17 março 2015

CAMPINAS - SP E A ÁGUA NOSSA DE TODO DIA

Foto: SANASA


A Câmara Municipal de Campinas votou, no último dia 09 de março de 2015, em segunda discussão, projeto de lei que institui o pagamento  por serviços ambientais (PSA). Na prática, significa que a Prefeitura vai começar a pagar para que proprietários  preservem as nascentes existentes em suas terras, e assim se ornem produtores de água, bem natural cada vez mais escasso na região que vive sob estresse hídrico. O projeto estabelece o pagamento de até 250 Unidades Fiscais de Campinas (UFICS) para os serviços ambientais, equivalente a R655,00.

FONTE: Jornal Correio Popular  - pg A9 do dia 09/03/2015 - com adaptações.


Campinas está de parabéns com esta iniciativa!
Nos moldes de Nova York - Estados Unidos, vamos ajudar o nosso Planeta e a todos nós, amigos e amigas!
O meio ambiente é a nossa vida e a de todos os nossos descendentes!
Pensem seriamente em como vamos deixar o Planeta para os nossos filhos e netos.

Um abraço,

Helena Rezende

06 setembro 2014

AS ERUPÇÕES VULCÂNICAS PELO MUNDO

Atualizado: 05/09/2014 23:20 | Por Los Angeles (AFP), AFP
 
 
 
Havaí declara estado de emergência por erupção de vulcão

 
 

USGS/AFP/Arquivos- Vulcão Kilauea, no Havaí

As autoridades da principal ilha do Havaí declararam nesta sexta-feira estado de emergência devido à ameaça da atividade do vulcão Kilauea para áreas residenciais.

O prefeito do condado do Havaí, Billy Kenoi, tomou a decisão na quinta-feira, depois que a lava do vulcão Kilauea chegou a menos de um quilômetro de distância de uma área residencial.

"Estamos tomando esta medida para garantir que a população possa preparar suas famílias e animais de estimação, e separar seus pertences para uma retirada segura e ordenada", disse Kenoi. 

A declaração de estado de emergência permite às autoridades restringir a circulação daqueles que não moram na ilha e facilitar a rápida retirada da população local, caso seja necessário, afirmou o chefe da Defesa Civil do Havaí, Darryl Oliveira.

Ainda não foi dada uma ordem de retirada até o momento, mas as autoridades pediram aos moradores "que concluam seus planos de retirada e monitorem as informações divulgadas pela Defesa Civil nos próximos dias", afirmou o comunicado da Prefeitura.

Segundo o jornal Honolulu Star, o fluxo de lava pode alcançar várias casas em uma semana.
 
A ilha do Havaí, ou a Grande Ilha, é a maior das oito que formam esse estado americano no Pacífico, um arquipélago que inclui centenas de pequenas ilhas vulcânicas.
Fonte:c3%a1culo-de-fogo-e-lava-na-isl%c3%a2ndia-1 - msn

 

01 setembro 2014

A RETRAÇÃO DE BORBOLETAS MONARCA NOS ESTADOS UNIDOS

População de borboletas Monarca desaba nos EUA e ambientalistas pedem socorro
 

Em Washington
 
  • Ann Heisenfelt/AP
Noventa por cento das borboletas Monarca morreram nos últimos 20 anos nos Estados Unidos e seu declínio é tão acelerado que uma coalizão de grupos de saúde e meio ambiente solicitou nesta terça-feira (26) que sejam incluídas na lista de espécies protegidas.

A causa do rápido desaparecimento dos insetos é a destruição das asclépias, plantas da qual se alimentam e onde se criam, devido, em grande parte, a herbicidas como o Roundup, usado em cultivos de milho e soja transgênicos da Monsanto no meio-oeste americano, explicaram os grupos em uma petição enviada ao Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos Estados Unidos.

Outros fatores que explicariam a abrupta diminuição da população destas borboletas de cor preta e alaranjada são os parasitas, as mudanças climáticas e a perda de seu hábitat natural.

"As Monarcas estão desaparecendo rapidamente, o que pode levar à sua extinção. E as ameaças que enfrentam são tão grandes que a lei de proteção deve ser aplicada o mais rápido possível, pois ainda há tempo de reverter seu declínio", disse Lincoln Brower, especialista em borboletas Monarca, as quais estuda desde 1954.

As borboletas Monarca são encontradas em todos os Estados Unidos, assim como em algumas partes do Canadá e do México. A petição indica que, nas últimas duas décadas, elas perderam mais de 66 milhões de hectares de habitat - área do tamanho do Texas - e isto inclui quase um terço de sua zona de reprodução.

