01 maio 2011

FRUTAS DO NOSSO CERRADO - VALE A PENA CONHECER

Apresentamos aqui, um pouco da biodiversidade do cerrado brasileiro.
Foto: Fernando Tatagiba


As frutas do cerrado são muito desconhecidas ainda pela população brasileira. Essas frutas se destacam por ser ricas em nutrientes e substâncias antioxidantes, que faz um bem danado para o nosso corpo.

E quando se trata de vitaminas, segundo um estudo feito pela Unicamp, algumas frutas do cerrado tem um valor muito alto de vitaminas. Como a cagaita que dispõe de muita vitamina C, e o buriti com muita vitamina A.

Frutas do Cerrado


BARU:
Nomes populares: Castanha de baru, cumbaru, cumaru, castanha de burro, viagra do cerrado, coco barata, coco feijão. Nome científico: Dipteryx alata Vog;
Aspectos botânicos e ecológicos
Leguminosa arbórea da família Fabaceae.
Árvore de grande porte chegando a medir 25 metros de altura, podendo atingir 70 cm de diâmetro com vida útil em torno de 60 anos.
O baru está ameaçado de extinção em função da procura pela madeira e pelo nível de desmatamento do Cerrado.
Ocorre corte indiscriminado do baru para fabricação de carvão vegetal, instalação de cercas (moirões), indústria moveleira, construção civil, entre outros usos.

O baru é encontrado em terras férteis e seus ecossistemas de ocorrência têm sido massivamente desmatado em função do avanço da fronteira agropecuária sobre o Cerrado.
Crescimento rápido sendo importante para fixação de carbono da atmosfera.
Tem sua primeira frutificação com cerca de 6 anos, sendo este período bastante variado em função das condições de solo e água.
Possui safra intermitente com variações bruscas de intensidade de produção de frutos de um ano para o outro. Para efeitos práticos, relacionado a utilização comercial, produz uma safra boa a cada 2 anos.
Uma árvore adulta produz cerca de 150 kg de fruto por safra boa. Possui apenas uma semente por fruto, do qual pode se aproveitar a polpa, endocarpo e semente (amêndoa).
O tamanho do fruto varia muito de região por região, bem como em função das condições de solo, água e genética da planta. Em média o fruto pesa 25g, sendo 30% polpa, 65% endocarpo lenhoso e 5% semente.

A polpa do baru constitui importante fonte de alimento para a fauna nativa (pequenos mamíferos, roedores, pássaros, morcego, etc) e para o gado que se alimentam roendo a polpa da fruta na época da safra.

A época da floração e frutificação varia de acordo com a região, sendo que a colheita geralmente é feita após o pico de queda dos frutos maduros.

Aplicações do baru
Alimentação humana; Alimentação animal; Medicina; Indústria cosmética; Artesanato; combustível; Indústria madereira/moveleira; Construção civil/rural; Adubação natural (leguminosa); Moirão vivo



BURITI:
Foto: Fernando Tatagiba


O buriti (Mauritia flexuosa) é uma das mais singulares palmeiras do Brasil. O buriti é uma espécie abundante no Cerrado e um indicativo infalível da existência de água na região. Como o Cerrado é rico em água, lá estão os buritis, emoldurando as veredas, riachos e cachoeiras, inseridos nos brejos e nascentes. A relação com a água não é à toa.
Ao caírem nos riachos, os frutos de seus generosos cachos são transportados pela água, ajudando a dispersar a espécie em toda a região. Os frutos também servem de alimento para cutias, capivaras, antas e araras, que colaboram para disseminar as sementes. Na natureza, tudo funciona na base da cooperação mútua.
Os buritis também embelezam a paisagem do Cerrado e são fonte de inspiração para a literatura, a poesia, a música e as artes visuais.
Para o homem, o buriti também é muito generoso. Seu fruto é uma fonte de alimento privilegiada. Rico em vitamina A, B e C, ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Consumido tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também pode ser transformado em doces, sucos, licores e sobremesas de paladar peculiares.

O óleo extraído da fruta (foto) tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo, cicatrizante e energético natural. As substâncias do buriti também dão cor, aroma e qualidade a diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes.
As folhas geram fibras usadas no artesanato, tais como bolsas, tapetes, toalhas de mesa, brinquedos e bijuterias (foto.) Os talos das folhas servem para a fabricação de móveis. Além de serem leves, as mobílias feitas com o buriti são resistentes e muito bonitas.
As folhas jovens também produzem uma fibra muito fina, a “seda” do buriti, usada pelos artesãos na fabricação de peças feitas com o capim-dourado. Do buriti, se aproveita tudo. Até o nome, emprestado a milhares de lugares, estabelecimentos e até embarcações que levam a fama da palmeira por todos os lugares.

