Procurando por atrações
diferentes e refrescantes para fugir do inverno brasileiro e conhecer
nas próximas férias? As piscinas naturais podem ser uma ótima opção. Com
águas naturais transparentes e cercadas por belíssimas paisagens, essas
maravilhas da natureza agradam tanto os amantes de aventuras como os
turistas mais tranquilos, que querem passar seus dias livres relaxando.
A segunda cachoeira mais alta do Brasil, com 340
metros, é uma das principais atrações da Chapada. A maneira "mais fácil"
de vislumbrar a água que jorra de um buraco no paredão é de cima,
arrastando-se até a beira do precipício. Para chegar lá é preciso
caminhar duas horas (seis quilômetros). Quem pretende apreciar a queda
por baixo deve se preparar - partindo de Lençóis, são três dias de
caminhada em meio às serras.
Geologia e Hidrogeologia do Sistema Aquifero Urucuia (SAU) (2011 - 2013): teve como objetivos fornecer
subsídios geológicos, hidroquímicos e hidrogeológicos para fornecer
informações confiáveis e de qualidade para a eficiente gestão dos
recursos hídricos subterrâneos relativos ao SAU nas Bacias do rio São
Francisco e do rio Tocantins.
Integrantes:
Chang Hung Kiang - Coordenador / Andresa Oliva / Fernando dos Santos
Corrêa / Osmar Sinelli / Flavio de Paula e Silva / Márcia Regina
Stradioto / Miguel Angel Alfaro Soto / Mirstis Irene Ariza Malagutti /
Elias Hideo Teramoto / Elias Issler.
Ao longo das últimas três décadas o agronegócio brasileiro vem
crescendo e se transformando de maneira expressiva. A incorporação de
terras do Cerrado ao processo produtivo nacional, em especial a partir
da década de 1970, explica boa parte desse sucesso. Em 1970, a produção
de arroz, feijão, trigo, milho e soja foi de 27 milhões de toneladas. Em
2011-2012, a produção dessas culturas somou cerca 160 milhões de
toneladas, crescimento de 583% (CONAB, 2013). Entretanto, um grande
desafio para a agricultura será contornar os problemas decorrentes de
décadas de práticas agrícolas de monocultivo e de elevada pressão sobre o
ambiente, tais como: a erosão e perda de fertilidade dos solos,
assoreamento dos cursos d'água, poluição do solo e da água e emissões de
gases de efeito estufa. A pecuária de corte, frequentemente
apontada como um segmento pouco produtivo, somente se viabilizava
economicamente pela expansão da área de pastagem. Entretanto, nas
últimas décadas, o modelo de produção da pecuária mudou sensivelmente e
passou a priorizar tecnologias mais intensivas em capital, que vêm
gerando significativos ganhos em produtividade e, consequentemente,
liberando áreas significativas para outras atividades do agronegócio. Entre 1950 e 1985, a expansão da área de pastagens cultivadas foi
responsável por 71% do incremento de produção de carne bovina e aumento
na produtividade em 29%. No entanto, entre 1985 e 2006, observou-se
redução na área de pastagem e o desempenho animal respondeu por 66% do
incremento de 4.664 toneladas equivalente-carcaça. Quando esses ganhos
foram computados para o período de 1950 a 2006, estimou-se o "efeito
poupa-terra" em 525 milhões de hectares. Isso significa que sem estes
ganhos, para se obter a mesma produção, teriam que ser incorporados à
produção o adicional de 525 milhões de hectares. Contudo, a perda de
produtividade das pastagens, em razão do manejo inadequado e da falta de
reposição de nutrientes, tem comprometido a produtividade animal,
contribuindo para abertura de novas áreas de vegetação nativa. Estimativas indicaram que, até 2030, o consumo mundial de madeira em
toras aumentará aproximadamente 45% em relação ao consumo em 2005 e
atingirá cerca de 2,4 bilhões de m3 (FAO, 2009). Segundo esses estudos, a
pergunta fundamental não é se haverá madeira no futuro, mas sim de onde
virá, quem a produzirá e como será produzida. O mercado interno
brasileiro consome 13,5 milhões de m³ de madeira serrada oriunda de
floresta natural (UNECE & FAO, 2009) e 65 milhões de m³ originados
em florestas plantadas (ABRAF, 2009). A estimativa da demanda de madeira
no mercado interno poderá atingir 300 milhões de m³ (AMS, 2005), o que
significará plantar 2 a 2,5 vezes mais do que é plantado atualmente. A
área de florestas plantadas para finalidade comercial é de 1,33% da
cobertura florestal total, ou seja, 6,97 milhões de hectares (0,82% do
território brasileiro) (ABRAF, 2011). Numa visão de futuro, a
demanda crescente1 por alimentos, bioenergia e produtos florestais, em
contraposição à necessidade de redução de desmatamento e mitigação da
emissão de gases de efeito estufa, exige soluções que permitam
incentivar o desenvolvimento socioeconômico sem comprometer a
sustentabilidade dos recursos naturais. A intensificação do uso da terra
em áreas agrícolas e o aumento da eficiência dos sistemas de produção
podem contribuir para harmonizar esses interesses. Diante desse
cenário, o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)
torna-se uma alternativa viável de produção para recuperação de áreas
alteradas ou degradadas. A integração de árvores com pastagens e ou com
lavouras é conceituada como o sistema que integra os componentes
lavoura, pecuária e floresta, em rotação, consórcio ou sucessão, na
mesma área. Possibilita que o solo seja explorado economicamente durante
todo o ano, favorecendo o aumento na oferta de grãos, de carne e de
leite a um custo mais baixo, devido ao sinergismo que se cria entre
lavoura e pastagem. A ILPF tem como grande objetivo a mudança do
sistema de uso da terra, fundamentando-se na integração dos componentes
do sistema produtivo, visando atingir patamares cada vez mais elevados
de qualidade do produto, qualidade ambiental e competitividade. A ILPF
se apresenta como uma estratégia para maximizar efeitos desejáveis no
ambiente, aliando o aumento da produtividade com a conservação de
recursos naturais no processo de intensificação de uso das áreas já
desmatadas no Brasil. Desta forma, podem-se classificar quatro modalidades de sistemas distintos:
Integração Lavoura-Pecuária ou Agropastoril: sistema de produção que
integra o componente agrícola e pecuário em rotação, consórcio ou
sucessão; na mesma área e em um mesmo ano agrícola ou por múltiplos
anos.
Integração Pecuária-Floresta ou Silvipastoril: sistema de produção que integra o componente pecuário e florestal, em consórcio.