"Incluí-las na lista (de espécies ameaçadas) tornará ilegal matar borboletas Monarca intencionalmente ou modificar seu habitat sem permissão", anunciou em comunicado o Centro para a Diversidade Biológica e o Centro para a Segurança Alimentar.

"Também levará a uma designação e proteção do 'habitat crítico' para ajudar na recuperação abundante das populações de Monarca", acrescentou.

Desconhece-se o número exato de borboletas Monarca e suas populações flutuam ano após ano, explicou o grupo.

"Alguns testemunhos sugerem que as Monarcas eram muito abundantes no século XIX. Um observador das migrações de Monarcas no Vale do Mississippi, na década de 1850, relatou ter havido tantas Monarcas que elas formavam uma nuvem que escurecia o céu", destacou o comunicado.

"Uma testemunha na Califórnia relatou três galhos que se quebraram devido ao peso de tantas Monarcas juntas", acrescentou.

Diferentes estudos feitos nas últimas duas décadas sugerem "um abrupto e estatisticamente significativo declínio de quase 90%" da população dos insetos, destacou.

O próximo passo é que o Serviço de Vida Selvagem e Pesca emita uma "investigação de 90 dias" sobre a petição para ver se há informação suficiente que justifique a proteção destas borboletas. Se isso acontecer, seria feita uma revisão adicional de um ano para analisar a situação.

Fonte: Uol

28 agosto 2014

DICAS DE ECONOMIA DE ÁGUA - VAMOS ADOTAR, AMIGOS!

                                   ECONOMIA DE ÁGUA PODE SER DE 80%

Estudo indica que ações simples e de baixo custo ajudam a reduzir o consumo do recurso mineral
 


Sarah Brito
da Agência Anhanguera

Medidas simples ou pequenas reformas podem reduzir em até 80% o consumo de água em residências e comércios. Esse é o resultado da pesquisa da Associação das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), que avaliou os estabelecimentos e indicou que o valor investido na redução de consumo, e com ferramentas como limitadores de vazão, medidores setoriais e torneiras e registros com fechamento automático, retorna em economia para o consumidor em menos de dois anos.
 
TROCA DE VÁLVULA DA DESCARGA É UM EXEMPLO DE CONTENÇÃO
 
De acordo com o presidente da Abesco, Rodrigo Aguiar, enquanto a energia elétrica pode ser gerada por diferentes fontes, para a água não há substitutos ou alternativas. "Não nos preocupamos com o desperdício ou em otimizar recursos, e consideramos os recursos hídricos infinitos. Temos que mudar essa concepção", afirmou. Ele disse que o consumo em residências tem potencial grande de economia, pois é possível aplicar medidas pequenas que reduzem de 50% a 80% o valor da conta.
     Uma delas é instalar uma espécie de "gatilho" na mangueira do jardim, aumentando a pressão da água e, assim, restringindo a quantia usada. É o mesmo método utilizado pelas máquinas vaporizadas. É possível encontrar o gatilho em lojas de artigos para construção por R$30,00 e o consumo ser reduzido em até 10%.
      Outra alternativa para reduzir a quantia do recurso hídrico usado é trocar  a válvula da descarga. Há modelos no mercado que gastam apenas 6 litros de água para descarga no vaso sanitário. O Edifício Pitangueiras na Região Central, adotou a medida. Os condôminos trocaram os vasos sanitários  dos 254 apartamentos. A redução na conta de água - que é incorporada na taxa de manutenção predial - foi de 64%. De R$14 mil reais mensais, o condomínio passou a pagar R$9 mil.
     A moradora e professora aposentada Daura Carvalho, de 63 anos, foi uma das primeiras a fazer a troca e aprovou a medida. Ela disse ter auxiliado o agendamento da mudança nos apartamentos vizinhos. É tão importante. Nem víamos quando desperdiçamos" disse. Dados do Banco Mundial mostram que a destinação da água captada tem uma distribuição específica no Brasil. Enquanto no mundo os sistemas municipais (usos doméstico e comercial) são responsáveis por 10% da utilização da água, no Brasil esse número corresponde a 28% do total. "Esse tipo de atitude, de reduzir, é muito comum em países que sofrem com a falta do recurso hídrico, como no Oriente Médio. É melhor, independentemente se tem abundância , preservar o recurso e o dinheiro", afirmou Aguiar. Ontem o pico de captação do Rio Atibaia foi de 3,75m3/s às 16:10 hs. O volume útil do Sistema Cantareira erade12%, o menor quadro para o mês já registrado nos últimos 80 anos.
 
