período de 4 a 13 de agosto.6

Portugal

Houve imensos incêndios florestais em Portugal. 5% da zona rural e 10% das florestas foram destruídas, área correspondente a cerca de 4.000 km². Treze pessoas morreram. A temperatura atingiu a marca de 47,4 °C em Amareleja e 45,4 °C em Beja.

Espanha

Houve 141 mortes. Recordes de temperatura foram quebrados em várias cidades, incluindo Jerez de la Frontera (45 °C[carece de fontes?]), Badajoz (45 °C[carece de fontes?]), Huelva (43,4 °C[carece de fontes?], Gerona (41 °C7 ), Burgos (38,8 °C[carece de fontes?]), San Sebastián (38,6 °C[carece de fontes?]), Pontevedra (36 °C8 ) e Barcelona (36 °C9 ).
Outras cidades do sul da Espanha registraram temperaturas acima dos 40 °C, porém não há dados precisos: Múrcia (41,8 °C[carece de fontes?]), Toledo (42 °C[carece de fontes?]), Córdoba (46,2 °C[carece de fontes?]) e Sevilha (47 °C10 )

Alemanha

Na Alemanha, a máxima de 40,4 °C[carece de fontes?] ocorreu em Roth, na Baviera. Com apenas metade da média pluviométrica, os rios chegaram a seu nível mais baixo no século XXI[carece de fontes?], impossibilitando a navegação no rio Elba e no rio Danúbio.
Cerca de 7.000 pessoas, na maioria idosos, morreram durante a onda de calor na Alemanha.

Suíça

Na Suíça, houve degelo nos Alpes, o que causou avalanches e inundações. O país viu, pela primeira vez, as temperaturas atingirem níveis tropicais: 41,5 °C (106,7 °F), em Grono[carece de fontes?].

Número total de mortes

A onda de calor de 2003 na Europa matou entre 35.0003 e 50.00011 pessoas.

Consequências na agricultura

As colheitas sofreram os efeitos da seca no sul europeu, mas nada comparado às perdas do norte.

Trigo

As seguintes quedas na safra de trigo são devidas à longa estiagem[carece de fontes?].
  • França - 20%
  • Itália - 13%
  • RU - 12%
  • Ucrânia - 75% (não se sabe se por causa da onda de calor ou um frio fora de época)
  • Moldova - 80%
Em outros países, a queda oscilou entre 5% e 10%, e a produção européia registrou déficit de 10%

Uva

A onda de calor acelerou o amadurecimento das uvas, ao mesmo tempo que as desidratou, fazendo sumo mais concentrado. Em meados de Agosto, as uvas de certas vinhas atingiram o seu limite em concentração de açúcar, possivelmente resultando em vinhos com 12º-12,5º de álcool. Por esse motivo, e também pela falta de chuva, a colheita foi iniciada muito mais cedo que o costume.
Foi previsto que os vinhos de 2003, embora em pouca quantidade, tenham uma qualidade excepcional, especialmente em França. A onda de calor fez para a Hungria extremamente bem para o concurso internacional de vinhos Vinalies 2003: Um total de 9 medalhas de ouro e 9 de prata para vinhateiros húngaros. 12

Causas da onda

A onda de calor tem sido inevitavelmente ligada a extremos meteorológicos sem precedentes ocorridos em outras partes do mundo (como a pior seca registada na história da Austrália durante o verão anterior e inundações massivas no E.U.A.) e contribuiu para o aquecimento global. Um ofuscamento global também foi ligado à onda de calor, sendo a teoria de que a redução dos níveis de poluição na Europa desde a virada do século reduziram o ofuscamento do efeito de máscara do global.
Na França, a falta de ar-condicionado em instalações médicas assim como a legislação laboral foram também consideradas culpadas pelo número maciço de mortos. O governo de Jacques Chirac e seu ministro da Saúde, Jean-François Mattei, foram condenados por não emitir advertências e não se lembrarem de convocar o pessoal médico para voltar a trabalhar (tendo em atenção as notícias de que anormais picos de mortalidade estavam sendo reportados pelas autoridades fiscalizadoras da saúde).

01 fevereiro 2014

ATÉ ONDE IREMOS COM AS EXPLORAÇÕES DO GÁS DE XISTO?