Integração Lavoura-Floresta ou Silviagrícola: Sistema de produção que
integra o componente florestal e agrícola, pela consorciação de espécies
arbóreas com cultivos agrícolas (anuais ou perenes).
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta ou Agrossilvipastoril: sistema de
produção que integra os componentes agrícola, pecuário e florestal em
rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. O componente "lavoura"
restringe-se ou não à fase inicial de implantação do componente
florestal.
Os sistemas apresentados abrangem os sistemas
agroflorestais (SAFs), que são classificados em: silviagrícola,
silvipastoril e agrossilvipastoril, sendo portanto a ILPF uma estratégia
que apresenta classificação mais abrangente. A ILPF busca
integrar sistemas de produção de alimentos, fibras, energia e produtos
madeireiros e não madeireiros, realizados na mesma área, em cultivo
consorciado, em sucessão ou rotação, para otimizar os ciclos biológicos
de plantas e animais, insumos e seus respectivos resíduos. Visa, ainda,
manutenção e reconstituição da cobertura florestal, a recuperação de
áreas degradadas, a adoção de boas práticas agropecuárias (BPA) e
aumentar a eficiência com o uso de máquinas, equipamentos e mão de obra,
possibilitando, assim, gerar emprego e renda, melhorar as condições
sociais no meio rural e reduzir impactos ao meio ambiente. Além desses pontos, outros atributos oriundos da sua implantação dizem
respeito à contribuição para a adequação ambiental das propriedades, à
manutenção e/ou recuperação das Áreas de Preservação Permanente e de
Reserva Legal e a introdução de tecnologias para diminuir impactos
ambientais.
Histórico
Embora os sistemas de Integração
Lavoura-Pecuária-Floresta sejam considerados sistemas inovadores, na
Europa desde a idade média são conhecidas várias formas de plantios
associados entre culturas anuais e culturas perenes ou entre culturas
frutíferas e árvores madeireiras. Sistemas integrando árvores frutíferas
com a produção pecuária datam do século XVI, e aparentemente uma das
causas do seu quase desaparecimento foi a mecanização e a intensificação
dos sistemas agrícolas, além da dificuldade da colheita manual das
frutas e questões administrativas. O sistema de associar as
culturas foi copiado da natureza pelos indígenas e, posteriormente,
transferido aos colonizadores. Nos trópicos, o exemplo mais marcante vem
dos pequenos agricultores, ao praticarem variados sistemas de
consórcios de culturas. Historicamente, os imigrantes europeus
trouxeram para o Brasil a cultura da associação entre agricultura,
pecuária e florestas, que, desde o início, foi adaptada às condições
tropicais e subtropicais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, foi
praticada a integração da cultura do arroz inundado com pastagens.
Porém, ao longo dos anos, a adoção de sistemas de integração no Brasil
tem sido baixa, apesar da evolução científica observada recentemente. Alguns esforços para reverter o processo de degradação dos solos foram
iniciados no final da década de 1970, com a adoção de sistemas de
terraceamento integrado em microbacias hidrográficas e o desenvolvimento
de tecnologias para compor o sistema plantio direto (SPD),
principalmente no Sul do Brasil. A reversão do quadro de baixa
sustentabilidade pode ser conseguida por meio de tecnologias como o SPD e
os sistemas agrossilvipastoris. A utilização do SPD, em sua plenitude,
nas diversas condições edafoclimáticas, é altamente dependente de
rotação de culturas, que é uma das práticas preconizadas para a produção
e a manutenção de palha sobre o solo. O cenário de degradação
dos solos induziu o meio científico a buscar sistemas produtivos
sustentáveis, para harmonizar o aumento de produtividade vegetal e
animal, com a preservação de recursos naturais. Nas décadas de
1980 e 1990, foram desenvolvidas e aperfeiçoadas tecnologias para
recuperação de pastagens degradadas. Um exemplo é o "Sistema Barreirão",
desenvolvido pela Embrapa, que é composto por um conjunto de
tecnologias e práticas de recuperação de áreas degradadas ou
improdutivas, embasadas no consórcio arroz-pastagem. Outros exemplos são
os sistemas silvipastoris e os sistemas de integração entre lavoura e
pecuária (ILP). No final dos anos 1990, surgiram propostas que
envolveram o uso de sistemas de ILP com rotação lavoura-pastagem, na
sequencia: produção de grãos e forragem para a entressafra e
consequente acúmulo de palhada para o cultivo em sucessão de grãos em
sistema de plantio direto. Dentre as plantas de cobertura utilizadas, a
braquiária (Brachiaria spp.) tem assumido importância crescente pela
facilidade de cultivo e expressiva massa de forragem produzida (±20 t/ha
de massa verde). Em razão disso, produtores passaram a utilizar essa
forragem na alimentação animal na entressafra.
Situação atual
O sistema tem sido adotado em todo o Brasil, com maior
representatividade nas regiões Centro-Oeste e Sul. Hoje, aproximadamente
1,6 a 2 milhões de hectares utilizam os diferentes formatos da
estratégia ILPF e a estimativa é de que, para os próximos 20 anos, possa
ser adotada em mais de 20 milhões de hectares.
Papel dos atores/envolvidos/instituições
Em sua grande maioria, as tecnologias e os conhecimentos necessários
para a implantação dos diversos sistemas de ILPF foram desenvolvidos
pela Embrapa e por empresas, universidades e institutos de pesquisa
estaduais que compõem o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária
(SNPA). O processo de transferência de conhecimentos e
tecnologias em sistemas produtivos complexos e interativos, que abrangem
múltiplas variáveis em médio e longo prazo, como os sistemas de
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, requer abordagem abrangente e que
considere as especificidades locais. Em razão do envolvimento de atores
do setor produtivo, técnicos e pesquisadores, as metodologias de
transferência de conhecimentos e tecnologias devem ser norteadas pelo
envolvimento e a participação desses atores. Como muitos conhecimentos
são gerados pelas experiências dos próprios agricultores, a integração
entre os atores permite produzir inovações apropriadas, encurtando,
assim, o tempo para a sua adoção. Essa integração de atores
deverá contemplar a capacitação contínua de multiplicadores e a
avaliação dos processos e das atividades empregados na transferência de
conhecimento e tecnologia, baseada, também, nas demandas e considerações
a partir da prospecção junto aos atores envolvidos. São aspectos que
transcendem os referenciais agronômico, florestal e zootécnico que
também deverão ser considerados na adaptação e na aplicação desse tipo
de sistema às diferentes unidades de produção e regiões brasileiras. Na diversidade de variáveis que atuam nesses sistemas, há que se pensar
basicamente no processo de transferência de conhecimentos e
tecnologias. A primeira dimensão requer o fortalecimento da ATER, por
meio de parcerias com o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA)
e a iniciativa privada. Isso envolve contato direto com técnicos da
ATER pública e privada, por meio da implantação e do acompanhamento de
unidades de referência tecnológicas junto aos produtores rurais. A Embrapa coordenou um projeto intitulado "Transferência de Tecnologias
para Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (TT ILPF)", com
abrangência nacional, dividido em oito regiões com respectivos
coordenadores. Este projeto contou com uma Parceria Público Privada com a
empresa Bunge, a qual viabilizou recursos que possibilitaram
significativa ampliação do processo de transferência desta tecnologia
bem como maior visibilidade frente à sociedade. Para dar
continuidade nos processos de transferência de conhecimentos e de
tecnologias de sistemas de ILPF a Embrapa organizou um novo projeto em
rede. Essa rede, com abrangência nacional, conta com atuação de 32
unidades da Embrapa e com uma Parceria Pública Privada, denominada Rede
Fomento ILPF. A rede fomento, atualmente, é constituída de quatro
parceiros: Cocamar, John Deere, Parker e Syngenta.