 
CAGAITA:
Nome científico: Eugenia dysenterica DC; Categoria: Vegetais - fruta ; Breve Descrição: A cagaita é uma fruta nativa brasileira, presente em todo o bioma Cerrado, na região centro-oeste do Brasil. Sua árvore é de porte médio, de três a quatro metros de altura, com ramos tortuosos, tem tronco enrugado e folhas que lembram as da goiabeira. A árvore floresce de agosto a setembro e frutifica de setembro a outubro. A fruta é globosa e achatada, de dois a três centímetros de diâmetro, de coloração amarelo-pálida, com uma a três sementes brancas envoltas em polpa de coloração creme, de sabor acidulado.
Os frutos são bastante consumidos, tanto ao natural como na forma de doces, geléias, sorvetes e sucos, podendo ter sua polpa congelada por até um ano. O fruto é bastante perecível quando maduro, devendo ser comido ou processado logo após colhido, para que não ocorra oxidação do mesmo. Especial atenção é dada quanto à quantidade de frutos ingeridos, principalmente quando quentes ao sol, grande quantidade gera efeito laxante, responsável tanto pelo nome popular como pelo científico. A árvore é também medicinal, melífera, ornamental e madeireira. A casca serve para curtumes, sendo uma das corticeiras do Cerrado, com até mais de 2 cm de espessura. Além de efeito laxante dos frutos, seu uso medicinal está associado à ação anti-diarréica de suas folhas.

Área tradicional de produção, detalhes sobre a origem do produto e ligação com grupos locais

Como árvore nativa do cerrado a cagaita faz parte da vida de muitas comunidades. Com o avanço da pecuária e da agricultura intensiva em grande parte da região centro-oeste por onde se extende o bioma, as cagaiteiras começaram a ser derrubadas o que começou a preocupar os produtores. O beneficiamento dos frutos do cerrado, sua comercialização e replantio tem sido estratégias usadas por estes grupos para tentar preservar suas riquezas naturais e culturais, já que o hábito de catar e comer frutos do cerrado faz parte da história de convivência das comunidades com seu habitat.

O fruto faz parte dos hábitos alimentares da região do Caxambu, sendo lembrado pelos mais velhos que já costumavam comê-lo. Atualmente o trabalho de beneficiamento do fruto é desenvolvido por um grupo de 8 mulheres, que coletam as frutas e fazem o seu beneficiamento na pequena agroindustria que possuem. A tarefa de coleta da fruta é realizada não somente em suas propriedades, mas também nas imediações e até mesmo no povoado. Desta tarefa muitas vezes participam também outros membros da família, principalmente os filhos.

Os produtos da agroindustria, inclusive a geléia de cagaita, são comercializados, principalmente através da Central de Comercialização do Cerrado, entidade com a qual a associação da qual fazem parte, a Associação de Desenvolvimento Comunitário do Caxambu - ADCC mantém parceria. A Central tem aberto mais canais de comercialização e divulgação dos produtos.

As feiras e congressos que a ADCC participa, muitas com calendário fixo, também representam espaços de comercialização relevantes.
O mercado de Pirenópolis, que já é explorado pela Associação há bastante tempo, tem melhorado bastante em função do incremento do turismo na cidade nos últimos anos. Os produtos são vendidos aí, diretamente para pousadas e restaurantes, assim como em supermercados.

O grupo produz em média 250 vidros de geléia de cagaita por ano, produção resultante da coleta de frutos que se encontram em suas propriedades ou próximo delas. Dependendo da demanda pelo fruto beneficiado e da disponibilidade para fazer a coleta em áreas mais afastadas de suas propriedades, esta produção pode aumentar. O plantio de algumas mudas de cagaita já foi feito, mas de forma muito incipiente.

GUABIROBA:
A gabiroba, guabiroba ou guavira é o fruto produzido pela gabirobeira, um arbusto silvestre que cresce nos campos e pastagens do cerrado brasileiro.