Dicas para reduzir o desperdício de água:
 
1 - Ao lavar o carro, utilize baldes e não a mangueira, com isto você gastará 60 litros de água em vez de 560 litros que seriam gastos com a mangueira durante 30 minutos;
 
2 - Um banho de 15 minutos com o registro meio aberto resulta em um gasto de 135 litros. O mesmo banho, por 05 minutos e com o registro fechado ao se ensaboar consome 15 litros;
 
3 - Escovar os dentes por 5 minutos com a torneira aberta gera um gasto de 12 litros, enquanto molhar a escova, fechar a torneira e bochechar com um copo d´água gasta cerca de 0,5 litro;
 
4 - O tipo de vaso sanitário utilizado em casa também pode influenciar no consumo. Enquanto um modelo comum gasta 14 litros, vasos com dispositivo para economizar água reduzem o número para 6 litros;
 
5 - Ainda em relação ao vaso sanitário, é possível diminuir o fluxo de água de outra forma. Encha uma garrafa de plástico limpa com areia ou pedra e coloque-a dentro da caixa de descarga. Com uma parte do espaço preenchida pela garrafa, a caixa encherá mais rápido e com menos água;
 
6 - Coletar água da chuva para serviços diários como lavar o chão e regar plantas;
 
7 - Regar as plantas no horário adequado também é importante. Se regar antes das 8 hs ou depois das 19hs, o excesso de evaporação de água diminui. Utilize um regador em vez de mangueira;
 
8 - Vazamentos na torneira e na descarga são vilões do consumo consciente. No caso da descarga, jogue cinzas na privada. Se ela não ficar depositada no fundo do vaso, há vazamento na válvula;
 
9 - Utilize redutores de vazão de água em torneiras e chuveiros. Esses dispositivos diminuem o fluxo de água.
 
Na cozinha:
 
10 - Antes de lavar a louça, remova bem os restos de comida de todas as peças e deixe-as de molho, se necessário. Ensaboe tudo primeiro - mantendo a torneira fechada - para depois enxaguar;
 
11 - Ao deixar a torneira meio-aberta, por 15 minutos, para lavar louça, gastamos em torno de 243 litros de água. Se você instalar um arejador na torneira da cozinha, economizará 105 litros de água;
 
12 - Para lavar um copo são necessários 2 copos de água. Não é preciso lavar o copo toda a vez que usamos.
 
Fonte: Jornal Correio Popular - Campinas, 25 de agosto de 2014 - pg. A4.(com pequenas adaptações).





23 agosto 2014

A CIDADE COM MELHOR QUALIDADE DE VIDA DO MUNDO É MELBOURNE

A cidade de Melbourne, na Austrália

O ranking elaborado pela unidade de Inteligência da The Economist coloca Damasco como a cidade em que a vida é mais difícil. A capital da Síria é o principal palco da guerra civil que se instaurou no país desde 2011.

As cidades foram avaliadas levando em consideração 30 fatores qualitativos e quantitativos em cinco grandes categorias: estabilidade; saúde; cultura e meio ambiente; educação; e infra-estrutura.
As notas variam de 1 a 100, em que 1 é considerado intolerável,100 é o ideal.