Questões centrais
A adoção de sistemas de ILPF pode trazer melhorias significativas na
sustentabilidade socioeconômica e ambiental das propriedades. Na ótica
privada, os benefícios econômicos trariam aumento da oferta, para um
dado preço de mercado, com custos de produção menores. Isto seria viável
pela maior eficiência no uso de fertilizantes e menor demanda por
agroquímicos, pela quebra no ciclo de pragas e doenças e de plantas
daninhas. É uma possibilidade plausível de recuperar áreas degradadas. Além de efeitos positivos sobre a renda do produtor rural, somam-se
benefícios mais amplos à sociedade, pelo aumento da oferta de alimentos,
fibras e energia e favorecimento para a consolidação de um ambiente
macroeconômico mais estável, ou pela menor pressão exercida sobre os
recursos físicos da propriedade. Com isso, permite-se o aumento dessa
oferta sem promover novos desmatamentos, enquanto áreas agrícolas em
degradação ou degradadas, de baixa produtividade, seriam recuperadas por
atividades "mais eficientes", como lavouras, produtos madeireiros e
não-madeireiros ou pecuárias produtivas. Na dimensão ambiental,
as áreas de pastagens cultivadas são a melhor alternativa para a
expansão da produção de grãos e biocombustíveis. Ou seja, além do
benefício das pastagens na sua transformação em alimentos de elevado
valor biológico (carne e leite), a planta forrageira e seu
agroecossistema provêm outros serviços ambientais importantes. Entre
eles, destacam-se: conservação dos recursos hídricos e edáficos
(relacionados ao solo); controle de pragas e doenças; fixação de
carbono; aumento da matéria orgânica do solo e; redução da emissão de
gases de efeito estufa. O conjunto de práticas de ILPF, face à
crescente demanda mundial por alimentos, fibras e energia, é um poderoso
mecanismo de desenvolvimento para regiões que possuem áreas e solos em
degradação. Possibilita a recuperação sustentável do potencial produtivo
desses locais e incrementos de eficiência em regiões com tecnologia
mais avançada, ao potencializar o efeito de manejos, como plantio direto
e rotação de culturas, trazendo grandes vantagens para ambas as
realidades, desestimulando o desmatamento de áreas e valorizando a
produção por meio das boas práticas agropecuárias e certificação.
Potenciais Benefícios Tecnológicos e Ecológicos/Ambientais da ILPF
Melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo devido ao aumento da matéria orgânica;
Redução de perdas de produtividade na ocorrência de veranicos, quando
associado a práticas de correção da fertilidade do solo e ao sistema de
plantio direto;
Minimização da ocorrência doenças e plantas daninhas;
Aumento do bem-estar animal, em decorrência do maior conforto térmico;
Maior eficiência na utilização de insumos e ampliação do balanço positivo de energia; e
Possibilidade de aplicação dos sistemas para grandes, médias e pequenas propriedades rurais.
Redução da pressão para a abertura de novas áreas;
Melhoria na utilização dos recursos naturais pela complementaridade e sinergia entre os componentes vegetais e animais;
Diminuição no uso de agroquímicos para controle de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas;
Redução dos riscos de erosão;
Melhoria da recarga e da qualidade da água;
Mitigação do efeito estufa, resultante da maior capacidade de sequestro de carbono;
Menor emissão de metano por quilo de carne produzido;
Promoção da biodiversidade, e favorecimento de novos nichos e habitats
para os agentes polinizadores das culturas e inimigos naturais de
insetos-pragas e doenças;
Intensificação da ciclagem de nutrientes;
Aumento da capacidade de biorremediação do solo;
Reconstituição do paisagismo, possibilitando atividades de agroturismo;
Melhoria da imagem pública dos agricultores perante a sociedade, atrelada à conscientização ambiental.
Potenciais Benefícios econômicos e sociais da ILPF
Incremento da produção anual de alimentos a menor custo;
Aumento da produção anual de fibras, biocombustíveis e biomassa;
Aumento da competitividade das cadeias de produtos de origem animal nos mercados nacional e internacional;
Aumento da produtividade e da qualidade do leite e redução da sazonalidade de produção;
Dinamização de vários setores da economia, principalmente em nível regional;
Possibilidade de novos arranjos de uso da terra, com possibilidade de
exploração das especialidades e habilidades dos diferentes atores
(arrendatários e proprietários);
Redução de riscos em razão de melhorias nas condições de produção e da diversificação de atividades comerciais;
Fixação e maior inserção social pela geração de emprego e renda no campo;
Aumento da oferta de alimentos seguros;
Estímulo à qualificação profissional;
Melhoria da qualidade de vida do produtor e da sua família;
Estímulo à participação da sociedade civil organizada;
Melhoria da imagem da produção agropecuária e dos produtores brasileiros, pois concilia atividade produtiva e meio ambiente;
Maiores vantagens comparativas na inserção das questões ambientais nas
discussões e negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Aumento da renda dos empreendimentos rurais.
Exemplos
No Brasil, existem vários sistemas de ILPF que são modulados de acordo
com o perfil e os objetivos da propriedade rural. Além disso, essas
diferenças nos sistemas se devem às peculiaridades regionais do bioma e
da fazenda, como: condições de clima e de solo, infraestrutura,
experiência do produtor e tecnologia disponível.