É um fruto arredondado, de coloração verde-amarelada, com polpa esverdeada, suculenta, envolvendo diversas sementes muito parecido com uma goiabinha. Ela pode ser consumida ao natural ou na forma de sucos, doces e sorvetes e ainda serve para fazer um apreciado licor.
A planta apresenta duas variedades:
-  pubescens var. coarectatum O. Berg
- pubescens var. pubescens.
A gabiroba é uma planta nativa do Brasil, sendo muito encontrada nos cerrados das regiões sul, Sudeste e Centro-Oeste. Sendo disseminada para outros países da América do Sul, é muito encontrada na Argentina e Uruguai. No sul do Brasil, na região norte e oeste do Paraná além da variedade de cerrado, dissemina-se também a variedade arbórea que alcança vários metros de altura, produzindo frutos com sabor e aparência da variedade de campo, porém quando maduros apresentam a cor amarela.

Cultivo: A gabirobeira vive em clima tropical quente, com baixo índice pluviométrico, devendo estar sempre exposta ao sol. Não é exigente quanto ao solo, crescendo inclusive em terrenos pobres. No entanto, quando é cultivada, apresenta maior preferência pelos solos do tipo vermelho-amarelo. A necessidade de água é moderada.
A propagação se dá através de sementes, que devem ser semeadas logo após a extração do fruto porque perdem rapidamente a capacidade germinativa. Pode ser cultivada em canteiros.
A colheita geralmente ocorre no mês de novembro. Os frutos podem ser conservados em sacos plásticos na geladeira ou congelador


JATOBÁ:
Nome cientifico: Hymenaea stigonocarpa Mart; Família Leguminosae, mesma do feijão, do baru, da copaíba e do pau-brasil. A família é a primeira entre as mais importantes em termos de número de espécies lenhosas (arbustos e árvores). São mais de 150 espécies agrupadas em três subfamílias. Outros nomes: jatobá, jatobá-do-campo, jatobá-da-serra, jatobá-capão, jatobá-de-casca-fina, jataí.
Folhas alternas, bifolioladas (compostas por dois folíolos) características dos jatobás.
Arvoreta ou árvore  de até 10 metros de altura amplamente utilizada por todas as populações tradicionais do bioma Cerrado. Ocorre em cerrados e cerradões e mesmo sem flores pode ser identificada facilmente pelas suas folhas, que são alternas ecompostas por dois folíolos. Dizem que a folha do jatobá parece um par de pulmões, o que já indicaria suas propriedades medicinais no fortalecimento das vias respiratórias superiores e aparelho cardio-vascular. As folhas e ramos mais jovens possuem pilosidade.
Os botões são recobertos por vilosidade (pêlos bem curtos com textura de veludo) cor de ferrugem. Suas flores brancas com até 05 cm de diâmetro são polinizadas por morcegos.

MACAÚBA:
A macaúba é uma palmeira nativa brasileira que pode crescer a uma altura de 15 metros. Usada como planta ornamental, ela produz frutas comestíveis que contém um óleo, semelhante ao azeite de oliva, que é usado nos setores de alimentos e farmacêutico. A comunidade do norte do estado de Minas Gerais, no sudeste, processa os produtos derivados desta palmeira. O óleo é extraído e filtrado mecanicamente sem a adição de quaisquer produtos químicos, de modo que seu sabor e seu aroma permanecem inalterados. A comunidade é apoiada pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA), uma importante ONG que apóia organizações de agricultura familiar no Estado, presta consultoria e fornece ferramentas para melhorar a comercialização de seus produtos.



MAMACADELA:
Fruta típica do cerrado, possui uma polpa bastante saborosa, porém está difícil de ser encontrada, tendo em vista que é muito apreciada pelos animais.

MANGABA:


Nome popular - Mangabeira, Mangaba. Nome cientifico - Hancornia speciosa, Familia - Apocynaceae *Fenelogia - Florece durante os meses de setembro-novembro. Utilidade - A madeira é empregada apenas para caixaria e para lenha e carvão, seus frutos são comestíveis e muito apreciados principalmente na região Nordeste do pais, onde são regularmente comercializados nas feiras e, indústrias na forma de sorvetes e doces. Os frutas são também consumidos por algumas espécies de animais silvestres.

PEQUI:



Nomes populares - piqui, pequi, pequi-bravo, pequiá.Nome cientifico - Caryocar brasiliense. Familia - Caryocaraceae. Feneologia - Florece durante os meses de setembro-novembro.Os frutos iniciam a maturação em meados de novenbro, prolongando-se até início de fevereiro. Utilidade - A madeira é propria para construção civil e naval. Os frutos são comestíveis e apreciadícimos pela população do Brasil Central; o caroço com polpa (mesocarpo) é cozido com arroz, usada para o preparo de licores e para extração de madeira e sebo; o caroço é lenhoso e formado por grande quantidade de pequenos espinhos, que podem ferir a mucosa bucal quando ingerido por incautos. Os frutos também são consumidos por várias espécies da fauna, que contribuem para a disseminação da espécie.