Estudo reforça ligação entre exploração de gás de xisto e terremotos

Novo trabalho aponta que 109 tremores aconteceram numa cidade no estado norte-americano de Ohio após o início da atividade; não havia registos de abalos sísmicos anteriores na área. Artigo de Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil.
Exploração do gás de xisto em Youngstown, Ohio / Dimiter Kenarov / Pulitzer Center
           O gás de xisto, um combustível fóssil alternativo, está a ser saudado como uma das razões para a saída dos Estados Unidos da sua crise económica, e outros países, incluindo o Brasil, estão a preparar-se para também explorar essa fonte de energia.
 
           No entanto, os investigadores ainda têm dúvidas sobre a segurança dessa atividade para os ecossistemas e para a saúde humana. Tanto é assim, que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram neste mês uma carta à presidente Dilma Rousseff, manifestando a sua preocupação com o anúncio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) da decisão de incluir o gás de xisto na próxima licitação, em novembro.
 
          Reforçando essa preocupação, um novo estudo afirma que pelo menos 109 terremotos foram registados na cidade de Youngstown, no estado norte-americano de Ohio, num período de apenas 14 meses. Os fenómenos teriam começado somente 13 dias após o início da exploração do gás de xisto na região.
           O mais forte dos terremotos, que registou 3,9 na escala Richter, aconteceu no dia 31 de dezembro de 2011, e levou o Departamento de Recursos Naturais de Ohio a obrigar o encerramento das atividades de “fracking” na área.
          “Fracking”, ou “fratura hidráulica”, é como é chamada a tecnologia para extrair o gás de xisto. Ela consiste na injeção de água, areia e substâncias químicas sob altíssima pressão nas camadas geológicas, forçando o gás para a superfície.
 
           Um dos perigos claros desse processo é a contaminação de lençóis freáticos e do solo por esses produtos químicos. A questão dos terremotos está ainda a ser avaliada, mas cada vez mais especialistas parecem concordar que existe uma relação clara entre o “fracking” e os tremores de terra.
           O novo trabalho que levantou o número de terremotos em Youngstown é de autoria do geólogo Won-Young Kim, investigador do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia, e foi publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Solid Earth.
De acordo com Kim, não havia registos de terremotos em Youngtown antes do início da exploração do gás de xisto. Além disso, o investigador aponta que quando ocorria um aumento na injeção de fluídos no solo pelo ‘fracking’, cinco dias depois aconteciam tremores. Também foi possível mostrar que em feriados a atividade sísmica diminuía.
 
           Esse é apenas o mais recente dos estudos sobre o assunto. Em julho, um trabalho de William Ellsworth, sismólogo da Investigação Geológica dos Estados Unidos, afirmou que o aumento da atividade em poços de gás natural altera o stresse em áreas suscetíveis a terremotos ao elevar a pressão dos fluidos sobre as rochas subterrâneas, lubrificando as falhas preexistentes e tornando-as mais suscetíveis a rompimentos e deslocamentos.
 
            Já a investigação de Nicholas van der Elst, também do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia, indica que pelo menos metade dos terremotos de magnitude 4,5 ou maiores que atingiram o interior dos EUA na última década ocorreram perto de locais de poços de injeção de águas residuais.
 
           No Brasil, a carta da SBPC e da ABC solicita o adiamento da licitação de áreas para exploração de gás de xisto por um período suficiente para aprofundar os estudos sobre o real risco do “fracking”.
 
           Em entrevista ao Instituto CarbonoBrasil em junho, o investigador Luiz Fernando Scheibe, coordenador da Rede Guarani/Serra Geral, destacou principalmente os riscos para os aquíferos, incluindo o tesouro nacional que é o Guarani.
“Os milhões de litros de água resultam poluídos em cada poço, por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha, nos explosivos e nos próprios aditivos químicos requeridos pela complexa atividade de mineração do gás, exigindo dispendiosas técnicas de purificação e de descarte dos resíduos finais, que podem vir a poluir tanto a água de superfície como os próprios aquíferos”, disse Scheibe.
 
Citações:
 
Artigo de Fabiano Ávila, publicado no site do Instituto CarbonoBrasil
 
Observações do Blog:
 
      A meu ver o preço é muito alto, talvez nem viveremos para usufruir o gás proveniente da fratura hidráulica...com lençóis freáticos poluídos por elementos químicos diversos, com as movimentações da terra, ocasionando terremotos e suas terríveis consequências...então podemos refletir: ESTAMOS REALMENTE PROGREDINDO OU NA VERDADE, O QUE NOS DEPARAMOS É UMA INSANIDADE REGRESSIVA, SEM MEDIRMOS AS NEFASTAS CONSEQUÊNCIAS.
 
Helena Rezende