Sistemas de ILPF na Amazônia
No Bioma Amazônia, em termos de ILPF, predominam os sistemas
silviagrícolas e silvipastoris. Em diversas propriedades, os sistemas
silvipastoris vêm sendo adotados com êxito, com uso das espécies
florestais: paricá, eucalipto, teca e mogno africano. Entre as
forrageiras destacam-se: braquiarão, quicuio, Panicum sp.,
capim-gengibre, jaraguá, Pueraria, Centrosema macrocarpum e Capsicum
pubescens. O componente animal é composto por bovinos e bubalinos para
produção de carne e leite, além da produção de ovinos deslanados. O sistema silviagrícola é normalmente implantado em áreas degradadas,
com o plantio de grãos por duas a três safras, com predominância de
arroz, milho, soja e feijão caupi. Esta implantação ocorre nas
entrelinhas de espécies florestais adaptadas às condições
edafoclimáticas locais. O plantio dessas espécies é feito
concomitantemente à primeira lavoura. Para isso, é necessária a
recuperação da área cultivada e a correção e adubação do solo. Com o
solo em melhores condições de fertilidade, a partir da terceira safra
inicia-se o processo de consorciação das lavouras de grãos com pastagens
(com espécies diferentes das anteriormente cultivadas) para a formação
das pastagens e para a introdução dos animais, estabelecendo a dinâmica
da implantação de sistemas agrossilvopastoris sequenciais. Experiências silvipastoris foram realizadas em sua maior parte por
empresas do setor florestal e por fazendas pecuárias, que efetuaram
plantios florestais em áreas preferencialmente de pastagem degradada. A
obrigatoriedade legal em reflorestar, a necessidade da diversificação da
produção e a manutenção da posse da terra são motivos para investir no
plantio de árvores. A redução de custos de limpeza da área é a
principal razão para adoção do enfoque silvipastoril. Tem-se como
estratégia de atuação na região a geração de tecnologias voltadas para o
desenvolvimento de sistemas pecuários sustentáveis em áreas alteradas
da Amazônia, e a disponibilização de resultados de pesquisa e
transferência de tecnologia adaptados às condições de cada estado e
aplicáveis aos demais sistemas produtivos. A ILPF permite
incorporar tecnologias, a exemplo do "Sistema Bragantino" que visa ao
cultivo contínuo de diversas culturas, em rotação e consórcio, usando a
prática do Sistema Plantio Direto (SPD), busca aumentar a produtividade
das culturas, a oferta de mão-de-obra na região durante todo o ano, a
renda e a qualidade de vida do produtor rural.
Sistemas de ILPF na Caatinga
O sistema de ILPF mais utilizado e de maior aplicabilidade na região do
Bioma Caatinga é o agrossilvipastoril. É indicado como resposta às
pressões por produção de alimentos para a população humana e para os
rebanhos. Esse sistema integra a exploração de espécies lenhosas
perenes, associadas às culturas e às pastagens. A tecnologia
objetiva garantir a estabilidade e a diversidade da produção, elevar a
produtividade, melhorar a fertilidade do solo e aumentar a oferta de
forragem de boa qualidade. O uso de espécies arbóreas garante a
circulação de nutrientes e o aporte significativo de matéria orgânica do
solo, condições essenciais para cultivar, de maneira continuada, os
solos tropicais. Também vem sendo adotado o sistema silvipastoril, em duas modalidades:
Introdução de animais em lavouras de espécies arbóreas comerciais permanentes;
Introdução ou manutenção do componente arbóreo (nativo ou exótico) em pastagens cultivadas, adaptadas ao Semiárido.
A adoção de pastagens cultivadas adaptadas ao Semiárido (capim-buffel e
braquiárias) tem aumentado ao longo dos anos. Entretanto, a maioria dos
pecuaristas adota o regime extrativista; as áreas de pastagens, na sua
grande maioria, não tiveram o devido manejo, nem correção e manutenção
da fertilidade do solo. Atualmente, grande percentual dessas áreas
apresenta-se degradada.
Sistemas de ILPF no Cerrado
Para o Bioma Cerrado, a ILPF se caracteriza com as espécies agrícolas
algodão, soja, milho, sorgo, feijão, arroz e girassol. Os principais
consórcios são de milho + capim/forrageiras (80%), sorgo (granífero ou
silagem) + capim/forrageiras (15%), e outros consórcios (milheto, sorgo
pastejo, guandu) (5%). Como espécies forrageiras, as do gênero
Brachiaria (80%), espécies de Panicum (10%) e outras (10%). Como
principais espécies florestais têm-se o eucalipto (80%), a teca, o cedro
australiano e o mogno (15%) e outras (5%). E por fim, as espécies/raças
de animais são de bovinos de corte (50%), bovinos de leite (30%), e,
ovinos e caprinos (20%). Atualmente, os sistemas de ILPF
completos, ou seja, que contemplam as espécies agrícolas, pastagem e
floresta conjuntamente ainda são pouco adotados. Algumas opções de
sequência de implantação em pasto degradado envolvem no 1o ano a soja ou
arroz, no 2o ano milho ou sorgo, no 3o ao 5o ano pastagem ou volta com
soja; ou então, no 1o ano milho ou sorgo ou milheto, e no 3o ao 5o ano
pastagem. Para a situação de solo já agricultável: rotação –
milho ou sorgo para silagem no verão + capim/forrageiras para pastejo na
entressafra e algodão; soja, milho ou sorgo para silagem no verão +
capim/forrageiras para pastejo na entressafra. O pasto, além da primeira
entressafra, pode ficar por mais um ou dois anos e voltar à lavoura. As opções de sucessão em safrinha de verão compreendem: soja, safrinha
de milho ou sorgo + capim/forrageiras para pastejo de safrinha, e voltar
à soja ou ao milho no verão. Pode ser rotação soja/safrinha de milho+
capim/forrageiras (verão) / safrinha de pasto, ou sucessão milho ou
sorgo silagem no verão + capim/forrageiras para pastejo na entressafra.