PITOMBA:
Nome científico: Talisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk; Família botânica: Sapindaceae; Origem:Brasil; Características da planta: Árvore com cerca de 13 metros de altura. Folhas compostas. Flores pequenas, de coloração alva, reunidas em inflorescências terminais. Fruto: Tipo drupa, arredondada, casca subcoriácea, glabra, de coloração amarelo-esverdeada. Polpa comestível, saborosa, envolvendo uma ou duas sementes longas, recoberta por arilo carnoso, branco e de sabor agridoce. Frutificação: Verão, podendo adiantar ou atrasar de acordo com as chuvas. Propagação: Semente;Fruta extremamente difundida por todo o Nordeste, onde é cultivada em pomares residenciais e quintais, a pitomba é encontrada com relativa facilidade nas ruas e em feiras nas regiões Nordeste e Norte em em alguns mercados de outras partes do país. Não existem, porém, pomares comerciais da fruta, que não tem importância econômica significativa. O uso habitual que se faz da pitomba de sua abundante produção, ao menos em Pernambuco, é o de aluguel da árvore. O proprietário de uma pitombeira concede, por uma pequena quantia, o direito de se apanharem todas as pitombas disponíveis naquela árvore, em geral carregadíssima. Colhem-se tanto as que ainda não amadureceram por completo, as mais verdinhas - que embora contenham mais polpa são mais azedas -, quanto aquelas efetivamente maduras, de casca amarronzada. Nesse caso, a polpa transparente é apreciada pelo sabor agridoce, doçura e pela gostosa sensação refrescante de se ter o que chupar sob o sol escaldante do Nordeste. Por dentro de sua casca amarelo-acinzentada, rompida com os dentes, a pitomba oferece uma polpa relativamente escassa, adstringente (quando verde) e agridoce (quando madura), dividindo o interior com um caroço grande. A fruta só se presta ao consumo ao natural, raramente sendo empregada na elaboração de sucos, doces ou sorvetes. Há quem diga, todavia, que este uso ampliaria as possibilidades de comercialização da pitomba, inclusive para o mercado internacional. A pitombeira pertence a família das Sapindáceas, tendo como parente a chinesa lichia. Bonita árvore, de copa robusta e arredondada e tronco bastante ramificado, raramente ultrapassa os 13 metros de altura, o suficiente para dificultar a colheita. Suas flores pequenas e levemente alaranjadas, entremeadas às folhas bem verdes, pouco chamam a atenção. Ao menos quando comparadas às abundantes frutinhas, que revolvem como nenhuma outra fruta a curiosidade e o paladar do povo nordestino.
Mas dessas frutas do cerrado, uma que conseguiu “fama” foi o pequi, ela ultrapassou as fronteiras locais e ganhou adeptos até internacionais.

Lembrando é sempre bom comer frutas que contenha antioxidantes, pois eles combatem os radicais livres do nosso organismo.


Fonte: http://www.acessonews.com/blog/3216/frutas-do-cerrado/;http://www.caldas.com.br/fotos/galgeral.htm;http://www.slowfoodbrasil.com/content/view/89/61/; http://ilanamaryamaeliceia.blogspot.com/;http://poderdasfrutas.com/categoria/pitomba/;Takemoto, E. et al. Composição química da semente e do óleo de baru (Dipteryx alata Vog.) nativo do Município de Pirenópolis, Estado de Goiás. Rev. Inst. Adolfo Lutz, 60(2):113-117, 2001.;http://www.ispn.org.br/o-buriti-a-palmeira-de-mil-e-uma-utilidades/;http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabiroba

4 comentários:

  1. quando eu era criança, vivia trepado nos pés de gabiroba na fazenda onde moravamos, lá no norte do pr. Jandaia do Sul, Bom Sucesso, Ai que saudade! velhos ttempos que não voltam mais.

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  2. Quando criança, morei num lugar chamado Matinha, hoje periferia da grande Goiânia. A vegetação era típica de cerrado. Todos esses frutos fizeram parte da minha infância. Como era bom sair para o campo e buscar cajuzinho, gabiroba, mama-cadela, ingá, guapeva, manga, mangaba, pequi... Ahh, como era bom... Que saudade!!!

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  3. Onde posso encontrar mudas destas plantas próximo a Uberlândia MG?
    Parabéns pela divulgação

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  4. tirei todas as minhas duvidas escolares...
    VALEU...

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