Fonte: www,exame,abril.com.br/mundo







16 agosto 2014

O FUTURO DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO BRASIL

Crise Hídrica no Brasil - reflexos


FUTURO INCERTO

Por Sarah Brito
Da Agência Anhanguera

O período de seca prolongado afetou a produção de sementes genéticas no Instituto de Agronomia de Campinas (IAC), causando prejuízo de R$750 mil até agosto. A perda é estimada na metade das três safras produzidas desde o fim do ano passado: pelo menos 300 toneladas foram perdidas. Além disso, o cultivo caiu 70% desde setembro de 2013, pela baixa quantidade de água. O problema atingiu ainda produtores que repassam os grãos para o consumo final. Sem carga genética de qualidade, os grãos perdem a hegemonia, o que pode resultar em diferença de tamanho, cor e peso.
     Entre os cultivos que foram prejudicados estão os de cana, arroz, feijão, mamona e soja. Segundo o diretor do instituto, Sérgio Carbonell, mais do que o valor monetário da perda, o prejuízo está na falta de gama  genética nas sementes que os produtores recebem. Isso não pode prolongar, temos que retomar a produção este ano. "Contamos com as chuvas de outubro", disse. 
     O IAC deve voltar a plantar nova safra este mês para renovar o estoque, que não chega a 20% de sua capacidade. Para compensar a baixa na produção, outras regiões aumentaram o cultivo, como Santa Catarina e Paraná. No entanto, o cultivo em diferentes lugares acarreta em maior valor de frete, além da limitação de temperatura desses locais, que impactam na qualidade dessas sementes. "Não estamos atendendi 30% dos pedidos. Na região de Campinas, não há outro produtor", afirmou Carbonell.
    A renovação da cadeia genética de sementes deve ser feita todo ano, devido às perdas que os materiais sofrem durante o processo industrial. No processo de colheita e na produção há mistura com outras sementes e há fusão de cargas genéticas. O diretor explicou que, com isso, o consumidor pode encontrar produtos irregulares, como o feijão preto em um saco de feijão carioca.
    "Se uma super safra agrícola agora, podemos regularizar isso. Esses parceiros conseguem abastecer mercados. O problema é a origem da semente,isso sim, está prejudicado", afirmou. Em maio o instituto divulgou que o período das chuvas de outubro de outubro de 2013 a março de 2014 foi o mais seco dos últimos 123 anos em Campinas.
    O monitoramento da seca no Estado de São Paulo projetava ainda que as médias históricas de chuvas de abril a setembro apontam que a seca irá até a Primavera, pelo menos, afetando os cultivos, processos agrícolas e o abastecimento público. O estudo foi feito com base no banco de dados do IAC, o mais completo do Brasil, com registros desde 1890.
Fonte: Jornal Correio Popular - Campinas, 10/08/2014 - pg. A4

09 fevereiro 2014

A ONDA DE CALOR QUE SE ABATE SOBRE O BRASIL, SERIA POR CONTA DO AQUECIMENTO GLOBAL?

Planeta febre 09/02/2014 | 15h28

Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor

Florianópolis enfrenta mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 35º


Aquecimento da Terra pode ser o responsável por onda de calor Lauro Alves/Agencia RBS
Média mensal da temperatura em janeiro bateu recorde em Florianópolis Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Taís Seibt (colaborou Demetrio Pereira)
Febre é a elevação da temperatura acima dos limites considerados normais. Não é uma doença, mas um sintoma, uma reação do organismo ao ser agredido por um agente externo.

A Terra está com febre. E tudo indica que a culpa é nossa.

Várias cidades tiveram o janeiro mais quente desde que começaram as observações meteorológicas, na década de 1910 e 1920. Florianópolis está entre elas. Fevereiro vai pelo mesmo caminho, com a onda de calor mais intensa de que se tem registro no Estado: já são mais de 15 dias consecutivos com temperatura acima dos 30ºC.

Diante desse calorão sem fim, fica fácil acreditar que o mundo está mesmo ficando mais quente.

— Mas são as médias globais que importam, não as regionais — destaca o diretor do Centro de Pesquisa Climática da Universidade de Massachusetts, Raymond S. Bradley.
Então, vejamos algumas estatísticas. Conforme dados divulgados na última semana pela Organização Meteorológica Mundial, 2013 foi o sexto ano mais quente desde que começaram as medições, em 1850, e um dos quatro mais abrasantes sem a interferência dos fenômenos El Niño e La Niña, determinantes da variabilidade natural do clima. Dos 10 anos mais tórridos da história, nove ocorreram no século 21.

Desde 1990, a temperatura da Terra vem aumentando 0,2°C por década. Isso é 50 vezes mais rápido do que o ciclo natural, considerando períodos glaciais e interglaciais nos últimos 800 mil anos. Relatório divulgado em 30 de janeiro pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) projeta que a temperatura do planeta subirá ainda mais neste século, entre 0,3°C e 4,8°C, e o nível do mar aumentará entre 28 e 82 centímetros até 2100. Isso porque mais de 90% do excesso de calor causado pelas atividades humanas está sendo absorvido pelos oceanos.

O Ártico, em 2012, alcançou a extensão máxima de derretimento do gelo desde o começo das medições, em 1979. O aquecimento do mar muda os padrões de circulação de vento, fazendo com que o ar frio escoe, provocando mais nevascas em latitudes médias do Hemisfério Norte. É por isso que o aquecimento global pode também explicar fenômenos extremos de frio, como os registrados agora nos Estados Unidos e no Canadá. O estado do Kansas (EUA) teve temperatura de -22°C em janeiro, marca inédita desde 1912.