Sistemas de ILPF na Mata Atlântica
Nas áreas de Mata Atlântica da região Sul predominam sistemas de ILPF
baseados na sucessão de culturas no verão (soja, milho e feijão) e
pastagens cultivadas no inverno, sobretudo com espécies de clima
temperado (aveia-preta e azevém anual). Na região Sudeste,
predominam as rotações de forrageiras com culturas anuais (soja, milho,
algodão) para produção de palhada, para plantio direto ou produção de
forragens para alimentação animal na entressafra. Nos sistemas
silvipastoris da região predominam as combinações de pastagem e de
eucalipto para madeira ou de pastagens com espécies lenhosas fixadoras
de nitrogênio, para manutenção e/ou recuperação da fertilidade do solo. Na região Nordeste, os sistemas de ILPF predominantes são os
silvipastoris, que usa principalmente a Gliricidia sepium como
leguminosa, representando o componente florestal nas diversas formas de
associação, e as braquiárias, como componente herbáceo. O processo
inicia-se com o consórcio da leguminosa com culturas de milho e/ou
feijão, repetido por 2 a 5 anos, dependendo do sistema, seguido do
consórcio pasto/árvores. Em algumas áreas é utilizado o consórcio de
soja e eucalipto seguido do sistema silvipastoril após o 3º ano. Nas
áreas de cana, a cada 5 anos, cultivam-se leguminosas anuais (feijão de
corda), na época da reforma do canavial.
Sistemas de ILPF no Pampa
Existem várias alternativas de sistemas de ILPF no Bioma Pampa. Na
metade sul do Rio Grande do Sul, o sistema mais comum é o agropastoril
com plantio de arroz irrigado e bovinocultura de corte ou de leite. As
principais pastagens perenes incluem o azevém anual, o trevo branco, a
aveia branca, festuca, cornichão e pensacola, ou revegetação com
espécies nativas. O plantio de citros/pêssego, grãos ou forrageiras é
uma forma de integração silviagrícola ou silvipastoril encontrada na
região. Na metade norte, outra versão do sistema agropastoril é
utilizada com o plantio de soja-milho (verão)/trigo-pastagem (inverno) e
bovinocultura de corte e leite. Na zona de Planalto, o sistema de
integração predominante é o silviagrícola com plantio de erva mate,
soja-milho, pastagem anual de inverno (aveia-preta, azevém, ervilhaca,
milheto etc.). Já a integração agrossilvipastoril prevê lavouras
cultivadas nas entrelinhas de espécies florestais, em
consórcio/sucessão de lavouras com pastagens (pecuária) e floresta. Este
sistema ocorre nas diversas regiões do bioma Pampa, sendo bastante
utilizado em áreas de agricultura e de vegetação campestre em processo
de degradação ou invadidas pelo capim-annoni. No componente
florestal predomina a utilização de espécies arbóreas exóticas de pinus,
eucalipto e acácia negra. Por isso, é oportuna a introdução de espécies
de alto valor forrageiro.
Sistemas de ILPF no Pantanal
O sistema tradicional de criação de gado de corte envolve a criação
extensiva de gado em grandes áreas, em sistema de pastejo contínuo numa
taxa de lotação média de 3,6 ha/animal, cuja produção de bezerros (cria)
é uma das principais vocações da região. Esses sistemas podem ser
considerados como sistemas silvipastoris extensivos, adaptados às
características peculiares do ambiente em que se desenvolveram,
respeitando sua dinâmica temporal e espacial. Com relação ao
sistema silvipastoril natural (SSPN), os produtores da região fazem uso
das diferentes espécies que compõem a paisagem, tais como bocaiúva,
canjiqueira, acuri, paratudo e aroeira. Alguns produtores adotam
práticas de manejo de exclusão do gado em algumas fitofisionomias para
regeneração de espécies de interesse, tais como a aroeira. Sistemas silvipastoris alterados ou intensificados também são comuns no
Pantanal, especialmente os que utilizam áreas de campo cerrado,
substituindo as espécies herbáceas nativas por forrageiras exóticas, mas
mantendo as espécies arbóreas, em respeito ao padrão natural das
paisagens. Ainda há poucas experiências registradas de plantio de
espécies arbóreas associadas a pastagens nativas e exóticas. Um exemplo
refere-se ao plantio de bálsamo em pastagem de Brachiaria brizantha
implantada em área anteriormente ocupada por cerradão. Embora
ainda haja desmatamento no Pantanal para a introdução de gramíneas
exóticas, a grande maioria dos fazendeiros opta pela substituição das
pastagens nativas pouco usadas pelo gado (áreas de "macegas") por
pastagens cultivadas. Uma prática muito utilizada em áreas de campo
cerrado é manter as espécies arbustivas e arbóreas nativas, mantendo o
padrão natural das paisagens. Portanto, a promoção e manutenção
de sistemas silvipastoris (SSP) que integra o manejo das espécies
arbustivas e herbáceas, distribuídas em mosaico, nas diferentes
fitofisionomias, respeitando o padrão natural das paisagens é uma das
principais estratégias para manter e conservar a biodiversidade e
aumentar a produtividade na região.
Definições, compromissos e decisões
Em razão de seus benefícios potenciais, a ILPF foi incluída entre as
tecnologias que compõem os compromissos voluntários assumidos pelo
Brasil na COP-15, que resultaram na criação do Plano Setorial para a
Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura,
o que se convencionou chamar de Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão
de Carbono), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA). Com grande potencial de sequestro de carbono pelos
elevados acúmulos de biomassa forrageira e florestal e acúmulo de
matéria orgânica no solo, a ILPF ajuda a reduzir a emissão de gases de
efeito estufa (GEE) na atmosfera. A meta é ampliar, até 2020, o uso do
sistema em 4 milhões de hectares, evitando que entre 18 e 22 milhões de
toneladas de CO2 equivalente2 sejam liberadas. Em 29 de abril de
2013, foi sancionada a Lei 12.805/13, que institui a Política Nacional
de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Os objetivos da legislação
incluem: melhorar de forma sustentável a produtividade, a qualidade dos
produtos e a renda das atividades agropecuárias, por meio da aplicação
de sistemas integrados de exploração de lavoura, pecuária e floresta em
áreas já desmatadas, como alternativa aos monocultivos tradicionais;
mitigar o desmatamento e contribuir para a manutenção das Áreas de
Preservação Permanente e de Reserva Legal; além de fomentar novos
modelos de uso da terra, conjugando a sustentabilidade do agronegócio
com a preservação ambiental. A ILPF, de acordo com a proposta,
estabelece novas atribuições para o poder público. Entre elas, estão:
definir planos de ação regional e nacional para a expansão e o
aperfeiçoamento dos sistemas de ILPF, com a participação das comunidades
locais, e estimular a adoção da certificação dos produtos pecuários
agrícolas e florestais oriundos de sistemas integrados.
Aspectos sensíveis, críticos e alternativas
As pesquisas em ILPF, na década de 2000, receberam a atenção de várias
instituições. A maioria dos estudos focou no consórcio de forrageira com
culturas de grãos e na melhoria das propriedades químicas, físicas e
biológicas do solo. Alguns estudos sobre o efeito de forrageiras no
ciclo de pragas e doenças também têm sido realizados, mas, ainda
necessitam de informações robustas para os diferentes contextos
regionais. Entretanto, a eficiência de uso de defensivos agrícolas,
controle de pragas e moléstias, ocorrência e ciclo de endo e
ectoparasitas em animais, manejo de pastagens e essências florestais
nesses sistemas não foram suficientemente estudados ou não foram
estudados. Outro tema que merece atenção é o efeito do pastejo na
ciclagem de nutrientes nos sistemas de ILPF. Estudos sobre a introdução
do componente arbóreo nesse sistema devem ser incentivados e ampliados.
Para maximizar a produtividade dos componentes (agrícola, animal e
florestal) os estudos devem focar na diversificação de espécies arbóreas
e forrageiras tolerantes ao sombreamento, arranjo e densidade de
árvores, ciclagem de nutrientes e ambiência animal. E, de igual
importância, avaliar o efeito do conforto térmico, proporcionado pela
sombra das árvores, no desempenho animal. Outra lacuna
importante, que implica em uma limitação na difusão do sistema ILPF, é a
relativa carência de estudos abrangentes de avaliação econômica. A
maioria dos estudos relacionados ao tema concentram esforços em
avaliações econômico-financeiras pontuais deixando de considerar
aspectos importantes que influenciam as decisões dos produtores, como
por exemplo: a situação socioeconômica do produtor; necessidade de
investimento; implicações da escala produtiva no padrão de
investimentos, financiamentos, custos, receitas e lucratividade; a
análise das barreiras relacionadas à implementação do sistema; a
avaliação da questão da mitigação dos riscos produtivos; e se os
potenciais benefícios socioambientais vislumbrados realmente se aplicam e
se podem ser explorados como atividade econômica. Esses pontos são
dimensões de análise que carecem de maiores discussões e são
questionamentos que os trabalhos relacionados aos aspectos econômicos do
sistema ILPF, até o presente momento, não conseguem responder. A
Embrapa e seus parceiros, nas últimas duas décadas, têm contribuído
muito para o avanço de conhecimentos e tecnologias em sistemas de ILPF
em suas diferentes modalidades. No entanto, a diversidade edafoclimática
e sociocultural do Brasil indica a necessidade de ampliar/intensificar
as ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e de Transferência de
Tecnologia a fim de avaliar a viabilidade bioeconômica das diferentes
possibilidades de integração dos componentes agrícola, pecuário e
florestal em diferentes contextos regionais. Além dos aspectos
de pesquisa extremamente relevantes, expressiva área (mais de 500 ha) de
experimentos de longa duração e de unidades de referência tecnológicas
constituem a base física de atividades de Transferência de Tecnologias
em ILP e ILPF e do Plano ABC executadas regularmente nas áreas físicas
de várias Unidades da Embrapa. Além disso, algumas dezenas de unidades
são conduzidas em parceria com produtores nas diversas regiões do País.
No entanto, a base de conhecimentos para o entendimento e manejo de
desses sistemas ainda é limitada.
Posicionamento da Embrapa
As instituições ligadas ao Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária,
coordenado pela Embrapa, pesquisam e recomendam sistemas que integram
agricultura e pecuária há muitos anos. Ressalte-se ainda, que em razão
da importância tema, a Embrapa criou o portfólio de Integração
Lavoura-Pecuária-Floresta.
Encaminhamentos
Em 2013, a
Embrapa estruturou o Portfólio de ILPF, com o objetivo de mapear e
apoiar a organização, geração, integração e disseminação de
conhecimentos e tecnologias sobre ILPF em apoio a formulação de
estratégias de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação e Transferência
de Tecnologia com foco na sustentabilidade e competitividade destes
sistemas complexos. Entre os objetivos específicos do Portfólio
ILPF, estão: identificar fatores e processos limitantes relacionados à
pesquisa em sistemas de ILPF, com vistas à indução de projetos para a
geração de novos conhecimentos e/ou de tecnologias; prospectar
alternativas de alocação dos componentes agrícola, animal e florestal,
para diferentes contextos regionais, visando à maximização das respostas
bioeconômicas e dos benefícios ambientais; adaptar e ou desenvolver
métricas robustas para a avaliação da sustentabilidade de sistemas de
ILPF, considerando diferentes horizontes temporais; gerar informações
econômicas para maior entendimento do sistema; e ampliar e intensificar a
transferência de conhecimentos e de tecnologias validadas e a
capacitação associada à rede de técnicos multiplicadores de ILPF nas
diferentes regiões.
Orientações
Os sistemas de ILPF
devem ser adequadamente planejados, levando-se em conta os diferentes
aspectos socioeconômicos e ambientais das unidades de produção. Eles
podem ser adotados por qualquer produtor rural (pecuarista e/ou
agricultor), independente do tamanho do estabelecimento agropecuário.
Evidentemente, a forma e a intensidade da adoção do conjunto de
tecnologias que compõem a ILPF dependerão, entre outros fatores, dos
objetivos e da infraestrutura disponível de cada produtor. O
pecuarista, por exemplo, pode utilizar o consórcio ou a rotação de
culturas graníferas com forrageiras para a implantação de pastagens ou
para sua recuperação, no caso de estarem degradadas. Pode também
implantar o sistema silvipastoril, visando à exploração de produtos
madeireiros e não-madeireiros, além dos produtos da pecuária. Por outro lado, o agricultor pode utilizar o consórcio ou a rotação de
culturas graníferas com forrageiras para produzir cobertura morta de boa
qualidade e em grande quantidade para o sistema de plantio direto (SPD)
da safra seguinte. Por fim, aquele produtor que deseja exercer as
atividades integradas pode utilizar a ILPF para implantar um sistema
agrícola sustentável, utilizando os princípios da rotação de culturas e
do consórcio entre graníferas, forrageiras e espécies arbóreas, de forma
a produzir, na mesma propriedade, grãos, carne ou leite e produtos
madeireiros e não-madeireiros ao longo de todo ano. Um sistema sustentável de ILPF deve ser:
Tecnicamente eficiente, considerando o ambiente no qual se encontra a
propriedade e utilizando manejos e insumos adequados e de acordo com as
recomendações oficiais;
Economicamente viável, pela melhor
utilização dos recursos e uso da terra, diversificação e maior
estabilidade das receitas e diminuição dos riscos;
Socialmente
aceitável, por ser aplicável a qualquer tamanho de propriedade,
aumentar e distribuir melhor a renda no campo e aumentar a
competitividade do agronegócio brasileiro;
Ambientalmente adequado, por preconizar a utilização de práticas conservacionistas e de melhor uso da terra.