O homem e as mudanças
Alguma dúvida de que o efeito estufa está desregulando o termostato do planeta?

Poucas, mas há. Entre a minoria de céticos está o climatologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Recentemente, Molion escreveu um artigo denunciando um "terrorismo climático", cujo intuito seria frear o avanço de países em desenvolvimento frente à crise econômica dos desenvolvidos.

Ele defende que o Sol e os oceanos regulam o clima da Terra, e o dióxido de carbono seria incapaz de exercer o papel de vilão solitário do aquecimento.

Para a maior parte dos cientistas, no entanto, a relação entre a ação do homem e o aquecimento da Terra é evidente. O IPCC aponta para 95% de chances de participação humana no efeito estufa, diante do aumento exponencial das emissões de carbono, principalmente a partir de 1950.

— Esse processo nunca foi tão acelerado quanto tem sido desde o início do século 20, período que coincide com o processo de industrialização e o avanço da medicina, que resultaram na urbanização e no aumento populacional. Então, há uma relação muito clara — afirma o pesquisador Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo.

Obscuro é o futuro deste planeta febril. Pelas projeções em torno das estatísticas da OMM e do IPCC, a saúde da Terra é um caso de altíssima complexidade.

Estamos preparados?
Investimento em sistemas de alerta e prevenção de desastres é uma das medidas de adaptação necessárias para enfrentar o impacto das mudanças no clima global em nível regional. Para o pesquisador da USP Tercio Ambrizzi, o ponto de partida seria o mapeamento de vulnerabilidades.

Esse trabalho está sendo feito dentro do Plano Nacional Sobre Mudança do Clima, que foi criado em 2007 e vem passando por atualizações. As atualizações formam, na verdade, um conjunto de planos setoriais. Para 2014, está prevista a elaboração do Plano Nacional de Adaptação.

— O Brasil é um país sujeito a vulnerabilidades do clima, então é preciso adaptar a população ou a estrutura para evitar que se percam vidas e bens — comenta Neilton Fidelis, assessor do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que participa das discussões em torno do plano.

No texto atual, são mencionados investimentos no Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, entre 2012 e 2014.

Confira algumas ações para reforçar o sistema

* Foram identificados 821 municípios prioritários com risco de deslizamento e enxurradas.

* 12 Estados já tiveram obras de prevenção selecionadas. São obras de contenção de encostas, drenagem, barragens e adutoras.

* O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais entrou em operação em 2011, contando com 160 técnicos 24 horas por dia, 7 dias por semana.

* A unidade é capaz de emitir alertas para enxurradas e deslizamentos com duas a seis horas de antecedência.

* A rede de observação conta com radares, pluviômetros, estações metereológicas, sensores de deslizamentos, estações agrometereológicas e sensores de umidade do solo.

Ciclones podem ficar mais intensos
O aquecimento é global, mas os impactos são locais. Em seu último capítulo, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) faz um apanhado da literatura científica sobre alterações nos principais fenômenos climáticos e sua relevância para mudanças regionais no clima, caso as temperaturas médias globais subam mais.

Na seção dedicada à América do Sul, o capítulo aponta que as temperaturas vão aumentar ao longo de todo o continente, com maior aquecimento no sul da Amazônia. Há uma tendência de aumento na frequência de noites quentes na maioria das regiões. É muito provável que menos chuvas ocorram no leste da Amazônia, assim como no nordeste brasileiro no período de seca. Há grande probabilidade de aumento nos eventos de precipitação extrema, especialmente no sul do Brasil e no norte da Argentina.

Na avaliação de Tercio Ambrizzi, coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de São Paulo, uma preocupação real para Santa Catarina e Rio Grande do Sul é a intensificação de ciclones extratropicais, já que os dois Estados estão na rota desses fenômenos no Brasil.

Ambrizzi relembra situações como o temporal que causou destruição em dezenas de municípios gaúchos e catarinenses em 2008, com ventos de mais de 100 km/h e enchentes severas, principalmente no Vale do Itajaí.

— Não é que os ciclones extratropicais estejam mais frequentes, mas estudos indicam que eles estão mais intensos — frisa o professor.

De acordo com o oceanógrafo Paulo Cesar Abreu, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), os registros sobre ciclones extratropicais nos litorais gaúcho e catarinense estão mais frequentes e podem ser consequências dessas mudanças climáticas.
 
Fonte: Jornal Diário Catarinense