A adoção da ILPF (Agrossilvipastoril) pode ser facilitada pela adequada
distribuição espacial das árvores no terreno, visando práticas de
conservação do solo e água, favorecimento do trânsito de máquinas e a
observância de aspectos comportamentais dos animais. Para tanto, o
arranjo espacial mais simples e eficaz é o de aleias, onde as árvores
são plantadas em faixas (linhas simples ou múltiplas) com espaçamentos
amplos. Os produtores que desejem privilegiar a produção de
madeira podem utilizar aleias mais estreitas ou maior número de linhas
em cada faixa (mais árvores/ha); enquanto os que preferem a atividade
agrícola e/ou pecuária utilizam espaçamentos maiores, ou seja, aleias
mais largas (menos linhas em cada faixa). Esses sistemas não
encerram as diferentes alternativas e soluções para os problemas dentro
da unidade de produção. Os resultados esperados traduzem a expectativa
imediata do empreendedor rural e estão orientados ao desenvolvimento de
uma agricultura sustentável3.
Perspectivas
A
introdução da componente florestal na atividade agropastoril certamente
ocasionará uma complementação de benefícios. Enquanto a agricultura e a
pecuária cobrem o fluxo de caixa negativo proporcionado pelo período de
maturação do investimento florestal, este por sua vez incorpora ao
sistema benefícios ambientais importantes do ponto de vista da
sustentabilidade ambiental (ambiência animal e fixação de carbono etc.),
da sustentabilidade econômica (poupança verde) e da sustentabilidade
social por promover entradas de recursos distribuídas ao longo do tempo
(desbastes e colheita final) permitem ao produtor e aos seus sucessores
incentivariam permanência do jovem no meio rural. Se parte da
enorme superfície territorial do país hoje utilizada somente com
pastagens (cerca de 159 milhões de hectares) for convertida em
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), poderá ser fundamental para
melhorar a imagem do agronegócio brasileiro, ao mesmo tempo em que
favorecerá a produção animal e a produção de produtos florestais e
agrícolas. As equipes da Embrapa e parceiros que atuam com ILPF
já implantaram 192 Unidades de Referência Tecnológica (URT) em todo o
território nacional, que contam com a participação de produtores e num
só tempo servem de observatórios e vitrines do sistema. Com isso, a
expectativa é de que num futuro próximo a ILPF esteja presente em um
número cada vez maior de propriedades rurais, viabilizando assim o
aumento da produção aliado à conservação dos recursos naturais, chave
para o desenvolvimento de uma economia sustentável no século XXI. Para que isto ocorra, se faz necessário a implementação de políticas
públicas de incentivos à produção, tais como: aumento de crédito,
diminuição de taxas de juros, ampliação do período de carência, garantia
de preços mínimos, redução da carga fiscal sobre produtos e insumos,
seguro agrícola amplo e eficiente, assim como remuneração por serviços
ambientais.
Referências Bibliográficas consultadas
BALBINO, L. C. et al. Evolução tecnológica e arranjos produtivos de sistemas de Integração lavoura‑pecuária‑floresta no Brasil. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v.46, n.10, p.i-xii. 2011. BALBINO, L.C.; BARCELLOS, A. O. de; STONE, L. F. Marco referencial:
integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Brasília, DF: Embrapa,
2011. 130p.
7/11 - Distrito de Paracatu foi tomado por lama. Marca em Igreja mostra que ela quase foi totalmente coberta (Foto: Raquel Freitas/G1)
Demorei a comentar aqui no blog, pois custa a mim crer em tamanho desrespeito, não só com as pessoas que tiveram as suas vidas ceifadas, mas também para todos os indivíduos que tiveram prejuízos, sejam porque tiveram os seus bens perdidos pela lama, sejam porque perderam os seus meios de sustento de suas famílias!
Choramos também pela natureza que foi violentada, pelos animais que morreram, sejam eles, peixes, cães, gatos, galinhas, bovinos, equinos, e outros tantos que foram levados ou soterrados pela lama tóxica!
Quero mostrar para vocês, queridos amigos, fotos feitas por tantas mídias...é lastimável o prejuízo causado pelo impacto de mais esta tragédia provocada pelo desrespeito e descaso dos humanos!
Manipulação sofisticada de átomos permite entender histórico de grande reservatório subterrâneo de água no norte da África
The New York Times |
Getty Images - Oásis de Um El Ma, na Líbia: alimentado por um aquífero antigo e pouco conhecido
O Aquífero de Núbia, fonte de oásis lendários localizado no Egito e na Líbia, se estende languidamente por quase dois milhões de quilômetros quadrados do norte da África, pincelando uma coleção de poços subterrâneos de águas que migram lentamente através de rochas e areia em direção ao Mar Mediterrâneo.
O Aquifero - dos mais antigos do mundo. Contudo, seu funcionamento - como ele flui e com que rapidez a água da superfície o reabastece -- tem se mostrado difícil de compreender, em parte porque as ferramentas disponíveis para estudá-lo foram capazes de oferecer, na melhor das hipóteses, imagens pouco nítidas.
Agora, para resolver alguns desses quebra-cabeças, físicos do Departamento de Energia do Laboratório Nacional de Argonne, em Illinois, estão pesquisando uma das partículas mais raras da Terra: um isótopo radioativo não estável que costuma ricochetear na atmosfera a centenas de quilômetros por hora.
O primeiro sucesso obtido pela equipe foi a destilação desses isótopos não estáveis, conhecidos como criptônio-81, na água do enorme Aquífero de Núbia, parte do qual está 3,22 quilômetros abaixo do oásis do oeste do Egito, onde há templos em homenagem a Alexandre, o Grande. O segundo foi manter esses isótopos em condições de análise e medir o quanto eles tinham deteriorado desde última vez em que viram a luz do sol.
Saber quanto tempo a água ficou por baixo da terra ajuda os pesquisadores a entender quão rápido os aquíferos são reabastecidos pelas águas da superfície e quão rápido eles se movem, favorecendo a obtenção de modelos geológicos mais precisos. A água subterrânea está se tornando um fator cada vez mais relevante no tocante ao destino da água potável disponível do mundo _ e essas descobertas podem aumentar de modo significativo nosso conhecimento de como ela se comporta.
Pradeep Aggarwal, que dirige a seção de hidrologia isotópica do programa de recursos hídricos da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que o rastreamento de massas de água mais antigas permaneceu pouco claro durante muito tempo. A datação por carbono-14, tão útil em arqueologia, só chega até aproximadamente 50 mil anos atrás.
Hoje, está claro que o Aquífero de Núbia demorou um milhão de anos para se formar.
"Estamos verificando diferentes maneiras de estudar a água há décadas ", disse Aggarwal. "Nós utilizamos vários isótopos diferentes -- e estáveis -- para rastrear a origem da chuva. Nós também utilizamos radioisótopos para descobrir quão rapidamente as águas subterrâneas se movimentam".
Durante anos, os cientistas se basearam na datação por carbono-14, o que os levou a acreditar que o aquífero tinha apenas 40 mil anos. Eles sabiam que o criptônio-81, um isótopo presente ao ar livre, mas não no subsolo, seria um marcador mais adequado para monitorar o movimento da água subterrânea. Quando a água perde o contato com o ar, o relógio da radioatividade começa a contar; o isótopo decai em um fator de dois a cada 230 mil anos, e é possível mensurar esse decaimento em até 2 milhões de anos atrás.
Porém, isolar os isótopos criptônio-81 foi terrivelmente difícil; e apanhá-los foi ainda pior.
O físico do Laboratório de Argonne Zheng Tian-Lu e seus colegas passaram 14 anos se especializando e ampliando técnicas de desaceleração de átomos -- as mesmas técnicas baseadas em lasers criadas pelo atual ministro de energia dos Estados Unidos, Steven Chu, na década de 1980, pelas quais ele recebeu o Prêmio Nobel.
Quando Lu percebeu o potencial benefício do isolamento de isótopos criptônio-81, foi "tomado pela pesquisa", contou ele. "Eu tentei usar o método de captura que eu já tinha aprendido para tentar resolver o problema de datação do radiocriptônio".
"Estamos empregando a capacidade de controlar e manipular átomos para localizar o criptônio-81 em meio a um milhão de tipos de isótopos de criptônio", acrescentou. Há apenas um átomo de criptônio em cada milhão de moléculas de água; um em um trilhão desses átomos de criptônio é o isótopo criptônio-81.
O segredo, segundo ele, é a utilização de lasers para detectar a frequência em que os átomos oscilam _ algo equivalente a tentar determinar a altura exata de uma nota musical. Detectar as diferenças infinitesimais da ressonância de isótopos é difícil, mas quando se consegue fazê-lo, os lasers podem ser ajustados para captar a frequência de cada isótopo. Quando átomos de criptônio-81 passam por um laser adaptado a eles, brilham intensamente e se desaceleram, possibilitando que os cientistas visualizem com mais facilidade as partículas que devem isolar.
O processo começa quando a água é extraída do aquífero sem ter qualquer contato com o ar. O criptônio é retirado da água por um sistema a vácuo. Uma vez identificados e desacelerados, os isótopos de criptônio-81 são capturados por seis feixes de laser que incidem sobre eles a partir dos quatro pontos cardeais da bússola, vindos de cima e de baixo. É possível, então, medir o seu decaimento.
"A partir desse levantamento acerca do passado da água, você observa a forma como ela costumava fluir em um passado muito remoto", disse Lu. "Mas há também implicações a respeito de como manejar as águas hoje". Ele acrescentou: "Para manejar um recurso hídrico, é necessário construir um modelo hidrológico realista".
Futuro do aquífero É aí que entra Neil C. Sturchio, geólogo da Universidade de Illinois, em Chicago. Ele trabalha com o modelo mais bem aceito de como a água flui através do Aquífero de Núbia.
"A razão pela qual este modelo foi elaborado", disse ele, "é a existência de um acordo internacional entre os países que partilham essa água" -- a saber, Egito, Líbia, Chade e Sudão.
"A questão é: com a Líbia bombeando suas águas a sério e o Egito fazendo a mesma coisa em suas áreas de oásis", o que acontece com o resto do aquífero? Se um bombeamento pesado chegar muito perto do litoral, a água salgada pode ser arrastada para a depressão hidrológica criada pelo bombeamento.
O Aquífero de Núbia não está exatamente em um processo de seca; ele está preenchido pelo equivalente a mais de 500 anos de fluxo do rio Nilo; estima-se que suas águas subterrâneas, se considerarmos apenas a porção egípcia, excedam 41 mil quilômetros cúbicos.
Aggarwal, da Agência Internacional de Energia Atômica, no entanto, chamou atenção para o seguinte: "Como resultado do bombeamento pesado, secamos os oásis em alguns lugares. Na Líbia, eles secaram o Lago Kufra". Ele contou que a National Geographic publicou, em 1920, uma foto do lago em um momento de cheia. "Agora ele é um leito seco, porque tem gente bombeando com muita força", disse ele.
E mesmo que o aquífero seja enorme, seu índice de reabastecimento, na melhor das hipóteses, "é medido em milímetros por ano", disse Aggarwal -- muito pequeno se comparado ao que é bombeado.
Além disso, segundo Sturchio, resta descobrir qual a melhor forma de extrair água: em outras palavras, "onde você coloca os poços, com qual profundidade, quão próximos uns dos outros".
"Se planejarmos tudo isso da maneira correta, podemos obter muito mais água sem problemas", continuou. "Mas se colocarmos todos os poços em um único ponto, podemos dar um tiro no próprio pé".
Ele prevê que gestores de recursos hídricos de todo o mundo venham a considerar o levantamento da equipe como sendo algo útil.
Além de serem aplicadas em outros aquíferos, em lugares como Filipinas e Austrália, as técnicas que envolvem o criptônio-81 estão sendo utilizadas como forma de rastrear soluções salinas em lugares como o sudeste do Novo México, onde resíduos radioativos provenientes de navios, submarinos e porta-aviões estão armazenados no subsolo .
Afinal, a gestão dos resíduos nucleares, assim como a gestão da água, é uma questão política.
"Há uma grande quantidade de variáveis que são levadas em conta ao se explorar um recurso", disse Aggarwal. "Na maioria dos casos, as decisões de se usar ou não se usar -- ou de quanto se deve usar -- são decisões sociais, políticas e econômicas".
Ainda assim, segundo ele, "quanto mais confiáveis forem os dados que pudermos fornecer para respaldar essas decisões, melhor -- o que queremos é obter as informações mais precisas possíveis".